{"id":48844,"date":"2014-03-10T16:33:46","date_gmt":"2014-03-10T19:33:46","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=48844"},"modified":"2014-03-10T16:33:07","modified_gmt":"2014-03-10T19:33:07","slug":"fantastico-mostra-situacao-precaria-na-educacao-de-petrolina-lagoa-grande-e-outros-municipios-do-nordeste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/fantastico-mostra-situacao-precaria-na-educacao-de-petrolina-lagoa-grande-e-outros-municipios-do-nordeste\/","title":{"rendered":"Fant\u00e1stico mostra situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria na educa\u00e7\u00e3o de Petrolina, Lagoa Grande e outros munic\u00edpios do Nordeste"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<h1><\/h1>\n<h2><em>Escola com infraestrutura elementar tem que ter \u00e1gua, banheiro, esgoto, energia el\u00e9trica e cozinha. Quase metade das escolas brasileiras \u00e9 assim.<\/em><\/h2>\n<p><span style=\"line-height: 1.5em;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<\/div>\n<div id=\"materia-letra\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"3200956\" data-height=\"349\" data-width=\"620\">\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/s01.video.glbimg.com\/x360\/3200956.jpg\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Um retrato do abandono do ensino p\u00fablico no Brasil. S\u00e3o escolas sem \u00e1gua pot\u00e1vel, sem banheiro e at\u00e9 sem sala de aula.<\/p>\n<p><em><strong>Assista aqui o v\u00eddeo<\/strong><\/em>: \u00a0http:\/\/g1.globo.com\/fantastico\/noticia\/2014\/03\/fantastico-mostra-situacao-precaria-de-escolas-publicas-em-alagoas-em-pernambuco-e-no-maranhao.html<\/p>\n<p>Durante dois meses, os rep\u00f3rteres Eduardo Faustini e Luiz Cl\u00e1udio Azevedo percorreram escolas p\u00fablicas dos estados que tiveram as m\u00e9dias mais baixas no Programa de Avalia\u00e7\u00e3o Internacional de Estudantes (Pisa).<\/p>\n<p>\u201cO percurso deles \u00e9 em torno de 20, 30 quil\u00f4metros. Muitos acordam duas, tr\u00eas horas da manh\u00e3, para pegar um caminh\u00e3o, para que esse caminh\u00e3o leve at\u00e9 a rodovia, para da rodovia vir de um transporte fornecido pela prefeitura do munic\u00edpio: o \u00f4nibus escolar\u201d, conta um morador de Joaquim Gomes, em\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/alagoas.html\">Alagoas<\/a>.<\/p>\n<div id=\"3201116\">\n<div>\n<div>\n<div><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" alt=\"\" src=\"http:\/\/s01.video.glbimg.com\/x240\/3201116.jpg\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cA rua \u00e9 assim desse jeito. Os meninos, a gente atravessa eles no bra\u00e7o, porque n\u00e3o quer ver eles molhado. Caderno, eles n\u00e3o d\u00e3o\u201d, conta uma moradora de Jaboat\u00e3o dos Guararapes, em\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/pernambuco.html\">Pernambuco<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e1gua n\u00e3o \u00e9 ideal para ser tomada e, principalmente dar ela para as crian\u00e7as. Isso a\u00ed tem um germe total. Eu trabalho aqui, mas dela eu tamb\u00e9m n\u00e3o bebo\u201d, revela um homem.<\/p>\n<p>\u201cTem aluno que at\u00e9 cai da carteira, principalmente os menores, da educa\u00e7\u00e3o infantil\u201d, diz uma moradora de Cod\u00f3, no\u00a0<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/topico\/maranhao.html\">Maranh\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cQuando temos a necessidade de irmos para o banheiro, n\u00f3s vamos para o mato. Os alunos e a professora\u201d, afirma uma mulher.<\/p>\n<p>O que a reportagem mostra s\u00e3o escolas em que falta tudo, escolas que nem de longe lembram uma escola. O que n\u00e3o falta \u00e9 a for\u00e7a de vontade de alunos, professores e pais que sofrem com as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de ensino. Sofrem e ficam indignados.<\/p>\n<p>\u201cEi, quatro anos sem receber farda, aqui, \u00f3\u201d, conta uma m\u00e3e. \u201cSem receber farda, sem ningu\u00e9m dar aten\u00e7\u00e3o para gente\u201d, afirma uma outra m\u00e3e. \u201cAs crian\u00e7as da gente s\u00e3o desprezada aqui dentro\u201d, reclama.<\/p>\n<p>O Fant\u00e1stico mostra a situa\u00e7\u00e3o da entrada de uma escola municipal, em Jaboat\u00e3o dos Guararapes, em Pernambuco.<\/p>\n<p>\u201cQuando chove, a \u00e1gua invade, e chegam molhados, tudo sujo. A\u00ed a situa\u00e7\u00e3o. A\u00ed n\u00e3o tem. Um bebedor bom n\u00e3o tem. Papel higi\u00eanico n\u00e3o tem\u201d, afirma a m\u00e3e de aluno Maria Bet\u00e2nia dos Santos.<\/p>\n<p>Revoltada, ela diz que as professoras pedem aos pais at\u00e9 material de limpeza: \u201cElas pedem \u00e0 gente uma vassoura, pedem detergente. \u00c9 o que for para botar aqui. Para ajudar aqui. E tem vez que as pobrezinhas passam quase um m\u00eas sem receber. A\u00ed como \u00e9 isso?\u201d.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 a realidade de escolas p\u00fablicas em Alagoas, em Pernambuco e no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>Na mais recente pesquisa brasileira do Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Estudantes (Pisa), esses estados est\u00e3o entre os que tiveram as notas m\u00e9dias mais baixas. Os rep\u00f3rteres do Fant\u00e1stico passaram dois meses registrando as condi\u00e7\u00f5es de escolas nesses estados.<\/p>\n<p><strong>Fant\u00e1stico:<\/strong>\u00a0Que horas voc\u00ea sai de casa?<br \/>\n<strong>Williana Soares (aluna):<\/strong>\u00a0Quatro horas.<br \/>\n<strong>Everton Guedes Cavalcante (aluno):\u00a0<\/strong>A hora que eu saio de casa, o m\u00e1ximo \u00e9 4h10, mas me acordo 3h50.<\/p>\n<p>S\u00f3 tem um jeito para o Everton e para a Williana irem \u00e0 escola: de caminh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cTem uma base de uns 55 alunos que n\u00f3s vai (sic) nesse caminh\u00e3o. S\u00f3 que tem a dificuldade da estrada\u201d, explica o motorista Jos\u00e9 Fernandes de Melo.<\/p>\n<p>\u00c9 uma estrada de terra. Depois dessa viagem, em Joaquim Gomes, em Alagoas, \u00e9 que eles pegam o \u00f4nibus escolar da prefeitura. Mas e quando chove?<\/p>\n<p>\u201cCom dia de sol, n\u00f3s consegue (sic). Quando choveu, n\u00e3o consegue chegar aqui\u201d, conta o motorista.<\/p>\n<p>O jeito ent\u00e3o \u00e9 ir&#8230; \u201cAndando. Fora a ladeira que tem para subir\u201d, conta Williana.<\/p>\n<p>Ou ent\u00e3o&#8230; \u201c\u00c9 ficar em casa mesmo, sem poder ir para a escola\u201d, admite Everton.<\/p>\n<p>J\u00e1 em Lagoa Grande, em Pernambuco, quem n\u00e3o tem caminh\u00e3o vai de charrete. Seu Francisco diz que a filha, a Rosileide, se queixa quando a escola n\u00e3o pode funcionar.<\/p>\n<p>Em Cod\u00f3, no Maranh\u00e3o, o Andr\u00e9 e o primo dele, o Eduardo, s\u00e3o vaqueiros de manh\u00e3. De tarde, caminham 35 minutos at\u00e9 a escola.<\/p>\n<p>Por l\u00e1, falta quase tudo. N\u00e3o falta carinho. \u201cVoc\u00eas s\u00e3o guardado no lado esquerdo do meu cora\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, sejam bem-vindos mais este ano que n\u00f3s temos aqui para trabalhar, para melhorar, para ver os nossos acertos\u201d, anuncia a professora.<\/p>\n<p>Em Jaboat\u00e3o dos Guararapes, Pernambuco, se chegar a uma escola assim n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, entrar tamb\u00e9m pode ser bem dif\u00edcil, como foi visto no in\u00edcio da reportagem.<\/p>\n<p>Na frente de outro col\u00e9gio da mesma cidade, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 pior ainda: o esgoto est\u00e1 aberto. E ainda uma terceira escola enfrenta o mesmo problema, no mesmo munic\u00edpio.<\/p>\n<p>\u201cEst\u00e1 h\u00e1 seis anos assim. Agora, \u00e9 o que a gente diz para as m\u00e3es: n\u00f3s como funcion\u00e1rios vamos entrar. N\u00f3s somos funcion\u00e1rios, precisamos preservar a escola aberta para o aluno\u201d, diz a secret\u00e1ria escolar Maria Vieira de Ara\u00fajo.<\/p>\n<p><strong>Fant\u00e1stico:<\/strong>\u00a0Como que a senhora chegou hoje para dar aula? Qual foi a situa\u00e7\u00e3o que a senhora encontrou na sala de aula?<br \/>\n<strong>Auriele Galv\u00e3o (professora):<\/strong>\u00a0A escola toda estava alagada. N\u00e3o \u00e9 goteira, \u00e9 chuva mesmo. Eu afasto todas as cadeiras, boto todo mundo pro canto, e coloca baldes aqui. A \u00e1gua desce todinha pela parede. Inclusive eu j\u00e1 perdi trabalhos que a gente realiza trabalhos com os alunos, coloca nas paredes em exposi\u00e7\u00e3o, mas a\u00ed desce tudo, molha tudo.<\/p>\n<p>Voc\u00ea pode pensar que \u00e9 uma cidade muito longe dos grandes centros, mas n\u00e3o \u00e9: Jaboat\u00e3o dos Guararapes fica a cerca de seis quil\u00f4metros do metro quadrado mais caro de Recife, na praia de Boa Viagem.<\/p>\n<p>Finalmente, a aula come\u00e7a, inclusive na escola ind\u00edgena Paj\u00e9 Miguel Selestino da Silva, em Palmeira dos \u00cdndios, em Alagoas. O que falta \u00e9 a pr\u00f3pria sala de aula.<\/p>\n<p><strong>Fant\u00e1stico:\u00a0<\/strong>H\u00e1 quantos anos o senhor d\u00e1 aula nessa situa\u00e7\u00e3o aqui?<br \/>\n<strong>Jecinaldo Xucuru Cariri (professor):<\/strong>\u00a0H\u00e1 mais de dois anos que eu venho ministrando aula debaixo da mangueira. \u00c9 bastante complicado, at\u00e9 porque de repente vem uma chuva, ent\u00e3o tem que todo mundo correr e abandonar a aula.<\/p>\n<p>Em uma galp\u00e3o, funciona outra sala. \u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o de improviso, porque a sede original da escola n\u00e3o tem mais condi\u00e7\u00f5es de uso e est\u00e1 interditada. No galp\u00e3o, os alunos ficam espremidos. Al\u00e9m do desconforto, tem o perigo.<\/p>\n<p>A escola municipal em Cod\u00f3, no Maranh\u00e3o, se chama Divina Provid\u00eancia e espera provid\u00eancias h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p><strong>Fant\u00e1stico:<\/strong>\u00a0H\u00e1 quanto tempo essa escola est\u00e1 assim? Do jeito que est\u00e1 assim hoje.<br \/>\n<strong>Deusdet Oliveira Matos (comerciante):<\/strong>\u00a0Est\u00e1 com mais de 15 anos.<\/p>\n<p>O Deusdet \u00e9 um comerciante que construiu a escola h\u00e1 50 anos e, do jeito que pode, continua tomando conta dela.<\/p>\n<p><strong>Deusdet Oliveira Matos:<\/strong>\u00a0Quando est\u00e1 gotejando, eu vou, tiro a goteira. Agora, esse ano eu ia fazer essa parede de tijolo, mas ainda n\u00e3o fiz.<br \/>\n<strong>Fant\u00e1stico:<\/strong>\u00a0O que leva o senhor a cuidar dessa escola?<br \/>\n<strong>Deusdet Oliveira Matos:<\/strong>\u00a0O esp\u00edrito de humanidade, para poder auxiliar os filhos dos moradores a n\u00e3o se criarem analfabeto.<\/p>\n<p>\u201cA situa\u00e7\u00e3o, como voc\u00eas est\u00e3o vendo, desde o ano passado que a gente est\u00e1 desse jeito. A falta de cadeira, sentam e n\u00e3o tem o bra\u00e7o da cadeira. Eles est\u00e3o com dificuldade para escrever. E eu estou utilizando a minha mesa, para que eles fiquem mais \u00e0 vontade. O que eu posso fazer eu estou fazendo\u201d, diz Juciara de Souza, professora em Petrolina, Pernambuco.<\/p>\n<p>Em uma das cadeiras \u00e9 poss\u00edvel ver parafuso para fora.<\/p>\n<p>\u201cEu gostaria que tivesse cadeiras boas e que n\u00e3o fossem quebradas\u201d, afirma uma aluna.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 teve caso de crian\u00e7a perder aula, porque n\u00e3o tinha cadeira\u201d, conta a m\u00e3e de aluno Edineide Helena da Costa.<\/p>\n<p>\u201cO piso da escola n\u00e3o \u00e9 adequado para o tipo de carteira, porque as carteiras, como \u00e9 voc\u00ea pode ver, \u00e9 um cano. Ent\u00e3o, elas afundam no ch\u00e3o. E a\u00ed tem aluno que at\u00e9 cai. A\u00ed chora, devido ao ch\u00e3o batido, que aqui n\u00e3o sabe se aqui \u00e9 uma subida, ou ali \u00e9 uma descida. \u00c9 um desn\u00edvel total. Porque aqui era uma casa de moradia. Era uma pessoa que morava aqui. A\u00ed montou essa escola aqui para eles\u201d, conta Rosa Maria Pereira Cunha, professora em Cod\u00f3, no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>As escolas visitadas pelo rep\u00f3rter Eduardo Faustini ficam em regi\u00f5es bem quentes. Nas salas, todo mundo se queixa do calor. \u201c\u00c9 quente. No calor n\u00e3o tem quem suporte\u201d, reclama a aluna Mayara Nunes de Alencar, em Petrolina, Pernambuco.<\/p>\n<p>\u201cTem um ventilador, mas na outra sala. Um ventilador n\u00e3o \u00e9 suficiente para os aluno. \u00c9 muito aluno\u201d, diz a zeladora Josiane Barbosa da Silva, de Lagoa Grande, Pernambuco.<\/p>\n<p>Em outras escolas, um, dois ou um monte de ventiladores, nada resolveria, porque elas n\u00e3o t\u00eam energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p><strong>Rosa Maria Pereira Cunha (professora em Cod\u00f3, no Maranh\u00e3o):<\/strong>\u00a0Quando chove, fica escuro.<br \/>\n<strong>Fant\u00e1stico:\u00a0<\/strong>N\u00e3o tem luz.<br \/>\n<strong>Rosa Maria Pereira Cunha:<\/strong>\u00a0Tem n\u00e3o. N\u00e3o tem luz.<\/p>\n<p>Como beber \u00e1gua nessas condi\u00e7\u00f5es? E como fazer a merenda?<\/p>\n<p>\u201cPara beber \u00e1gua, a gente pega \u00e1gua com a dona da terra. Pega uma garrafa de \u00e1gua e trago para c\u00e1, porque tamb\u00e9m est\u00e1 faltando filtro\u201d, conta a professora Eliete de Ara\u00fajo Lobes.<\/p>\n<p>\u201cEu trabalho aqui, mas dela eu tamb\u00e9m n\u00e3o bebo, porque a gente v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o da \u00e1gua. Isso a\u00ed tem um germe total. At\u00e9 l\u00e1 em cima tem um pisador de cavalo e um pisador de boi. Tem uns bois que ficam a\u00ed atr\u00e1s que bebem dessa \u00e1gua a\u00ed em cima da barragem\u201d, Jos\u00e9 Dion\u00edsio Justino, professor em Joaquim Gomes, em Alagoas.<\/p>\n<p><strong>Celso Selestino (agente de saneamento em Palmeira dos \u00cdndios, em Alagoas):<\/strong>\u00a0N\u00e3o tem tratamento. Do jeito que ela passa aqui, ela abastece a cidade e n\u00e3o tem tratamento nenhum.<br \/>\n<strong>Fant\u00e1stico:<\/strong>\u00a0Agora tem algum sistema de filtro para proteger essa \u00e1gua?<br \/>\n<strong>Celso Selestino:\u00a0<\/strong>N\u00e3o. O filtro que tem aqui s\u00f3 isso aqui, n\u00e3o tem filtro nenhum. O pessoal \u00e9 que coa a \u00e1gua ali e d\u00e1 para as crian\u00e7a beber.<\/p>\n<p>\u201cA fossa \u00e9 dentro da cozinha, e o suspiro \u00e9 dentro da cozinha. Aonde a merenda j\u00e1 chega pronta e a gente tem que servir a merenda neste setor\u201d, revela um funcion\u00e1rio de Jaboat\u00e3o dos Guararapes, Pernambuco.<\/p>\n<p>\u201cGeralmente a merenda s\u00f3 aparece de maio a junho. Geralmente \u00e9 nesse per\u00edodo que a merenda aparece\u201d, diz uma funcion\u00e1ria de uma escola na cidade de Cod\u00f3, no Maranh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCusta a chegar. E quando vem, a gente se junta l\u00e1 com a vizinha aqui, que me ajuda demais, e a\u00ed a gente faz a merenda para essas crian\u00e7a. E, quando n\u00e3o, eles comem fruta da esta\u00e7\u00e3o. Desse jeito\u201d, conta a professora Maria do Amparo dos Anjos.<\/p>\n<p><strong>Professora de Lagoa Grande, em Pernambuco:<\/strong>\u00a0\u00c0s vezes n\u00e3o tem aula porque n\u00e3o tem a merenda.<br \/>\n<strong>Fant\u00e1stico:<\/strong>\u00a0Dif\u00edcil, n\u00e3o \u00e9?<br \/>\n<strong>Professora:<\/strong>\u00a0\u00c9 complicado.<br \/>\n<strong>Fant\u00e1stico:<\/strong>\u00a0Como \u00e9 que voc\u00ea se sente, assim, cuidando dessas crian\u00e7as nessa situa\u00e7\u00e3o?<br \/>\n<strong>Professora:\u00a0<\/strong>Assim, eu me sinto&#8230; pequena, n\u00e9? Que seus alunos n\u00e3o t\u00e1 crescendo. Voc\u00ea sente como se tivesse diminuindo, n\u00e3o t\u00e1 aumentando.<\/p>\n<p>E a\u00ed, se o aluno tem o que comer e faz sua refei\u00e7\u00e3o, \u00e9 hora de escovar os dentes. Mas em que banheiro?<\/p>\n<p>\u201cA \u00e1gua que a gente tem para botar nas descargas. Ontem, quem fez a limpeza fomos n\u00f3s, os professores. \u00d3, aqui n\u00e3o tem a torneira\u201d, denuncia a professora Marilucia Gomes de S\u00e1, professora em Petrolina, Pernambuco.<\/p>\n<p>\u201cO ano passado eles estudaram sem banheiro, n\u00e3o tinha banheiro\u201d, conta Francisco da Silva, pai de um aluno em Lagoa Grande, Pernambuco.<\/p>\n<p><strong>Josiane Barbosa (zeladora em Lagoa Grande, Pernambuco):\u00a0<\/strong>\u00d3, tem esse banheiro aqui. N\u00e3o tem luz, todo esculhambado. T\u00e3o fazendo um ali fora, mas come\u00e7aram e n\u00e3o terminaram ainda.<br \/>\n<strong>Fant\u00e1stico:\u00a0<\/strong>A descarga funciona?<br \/>\n<strong>Josiane Barbosa:<\/strong>\u00a0N\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Fant\u00e1stico:<\/strong>\u00a0Como \u00e9 que faz o aluno quando precisa ir ao banheiro?<br \/>\n<strong>Funcion\u00e1ria:<\/strong>\u00a0Os meninos v\u00e3o para detr\u00e1s da escola, e as meninas, do outro lado, assim como a professora tamb\u00e9m. Que n\u00f3s n\u00e3o temos banheiro.<br \/>\n<strong>Fant\u00e1stico:<\/strong>\u00a0A senhora usa o mato quando&#8230;<br \/>\n<strong>Funcion\u00e1ria:<\/strong>\u00a0Tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Fim das aulas, hora de voltar para casa. Lama, viagem longa e perigosa, em mais um dia do ano letivo.<\/p>\n<p>Essas escolas passam por in\u00fameras dificuldades. Para muitos professores, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais dif\u00edcil ainda, porque eles t\u00eam que dar aulas para v\u00e1rias turmas ao mesmo tempo. \u00c9 o chamado ensino multisseriado, bastante comum no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Fant\u00e1stico:<\/strong>\u00a0Enquanto a senhora est\u00e1 dando aula para uma turma, a outra aguarda, \u00e9 assim que \u00e9 feito?<br \/>\n<strong>Professora:<\/strong>\u00a0\u00c9. Sempre eu come\u00e7o pela educa\u00e7\u00e3o infantil, j\u00e1 t\u00e1 aprendendo a coordena\u00e7\u00e3o motora. Eu passo primeiro. A\u00ed vou para o outro que j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1 no quarto, quinto ano.<\/p>\n<p>Algumas das escolas mostradas na reportagem oferecem aos alunos menos do que o m\u00ednimo do m\u00ednimo. Uma escola com infraestrutura elementar tem que ter \u00e1gua, banheiro, esgoto, energia el\u00e9trica e cozinha. Quase metade das escolas brasileiras \u00e9 assim.<\/p>\n<p>S\u00e3o 87 mil ou 44,5% do total de escolas no pa\u00eds, segundo estudo feito por pesquisadores da Universidade de Bras\u00edlia e da Federal de Santa Catarina.<\/p>\n<p>\u201cEscolas com estrutura prec\u00e1ria em geral s\u00e3o escolas municipais e muitas dessas escolas s\u00e3o rurais. Se n\u00f3s pegarmos escolas que atendem alunos com um n\u00edvel socioecon\u00f4mico equivalente, as que t\u00eam melhor estrutura tendem a oferecer melhor resultado\u201d, diz Jos\u00e9 Joaquim Soares Neto, pesquisador da UnB.<\/p>\n<p>A escola com a infraestrutura adequada tem sala dos professores, biblioteca, laborat\u00f3rio de inform\u00e1tica, quadra esportiva e parque infantil. Conta tamb\u00e9m com acesso \u00e0 internet e m\u00e1quina de c\u00f3pias.<\/p>\n<p>E a escola com infraestrutura avan\u00e7ada tem tudo isso e ainda laborat\u00f3rio de ci\u00eancias e instala\u00e7\u00f5es para estudantes com necessidades especiais.<\/p>\n<p>Das 195 mil escolas brasileiras, pouco mais de mil s\u00e3o avan\u00e7adas. Isso representa 0.6% do total. \u201cEm geral, essas escolas est\u00e3o em regi\u00f5es como Sul e Sudeste\u201d, completa o pesquisador.<\/p>\n<p>Diante disso tudo, o que \u00e9 que leva todos esses brasileiros, alunos, professores e tamb\u00e9m os pais, a seguir em frente?<\/p>\n<p>O professor Elias Ferreira da Silva passou por algumas dessas situa\u00e7\u00f5es que voc\u00ea acabou de ver, chegou \u00e0 universidade e hoje d\u00e1 aula na Escola S\u00e3o Jos\u00e9, em Alagoas, aquela dos alunos que precisam do caminh\u00e3o para ir \u00e0 aula.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 justamente essa vontade que eles t\u00eam de um futuro melhor que fazem ele ter essa for\u00e7a de sair 30 quil\u00f4metros, 20 quil\u00f4metros, 15 quil\u00f4metros, para chegar at\u00e9 a escola\u201d, destaca Elias Ferreira da Silva.<\/p>\n<p>\u201cAno passado, quando cheguei aqui, estava tudo ca\u00eddo, a\u00ed eu me sentei e, sinceramente, eu chorei\u201d, revela uma professora.<\/p>\n<p>\u201cEu queria que ela fosse grande, que tivesse v\u00e1rios professores, apesar que eu gosto de todos os meus professores, eles me ensinam muito bem\u201d, comenta uma aluna.<\/p>\n<p>\u201cEu sempre digo isso, que eu acho que a gente que trabalha na Zona Rural, n\u00f3s somos realmente hero\u00ednas\u201d, afirma uma mulher.<\/p>\n<p>\u201cApesar desses lugares mais long\u00ednquos poss\u00edvel, voc\u00eas s\u00e3o o futuro dessa na\u00e7\u00e3o, construindo a sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, ajudando a erguer mais esse pa\u00eds t\u00e3o grande\u201d, afirma uma professora.<\/p>\n<p>A Prefeitura de Cod\u00f3, no Maranh\u00e3o, diz em nota que vem melhorando a infraestrutura das escolas rurais. Afirma que, nos \u00faltimos cinco anos, foram constru\u00eddas e equipadas 150 novas salas de aula. E que est\u00e1 prevista a constru\u00e7\u00e3o de mais 28 escolas nos pr\u00f3ximos 2 anos.<\/p>\n<p><strong>Veja o que os outros \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos t\u00eam a dizer:<\/strong><\/p>\n<p>A prefeitura de Jaboat\u00e3o dos Guararapes informou na sexta-feira (7) que o trabalho de recupera\u00e7\u00e3o est\u00e1 em andamento.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 recuperamos 51 escolas e temos um cronograma de execu\u00e7\u00e3o at\u00e9 o final do ano. As tr\u00eas escolas visitadas, desde a produ\u00e7\u00e3o das imagens at\u00e9 o presente o momento, j\u00e1 resolvemos mais de 90% do que voc\u00eas filmaram\u201d, afirma secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o de Guararapes, Francisco Amorim.<\/p>\n<p>A Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de Joaquim Gomes, em Alagoas, informa que tem projetos junto ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o para obter recursos federais para recuperar escolas rurais e tamb\u00e9m urbanas. Novas cadeiras j\u00e1 est\u00e3o sendo compradas e reparos est\u00e3o sendo feitos nas escolas.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o de Lagoa Grande, em Pernambuco, diz que o munic\u00edpio est\u00e1 trabalhando na recupera\u00e7\u00e3o das escolas em regime de urg\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cEncontramos o munic\u00edpio totalmente sucateado. Fizemos um levantamento emergencial onde a gente poderia intervir de imediato\u201d, afirma o secret\u00e1rio de Educa\u00e7\u00e3o de Lagoa Grande, Daniel Torre.<\/p>\n<p>A Secretaria de Educa\u00e7\u00e3o de Alagoas afirma que a ordem de servi\u00e7o para recupera\u00e7\u00e3o da Escola Estadual Paj\u00e9 Miguel Selestino j\u00e1 foi assinada. Ser\u00e3o instalados um laborat\u00f3rio de inform\u00e1tica e uma biblioteca.<\/p>\n<p>As cadeiras da escola Joaquim Francisco da Costa, em Petrolina, Pernambuco, foram substitu\u00eddas cinco dias depois de o Fant\u00e1stico visitar a escola.<\/p>\n<p>Fonte: Fant\u00e1stico<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escola com infraestrutura elementar tem que ter \u00e1gua, banheiro, esgoto, energia el\u00e9trica e cozinha. 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