{"id":504065,"date":"2025-10-06T06:16:05","date_gmt":"2025-10-06T09:16:05","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=504065"},"modified":"2025-10-06T06:16:05","modified_gmt":"2025-10-06T09:16:05","slug":"metanol-mortes-no-brasil-expoem-falta-de-rastreabilidade-das-bebidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/metanol-mortes-no-brasil-expoem-falta-de-rastreabilidade-das-bebidas\/","title":{"rendered":"Metanol: mortes no Brasil exp\u00f5em falta de rastreabilidade das bebidas"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7d2fc729 titulo-post elementor-widget elementor-widget-theme-post-title elementor-page-title elementor-widget-heading\" data-id=\"7d2fc729\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-title.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-59e555ed elementor-widget elementor-widget-post-info\" 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aria-controls=\"ub-expand-full-9491372d-f7c7-4d80-9bfe-eda2209a8bad\">\n<p><strong>Do Metr\u00f3poles<\/strong><\/p>\n<p>Os casos de intoxica\u00e7\u00e3o por metanol, ingerido a partir de bebidas alco\u00f3licas adulteradas, resgatam o debate sobre a necessidade de o Brasil retomar sistemas de controle e rastreabilidade desse tipo de produto, de modo a fortalecer a fiscaliza\u00e7\u00e3o e proteger os consumidores.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou, na tarde do \u00faltimo s\u00e1bado (4\/10), que o Brasil chegou a 195 notifica\u00e7\u00f5es de intoxica\u00e7\u00e3o por metanol ap\u00f3s ingest\u00e3o de bebida alco\u00f3lica. A trag\u00e9dia, que j\u00e1 provocou ao menos duas mortes em S\u00e3o Paulo, n\u00e3o \u00e9 fato isolado. Pelo contr\u00e1rio: assemelha-se a epis\u00f3dios pelo mundo, revelando poss\u00edvel crise global de envenenamento por \u00e1lcool adulterado.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ub-expand-full-9491372d-f7c7-4d80-9bfe-eda2209a8bad\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-full wp-block-ub-expand-portion\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"ub-expand-full-9491372d-f7c7-4d80-9bfe-eda2209a8bad\">\n<p>Em setembro de 2025, a R\u00fassia registrou 25 mortes por contamina\u00e7\u00e3o com metanol. Suspeitos de produzir e distribuir a bebida ilegal foram presos. Em Leningrado, garrafas de vodca eram vendidas por cerca de US$ 1. No mesmo m\u00eas, a Col\u00f4mbia contabilizou 11 mortes e 25 interna\u00e7\u00f5es por metanol ap\u00f3s o consumo de bebidas adulteradas.<\/p>\n<p>Casos semelhantes se repetiram no \u00faltimo ano. Em novembro de 2024, seis turistas morreram no Laos ap\u00f3s ingerirem bebidas adulteradas \u2014 entre os quais, duas adolescentes australianas, dois dinamarqueses, um americano e uma brit\u00e2nica. \u00c0 \u00e9poca, governos, como o dos Estados Unidos e da Austr\u00e1lia, chegaram a emitir alertas de sa\u00fade para os cidad\u00e3os que viajam para o Laos, destacando os riscos de envenenamento por metanol. H\u00e1 dois anos, em 2023, um surto de intoxica\u00e7\u00e3o no Ir\u00e3 deixou mais de 30 mortos por envenenamento com metanol.<\/p>\n<p><strong>Falta do Sicobe<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, epis\u00f3dios recentes de adultera\u00e7\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas exp\u00f5em a aus\u00eancia de um sistema de rastreabilidade. O Sistema de Controle de Produ\u00e7\u00e3o (Sicobe), que monitorava em tempo real a fabrica\u00e7\u00e3o e registrava a origem de cada produto, foi desativado em 2016 pela Receita Federal. Deste ent\u00e3o, n\u00e3o houve substitui\u00e7\u00e3o ou moderniza\u00e7\u00e3o do mecanismo, que poderia auxiliar na identifica\u00e7\u00e3o da origem de produtos adulterados.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca do Sicobe, al\u00e9m das bebidas frias, parte das bebidas quentes era monitorada, por solicita\u00e7\u00e3o das pr\u00f3prias associa\u00e7\u00f5es do setor. Fabricantes de cacha\u00e7a e vinho, por exemplo, optaram pelo sistema em substitui\u00e7\u00e3o aos selos de controle da Receita Federal, avaliando que o custo era semelhante, e a fiscaliza\u00e7\u00e3o, mais eficiente.<\/p>\n<p>Com a interrup\u00e7\u00e3o do Sicobe em 2016 pela Receita Federal, o Estado passou a depender exclusivamente da autodeclara\u00e7\u00e3o das empresas de todos os tipos de bebidas, criando brecha para a fraude. Sem o controle em tempo real, uma f\u00e1brica pode produzir 1 milh\u00e3o de litros de uma bebida, mas declarar apenas 600 mil litros, mantendo o excedente fora do controle oficial. Esse volume n\u00e3o registrado alimenta tanto a sonega\u00e7\u00e3o quanto a adultera\u00e7\u00e3o operada por organiza\u00e7\u00f5es criminosas.<\/p>\n<p>De acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Combate \u00e0 Falsifica\u00e7\u00e3o (ABCF), a mistura de metanol em bebidas alco\u00f3licas virou um dos neg\u00f3cios conduzidos por grupos criminosos, como o PCC, que possui log\u00edstica para importar a subst\u00e2ncia e distribuir o produto. Com o mercado desregulado, o risco de detec\u00e7\u00e3o \u00e9 baixo, o que fortalece essas opera\u00e7\u00f5es ilegais.<\/p>\n<p>Este m\u00eas, a ABCF levantou a suspeita de que parte do metanol usado na adultera\u00e7\u00e3o pode ter origem em sobras de combust\u00edveis apreendidas em postos fechados pela pol\u00edcia na Opera\u00e7\u00e3o Carbono Oculto, realizada no fim de agosto.<\/p>\n<p>Segundo a ABCF, o descontrole dos \u00faltimos anos fez o volume de bebidas falsas crescer de forma expressiva no mercado brasileiro. \u201cNos \u00faltimos tr\u00eas ou quatro anos, o crime organizado entrou no setor para ampliar lucros das opera\u00e7\u00f5es criminosas. Isso impacta tanto na quantidade de produtos ilegais em circula\u00e7\u00e3o quanto na qualidade do que chega ao consumidor. O crime organizado n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed para a sa\u00fade e a seguran\u00e7a das pessoas. Eles querem apenas o dinheiro\u201d, afirma o diretor de comunica\u00e7\u00e3o da ABCF, Rodolpho Ramazzini.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio atual pressiona por uma reavalia\u00e7\u00e3o do marco regulat\u00f3rio do setor de bebidas no Brasil. A retomada de um sistema de rastreabilidade volta a ser discutida n\u00e3o apenas como medida fiscal, mas como necessidade de seguran\u00e7a e sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>Mais sobre o sistema<\/strong><\/p>\n<p>Criado em 2009 pela Receita Federal, o Sistema de Controle de Produ\u00e7\u00e3o de Bebidas (Sicobe) foi desenvolvido para reduzir a sonega\u00e7\u00e3o de impostos em um dos setores mais relevantes da ind\u00fastria nacional. O mecanismo, no entanto, tamb\u00e9m se consolidou como uma ferramenta de rastreabilidade, registrando cada unidade produzida e permitindo que o Estado e os consumidores soubessem a origem das bebidas em circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O sistema funcionava a partir de equipamentos instalados diretamente nas linhas de produ\u00e7\u00e3o. Cada garrafa ou lata era contabilizada em tempo real e recebia uma marca\u00e7\u00e3o digital \u00fanica. As informa\u00e7\u00f5es eram cruzadas com as notas fiscais emitidas, possibilitando verificar se a produ\u00e7\u00e3o correspondia ao que era comercializado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de combater a venda de produtos n\u00e3o declarados, o processo criava um banco de dados capaz de identificar rapidamente lotes espec\u00edficos em casos de irregularidade ou contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 2011, produtores de cacha\u00e7a, vinho e algumas vodcas solicitaram a ado\u00e7\u00e3o do Sicobe em substitui\u00e7\u00e3o aos selos f\u00edsicos de controle. A Receita Federal formalizou a mudan\u00e7a por meio de uma instru\u00e7\u00e3o normativa, considerando que os custos eram equivalentes, cerca de R$ 0,03 por unidade, e que o sistema atendia \u00e0s exig\u00eancias fiscais.<\/p>\n<p>O Sicobe, no entanto, foi desativado em 2016. O governo federal alegou alto custo de manuten\u00e7\u00e3o e defendeu que instrumentos como a Nota Fiscal Eletr\u00f4nica e o Bloco K poderiam cumprir fun\u00e7\u00f5es semelhantes. Representantes da ind\u00fastria tamb\u00e9m pressionaram pela descontinuidade do sistema.<\/p>\n<p>O governo federal argumenta que o Sicobe tinha fun\u00e7\u00e3o exclusivamente tribut\u00e1ria, sem liga\u00e7\u00e3o com a preven\u00e7\u00e3o de mortes. Mas especialistas destacam que a rastreabilidade proporcionada pelo sistema \u00e9 capaz de combater falsifica\u00e7\u00f5es e agilizar a\u00e7\u00f5es em casos de adultera\u00e7\u00e3o, reduzindo riscos para os consumidores.<\/p>\n<p>Desde o desligamento do sistema, aumentaram os relatos de contrabando e falsifica\u00e7\u00e3o. Em 2024, o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) determinou a retomada do sistema, mas a decis\u00e3o foi suspensa por liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo a pedido da Receita Federal, que defende a continuidade do sistema desligado.<\/p>\n<p>Em 2025, os casos de contamina\u00e7\u00e3o por metanol em bebidas alco\u00f3licas retomaram a discuss\u00e3o. Especialistas em sa\u00fade p\u00fablica e fiscaliza\u00e7\u00e3o alertam que a rastreabilidade oferecida pelo Sicobe poderia facilitar a identifica\u00e7\u00e3o da origem de lotes suspeitos, al\u00e9m de permitir o recolhimento r\u00e1pido de produtos adulterados.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade informou, na tarde do \u00faltimo s\u00e1bado (4\/10), que o Brasil chegou a 195 notifica\u00e7\u00f5es de intoxica\u00e7\u00e3o por metanol ap\u00f3s ingest\u00e3o de bebida alco\u00f3lica. 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