{"id":507822,"date":"2025-11-08T09:24:17","date_gmt":"2025-11-08T12:24:17","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=507822"},"modified":"2025-11-08T09:24:17","modified_gmt":"2025-11-08T12:24:17","slug":"por-que-tanta-gente-ama-historias-de-assassinato-saiba-o-motivo-do-fascinio-pelo-true-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-tanta-gente-ama-historias-de-assassinato-saiba-o-motivo-do-fascinio-pelo-true-crime\/","title":{"rendered":"Por que tanta gente ama hist\u00f3rias de assassinato? Saiba o motivo do fasc\u00ednio pelo true crime"},"content":{"rendered":"<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<h1 id=\"titulo-ij6yno4o5v\" class=\"component--titulo font-family-secondary text-[34px] font-semibold leading-[42px] text-tw-theme-text-default md:max-lg:text-[40px] lg:text-[42px] lg:leading-[50px]\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<h2 id=\"linha-fina-ulc41gf0bt\" class=\"text-tw-theme-box-linha-fina-default font-normal text-[16px]\">De Suzane Richthofen a Jeffrey Dahmer, o g\u00eanero true crime domina buscas e streams. Especialistas explicam por que gostamos de sentir medo, desde que na seguran\u00e7a do sof\u00e1<\/h2>\n<p>Por Moyses Suzart, do Correio<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<div id=\"informacao-publicacao-yfk7er5l1n\" class=\"flex flex-col gap-2 text-tw-theme-text-default font-family-primary m-0 text-sm\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"container--component-block\">\n<div id=\"single_top_piano\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<div id=\"imagem-xlgdeljaw3\" class=\"w-full\">\n<figure class=\"imagem-notas w-full max-w-full h-auto flex justify-center items-center overflow-hidden\">\n<div id=\"gft-up-divMM\">\n<div id=\"gft-41012-banner-ad_bg\" class=\"gft-up-divMain\">\n<div id=\"gft-41012-banner-ad\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/150790500,44585206\/23568_UP_IMAGE_1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w-full h-auto\" src=\"https:\/\/midias.correio24horas.com.br\/2025\/10\/30\/serie-tremembe-2986996-article.webp\" alt=\"S\u00e9rie Trememb\u00e9\" width=\"600\" height=\"336\" \/><\/div>\n<\/figure>\n<p>S\u00e9rie Trememb\u00e9\u00a0<span class=\"font-bold\">Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-v7vwj7ftid\">Quando a caixinha de pesquisa do Google est\u00e1 na frente do baiano, o que ser\u00e1 que ele pesquisa? Quanto tempo falta para o carnaval, quantos feriados teremos em 2026, quantos pontos o Vit\u00f3ria precisa para escapar do rebaixamento ou se banho de mar melhora a ressaca? Ao menos nas \u00faltimas semanas, nenhuma das alternativas anteriores. O baiano queria saber mesmo quem era essa tal de\u00a0<a class=\"link\" href=\"https:\/\/www.correio24horas.com.br\/em-alta\/o-que-aconteceu-com-os-criminosos-de-tremembe-veja-quem-esta-solto-e-quem-segue-na-prisao-1125\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Suzane Richthofen e onde \u00e9 Trememb\u00e9<\/a>. Desde a estreia da mais nova produ\u00e7\u00e3o do estilo \u201ctrue crime\u201d (ou crimes reais), no universo dos streams, a plataforma mostrou um comportamento singular entre os usu\u00e1rios baianos: eles queriam saber sobre serial killer, crimes reais e not\u00edcias do g\u00eanero.<\/p>\n<p>A plataforma Google avalia a pontua\u00e7\u00e3o de 0 a 100 no aspecto relev\u00e2ncia e o assunto \u2018true crime\u2019 chegou ao ponto m\u00e1ximo entre usu\u00e1rios baianos, com pesquisas relacionadas tamb\u00e9m no pico, como pesquisas sobre o assassino em s\u00e9rie Jeffrey Dahmer, cursos sobre investiga\u00e7\u00e3o criminal e Suzane Richthofen, esta \u00faltima no topo da pesquisa por mais de cinco dias seguidos. ele \u00e9 uma dois personagens reais da s\u00e9rie Trememb\u00e9. Afinal, por que tanta tara sobre criminosos e assassinatos brutais? Ouvimos especialistas, que contam, em diferentes vis\u00f5es, o motivo do assunto despertar o interesse.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-uxhv3nykni\">Entre os especialistas, foi quase unanimidade um questionamento importante: o que desperta tanto interesse n\u00e3o s\u00e3o apenas os casos brutais e friamente calculados, mas tamb\u00e9m aqueles que poderiam acontecer com qualquer pessoa. Crimes que surgem de discuss\u00f5es banais, familiares, brigas no tr\u00e2nsito ou desentendimentos entre vizinhos. At\u00e9 que ponto uma filha pode matar os pais? Qual a rea\u00e7\u00e3o de sua esposa ao saber que voc\u00ea a traiu? vai te matar e esquartejar? Ou como explicar um pai matando uma filha pequena, jogando do 13 andar? O p\u00fablico se v\u00ea ali, como espectador e, de certo modo, como parte da mesma realidade. Um medo de algo que pode acontecer com qualquer um.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-ajaqn5evyn\">Talvez o fasc\u00ednio esteja justamente nisso, em tentar entender o que leva uma pessoa aparentemente \u201cnormal\u201d, do nosso cotidiano, a matar. N\u00e3o se trata apenas de viol\u00eancia, mas de compreender o limite do comportamento humano. O que faz algu\u00e9m ultrapassar essa linha? O que dispara o gatilho da raiva ou do descontrole? Ao se colocar diante dessas hist\u00f3rias, o espectador busca, ainda que inconscientemente, entender at\u00e9 onde ele pr\u00f3prio seria capaz de ir.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-lp1abrv7xa\">No quesito hist\u00f3rico, \u00e9 bom frisar: a curiosidade sobre crimes reais n\u00e3o existe desde que o mundo \u00e9 mundo. Antes mesmo do Brasil ser invadido, digo, ser descoberto por Portugal, o \u2018true crime\u2019 j\u00e1 bombava na Europa e nasceu quase junto com os jornais impressos, no s\u00e9culo XV. D\u00e1 at\u00e9 pra dizer que o primeiro stream anal\u00f3gico true crime nasceu em 1439, com a inven\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina de impress\u00e3o por Gutenberg. Al\u00e9m de servir para a impress\u00e3o de jornais, a m\u00e1quina passou a fazer sucesso na confec\u00e7\u00e3o de cartazes que detalhavam os crimes cometidos pelos condenados \u00e0 morte em pra\u00e7a p\u00fablica. Quase que um guia m\u00f3rbido de quem iria morrer naquela manh\u00e3 ensolarada de domingo na Inglaterra. E, segundo historiadores, bombava.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-rk3apezti2\">Logo depois vieram os Penny dreadfuls, os primeiros livretos baratos sensacionalistas que contavam hist\u00f3rias de crimes reais e inventados. Foi o primeiro tipo de hist\u00f3ria distribu\u00eddo em larga escala, tamb\u00e9m no Reino Unido. N\u00e3o parou mais. Passando por filmes como Sil\u00eancio dos Inocentes, docs e at\u00e9 mesmo programas sensacionalistas que ainda s\u00e3o exibidos no hor\u00e1rio do almo\u00e7o, o assunto cativa. \u201cO ser humano \u00e9 m\u00f3rbido desde sempre, e a morbidez vende\u201d, resume a crimin\u00f3loga e escritora Ilana Casoy. Confira o que dizem os especialistas sobre este fen\u00f4meno:<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<h2 id=\"intertitulo-s9h5txj0xh\" class=\"font-family-secondary text-tw-theme-box-titulo-default text-[26px] leading-[38px] font-bold md:text-[31px]\">Ilana Casoy, escritora, roteirista e crimin\u00f3loga<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<div id=\"imagem-6aegy1yp9u\" class=\"w-full\">\n<figure class=\"imagem-notas w-full max-w-full h-auto flex justify-center items-center overflow-hidden\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-507824 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ilana-casoy-escritora-roteirista-e-criminologa-3000034-article.webp\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"399\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ilana-casoy-escritora-roteirista-e-criminologa-3000034-article.webp 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ilana-casoy-escritora-roteirista-e-criminologa-3000034-article-300x200.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ilana-casoy-escritora-roteirista-e-criminologa-3000034-article-160x106.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/ilana-casoy-escritora-roteirista-e-criminologa-3000034-article-450x300.webp 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/figure>\n<p>Ilana Casoy, escritora, roteirista e crimin\u00f3loga\u00a0<span class=\"font-bold\">Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-7ejdbk14j5\">O fasc\u00ednio pelo true crime vem de algo muito humano, da curiosidade pelo comportamento criminoso e o desejo de entender o que leva algu\u00e9m a ultrapassar certos limites. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m um componente emocional importante: assistir a hist\u00f3rias horr\u00edveis, de muito risco e viol\u00eancia, em um ambiente totalmente controlado. O espectador est\u00e1 no sof\u00e1, com o controle remoto na m\u00e3o. Vive a tens\u00e3o, o medo e o perigo sem se colocar em risco, porque o controle est\u00e1 com ele. \u00c9 ele quem decide at\u00e9 onde quer ir. Pode pausar, voltar, acelerar ou parar. Em um mundo real cada vez mais imprevis\u00edvel, essa sensa\u00e7\u00e3o de dom\u00ednio sobre o medo \u00e9 profundamente reconfortante.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-9lio4k109i\">Esse interesse n\u00e3o \u00e9 exatamente novo. Nos Estados Unidos, o boom do g\u00eanero come\u00e7ou no in\u00edcio dos anos 2000 e continua at\u00e9 hoje. No Brasil, esse movimento chegou com atraso. Desde o filme L\u00facio Fl\u00e1vio, o Passageiro da Agonia, em 1977, j\u00e1 se tentava explorar o crime real no audiovisual. O que vemos agora \u00e9 a consolida\u00e7\u00e3o de um caminho que o mundo j\u00e1 percorreu: a mistura entre jornalismo, fic\u00e7\u00e3o e entretenimento em torno do crime.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-dq86f2n7a6\">O sucesso nas plataformas de streaming obedece ao velho paradoxo\u2026 Quanto mais vende, mais se produz\u2026 E quanto mais se produz, mais se vende. H\u00e1 obras de alt\u00edssima\u00a0<a class=\"keywords-mark-b5f71e13-d181-4ce9-98af-5b3b4c1d3f6e stared\" href=\"https:\/\/lax1-ib.adnxs.com\/click2?e=wqT_3QKiAfCBogAAAAMAxBkFAQjwvbzIBhCAruz4sNCGgioYjrC_xLL5zfsDIJydgg4oSjD8ZzgCQI_DuMQCSKa6igFQAFoDVVNEYgNVU0RoAXABePCSogGAAbmCBogBAZABApgBBaABAqkBJ6q3BrZK3j-xAdW9BF2x9do_uQEAAACAPQrvP8EB1Q0UEMkBJqq3BSg42AHxBOABAPABgPQC-AEA\/s=90c3b064e5b5fd1df17af9a0d0cbb23a78f369a3\/bcr=AAAAAAAA8D8=\/pp=0.421246\/cnd=%21BBa8fwiTpZ8fEI_DuMQCGKa6igEgACgAMQAAAAAAAAAAOglMQVgxOjYzMTdA0UpJpU5AE2FjFUBRAAAAAAAAAABZAAAAAAAAAABhuB6F61G4nj9pAAAAAAAAAABxAAAAAAAAAAB4AIkBAAAAAAAA8D8.\/cca=MTMzMDgjTEFYMTo2MzE3\/bn=98617\/clickenc=https%3A%2F%2Fge.globo.com%2Fep%2Fcraque-betano%2Fnoticia%2F2025%2F10%2F21%2Freinaldo-do-mirassol-e-o-craque-betano-da-rodada-29-do-cartola.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener sponsored\" data-markjs=\"true\">qualidade<\/a>, baseadas em apura\u00e7\u00e3o rigorosa, e outras que apenas exploram o tema de maneira superficial. No fim, o p\u00fablico \u00e9 quem decide o que \u00e9 bom ou ruim, porque cada pessoa consome true crime de um modo diferente. H\u00e1 quem busque informa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 quem queira apenas se entreter. O problema surge quando a viol\u00eancia vira espet\u00e1culo, quando a dor \u00e9 transformada em entretenimento puro, sem reflex\u00e3o ou contexto.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-e0sq1qabqs\">Os crimes em s\u00e9rie (serial killer) ainda ocupam um lugar especial no imagin\u00e1rio popular. S\u00e3o raros, extremos e de enorme impacto social. Fascinam porque representam o limite da viol\u00eancia, algo quase incompreens\u00edvel. Mas h\u00e1 outros tipos de crime que tamb\u00e9m exercem magnetismo semelhante: os familiares, os que rompem o sagrado, os ligados a seitas. Tudo o que envolve o mist\u00e9rio e o inexplic\u00e1vel vai sempre funcionar como um \u00edm\u00e3 de audi\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<h2 id=\"intertitulo-ss9520d4oj\" class=\"font-family-secondary text-tw-theme-box-titulo-default text-[26px] leading-[38px] font-bold md:text-[31px]\">Dr. Sebastian Mello, advogado criminalista e professor de Direito Penal da Ufba<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<div id=\"imagem-iuvhrt6gpt\" class=\"w-full\">\n<figure class=\"imagem-notas w-full max-w-full h-auto flex justify-center items-center overflow-hidden\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"w-full h-auto\" src=\"https:\/\/midias.correio24horas.com.br\/2025\/11\/07\/dr-sebastian-mello-advogado-criminalista-e-professor-de-direito-penal-da-ufba-3000050.jpeg\" alt=\"Dr. Sebastian Mello, advogado criminalista e professor de Direito Penal da Ufba\" width=\"419\" height=\"464\" \/><\/figure>\n<p>Dr. Sebastian Mello, advogado criminalista e professor de Direito Penal da Ufba\u00a0<span class=\"font-bold\">Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-nz566pxtgv\">O fasc\u00ednio por s\u00e9ries, document\u00e1rios e podcasts de true crime n\u00e3o \u00e9 algo novo. Ao longo da hist\u00f3ria, o interesse pelas narrativas criminais sempre existiu, apenas mudou de forma e de embalagem. E n\u00e3o \u00e9 uma caracter\u00edstica exclusiva da sociedade brasileira nem do nosso tempo. A humanidade, em diferentes per\u00edodos, demonstrou um certo encantamento pela criminalidade. Em outras \u00e9pocas, as execu\u00e7\u00f5es eram realizadas em pra\u00e7a p\u00fablica, em hor\u00e1rios de destaque, para que todos pudessem assistir. O crime, desde sempre, carrega um componente de espet\u00e1culo.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-ngjb5r4rsm\">O que se transforma \u00e9 o tipo de crime que desperta aten\u00e7\u00e3o. J\u00e1 foram os hereges, os traidores da p\u00e1tria, os assassinos. Cada \u00e9poca tem sua \u201ccriminalidade espetacular\u201d preferida, e a m\u00eddia encontra um jeito particular de contar essas hist\u00f3rias como entretenimento.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-gexs6ic4jo\">Esses programas costumam trabalhar com uma l\u00f3gica manique\u00edsta. Em geral, o p\u00fablico \u00e9 levado a se identificar com a v\u00edtima, enquanto o criminoso \u00e9 desumanizado. Em vez de aparecer como uma pessoa comum que tomou decis\u00f5es erradas, ele \u00e9 retratado como um monstro ou, em alguns casos, como um anti-her\u00f3i, algu\u00e9m dotado de uma esp\u00e9cie de genialidade ou maldade transcendental. No fundo, tudo gira em torno de personagens. As hist\u00f3rias s\u00e3o constru\u00eddas para vender narrativas, e esses personagens passam a representar muito mais do que os fatos em si.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-rskqzhmlee\">Nada disso \u00e9 neutro. Todo document\u00e1rio parte de uma ideia pr\u00e9via a ser validada. Mesmo quando afirma \u201couvir os dois lados\u201d, quase sempre h\u00e1 um vi\u00e9s confirmat\u00f3rio, uma tese que orienta o roteiro. E, se o objetivo fosse entender melhor o sistema de justi\u00e7a, dificilmente essas produ\u00e7\u00f5es ajudariam. Mesmo quando mostram o funcionamento da justi\u00e7a, o que se refor\u00e7a \u00e9 uma vis\u00e3o punitivista, como se fazer justi\u00e7a fosse sin\u00f4nimo de punir. Poucos programas abordam condena\u00e7\u00f5es injustas ou a luta para provar a inoc\u00eancia de algu\u00e9m. O foco quase sempre est\u00e1 na puni\u00e7\u00e3o, e talvez seja justamente isso que explique parte do sucesso do g\u00eanero.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<h2 id=\"intertitulo-d2d7dd3kkz\" class=\"font-family-secondary text-tw-theme-box-titulo-default text-[26px] leading-[38px] font-bold md:text-[31px]\">Cristina Kaipper, professora do curso de Psicologia da Unijorge<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<div id=\"imagem-ca06d47gqw\" class=\"w-full\">\n<figure class=\"imagem-notas w-full max-w-full h-auto flex justify-center items-center overflow-hidden\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-507823 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/cristina-kaipper-professora-do-curso-de-psicologia-da-unijorge-3000067-article-333x500.webp\" alt=\"\" width=\"333\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/cristina-kaipper-professora-do-curso-de-psicologia-da-unijorge-3000067-article-333x500.webp 333w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/cristina-kaipper-professora-do-curso-de-psicologia-da-unijorge-3000067-article-200x300.webp 200w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/cristina-kaipper-professora-do-curso-de-psicologia-da-unijorge-3000067-article-160x240.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/cristina-kaipper-professora-do-curso-de-psicologia-da-unijorge-3000067-article.webp 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><\/figure>\n<p>Cristina Kaipper, professora do curso de Psicologia da Unijorge\u00a0<span class=\"font-bold\">Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-6vrecgd7u8\">O fasc\u00ednio por crimes reais \u00e9 evidente quando observamos o sucesso de s\u00e9ries, filmes e programas jornal\u00edsticos sobre o tema. H\u00e1 v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es para isso, e uma delas \u00e9 instintiva: somos mais preparados para lidar com o medo e o perigo do que com a tranquilidade. Momentos bons tendem a ser esquecidos, enquanto as situa\u00e7\u00f5es de tens\u00e3o permanecem na mem\u00f3ria. Assim, o consumo de narrativas criminais cumpre uma fun\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica importante, pois permite que o espectador entre em contato com o medo e a viol\u00eancia em um contexto seguro, protegido pela tela. Esse \u201cmedo controlado\u201d ativa o sistema emocional ligado \u00e0 sobreviv\u00eancia, mas sem o risco real.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-q5yeqxh3qj\">Al\u00e9m disso, o true crime organiza o caos da viol\u00eancia em uma narrativa compreens\u00edvel, com come\u00e7o, meio e fim. O medo, antes difuso, ganha l\u00f3gica e explica\u00e7\u00e3o. Muitos estudiosos veem esse tipo de consumo como um \u201censaio emocional\u201d ou uma \u201cvacina ps\u00edquica&#8221;. Ao se expor simbolicamente \u00e0 amea\u00e7a, o espectador elabora emo\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, como ansiedade, impot\u00eancia e curiosidade pela morte.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-r0xf0e1j8v\">H\u00e1 tamb\u00e9m um movimento de identifica\u00e7\u00e3o com a v\u00edtima e de condena\u00e7\u00e3o ao agressor, o que toca em experi\u00eancias pr\u00f3prias de sofrimento e injusti\u00e7a. Ao acompanhar investiga\u00e7\u00f5es e julgamentos, o p\u00fablico assume o papel simb\u00f3lico de juiz ou detetive, tentando restaurar uma ordem moral que nem sempre existe na vida real. Esse envolvimento produz uma catarse, o al\u00edvio emocional que vem quando o culpado \u00e9 punido ou a verdade revelada.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-oynyufeqjv\">No contexto brasileiro, esse fen\u00f4meno ganha for\u00e7a porque h\u00e1 uma descren\u00e7a generalizada nas institui\u00e7\u00f5es. O true crime, ao mostrar um sistema de justi\u00e7a que funciona, ainda que na fic\u00e7\u00e3o, oferece uma sensa\u00e7\u00e3o de \u201cjusti\u00e7a simb\u00f3lica\u201d. \u00c9 como se, dentro daquele universo narrativo, a justi\u00e7a que falta no mundo real fosse finalmente feita.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-kxrf1twqfr\">Mas h\u00e1 um risco nesse consumo: a dessensibiliza\u00e7\u00e3o. Quanto mais nos expomos \u00e0 viol\u00eancia, maior a chance de banaliz\u00e1-la. O sofrimento humano pode se tornar algo cotidiano, quase trivial. O interesse saud\u00e1vel pelo tema nasce da curiosidade sobre a natureza humana; o exagero, por\u00e9m, pode gerar ansiedade, medo constante ou indiferen\u00e7a.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-2zcbw00ykd\">As redes sociais intensificam ainda mais esse fen\u00f4meno. Mesmo quem n\u00e3o tem interesse inicial acaba sendo impactado por conte\u00fados de crime e viol\u00eancia. Al\u00e9m disso, o p\u00fablico deixou de ser apenas espectador para se tornar participante ativo, discutindo, julgando e investigando nas redes. Isso cria senso de pertencimento, mas tamb\u00e9m alimenta julgamentos apressados e linchamentos virtuais. O crime vira conte\u00fado, o sofrimento vira narrativa e a justi\u00e7a se desloca do campo jur\u00eddico para o emocional.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full font-normal text-[18px] leading-[30px] text-tw-theme-text-default\">\n<p id=\"paragrafo-uxwpknwxx2\">Em \u00faltima inst\u00e2ncia, o sucesso do g\u00eanero revela tanto o desejo coletivo por justi\u00e7a quanto a necessidade de compreender e dar sentido ao mal e de nomear aquilo que nos amea\u00e7a e encontrar algum tipo de repara\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica em meio ao caos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-507825 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/jose-medrado-graduado-em-letras-e-filosofia-e-lider-espirita-3000070-article.webp\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/jose-medrado-graduado-em-letras-e-filosofia-e-lider-espirita-3000070-article.webp 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/jose-medrado-graduado-em-letras-e-filosofia-e-lider-espirita-3000070-article-300x207.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/jose-medrado-graduado-em-letras-e-filosofia-e-lider-espirita-3000070-article-160x110.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/jose-medrado-graduado-em-letras-e-filosofia-e-lider-espirita-3000070-article-290x200.webp 290w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/p>\n<\/div>\n<div class=\"flex flex-col w-full\">\n<h2 id=\"intertitulo-nkxt6cwpcw\" class=\"font-family-secondary text-tw-theme-box-titulo-default text-[26px] leading-[38px] font-bold md:text-[31px]\"><span style=\"font-size: 16px;\">Jos\u00e9 Medrado, Graduado em Letras e Filosofia e l\u00edder esp\u00edrita <\/span><span class=\"font-bold\" style=\"font-size: 16px;\">Cr\u00e9dito: Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/h2>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Suzane Richthofen a Jeffrey Dahmer, o g\u00eanero true crime domina buscas e streams. 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