{"id":505482,"date":"2025-10-18T09:03:27","date_gmt":"2025-10-18T12:03:27","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=505482"},"modified":"2025-10-18T09:03:27","modified_gmt":"2025-10-18T12:03:27","slug":"o-que-e-mpb-homenagem-a-chiquinha-gonzaga-mistura-ritmos-e-generos-mas-segue-sem-renovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-que-e-mpb-homenagem-a-chiquinha-gonzaga-mistura-ritmos-e-generos-mas-segue-sem-renovacao\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 MPB? Homenagem \u00e0 Chiquinha Gonzaga mistura ritmos e g\u00eaneros, mas segue sem renova\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por\u00a0Laiane Apresenta\u00e7\u00e3o \/ Eduarda Pinto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-505484 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/gil-e-chico-620x326.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/gil-e-chico-620x326.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/gil-e-chico-300x158.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/gil-e-chico-768x403.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/gil-e-chico-93x50.webp 93w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/gil-e-chico-160x84.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/gil-e-chico-640x336.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/gil-e-chico.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Instagram @gilbertogil<\/span><\/p>\n<p>Um dia ap\u00f3s a comemora\u00e7\u00e3o do Dia Nacional da M\u00fasica Popular Brasileira (MPB), em 17 de outubro, o Bahia Not\u00edcias questiona: \u201cO que \u00e9 MPB?\u201d. A pergunta permeou, por 38 anos, as aulas de Hist\u00f3ria da M\u00fasica Popular Brasileira da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e tiveram in\u00edcio com o mesmo debate sobre o que seria \u201cM\u00fasica Popular Brasileira\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pergunta tamb\u00e9m chegou a discuss\u00f5es entre artistas e internautas nas redes sociais, pode n\u00e3o ter uma resposta \u201ccerta\u201d, mas para o professor de m\u00fasica da UFBA, Tom Tavares, \u00e9 um conceito simples.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEu considero que a M\u00fasica Popular Brasileira \u00e9 tudo em termos de m\u00fasica que \u00e9 produzido no Brasil ou por brasileiros. A m\u00fasica \u00e9 um produto. N\u00e3o \u00e9 que eu queira colocar isso de forma mercantilista, n\u00e3o, de maneira alguma. \u00c9 que \u00e9 um produto, verdadeiramente\u201d, defendeu o m\u00fasico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele conta que as respostas durante a \u201co que \u00e9 MPB?\u201d na sua aula variavam de aluno para aluno. Alguns respondiam samba, outros, maracatu ou at\u00e9 mesmo samba-reggae, mas, para o estudioso, se juntasse tudo estariam certos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O conceito ainda diverge do que as plataformas tentam emplacar nos servi\u00e7os de m\u00fasica e streaming. A exemplo do Spotify, o segmento MPB \u00e9 classificado como um \u201cg\u00eanero\u201d e suas playlists est\u00e3o vinculadas, principalmente, aos artistas mais conhecidos de movimentos como o Rock, Bossa Nova e Tropic\u00e1lia, por volta dos anos 60 e 70. Na plataforma, uma s\u00e9rie de playlists surgem com sucessos de cantores como Maria Beth\u00e2nia e Gilberto Gil, Elis Regina, Milton Nascimento e Erasmo Carlos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cCan\u00e7\u00f5es que ajudaram a escrever a Hist\u00f3ria da M\u00fasica Popular Brasileira\u201d, \u00e9 o que diz a descri\u00e7\u00e3o. O mesmo acontece em outras plataformas populares como Apple e YouTube Music. Para Tavares, que tamb\u00e9m atuou como radialista por d\u00e9cadas, o termo MPB surge com o Festival de M\u00fasica Popular Brasileira, um concurso anual de can\u00e7\u00f5es originais e in\u00e9ditas criado em 1960, no Guaruj\u00e1, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi atrav\u00e9s do festival que o pa\u00eds conheceu, em 1967, figuras como os baianos Gilberto Gil, que apresentou \u201cDomingo no Parque\u201d e Caetano Veloso, com \u201cAlegria Alegria\u201d. O festival ocorreu ininterruptamente de 1965 a 1969. Talvez por isso, as figuras como os baianos, al\u00e9m de nomes como Elis Regina, Chico Buarque e Nana Caymmi se tornaram refer\u00eancia do que ficou conhecido no imagin\u00e1rio brasileiro como MPB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A MAESTRINA BRASILEIRA<br \/>\nMas a MPB vem antes mesmo dos festivais de m\u00fasica. A data foi institu\u00eddo em 9 de maio de 2012, em decreto pela ent\u00e3o presidente do Brasil, Dilma Rousseff (PF), e homenageia da artista Chiquinha Gonzaga, nascida em 17 de outubro de 1847. Francisca Edwiges Neves Gonzaga nasceu no Rio de Janeiro, fruto da uni\u00e3o de Jos\u00e9 Basileu Neves Gonzaga, militar no Segundo Imp\u00e9rio, com a forra Rosa, filha de escravizada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ap\u00f3s passar por dois casamentos e tr\u00eas gravidezes, sempre mantendo a m\u00fasica como seu ref\u00fagio e agrado pessoal, Chiquinha passou a se dedicar plenamente a m\u00fasica na d\u00e9cada de 1870. Compondo choros, m\u00fasicas para teatro de variedades e atuando como regente, o sucesso chegou em 1899, com a marcha \u201c\u00d3 Abre Alas\u201d. Chiquinha foi a fundadora, s\u00f3cia e patrona da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT), ocupando a cadeira n.\u00ba 1. Chiquinha Gonzaga faleceu no Rio de Janeiro, no dia 28 de fevereiro de 1935.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-505483 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/chiquinha-620x326.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/chiquinha-620x326.png 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/chiquinha-300x158.png 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/chiquinha-768x403.png 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/chiquinha-1536x806.png 1536w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/chiquinha-2048x1075.png 2048w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/chiquinha-93x50.png 93w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/chiquinha-160x84.png 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/chiquinha-640x336.png 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p><em>Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Acervo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Tom, Chiquinha possui uma import\u00e2ncia para a m\u00fasica brasileira como instrumentista, compositora e tamb\u00e9m a pessoa que criou a primeira sociedade de arrecada\u00e7\u00e3o de direitos autorais no Brasil, a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (Sbat). \u201cEla foi uma pessoa que mandou ver, passou por cima de obst\u00e1culos, criados pela sociedade de ent\u00e3o\u201d, defendeu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEla foi, al\u00e9m de tudo, uma mulher que enfrentou todo o preconceito da sociedade, porque at\u00e9 ent\u00e3o uma mulher se arriscar a fazer o que ela fez poderia sucumbir, n\u00e9? Mas ela conseguiu, enfrentou e venceu essa sociedade preconceituosa do s\u00e9culo, do come\u00e7o do s\u00e9culo XX (20)\u201d, completou o professor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E A \u201cNOVA MPB\u201d?<br \/>\nQuando trazemos a discuss\u00e3o para a atualidade, nomes como Liniker, Anavit\u00f3ria, Lagum e os\u00a0Gilsons despontam repetitivamente nas colet\u00e2neas de m\u00fasicas. Para o professor, a denomina\u00e7\u00e3o \u201cNova MPB\u201d existe apenas em fun\u00e7\u00e3o do \u201cmarketing\u201d. \u201c\u00c9 o marketing dizendo: \u2018\u00d3, esses s\u00e3o os novos produtores de m\u00fasica popular brasileira\u2019. O que n\u00e3o quer dizer que os demais n\u00e3o existam\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entanto, Tom alerta: \u201cVoc\u00ea quer se classificar como novo, trate de fazer alguma coisa nova\u201d, o que o professor admite n\u00e3o estar vendo ultimamente. Um dos fatores para essa falta de novidade seria a \u201caus\u00eancia de autenticidade\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que estes e outros artistas possuem em comum \u00e9 um grande apelo a composi\u00e7\u00e3o, refer\u00eancias da bossa nova, neo-soul e R&amp;B, e as m\u00fasicas mais mel\u00f3dicas. Inevitavelmente, f\u00e3s e consumidores os relacionam aos artistas mais velhos, criando correla\u00e7\u00f5es e at\u00e9 compara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOlha como a coisa \u00e9 interessante: eles s\u00e3o os novos, mas a produ\u00e7\u00e3o deles mira a produ\u00e7\u00e3o dos velhos. Ent\u00e3o, tem muita gente na Bahia que est\u00e1 produzindo \u2018nova MPB\u2019 na Bahia, mas tem como refer\u00eancia Caetano Veloso, Gilberto Gil, o tempo todo. Para a pessoa realmente produzir algo novo, ela tem que se desvincular desses grilh\u00f5es\u201d, explicou o m\u00fasico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caso a \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d da m\u00fasica n\u00e3o ocorra, Tavares afirma que o que acontecer\u00e1 ser\u00e1 a \u201crepeti\u00e7\u00e3o do que j\u00e1 aconteceu\u201d. \u201cParece coisa de IA. Parece coisa de Intelig\u00eancia Artificial. Na verdade, a IA n\u00e3o produz nada novo. Ela apenas junta ideias de coisas que j\u00e1 aconteceram. Ent\u00e3o, esses compositores est\u00e3o agindo de maneira semelhante. Est\u00e3o usando os mesmos signos musicais utilizados pelos seus \u00eddolos\u201d, completa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia ap\u00f3s a comemora\u00e7\u00e3o do Dia Nacional da M\u00fasica Popular Brasileira (MPB), em 17 de outubro, o Bahia Not\u00edcias questiona: \u201cO que \u00e9 MPB?\u201d. 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