{"id":488135,"date":"2025-05-14T05:37:17","date_gmt":"2025-05-14T08:37:17","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=488135"},"modified":"2025-05-14T05:37:17","modified_gmt":"2025-05-14T08:37:17","slug":"era-a-escravidao-que-sustentava-a-igreja-catolica-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/era-a-escravidao-que-sustentava-a-igreja-catolica-no-brasil\/","title":{"rendered":"&#8216;Era a escravid\u00e3o que sustentava a Igreja Cat\u00f3lica no Brasil&#8217;"},"content":{"rendered":"<div class=\"bbc-1151pbn ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<h1 id=\"content\" class=\"article-heading bbc-14gqcmb e1p3vdyi0\" tabindex=\"-1\"><\/h1>\n<\/div>\n<figure class=\"bbc-1qn0xuy\">\n<div class=\"bbc-18ywsw9\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-488139 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/mercado-de-escravos-620x349.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/mercado-de-escravos-620x349.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/mercado-de-escravos-300x169.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/mercado-de-escravos-768x432.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/mercado-de-escravos-160x90.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/mercado-de-escravos-480x270.webp 480w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/mercado-de-escravos-640x360.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/mercado-de-escravos.webp 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p class=\"bbc-by8ykd\" role=\"text\">Mercado de escravizados no Rio, em ilustra\u00e7\u00e3o de 1826<\/p>\n<\/div>\n<\/figure>\n<section class=\"bbc-1vjaf6b\" role=\"region\" aria-labelledby=\"article-byline\"><span class=\"bbc-m04vo2\">Por: <\/span><span class=\"bbc-1ypcc2\">Edison Veiga, do BBC<\/span><\/p>\n<div><\/div>\n<\/section>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Era a\u00a0<a class=\"focusIndicatorReducedWidth bbc-n8oauk e1p3sufg0\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c1gdqgkx4z9t\">escravid\u00e3o<\/a>\u00a0que sustentava a\u00a0<a class=\"focusIndicatorReducedWidth bbc-n8oauk e1p3sufg0\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c6vzyv58w95t\">Igreja Cat\u00f3lica<\/a>\u00a0no Brasil.&#8221; Quem diz \u00e9 o historiador Vitor Hugo Monteiro Franco, pesquisador na Biblioteca Nacional, doutor pela Universidade Federal Fluminense (UFF), autor do livro\u00a0<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Escravos da Religi\u00e3o<\/i>\u00a0e uma das maiores autoridades sobre o tema no pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Segundo seus estudos, no auge do s\u00e9culo 19, somente a Ordem de S\u00e3o Bento tinha cerca de 4 mil pessoas\u00a0<a class=\"focusIndicatorReducedWidth bbc-n8oauk e1p3sufg0\" href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/topics\/c1gdqgkx4z9t\">escravizadas<\/a>\u00a0trabalhando em suas unidades espalhadas pelo territ\u00f3rio, nos atuais Estados do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Pernambuco e Bahia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Mas n\u00e3o \u00e9 somente isso. Apoiados em argumentos de que era melhor viver sob a escravid\u00e3o &#8220;e se tornar um crist\u00e3o&#8221; do que seguir &#8220;no paganismo e ir para o inferno&#8221;, religiosos deram um salvo-conduto \u00e0 elite escravocrata que ao longo de quase 400 anos exploraram m\u00e3o de obra compuls\u00f3ria no Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Al\u00e9m disso, eles pr\u00f3prios tamb\u00e9m se envolveram no emprego desse trabalho e at\u00e9 mesmo no chamado tr\u00e1fico negreiro que abastecia o mercado.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil, Franco d\u00e1 dois exemplos de como se dava essa rela\u00e7\u00e3o. O primeiro era uma imiscuidade quase natural: a presen\u00e7a de sacerdotes cat\u00f3licos a bordo das naus. &#8220;No n\u00edvel cotidiano, os navios negreiros deveriam [por regulamenta\u00e7\u00e3o] ter padres, religiosos que conduziam o batismo desses africanos, no momento de embarque ou j\u00e1 a bordo&#8221;, explica ele.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;A ideia era que a escravid\u00e3o fosse acompanhada da convers\u00e3o. Ent\u00e3o existiam diversas leis do governo portugu\u00eas que estabeleciam a necessidade de um acompanhamento de religiosos nos navios negreiros.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;A Igreja considerava o escravizado, sim, um ser humano com alma. Mas via na escravid\u00e3o uma maneira dessas popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o crist\u00e3s conhecerem o cristianismo e fazerem um caminho de prova\u00e7\u00e3o e salvarem suas almas. \u00c9 um posicionamento amb\u00edguo&#8221;, afirma \u00e0 BBC News Brasil o historiador \u00cdtalo Domingos Santirocchi, professor na Universidade Federal do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">O outro ponto, na an\u00e1lise do historiador Franco, implicava uma participa\u00e7\u00e3o &#8220;mais firme&#8221; do ponto de vista institucional. Havia religiosos atuando no processo de compra e venda dos escravizados, ou seja, naquele que era considerado um com\u00e9rcio de pessoas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Isso principalmente por conta dos mission\u00e1rios jesu\u00edtas, os religiosos da Companhia de Jesus. &#8220;Eles tinham presen\u00e7a no continente africano desde o in\u00edcio do processo da expans\u00e3o portuguesa, no s\u00e9culo 15. Estavam, portanto, bem inseridos na l\u00f3gica africana&#8221;, diz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">De acordo com as pesquisas de Franco, no s\u00e9culo 18 a possess\u00e3o jesu\u00edtica localizada na regi\u00e3o de Luanda, em Angola, &#8220;era a maior propriet\u00e1ria de escravizados&#8221; daquele pa\u00eds, com um total na casa dos milhares, somadas todas as suas propriedades.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Essa riqueza era adquirida da rela\u00e7\u00e3o que os jesu\u00edtas tinham com os l\u00edderes africanos e os residentes portugueses em Luanda&#8221;, explica. &#8220;A Companhia de Jesus estava muito bem ajustada a essa din\u00e2mica escravista.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">O interessante era que esses escravizados n\u00e3o ficavam restritos \u00e0s col\u00f4nias portuguesas na \u00c1frica. &#8220;O col\u00e9gio jesu\u00edta de Luanda mandava frequentemente escravizados africanos de sua posse para o col\u00e9gio que ficava no Rio de Janeiro&#8221;, conta o historiador.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Ent\u00e3o havia um tr\u00e2nsito direto entre ambos e a transa\u00e7\u00e3o era feita por navios da pr\u00f3pria ordem religiosa. Isso significa que eles nem sequer pagavam os tributos da Coroa, ent\u00e3o era um com\u00e9rcio que ocorria \u00e0 margem do controle real.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Franco ressalta que essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 importante porque, por norma, o tr\u00e1fico negreiro, por ser ent\u00e3o um com\u00e9rcio regular, &#8220;gerava dividendos para a Coroa portuguesa&#8221; e, mais tarde, para o imp\u00e9rio brasileiro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;A transa\u00e7\u00e3o feita pelos jesu\u00edtas passava ao largo e facilitava o acesso dos jesu\u00edtas ao com\u00e9rcio negreiro&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">O pesquisador aponta para um dado que indica o verdadeiro uso que os jesu\u00edtas baseados no Rio faziam desses africanos importados paralelamente. Segundo seus levantamentos, o n\u00famero de escravizados nas fazendas mantidas pelos religiosos no Rio n\u00e3o apresentava aumento consider\u00e1vel, levantando a hip\u00f3tese de que, na realidade, esse contingente era colocado \u00e0 venda pelos religiosos para aqueles interessados em adquirir m\u00e3o de obra negra escravizada.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Em outras palavras, os jesu\u00edtas teriam contribu\u00eddo para alimentar o mercado escravocrata brasileiro \u2014 e lucrado com isso, \u00e9 claro.<\/p>\n<\/div>\n<figure class=\"bbc-1qn0xuy\">\n<div class=\"bbc-18ywsw9\">\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-488138 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/igreja-e-escravos-620x487.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"487\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/igreja-e-escravos-620x487.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/igreja-e-escravos-300x236.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/igreja-e-escravos-768x604.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/igreja-e-escravos-160x126.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/igreja-e-escravos-640x503.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/igreja-e-escravos.webp 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p class=\"bbc-by8ykd\" role=\"text\">Festa de Santa Ros\u00e1lia, padroeira dos negros, em ilustra\u00e7\u00e3o de 1835<\/p>\n<\/div>\n<\/figure>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">E o mesmo pode ter ocorrido em outras localidades administradas pelos jesu\u00edtas no continente. O historiador norte-americano Dauril Alden (1926-2023), da Universidade de Washington, afirmava que a Companhia de Jesus era, no s\u00e9culo 18, a institui\u00e7\u00e3o que mais tinha escravizados em toda a Am\u00e9rica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">\u00c9 importante ressaltar que as ordens religiosas que atualmente operam no Brasil n\u00e3o t\u00eam institucionalmente a responsabilidade por atos cometidos neste per\u00edodo da hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Isso porque, at\u00e9 a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 1889, vigorava ent\u00e3o o regime do padroado, ou seja, durante o per\u00edodo colonial e, em seguida, do imp\u00e9rio j\u00e1 independente, a administra\u00e7\u00e3o de qualquer institui\u00e7\u00e3o da Igreja no territ\u00f3rio estava sob a administra\u00e7\u00e3o da Coroa \u2014 era uma inger\u00eancia do poder terreno sobre os assuntos da religi\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Dif\u00edcil pensar em Igreja, no caso brasileiro, como uma entidade de esp\u00edrito corporativo como a gente v\u00ea hoje. No per\u00edodo, ela era organicamente integrada ao sistema estatal mon\u00e1rquico&#8221;, pontua o historiador Santirocchi.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Conforme enfatiza \u00e0 BBC News Brasil o historiador Paulo Henrique Martinez, professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Igreja Cat\u00f3lica &#8220;desde sempre&#8221; esteve envolvida no regime escravocrata ocorrido no territ\u00f3rio brasileiro. &#8220;J\u00e1 no s\u00e9culo 16 o trabalho de africanos tornou-se parte da a\u00e7\u00e3o religiosa na col\u00f4nia&#8221;, diz ele.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;As maiores concentra\u00e7\u00f5es de utiliza\u00e7\u00e3o do trabalho escravo estavam em conventos e demais instala\u00e7\u00f5es da Igreja&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Havia engenhos, fazendas, hortas, pomares, pequenas cria\u00e7\u00f5es e of\u00edcios artesanais para cestaria, cer\u00e2mica, pedreiro, marceneiro, lenhador, confec\u00e7\u00e3o e reparos de instrumentos e de equipamentos, al\u00e9m de grande variedade de servi\u00e7os dom\u00e9sticos, de transporte, carregadores e com\u00e9rcio&#8221;, acrescenta Martinez.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Ele cita as ordens religiosas dos beneditinos, dos jesu\u00edtas, dos carmelitas, dos merced\u00e1rios e dos franciscanos como as que &#8220;recorreram amplamente ao trabalho escravo no atendimento de sua manuten\u00e7\u00e3o di\u00e1ria, rendimentos econ\u00f4micos e rotina disciplinada no cotidiano dos servi\u00e7os e de atividades religiosas&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Antes de condenar a Igreja por isso, \u00e9 preciso sublinhar que o sistema econ\u00f4mico brasileiro, durante o per\u00edodo colonial e em boa parte do s\u00e9culo 19, dependeu da escravid\u00e3o&#8221;, diz \u00e0 BBC News Brasil o historiador Renato Pinto Venancio, autor de, entre outros livros, Cativo do Reino: a circula\u00e7\u00e3o de escravos entre Portugal e o Brasil e professor na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Ent\u00e3o, um clero antiescravista n\u00e3o seria aceito pelas classes dominantes. Antonio Vieira [padre portugu\u00eas, da ordem dos jesu\u00edtas, que viveu entre 1608 e1697] \u00e9 exemplo da ambiguidade da rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja e a escravid\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"Aprisionados-pela-f\u00e9\" class=\"bbc-1lgzob2 eglt09e0\" tabindex=\"-1\">Aprisionados pela f\u00e9<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Entender como o catolicismo fundamentava e autorizava a escravid\u00e3o ajuda a compreender como esse sistema funcionava e, de certa forma, era moralmente aceit\u00e1vel pela sociedade da \u00e9poca.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">A chamada escravid\u00e3o moderna foi um processo que se intensificou ao mesmo tempo que ocorriam as grandes navega\u00e7\u00f5es e o processo de coloniza\u00e7\u00e3o do chamado Novo Mundo. Em 13 de janeiro de 1435, o papa Eug\u00eanio 4\u00ba (1383-1447) publicou a bula Sicut Dudum, documento no qual proibia, sob pena de excomunh\u00e3o, que fossem escravizados os nativos das Ilhas Can\u00e1rias que tivessem se convertido ou estivessem se convertendo ao cristianismo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">No entanto, seu sucessor, papa Nicolau 5\u00ba (1397-1455), foi condescendente com a pr\u00e1tica. No documento\u00a0<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Dum Diversas<\/i>\u00a0ele autorizava submeter \u00e0 &#8220;servid\u00e3o perp\u00e9tua&#8221; todos aqueles pag\u00e3os, &#8220;inimigos de Cristo&#8221;, que se encontrassem nos territ\u00f3rios ent\u00e3o rec\u00e9m-descobertos pelos europeus.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">O historiador Santirocchi observa que houve altern\u00e2ncias de bulas chamando a escravid\u00e3o de &#8220;guerra justa&#8221;, aceitando-as, com outras nas quais a institui\u00e7\u00e3o condenava o trabalho compuls\u00f3rio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">A bula de Nicolau \u00e9 um dos mais importantes documentos daquele conjunto que ficaria conhecido como Doutrina da Descoberta. Ou seja, uma s\u00e9rie de textos da Santa S\u00e9 publicados no contexto da expans\u00e3o mar\u00edtima europeia em que ficavam &#8220;autorizados&#8221; aos conquistadores crist\u00e3os o controle de territ\u00f3rios e pessoas sob a desculpa de que aquilo implicaria em um esfor\u00e7o de convers\u00e3o ao cristianismo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\"><i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">Dum Diversas<\/i>\u00a0acabou sendo a carta na manga lan\u00e7ada pelos que se fiavam numa autoriza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 para a pr\u00e1tica da servid\u00e3o. Mesmo que sumos pont\u00edfices posteriores emitissem pareceres contr\u00e1rios \u00e0 escravid\u00e3o, como o papa Paulo 3\u00ba (1468-1549), o papa Urbano 8\u00ba (1568-1644) e o papa Greg\u00f3rio 16 (1765-1846).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Este \u00faltimo \u00e9 o autor da bula\u00a0<i class=\"bbc-h1y5j7 eih42320\">In Supremo Apostolatus<\/i>. &#8220;Condenou formalmente a escravid\u00e3o africana&#8221;, ressalta Venancio.<\/p>\n<\/div>\n<figure class=\"bbc-1qn0xuy\">\n<div class=\"bbc-18ywsw9\">\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-488137 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/papa-escroto-396x500.webp\" alt=\"\" width=\"396\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/papa-escroto-396x500.webp 396w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/papa-escroto-237x300.webp 237w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/papa-escroto-768x971.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/papa-escroto-160x202.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/papa-escroto-640x809.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/papa-escroto.webp 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><\/p>\n<p class=\"bbc-by8ykd\" role=\"text\">Papa Le\u00e3o 13, em foto da Biblioteca do Congresso Americano<\/p>\n<\/div>\n<\/figure>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Muito abaixo dos papas, contudo, padres que atuavam nas col\u00f4nias se encarregavam de fundamentar a ret\u00f3rica conveniente ao regime que vigorava. \u00c9 o caso do famoso padre Ant\u00f4nio Vieira (1608-1697), influente orador jesu\u00edta que teve atua\u00e7\u00e3o de destaque na Am\u00e9rica Portuguesa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Segundo o historiador Franco, as prega\u00e7\u00f5es de Vieira refor\u00e7avam aquela chancela anteriormente dada pelo papa Nicolau. Na l\u00f3gica da \u00e9poca, escraviza\u00e7\u00e3o e evangeliza\u00e7\u00e3o eram encarados como &#8220;processos indissoci\u00e1veis&#8221;, explica o especialista. &#8220;Ent\u00e3o, evangelizar os africanos muitas vezes era sin\u00f4nimo de escraviz\u00e1-los&#8221;, diz.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Em um dos seus serm\u00f5es, [padre Ant\u00f4nio Vieira] dizia a uma plateia majoritariamente negra que &#8216;os pais de voc\u00eas viveram nas trevas porque cultuavam os deuses pag\u00e3os, eles v\u00e3o para o inferno; voc\u00eas que conhecem a palavra de Deus e est\u00e3o sendo cristianizados, voc\u00eas v\u00e3o conhecer o para\u00edso, mas esse para\u00edso vem atrav\u00e9s da escravid\u00e3o'&#8221;, conta Franco.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Ent\u00e3o, por mais que a escravid\u00e3o lhes parecesse uma desgra\u00e7a, ela tinha de ser vista como &#8216;um milagre&#8217; porque os trazia ao seio da Igreja Cat\u00f3lica, e aqueles que tinham vindo ao Brasil escravizados iriam encontrar, no final, a felicidade da vida eterna.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<figure class=\"bbc-1qn0xuy\">\n<div class=\"bbc-18ywsw9\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-488136 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/lei-aurea-377x500.webp\" alt=\"\" width=\"377\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/lei-aurea-377x500.webp 377w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/lei-aurea-226x300.webp 226w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/lei-aurea-768x1019.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/lei-aurea-160x212.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/lei-aurea-640x849.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/lei-aurea.webp 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 377px) 100vw, 377px\" \/><\/div><figcaption class=\"bbc-15f1ujd\" dir=\"ltr\"><span role=\"text\"><span data-testid=\"caption-paragraph\">Lei \u00c1urea<\/span><\/span><\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<h2 id=\"Papel-do-papa-Le\u00e3o-13\" class=\"bbc-1lgzob2 eglt09e0\" tabindex=\"-1\">Papel do papa Le\u00e3o 13<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Era a l\u00f3gica cat\u00f3lica que Vieira, com sua erudi\u00e7\u00e3o, com o seu trabalho, do ponto de vista eclesi\u00e1stico, muito bom, acabava condensando. Uma l\u00f3gica muito tribut\u00e1ria do papa Nicolau 5\u00ba&#8221;, analisa.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Ao longo do s\u00e9culo 19, os papas passaram a se preocupar com a escravid\u00e3o de uma maneira mais humanit\u00e1ria. &#8220;Havia um debate antiescravismo [entre os cat\u00f3licos] no Brasil pelo menos desde os anos 1830, embora a Igreja sempre foi dividida e a quest\u00e3o tinha apoiadores e combatentes&#8221;, aponta Santirocchi.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Em 1888, o papa Le\u00e3o 13 (1810-1903) enviou uma condecora\u00e7\u00e3o para a princesa Isabel (1846-1921) por conta da assinatura da Lei \u00c1urea.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">O historiador lembra que o abolicionista Joaquim Nabuco (1849-1910) havia conseguido uma audi\u00eancia e, em 10 de fevereiro de 1888, encontrou-se com papa Le\u00e3o 13 para angariar seu apoio ao fim do regime escravocrata no Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Uma carta da Igreja sobre o tema foi publicada em 5 de maio daquele ano, oito dias antes da Lei \u00c1urea ser decretada \u2014 mas a tradu\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas s\u00f3 seria conhecida no Brasil depois da lei nacional. A enc\u00edclica era dirigida aos bispos do Brasil. &#8220;Pedia apoio \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o&#8221;, diz Venancio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Na opini\u00e3o de Venancio, as iniciativas cat\u00f3licas contra a escravid\u00e3o foram &#8220;iniciativas tardias&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;Durante s\u00e9culos, a Igreja Cat\u00f3lica conviveu com a escraviza\u00e7\u00e3o de africanos sem conden\u00e1-la formalmente. No s\u00e9culo 19 essas bulas foram importantes&#8221;, comenta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">&#8220;As novas posi\u00e7\u00f5es da Igreja, em geral, s\u00e3o lentas e pontuais. A Igreja comungou da conviv\u00eancia, da conveni\u00eancia e coniv\u00eancia com senhores de escravos, administradores coloniais, a vigil\u00e2ncia da rebeli\u00e3o e a repress\u00e3o \u00e0s insurrei\u00e7\u00f5es negras&#8221;, comenta Martinez.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">Nas \u00faltimas d\u00e9cadas a Igreja se posicionou algumas vezes pedindo desculpas pela sua rela\u00e7\u00e3o com a escravid\u00e3o. O mais recente posicionamento acerca do tema data de mar\u00e7o de 2023. Em nota oficial, o Vaticano repudiou &#8220;os conceitos que n\u00e3o reconhecem os direitos humanos&#8221; durante o processo de coloniza\u00e7\u00e3o e, alegando ser &#8220;justo reconhecer estes erros&#8221; da pr\u00f3pria Igreja, declarou &#8220;pedir perd\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"bbc-19j92fr ebmt73l0\" dir=\"ltr\">\n<p class=\"bbc-hhl7in e17g058b0\" dir=\"ltr\">O documento focava especificamente nos povos ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m condenou &#8220;atos de viol\u00eancia, opress\u00e3o, injusti\u00e7a social e escravid\u00e3o&#8221; praticados no per\u00edodo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Era a\u00a0escravid\u00e3o\u00a0que sustentava a\u00a0Igreja Cat\u00f3lica\u00a0no Brasil.&#8221; Quem diz \u00e9 o historiador Vitor Hugo Monteiro Franco, pesquisador na Biblioteca Nacional, doutor pela Universidade Federal Fluminense (UFF), autor do livro\u00a0Escravos da Religi\u00e3o\u00a0e uma das maiores autoridades sobre o tema n<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":488139,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-488135","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/mercado-de-escravos.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=488135"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/488135\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/488139"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=488135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=488135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=488135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}