{"id":48765,"date":"2014-03-10T04:37:17","date_gmt":"2014-03-10T07:37:17","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=48765"},"modified":"2014-03-10T04:37:17","modified_gmt":"2014-03-10T07:37:17","slug":"a-viuva-vermelha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-viuva-vermelha\/","title":{"rendered":"A vi\u00fava vermelha"},"content":{"rendered":"<h1><\/h1>\n<h3><em>Da clandestinidade a honrarias em Bras\u00edlia, as lutas feministas de Clara Charf, fora da sombra do guerrilheiro Carlos Marighella<\/em><\/h3>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">Juliana Sayuri<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">Clareou. Passava das 5h30 da matina dessa quarta-feira de cinzas e de nuvens tristes, ainda na ressaca do carnaval, enquanto as ruas paulistanas eram novamente tomadas por carros, buzinas e guarda-chuvas coloridos. Era o retorno \u00e0 rotina da gente comum, que entre c\u00e9u e concreto enfrenta tr\u00e2nsito ca\u00f3tico, trabalho chato, pre\u00e7o abusivo do fil\u00e9 ao caf\u00e9, tudo para voltar para casa e, depois de mais uma jornada, come\u00e7ar tudo de novo. Ainda chuviscando no in\u00edcio da tarde, enquanto caminhava pelas ruas do Bom Retiro, prestes a encontrar Clara Charf pela primeira vez, n\u00e3o imaginava que era justamente assim que a ilustre vi\u00fava de Carlos Marighella gostaria de ser retratada aos 88 anos: como gente comum.<\/span><\/p>\n<div id=\"bb-md-noticia-tabs\">\n<div id=\"bb-md-noticia-tabs-1\">\n<div>\n<div>\n<div><img decoding=\"async\" title=\"Sobre as lutas feministas, militante afirma que \u00e9 'preciso participar para conquistar espa\u00e7o'. - Daniel Teixeira\/Estad\u00e3o\" alt=\"Sobre as lutas feministas, militante afirma que \u00e9 'preciso participar para conquistar espa\u00e7o'. - Daniel Teixeira\/Estad\u00e3o\" src=\"http:\/\/www.estadao.com.br\/fotos\/clara.jpg\" \/><\/div>\n<div>Daniel Teixeira\/Estad\u00e3o<\/div>\n<div>Sobre as lutas feministas, militante afirma que \u00e9 &#8216;preciso participar para conquistar espa\u00e7o&#8217;.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Uma mulher comum, ali\u00e1s. Quer dizer, tudo que ela n\u00e3o \u00e9. Clara Charf me recebeu na sua casa, ap\u00f3s diversos pedidos de entrevista sobre sua luta feminista. Arisca, ressabiada e um tiquinho rabugenta, no primeiro minuto disparara do outro lado da linha: &#8220;Que que \u00e9 esse tal Ali\u00e1s?&#8221;. Por fim, aceitou e abriu a porta, que trazia um tradicional capacho de &#8220;bem-vindos&#8221;. De pele alva, olhos castanhos e fios brancos, a senhora vestia camisa vermelha, sua cor preferida, e jaqueta jeans. Se noutros tempos n\u00e3o tinha tempo para vaidades, dessa vez tinha batom rosinha, broche e brinco de flor.<\/p>\n<p>A poucos passos da porta, uma mesa de madeira maci\u00e7a. \u00c0 esquerda, um calend\u00e1rio simples, um cartaz da comunista Soledad Barrett Viedma, adiante uma estante de madeira repleta de livros, entre muitos t\u00edtulos sobre a ditadura e biografias de personalidades como Che e Lamarca.<\/p>\n<p>A mesa, dividida. De um lado, uma toalha xadrez vermelha arrumada por Maz\u00e9, com caf\u00e9, bolo de ma\u00e7\u00e3 folhado e suco de uva kosher. De outro, orqu\u00eddea branca, \u00f3culos, a biografia Marighella: O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo, de M\u00e1rio Magalh\u00e3es, uma revista Tpm e uns exemplares desse tal Ali\u00e1s. &#8220;Voc\u00eas, jornalistas&#8230; Uma coisa \u00e9 a profiss\u00e3o, o dever de trabalhar com a verdade, isto \u00e9, de publicar hist\u00f3rias que podem ser \u00fateis para a sociedade.<\/p>\n<p>Outra \u00e9 querer transformar a vida em uma hist\u00f3ria de outro mundo. N\u00e3o \u00e9 assim. Somos todos iguais. Mas, por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias, cada um escolhe seu caminho.&#8221; Ainda na mesa, um estojo negro com uma chapinha prata, assinada pela ministra Eleonora Menicucci, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher: &#8220;Homenagem a Clara Charf, uma guerreira pela paz, justi\u00e7a social e liberdade. Bras\u00edlia, 18 de fevereiro de 2014&#8221;. Em poucas palavras, esse foi o caminho escolhido pela militante pernambucana.<\/p>\n<p>Nascida num 17 de julho em Macei\u00f3, Clara cresceu no Recife. Filiou-se ao Partido Comunista aos 21. Queria a liberdade dos c\u00e9us, mas, como n\u00e3o p\u00f4de ser aviadora, encontrou asas num vestido azul na Aerovias Brasil. N\u00e3o tardou para que a aeromo\u00e7a se tornasse um pombo-correio, num leva e traz de documentos para o Comit\u00ea Nacional do PCB. Depois se tornou taqu\u00edgrafa do Partid\u00e3o. \u00c9 desses tempos a famosa hist\u00f3ria de amor: a &#8220;branquinha&#8221; cruzou o caminho de outro partid\u00e3o, o deputado Carlos Marighella, no Rio.<\/p>\n<p>Apaixonaram-se. Gdal Charf, mascate e judeu russo, se desesperou: sua filha metida com um schvartz, roiter e goy! Para impedi-la de fugir com esse preto, comunista e crist\u00e3o, o pai rasgou seus documentos e suas roupas. Clara se refugiou na casa da deputada Adalgisa Cavalcanti, que lhe costurou um vestido. Clara o vestiu e fugiu \u00e0 noite com Marighella.<\/p>\n<p>Ficaram juntos de dezembro de 1948 a novembro de 1969, quando o guerrilheiro foi assassinado pela repress\u00e3o. Nunca casaram no papel, pois na \u00e9poca estavam na clandestinidade. Se na intimidade eles se tratavam por &#8220;Lobinho&#8221; e &#8220;Chapeuzinho&#8221;, nas ruas os nomes eram outros. Ao lado de Marighella, Clara, um dia princesa d\u2019A Classe Oper\u00e1ria, do PCB, se tornou Nice, S\u00edlvia, Vera, entre outros nomes fict\u00edcios. Teve diversos endere\u00e7os, principalmente no eixo Rio-S\u00e3o Paulo, articulando apoio t\u00e1tico para a A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional, a ALN, enquanto o comandante viajava para ordenar a guerrilha Brasil adentro. A militante comunista ainda se tornou Marta Santos, em S\u00e3o Paulo, e Claudia Gonz\u00e1les, em Havana.<\/p>\n<p>Nessas mil faces de uma mulher leal, Clara viveu sob duas ditaduras &#8211; a de Get\u00falio Vargas (1937-1945) e a militar (1964-1985). Na \u00faltima, foi uma das primeiras mulheres a ter os direitos pol\u00edticos cassados. Ap\u00f3s a morte de Marighella, declarado o inimigo n.\u00ba 1 pelos militares, Claudia se exilou em Cuba. Na ilha de Fidel, aprendeu espanhol e virou tradutora. A primeira nova palavra: cepillo. &#8220;Dessas discuss\u00f5es sobre m\u00e9dicos cubanos agora&#8230; Eles s\u00e3o \u00f3timos. Uma vez, fiquei doente e fui internada. Tinha tr\u00eas camas no quarto: uma mulher de um alto comandante, uma faxineira e eu. Todas iguais. Queria escovar meus dentes e fiquei pedindo uma escova para a enfermeira. Logo descobri que \u2018escova\u2019 \u00e9 vassoura no espanhol, imagina&#8221;, ri alto e sorri.<\/p>\n<p>Hoje Clara tem um sorriso f\u00e1cil, sincero, sonoro. Por muito tempo, n\u00e3o foi assim &#8211; &#8220;Marighella dizia: Clara, voc\u00ea n\u00e3o pode sorrir nas ruas, sen\u00e3o v\u00e3o logo te reconhecer&#8221;. Em Havana, Claudia tampouco sorria, nem para tirar fotos, por medo de ser descoberta. A militante voltou ao Brasil com a anistia, em 1979. &#8220;Anistia te d\u00e1 sua vida de volta. \u00c9 a alegria de poder discutir, viajar, sair, encontrar amigos, reencontrar fam\u00edlia, recome\u00e7ar&#8221;, conta, sentando-se numa poltrona da sala, arejada por janel\u00f5es, diante de um cartaz do document\u00e1rio Marighella, dirigido por sua sobrinha Isa Grinspum Ferraz.<\/p>\n<p>&#8211; Posso fazer um retrato da senhora?, perguntou o fot\u00f3grafo Daniel Teixeira.<\/p>\n<p>&#8211; U\u00e9, e voc\u00ea trouxe a m\u00e1quina pra qu\u00ea?<\/p>\n<p>De volta a S\u00e3o Paulo, Clara virou bibliotec\u00e1ria para ganhar o p\u00e3o &#8211; e voltou a militar nos movimentos sociais querendo lutar para dividir o p\u00e3o. Filiou-se ao jovem Partido dos Trabalhadores e, em 1982, disputou uma vaga para deputado, defendendo direitos das mulheres &#8211; apesar dos 19.500 votos, n\u00e3o foi eleita. Durante a campanha, notou no primeiro com\u00edcio que sua identidade finalmente se firmara quando um companheiro lhe perguntou: &#8220;Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 a Nice?&#8221;. &#8220;N\u00e3o. Sou Clara Charf. De verdade.&#8221;<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tempos, a pernambucana precisou trocar Perdizes por Bom Retiro. Em 2010, durante a campanha presidencial de Dilma Rousseff, a feminista perdeu o equil\u00edbrio, escorregou e quebrou o f\u00eamur, em Bras\u00edlia. Lula deu um jeitinho e Clara foi internada no hospital das For\u00e7as Armadas &#8211; ironia, tratada por militares, que ainda ontem a destratavam. Ao voltar para S\u00e3o Paulo, concordou que seria melhor se mudar para mais perto de sua irm\u00e3, Sara. Agora vive num predinho dominado por coreanos no bairro judeu. &#8220;Foi uma queda est\u00fapida, mas mudou minha rotina&#8221;, diz, enquanto se apoia na bengala para procurar um livro. &#8220;Antes, morava sozinha e era absolutamente independente. Era ativ\u00edssima. \u00c0s vezes me d\u00e1 uma tristeza, porque quero sair e n\u00e3o posso. E da\u00ed? Fa\u00e7o o que posso.&#8221;<\/p>\n<p>De fato, faz. Clara n\u00e3o perde uma discuss\u00e3o no Memorial da Resist\u00eancia, participa de debates nas universidades, \u00e0s vezes assiste a depoimentos na Comiss\u00e3o da Verdade de S\u00e3o Paulo. Entretanto, n\u00e3o mergulha t\u00e3o a fundo em quest\u00f5es contempor\u00e2neas. Os 50 anos do golpe? &#8220;N\u00e3o sei se 50 anos bastam para acertar o passado. As comiss\u00f5es contribuem para trazer \u00e0 baila o que realmente aconteceu, mas como vamos julgar isso? Os torturadores ser\u00e3o presos?&#8221; A anistia? &#8220;O que vai acontecer com os militares? V\u00e3o prestar contas \u00e0 sociedade?&#8221; O julgamento do mensal\u00e3o? &#8220;Uma hist\u00f3ria s\u00f3rdida. Esse juiz foi&#8230; N\u00e3o era por a\u00ed. Isso faz parte da luta ideol\u00f3gica.&#8221; As jornadas de junho? &#8220;Tinha de tudo nessas manifesta\u00e7\u00f5es, n\u00e9?&#8221; O Col\u00e9gio M\u00e9dici que se tornou Col\u00e9gio Marighella em Salvador? &#8220;A Bahia inteira ficou feliz!&#8221; Pretende escrever suas mem\u00f3rias um dia? &#8220;N\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Clara ri, um lamento quase lhe tira o sorriso, mas logo se vai. &#8220;N\u00e3o sou mais jovem. Se fosse, estaria l\u00e1 no movimento estudantil. Mas n\u00e3o fico de bra\u00e7os cruzados. Ainda tenho vontade de intervir&#8221;, diz, com voz firme, mas doce. &#8220;Estou fisicamente impossibilitada para ir \u00e0s ruas, mas h\u00e1 outras maneiras. Se convidada, subo no palco, de bengala mesmo, para mostrar para os jovens que \u00e9 poss\u00edvel continuar na luta, depois de n\u00e3o sei quantos anos de milit\u00e2ncia. Se t\u00e1 viva e l\u00facida, a gente precisa contribuir, n\u00e3o \u00e9?&#8221; \u00c9. &#8220;Se voc\u00ea vive em uma sociedade em que as pessoas n\u00e3o t\u00eam o que comer, voc\u00ea precisa batalhar para que as pessoas tenham o que comer. Se as pessoas n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de estudar e viver, precisa batalhar para que as pessoas tenham um livro para ler e um lugar para morar. Isso \u00e9 o que est\u00e1 em jogo.&#8221;<\/p>\n<p>O jogo \u00e9 um velho conhecido. Aos 10, Clara se descobriu comunista em Recife, com um empurr\u00e3ozinho de Jacob Wolfenson, pai do fot\u00f3grafo Bob Wolfenson:<\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea \u00e9 ladr\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o, Clara.<\/p>\n<p>&#8211; Mas por que voc\u00ea foi preso?<\/p>\n<p>&#8211; Clara, fui preso porque estava lutando. Todo mundo deve ter direito a comida, casa, estudo. E quem n\u00e3o tem? \u00c9 preciso lutar. Um dia, a gente vai viver numa sociedade em que todos ser\u00e3o iguais. A\u00ed, n\u00e3o vai ter dinheiro, s\u00f3 troca.<\/p>\n<p>&#8211; Como assim?<\/p>\n<p>&#8211; Eu tenho p\u00e3o, mas voc\u00ea tem caf\u00e9. Vamos trocar? A\u00ed n\u00f3s dois teremos tudo. Comunismo \u00e9 isso. Eu sou comunista.<\/p>\n<p>&#8211; U\u00e9, eu tamb\u00e9m sou comunista!<\/p>\n<p>Olhando para tr\u00e1s, Clara n\u00e3o guarda arrependimentos. &#8220;S\u00f3 de coisas que n\u00e3o fiz, por tempo. N\u00e3o sei dizer agora quais. Marighella e eu aproveitamos o tempo de liberdade, antes do golpe. Depois, a vida ficou muito dif\u00edcil.&#8221; Queria ter tido filhos? &#8220;Disse que eram tempos dif\u00edceis&#8221;. Quantas casas teve? &#8220;N\u00e3o lembro, muitas. E cada casa tinha uma hist\u00f3ria. N\u00e3o fazia amizade com os vizinhos, pois n\u00e3o podia dizer quem era de verdade. Mas fiz muitos amigos na clandestinidade. \u00c9 interessante. As pessoas pensam que a luta \u00e9 uma atividade formal e regrada para acabar com a ditadura e tal. N\u00e3o \u00e9 isso. A luta \u00e9 feita de gente. De amizade, di\u00e1logo, ideias. \u00c9 gente. Foram muitos anos assim&#8230;&#8221;, diz, com os olhos marejados na \u00fanica vez ap\u00f3s horas de conversa. &#8220;Bom, vamos tomar um ch\u00e1. Tem leite, Maz\u00e9?&#8221;<\/p>\n<p>Olhando para a frente, Clara ainda quer participar da hist\u00f3ria. &#8220;\u00c0s vezes entro num lugar e as pessoas nem sabem que eu existo. A\u00ed vem uma refer\u00eancia \u2018agora a Clara Charf, vi\u00fava n\u00e3o sei o qu\u00ea\u2019. \u00c9 muito delicado algu\u00e9m querer se transformar em vedete. N\u00e3o \u00e9 por a\u00ed. H\u00e1 milhares de pessoas como eu no Brasil. Muitos j\u00e1 morreram. Eu posso morrer amanh\u00e3. O que fiz est\u00e1 feito.&#8221;<\/p>\n<p>O que fez lhe rendeu uma homenagem em Bras\u00edlia nos \u00faltimos tempos, ao lado da escritora Rose Marie Muraro. &#8220;Escolhemos Clara e Rose pela import\u00e2ncia que tiveram, t\u00eam e ter\u00e3o na hist\u00f3ria da democracia brasileira. Sobre Clarinha especialmente, costumo dizer que ela \u00e9 um \u2018m\u2019atrim\u00f4nio nacional. \u00c9 uma menina, cheia de luz e de energia. Ela simboliza a mulher que rompeu com todas as barreiras. Quando pens\u00e1vamos que ia sossegar, ela abra\u00e7a o movimento Mulheres pela Paz! Se a condi\u00e7\u00e3o feminina melhorou, \u00e9 porque mulheres como Clara passaram e abriram caminho. Digo mais: tenho a convic\u00e7\u00e3o de que, se n\u00e3o fosse por mulheres como Clara, dificilmente ter\u00edamos uma presidenta hoje&#8221;, diz, com carinho, a ministra Eleonora Menicucci.<\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras de mais um Dia Internacional da Mulher, Clara Charf ainda martela na import\u00e2ncia das quest\u00f5es femininas na sociedade. &#8220;O que aprendi nesses anos todos: \u00e9 preciso participar para conquistar espa\u00e7o. Se eu tivesse ficado em casa, estaria at\u00e9 agora de bra\u00e7os cruzados, talvez fazendo tric\u00f4 e casada com outro cara. Mas n\u00e3o consigo ver a vida da mulher isolada, partida da pol\u00edtica. Hoje \u00e9 relativamente mais \u2018f\u00e1cil\u2019 ser mulher no Brasil, mas h\u00e1 muitos espa\u00e7os a ganhar. A vida \u00e9 construir, conquistar, pulsar. Para mim, a vida \u00e9 luta.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: Estado de S. Paulo<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da clandestinidade a honrarias em Bras\u00edlia, as lutas feministas de Clara Charf, fora da sombra do guerrilheiro Carlos Marighella<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":48766,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-48765","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/clara.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48765","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48765"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48765\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48766"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48765"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48765"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48765"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}