{"id":493078,"date":"2025-06-28T08:28:08","date_gmt":"2025-06-28T11:28:08","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=493078"},"modified":"2025-06-28T08:28:08","modified_gmt":"2025-06-28T11:28:08","slug":"ouviram-do-paraguacu-verdadeira-independencia-do-brasil-comecou-em-cachoeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ouviram-do-paraguacu-verdadeira-independencia-do-brasil-comecou-em-cachoeira\/","title":{"rendered":"&#8216;Ouviram do Paragua\u00e7u&#8217;: verdadeira independ\u00eancia do Brasil come\u00e7ou em Cachoeira"},"content":{"rendered":"<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<h1 id=\"titulo-ms3rn9ca2w\" class=\"component--titulo font-family-secondary text-[34px] font-semibold leading-[42px] text-tw-theme-text-default md:max-lg:text-[40px] lg:text-[42px] lg:leading-[50px]\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<h2 id=\"linha-fina-r7xxnvns2d\" class=\"text-tw-theme-box-linha-fina-default font-normal text-[16px]\">Foi l\u00e1 que o orgulho de ser brasileiro superou a soberania portuguesa nas nossas vidas<\/h2>\n<p>Por: Moyses Suzart, do Correio<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\"><\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<div id=\"imagem-j03ur39g3s\" class=\"w-full\">\n<figure class=\"imagem-notas w-full max-w-full h-auto flex justify-center items-center overflow-hidden\">\n<div id=\"gft-up-divMM\">\n<div id=\"gft-41012-banner-ad_bg\" class=\"gft-up-divMain center\">\n<div id=\"gft-up_close\" class=\"gft-up-close\"><\/div>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-493080 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/paraguacu-620x349.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/paraguacu-620x349.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/paraguacu-300x169.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/paraguacu-768x432.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/paraguacu-160x90.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/paraguacu-480x270.webp 480w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/paraguacu-640x360.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/paraguacu.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<\/figure>\n<p>O calmo cais do Rio Paragua\u00e7u foi palco violento na primeira batalha entre brasileiros e lusitanos\u00a0<span class=\"font-bold\">Cr\u00e9dito: Moys\u00e9s Suzart\/ CORREIO<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-544b0pzclt\">A verdadeira margem pl\u00e1cida que contribuiu para a independ\u00eancia do Brasil estava na Bahia, mais precisamente em Cachoeira, onde o pa\u00eds ficou livre antes daquele baratino no Ipiranga.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-rhnu77t72m\">Elisa n\u00e3o parava de fazer in\u00fameras selfies com o Rio Paragua\u00e7u ao fundo. Soteropolitana, pela primeira vez estava em Cachoeira. \u201cRio bonito, n\u00e9? Calmo, uma paz\u201d, disse. Ela n\u00e3o sabe, mas ali mesmo, h\u00e1 203 anos, essa paz n\u00e3o era uma op\u00e7\u00e3o. Aquele rio borbulhava de conflitos armados e era bala para todo lado entre brasileiros e lusitanos na primeira batalha pela independ\u00eancia do Brasil. Foi ali que tudo come\u00e7ou, meses antes do tal piriri e do grito \u00e0s margens do Rio Ipiranga, no dia 7 setembro de 1822. \u201cVoc\u00ea est\u00e1 dizendo que este rio \u00e9 mais importante que o Ipiranga sobre a independ\u00eancia?\u201d, indaga Elisa. Sim, estamos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-mww4gsjcy6\">Descer a pirambeira e dar de cara, na entrada da cidade, com o arco azul com os dizeres \u201cCachoeira her\u00f3ica e monumento nacional\u201d \u00e9 como voltar no tempo e recontar um pouco a hist\u00f3ria que os livros did\u00e1ticos contam sem esta parte crucial. Se todo trajeto da independ\u00eancia fosse, de fato, levado ao p\u00e9 da letra, at\u00e9 a abertura do hino nacional teria que recalcular sua rota fluvial. O certo seria: \u201cOuviram do Paragua\u00e7u as margens pl\u00e1cidas&#8230;\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-w66vshfpqk\">Se a gera\u00e7\u00e3o dos memes atualmente pode zoar Portugal, chamando os ex-colonizadores de Guiana Brasileira, tudo se deve \u00e0 Cachoeira. E come\u00e7ou ali, naquele rio. Foi l\u00e1 que o orgulho de ser brasileiro superou a soberania portuguesa nas nossas vidas.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-9lpyub24bg\">\u201cEu gosto de dizer que o Paragua\u00e7u \u00e9 o personagem vivo na independ\u00eancia. Quando eu recebo aqui a visita de alunos em excurs\u00f5es pela cidade, eu digo que, logo mais, eles v\u00e3o conhecer o personagem mais antigo e ainda vivo desta luta. A\u00ed apresento o Paragua\u00e7u. \u00c9 um ponto crucial a ser visitado, pois ali foi o ponto de partida para a liberta\u00e7\u00e3o, na batalha de 25 de junho de 1822\u201d, relata o historiador e especialista na hist\u00f3ria de Cachoeira, professor F\u00e1bio Batista.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-r9tkhde6m1\">Afinal, porque o Paragua\u00e7u foi o rio que conduziu a luta pela liberta\u00e7\u00e3o de Portugal? A hist\u00f3ria se encarrega de contar. Contudo, \u00e9 preciso voltar um pouco mais no tempo, quando Cachu tinha um nome quase do mesmo tamanho de D. Pedro I, reconhecido como regente primeiramente no rec\u00f4ncavo: Vila de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio do Porto da Cachoeira do Paragua\u00e7u. Era um local extremamente rico e intelectualizado. T\u00e3o pr\u00f3spero que Portugal chegou a taxar a cidade com uma quantia bem gorda para pagar a reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, que sofreu um terremoto em 1756. Desde este tempo, a turma de l\u00e1 j\u00e1 n\u00e3o engolia muito os colonizadores.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-6i2epvkjxf\">\u201cO Rec\u00f4ncavo baiano, especificamente Cachoeira, respirou com a cosmopolita. Se discutia nas pra\u00e7as autores iluministas, as ideias liberais e pensamentos modernos. E o Rio Paragua\u00e7u trazia isso, pois conectava a localidade com a Ba\u00eda de Todos-os-Santos e, consequentemente, com o mundo. Era uma regi\u00e3o que respirava ares globais\u201d, conta F\u00e1bio.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-j0sirece3i\">E foi pelo Rio Paragua\u00e7u que chegaram baianos fugidos de Salvador, que viviam uma verdadeira repress\u00e3o do comandante portugu\u00eas Madeira de Melo. Ele foi o respons\u00e1vel pela execu\u00e7\u00e3o da primeira m\u00e1rtir da independ\u00eancia, Joana Ang\u00e9lica, no Convento da Lapa, em fevereiro de 1822. No dia 24 de junho daquele mesmo ano, Cachoeira deu um basta. Na surdina, num sal\u00e3o secreto onde \u00e9 hoje o Hospital S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus, lideran\u00e7as pol\u00edticas, militares e populares de Cachoeira se reuniram para discutir a situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de Salvador.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-ctlceitcax\">No dia seguinte, no dia 25 de junho de 1822, Cachoeira tornou-se oficialmente o primeiro territ\u00f3rio livre de Portugal no pa\u00eds, na Casa de C\u00e2mara e Cadeia Cachoeirana. L\u00e1 foi escrito o primeiro ato, ap\u00f3s consulta popular, proclamando o Pr\u00edncipe D. Pedro I como Regente do Brasil e, consequentemente, livre dos lusitanos. Contudo, enquanto era celebrada uma missa em comemora\u00e7\u00e3o, na Igreja da Matriz, um navio portugu\u00eas atracou e come\u00e7ou a bombardear Cachoeira e S\u00e3o F\u00e9lix. O combate, a primeira na luta pela independ\u00eancia, acabou tamb\u00e9m como a primeira vit\u00f3ria brasileira, ap\u00f3s tr\u00eas dias de intensa batalha.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-obpdj1psyq\">\u201cComo \u00e9 que eu nunca soube disso? Eu nunca mais vou olhar para o Paragua\u00e7u com a mesma paz ou com os mesmo olhos. Que rio cheio de hist\u00f3ria, n\u00e9? Agora j\u00e1 sei porque passou o S\u00e3o Jo\u00e3o e a cidade continua cheia desse jeito. Como \u00e9 que a gente vem aqui e ningu\u00e9m fala isso?\u201d, indaga Elisa, do in\u00edcio da mat\u00e9ria, ap\u00f3s contarmos esta historinha que os livros n\u00e3o contam. De fato, essa hist\u00f3ria precisa ser contada. Ou melhor, visitada.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-5ykk4c3lww\">\u201c\u00c9 uma liturgia c\u00edvica que temos muito forte em Cachoeira e S\u00e3o F\u00e9lix. O Rec\u00f4ncavo pulsa o 2 de julho, como Santo Amaro, Saubara com Caretas do Mingau, Itaparica, Maragogipe\u2026 Mas aqui, o povo faz quest\u00e3o de perpetuar esta hist\u00f3ria pouco contada desde o dia 1\u00ba de junho at\u00e9 a data final, no dia 2 de julho. Poderia se tornar facilmente um roteiro tur\u00edstico da independ\u00eancia, levar este esp\u00edrito c\u00edvico para outras pessoas\u201d, conta F\u00e1bio Batista.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-sfevimz6wx\">Lugar \u00e9 que n\u00e3o falta para visitar. E os cachoeiranos fazem quest\u00e3o de reviver esta mem\u00f3ria e comparecer aos festejos da independ\u00eancia, que come\u00e7am desde o dia primeiro de junho, com a levada dos mastros simb\u00f3licos para a Rua da Feira. O samba come no centro. No dia 24, v\u00e9spera do primeiro ato de independ\u00eancia e dia do S\u00e3o Jo\u00e3o, S\u00e3o F\u00e9lix e Cachoeira juntam sua cabocla e caboclo, respectivamente, no mesmo lugar dos mastros. Mais samba de roda, l\u00f3gico. \u00c9 o primeiro dia em que o casal se junta.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-jxyjdxaycn\">Diz a lenda que eles namoram que \u00e9 uma beleza. \u00c0 noite, ningu\u00e9m vai incomodar os pombinhos. No dia 25, um desfile c\u00edvico, nos moldes do 7 de setembro, inclusive com a presen\u00e7a do Ex\u00e9rcito, para levar os s\u00edmbolos do 2 de Julho ao centro, mas especificamente onde est\u00e1 a Casa de C\u00e2mara e Cadeia, para celebrar o ato que desvincula o Brasil de Portugal. Adivinha: samba de roda, desfile, fanfarra e tudo que o povo merece.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-loihsmyrcz\">\u201cNasci naquele casar\u00e3o e nunca perdi uma festa da independ\u00eancia. N\u00e3o sei como isso n\u00e3o \u00e9 reconhecido nacionalmente. Precisamos mostrar isso ao Brasil, como s\u00edmbolo maior da independ\u00eancia. Um turismo, desses com guias, trazer gente pra c\u00e1. Trago todo ano minha fam\u00edlia e amigos que nunca viram. Todos querem voltar\u201d, disse Maria do Socorro Santos, de 80 anos.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-vyv84aqlz3\">Socorro segue sempre o mesmo ritual, assim como boa parte dos cachoeiranos. No dia 25, ela arma as cadeiras na porta de casa, com comidinhas, licor e a fam\u00edlia reunida para ver o cortejo com os caboclos. Segue o mesmo ritual at\u00e9 os festejos ao 2 de Julho. \u201cAtualmente moro em Salvador, mas tenho minha casa aqui para acompanhar o desfile todos os anos. Est\u00e1 no sangue cachoeirano\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<div id=\"imagem-yjn9fkrdw7\" class=\"w-full\">\n<figure class=\"imagem-notas w-full max-w-full h-auto flex justify-center items-center overflow-hidden\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-493079 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/todo-ano-dona-socorro-reune-a-familia-para-acompanhar-os-desfiles-civicos-da-independencia-em-cachoeira-2790178-article-620x421.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"421\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/todo-ano-dona-socorro-reune-a-familia-para-acompanhar-os-desfiles-civicos-da-independencia-em-cachoeira-2790178-article-620x421.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/todo-ano-dona-socorro-reune-a-familia-para-acompanhar-os-desfiles-civicos-da-independencia-em-cachoeira-2790178-article-300x204.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/todo-ano-dona-socorro-reune-a-familia-para-acompanhar-os-desfiles-civicos-da-independencia-em-cachoeira-2790178-article-768x521.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/todo-ano-dona-socorro-reune-a-familia-para-acompanhar-os-desfiles-civicos-da-independencia-em-cachoeira-2790178-article-160x109.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/todo-ano-dona-socorro-reune-a-familia-para-acompanhar-os-desfiles-civicos-da-independencia-em-cachoeira-2790178-article-640x434.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/todo-ano-dona-socorro-reune-a-familia-para-acompanhar-os-desfiles-civicos-da-independencia-em-cachoeira-2790178-article.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/figure>\n<p>Todo ano, dona Socorro re\u00fane a fam\u00edlia para acompanhar os desfiles c\u00edvicos da independ\u00eancia em Cachoeira\u00a0<span class=\"font-bold\">Cr\u00e9dito: Moys\u00e9s Suzart\/ CORREIO<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-yysqq0sl27\">Para quem quer conhecer a cidade hist\u00f3rica e primeira livre do Brasil, tem de tudo, inclusive roteiros e passeios que visitam comunidades ribeirinhas e quilombolas, como Bel\u00e9m de Cachoeira, distrito a 7 quil\u00f4metros do centro, que tamb\u00e9m foram cruciais para a forma\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o dos batalh\u00f5es patri\u00f3ticos. Chama aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m o Quilombo Kaonge, talvez o \u00fanico roteiro tur\u00edstico com imers\u00e3o na hist\u00f3ria do lugar, chamado Rota da Liberdade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-hee1mwl8zk\">Para esse roteiro ficar como um verdadeiro mergulho no tempo, \u00e9 sempre bom come\u00e7ar na Casa de C\u00e2mara e Cadeia, onde existem pe\u00e7as importantes da independ\u00eancia e onde o caboclo descansa no restante do ano. Depois, Igreja, da Matriz, seguido pelo Hospital da Santa Casa de Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-iz07vb6389\">Se sua visita for durante o per\u00edodo de comemora\u00e7\u00f5es ao 2 de Julho, ainda tem a pira que corre pelo Rec\u00f4ncavo at\u00e9 a chegada \u00e0 Salvador, representando toda luta pela independ\u00eancia que, ao contr\u00e1rio do que contam os livros, come\u00e7ou em Cachoeira. Sem contar o samba quase centen\u00e1rio de Dona Dalva e os bares de reggae que tra\u00e7am diversas trilhas sonoras da independ\u00eancia. \u00c9 uma visita que deveria ser obrigat\u00f3ria para cada brasileiro.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-no34k3ski6\">E, depois de percorrer suas ruas que respiram hist\u00f3ria, nada melhor do que sentar num bar \u00e0 beira do Rio Paragua\u00e7u, abrir uma cerveja gelada e contemplar um rio que n\u00e3o pede holofotes, mas os merece. Enquanto o Ipiranga virou s\u00edmbolo oficial, o Paragua\u00e7u segue discreto, por\u00e9m imenso, carregando nas \u00e1guas a verdade sobre onde o Brasil realmente come\u00e7ou a se libertar. Em Cachoeira, a independ\u00eancia n\u00e3o foi encenada em meio a uma dor de barriga, mas foi vivida, com luta, coragem e participa\u00e7\u00e3o popular. Que os livros refa\u00e7am seus roteiros: a independ\u00eancia come\u00e7ou aqui.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-67cmshaxiw\"><b>Itaparica<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-6l2zjvaa9e\">Quem toma uma cervejinha gelada na Pra\u00e7a Tenente Jo\u00e3o das Botas, em Itaparica, ou compra um artesanato no Casar\u00e3o local, n\u00e3o imagina que \u00e9 um lugar bom para turistar, mas crucial na independ\u00eancia da Bahia. Ali viveu um portugu\u00eas que deu nome \u00e0 localidade e viveu seus dias naquele casar\u00e3o que hoje \u00e9 ponto tur\u00edstico. Este rapaz, mesmo lusitano, lutou ao lado dos brasileiros pela independ\u00eancia e, gra\u00e7as a ele, a Bahia \u00e9 pioneira em mais uma coisa: alguns historiadores acreditam que foi em Itaparica que a Marinha do Brasil, sem v\u00ednculo com Portugal, foi criada.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-lx8ijqmebr\">Tudo gra\u00e7as a Jo\u00e3o de Botas. Muito antes das tropas portuguesas serem expulsas de vez da Bahia, em 2 de julho de 1823, a Ilha de Itaparica j\u00e1 havia se tornado s\u00edmbolo da resist\u00eancia patri\u00f3tica. O epis\u00f3dio mais emblem\u00e1tico dessa luta aconteceu em 7 de janeiro de 1823, quando um grupo de pescadores, marisqueiras e combatentes locais conseguiu uma das primeiras e mais decisivas vit\u00f3rias contra os portugueses, numa batalha naval e terrestre travada com coragem e criatividade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-3il3z2dvoo\">Jo\u00e3o teve um papel crucial ao enfrentar a nau lusitana, pois ele transformou navios civis em militares, equipando-os com armamento e enfrentando os colonizadores. Por isso muitos acreditam que ali nasceu a Marinha do Brasil, com\u00a0navios genuinamente\u00a0brasileiros.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-438mc2gp7e\">Outro ponto crucial que vale a pena conhecer \u00e9 o Forte de S\u00e3o Louren\u00e7o, tamb\u00e9m local estrat\u00e9gico para os brasileiros. Contudo, nada se compara \u00e0 Praia do Convento. Al\u00e9m de ser linda, foi ali que uma das hist\u00f3rias mais fascinantes da independ\u00eancia aconteceu. Historiadores acreditam que foi naquela regi\u00e3o que Maria Felipa deu\u00a0uma surra de urtiga nos portugueses.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-h5tvtxst0a\">Mulher negra, marisqueira e lideran\u00e7a popular da ilha, ela comandou um grupo de mulheres que ficou conhecido por atacar navios portugueses e at\u00e9 incendiar embarca\u00e7\u00f5es inimigas, al\u00e9m de aplicar \u201ct\u00e1ticas de guerra\u201d que envolviam surra de cansan\u00e7\u00e3o. Maria Felipa entrou para a hist\u00f3ria n\u00e3o como exce\u00e7\u00e3o, mas como s\u00edmbolo da participa\u00e7\u00e3o do povo negro, feminino e an\u00f4nimo na conquista da liberdade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-k6nc3miqzu\"><b>Roteiro da Independ\u00eancia em Cachoeira &#8211;\u00a0Dura\u00e7\u00e3o sugerida: 1 a 2 dias<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-mrxmtj7u8b\"><b>1. C\u00e2mara Municipal de Cachoeira (Pa\u00e7o Municipal)<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-1s9bw74ohx\">Foi aqui que, no dia 25 de junho de 1822, a cidade proclamou apoio \u00e0 Independ\u00eancia do Brasil e rompeu com o governo portugu\u00eas, antes mesmo do grito de D. Pedro no Rio Ipiranga. Dica: visite o Sal\u00e3o Nobre, onde l\u00edderes locais e o povo selaram o pacto independentista. Existem pe\u00e7as historicas no local.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-96bhjjhg68\"><b>2. Hospital S\u00e3o Jo\u00e3o de Deus<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-k7jm78pnxu\">O sal\u00e3o do hospital serviu para reuni\u00f5es secretas sobre a independ\u00eancia e foi sede da forma\u00e7\u00e3o da Junta de Governo Provis\u00f3rio, simbolizando o in\u00edcio de um governo pr\u00f3prio e a organiza\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia. O hospital \u00e9 um dos edif\u00edcios mais antigos da cidade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-3y2uwepig1\"><b>3. Ponte Dom Pedro II<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-k6i8hqpbpc\">Uma das mais ic\u00f4nicas do Brasil, liga Cachoeira a S\u00e3o F\u00e9lix. Constru\u00edda no s\u00e9culo XIX, oferece uma linda vista do Rio Paragua\u00e7u e \u00e9 s\u00edmbolo de uni\u00e3o regional. D\u00e1 tamb\u00e9m para esticar em S\u00e3o F\u00e9lix.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-hb5f87ya0p\"><b>4. Rio Paragua\u00e7u e Cais<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-wn7mhxftws\">Foi aqui, em 28 de junho de 1822, que aconteceu a primeira batalha armada entre brasileiros e portugueses. O rio foi rota de fuga e chegada daqueles que lutavam pela Independ\u00eancia. Contemplar o local do confronto com vista para S\u00e3o F\u00e9lix e o rio, \u00e9 essencial para entender a geopol\u00edtica da \u00e9poca.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-q6tt3utliy\"><b>5. Igreja Matriz de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-lwoismehdn\">Igreja onde foi celebrada a missa solene ap\u00f3s a aclama\u00e7\u00e3o de Dom Pedro. Um marco espiritual da independ\u00eancia. Ele tem uma arquitetura colonial e import\u00e2ncia no enraizamento da f\u00e9 cat\u00f3lica na luta pol\u00edtica.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-kqbbypeubd\"><b>6. Samba de Roda de Dona Dalva \u2013 Terreiro de Samba Suerdieck<\/b><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-mk0tisijax\">Dona Dalva Damiana de Freitas \u00e9 um dos maiores s\u00edmbolos vivos da cultura afro-brasileira. Seu samba \u00e9 Patrim\u00f4nio Imaterial da Bahia e do Brasil e tem uma programa\u00e7\u00e3o especial no per\u00edodo dos festejos da independ\u00eancia, geralmente regado a cerveja e muita mani\u00e7oba. Samba de roda raiz, com resist\u00eancia cultural e sabedoria ancestral.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi l\u00e1 que o orgulho de ser brasileiro superou a soberania portuguesa nas nossas vidas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":493080,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-493078","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/paraguacu.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493078","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=493078"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/493078\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/493080"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=493078"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=493078"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=493078"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}