{"id":507846,"date":"2025-11-08T10:01:13","date_gmt":"2025-11-08T13:01:13","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=507846"},"modified":"2025-11-08T10:01:13","modified_gmt":"2025-11-08T13:01:13","slug":"museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-luta-antirracismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-luta-antirracismo\/","title":{"rendered":"Museus afro s\u00e3o espa\u00e7os de mem\u00f3ria, resist\u00eancia e luta antirracismo"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1><\/h1>\n<h2>Salvador, uma das cidades mais negras do Brasil, possui diversos acervos em espa\u00e7os museol\u00f3gicos e terreiros de candombl\u00e9 para valorizar a negritude<\/h2>\n<div class=\"blogs-share-like\">\n<section class=\"atr-share-social-container\">\n<div class=\"atr-share-social\"><\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/header>\n<article id=\"article\" data-id=\"79\">Territ\u00f3rios de resist\u00eancia e mem\u00f3ria, os museus e memorias com acervos ligados \u00e0 hist\u00f3ria afrobaiana s\u00e3o centros vivos de cultura. Por meio de esculturas, objetos religiosos, fotografias, documentos e narrativas orais, a hist\u00f3ria da di\u00e1spora africana \u00e9 contada em Salvador. O primeiro espa\u00e7o com acervo afrocentrado no Brasil nasceu justamente aqui, nos anos 1970. Trata-se do Mafro \u2013 Museu Afrobrasileiro. Na segunda reportagem especial em refer\u00eancia ao M\u00eas da Consci\u00eancia Negra, contamos a hist\u00f3ria deste e de outros acervos que valorizam a identidade negra e s\u00e3o, tamb\u00e9m, espa\u00e7os de educa\u00e7\u00e3o e enfrentamento contra o racismo.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil teve as suas primeiras institui\u00e7\u00f5es museais a partir do s\u00e9culo XIX. O Museu Nacional, que teve seu acervo doado pelo monarca Dom Jo\u00e3o VI, tratava-se de uma pequena cole\u00e7\u00e3o de hist\u00f3ria natural (&#8230;) Outros museus foram criados a partir da segunda metade do s\u00e9c. XIX, como o Museu do Ex\u00e9rcito, em 1864, e o Museu da Marinha, em 1868. (&#8230;) Somente no s\u00e9c. XX, em 1974, teremos o primeiro Museu Afro (Mafro) no Brasil&#8221;, escreve a pedagoga Nancy Oliveira Santos, na monografia &#8216;O Museu Afro e suas contribui\u00e7\u00f5es para a educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de professoras&#8217;.<\/p>\n<p>A oportunidade de criar o Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia (Mafro-Ufba) surgiu quando, na d\u00e9cada de 1970, o Estado brasileiro buscou ampliar a rela\u00e7\u00e3o com o continente africano. Na \u00e9poca, um termo de coopera\u00e7\u00e3o foi assinado pelos Minist\u00e9rios de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura, o Governo da Bahia e a Prefeitura de Salvador. \u201cUma das v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es do termo inclu\u00eda o Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao) que, entre outros projetos, deveria realizar cursos de l\u00ednguas africanas, interc\u00e2mbio de professores, pesquisadores e alunos entre a \u00c1frica e o Brasil, e criar um museu&#8221;, conta o muse\u00f3logo Marcelo Cunha, diretor do Mafro.<\/p>\n<div id=\"denakop-intext-2\" data-google-query-id=\"CMS2_7PN4pADFaVSuAQdxLIFcA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br\/post_intext_2_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mw-article-img-box\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-507849 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/predio-antigo-salvador-620x424.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"424\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/predio-antigo-salvador-620x424.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/predio-antigo-salvador-300x205.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/predio-antigo-salvador-160x109.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/predio-antigo-salvador-640x437.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/predio-antigo-salvador.webp 723w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-author\">| Foto: Cedoc A TARDE<\/span><\/div>\n<div id=\"denakop-intext-1\" data-google-query-id=\"CMO2_7PN4pADFaVSuAQdxLIFcA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br\/post_intext_1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O acervo foi formado, na maioria, por pe\u00e7as compradas e algumas encomendadas durante uma miss\u00e3o no continente africano em pa\u00edses como o Benin e a Nig\u00e9ria. \u201cJ\u00e1 uma outra parte das pe\u00e7as foi fruto de doa\u00e7\u00e3o. Pe\u00e7as afro-brasileiras, sobretudo afro-religiosas, da capoeira e dos blocos afro de Salvador e do Rec\u00f4ncavo. A presen\u00e7a da Yeda Pessoa de Castro no Ceao nessa \u00e9poca e a articula\u00e7\u00e3o que ela conseguia fazer com a comunidade afro local fez com que houvesse uma ades\u00e3o imediata das lideran\u00e7as para a doa\u00e7\u00e3o de pe\u00e7as&#8221;, acrescenta Marcelo, tamb\u00e9m professor do departamento de museologia da Ufba.<\/p>\n<p>Pouco a pouco, outros espa\u00e7os afrocentrados foram ocupando Salvador, principalmente no Centro Hist\u00f3rico, com acervos que v\u00e3o de esculturas religiosas a objetos cotidianos. E a exist\u00eancia dessa rede de n\u00facleos de mem\u00f3ria africana e afrodiasp\u00f3rica \u00e9 extremamente importante, ressalta o diretor do Mafro. &#8220;Sobretudo numa sociedade marcada por um processo de viol\u00eancia voltada para corpos negros. Tentaram silenciar tanto a perspectiva da mem\u00f3ria quanto da presen\u00e7a, mas se n\u00f3s estamos aqui \u00e9 porque o silenciamento n\u00e3o foi efetivado na sua totalidade&#8221;, reflete.<\/p>\n<h2>Mem\u00f3ria preta<\/h2>\n<p>Salvador est\u00e1 repleta de memoriais, centros culturais, bibliotecas patrimoniais, arquivos hist\u00f3ricos, casas de cultura, centros de mem\u00f3ria e terreiros com acervos riqu\u00edssimos que contam a hist\u00f3ria dos povos africanos e o resultado do encontro dessas culturas com a Bahia. &#8220;Esses lugares, institucionalizados ou n\u00e3o, s\u00e3o importantes na cria\u00e7\u00e3o de um contradiscurso decolonial, colocando em primeiro plano essas refer\u00eancias que precisam ser valorizadas&#8221;, afirma Marcelo Cunha. Esses espa\u00e7os se tornam uma forma de enfrentamento ao racismo estrutural e cotidiano, \u201cou melhor, o racismo deles de cada dia\u201d, reflete.<\/p>\n<div id=\"denakop-intext-3\" data-google-query-id=\"CMW2_7PN4pADFaVSuAQdxLIFcA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br\/post_intext_3_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"mw-article-img-box\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-507848 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761601202511072116-1-620x420.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"420\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761601202511072116-1-620x420.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761601202511072116-1-300x203.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761601202511072116-1-160x108.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761601202511072116-1-640x433.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761601202511072116-1.webp 724w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-author\">| Foto: Cedoc A TARDE<\/span><\/div>\n<p>E isso tamb\u00e9m envolve o combate ao racismo religioso. Museus como o Mafro e outros espa\u00e7os de mem\u00f3ria afrocentrados muitas vezes n\u00e3o t\u00eam a religi\u00e3o como foco, mas n\u00e3o h\u00e1 como preservar mem\u00f3rias e corpos pretos sem considerar a viol\u00eancia f\u00edsica e simb\u00f3lica que os atravessa. \u201cA articula\u00e7\u00e3o das comunidades religiosas, como as de Candombl\u00e9, Umbanda e suas variantes, foi e continua sendo essencial nesse processo. N\u00e3o \u00e9 sobre religi\u00e3o, mas tamb\u00e9m \u00e9. \u00c9 sobre mitologia, hist\u00f3ria e mem\u00f3ria registradas nas oralidades cotidianas e sagradas da di\u00e1spora africana entre n\u00f3s\u201d, explica Marcelo.<\/p>\n<p>Hoje, os pr\u00f3prios terreiros v\u00eam criando espa\u00e7os dedicados \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de suas lideran\u00e7as e da cultura afro-brasileira. Um deles \u00e9 o Memorial M\u00e3e Menininha do Gantois (1992), localizado no Terreiro do Gantois, que preserva o legado de uma das mais importantes Ialorix\u00e1s do Brasil, com um acervo que re\u00fane objetos pessoais, religiosos e hist\u00f3ricos, e celebra a for\u00e7a das mulheres negras. Assim como o Museu (2005) e a Biblioteca (2011) M\u00e3e Mirinha de Port\u00e3o, do Terreiro S\u00e3o Jorge Filho da Gom\u00e9ia (Lauro de Freitas), que preserva a hist\u00f3ria e tradi\u00e7\u00e3o do candombl\u00e9 banto.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda a Biblioteca Maria Stella de Azevedo Santos (1996), chamada de Ik\u00f3j\u00f3p\u00f2 \u00c0la Omod\u00e9, do Il\u00ea Ax\u00e9 Op\u00f4 Afonj\u00e1, que re\u00fane registros fotogr\u00e1ficos e uma rica cole\u00e7\u00e3o de livros, muitos raros, e d\u00e3o um lugar f\u00edsico para um dos prop\u00f3sitos de vida de M\u00e3e Stella de Ox\u00f3ssi: oferecer e cultivar conhecimento.<\/p>\n<p>S\u00e3o locais que d\u00e3o ao p\u00fablico a oportunidade de compreender que a cultura afrodescendente est\u00e1 longe de ser fragmentada, mas sim plural e din\u00e2mica, com suas nuances e perfis intrinsecamente ligados umas \u00e0s outras. Um bom exemplo disso \u00e9 o Memorial das Baianas, que conta a origem do of\u00edcio das baianas de acaraj\u00e9, sua rela\u00e7\u00e3o com o candombl\u00e9 e a cultura afrobaiana.<\/p>\n<p>&#8220;O espa\u00e7o, onde a hist\u00f3ria das baianas \u00e9 contada em exposi\u00e7\u00e3o de manequins, adere\u00e7os, panos da costa e objetos da cultura dessas ilustres personagens do cotidiano de Salvador j\u00e1 recebeu a visita de turistas de 30 pa\u00edses, al\u00e9m daqueles vindos dos outros Estados, do interior da Bahia e residentes da pr\u00f3pria capital&#8221;, informada A TARDE na edi\u00e7\u00e3o de 10 de novembro de 2002.<\/p>\n<h2>Conex\u00e3o Bahia-\u00c1frica<\/h2>\n<p>Os espa\u00e7os de mem\u00f3ria afrocentrados ainda possuem outra fun\u00e7\u00e3o essencial, que \u00e9 conectar a Bahia ao continente africano, enquanto reafirmam a presen\u00e7a da cultura negra africana na forma\u00e7\u00e3o da identidade brasileira. Uma das mais recentes a firmar esses la\u00e7os transatl\u00e2nticos foi a Casa de Gana (2023). Mesmo sem um endere\u00e7o f\u00edsico, sua funda\u00e7\u00e3o marcou as ruas do Pelourinho com um cortejo de cerca de 30 artistas ganeses e 20 lideran\u00e7as, incluindo a Embaixadora de Gana no Brasil, Abena Busia.<\/p>\n<p>Outras casas precederam a ganesa. Em Salvador h\u00e1 a Casa da Nig\u00e9ria (2008), que destaca em seu acervo a cultura iorub\u00e1 e sua influ\u00eancia nas religi\u00f5es de matriz africana; a Casa de Angola (1999), que abriga uma vasta biblioteca e um museu que revelam a diversidade cultural angolana e a conex\u00e3o lingu\u00edstica entre as l\u00ednguas banto e o portugu\u00eas, e a irm\u00e3 mais velha delas, a Casa do Benin (1988), que re\u00fane pe\u00e7as adquiridas em mercados e feiras de rua do Benin pelo fot\u00f3grafo e etn\u00f3logo Pierre Fatumbi Verger e evidencia as tradi\u00e7\u00f5es fon e iorub\u00e1, fortalecendo o interc\u00e2mbio art\u00edstico e religioso entre Salvador e o antigo Reino do Daom\u00e9.<\/p>\n<div class=\"mw-article-img-box\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-507847 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761602202511072116-1-620x406.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"406\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761602202511072116-1-620x406.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761602202511072116-1-300x197.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761602202511072116-1-70x45.webp 70w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761602202511072116-1-160x106.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761602202511072116-1-640x420.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Museus-afro-sao-espacos-de-memoria-resistencia-e-l0136761602202511072116-1.webp 723w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-author\">| Foto: Cedoc A TARDE<\/span><\/div>\n<p>Gestor e curador da Casa do Benin, o produtor cultural Igor Tiago explica que os museus e espa\u00e7os voltados \u00e0 cultura negra representam um ganho imenso. &#8220;Precisamos cada vez mais de lugares como esses, que promovem a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, provocam reflex\u00f5es e tensionam narrativas entre aquelas constru\u00eddas pelos colonizadores e aquelas que n\u00f3s mesmos elaboramos a partir da nossa viv\u00eancia, origem e trajet\u00f3ria. Tensionar essas narrativas e contar nossas hist\u00f3rias a partir das nossas perspectivas \u00e9 fundamental. \u00c9 assim que contamos nossas pr\u00f3prias hist\u00f3rias, desconstruindo vers\u00f5es equivocadas que ainda circulam e s\u00e3o reproduzidas&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Na Casa do Benin tem sido promovida reaproxima\u00e7\u00f5es com artistas da di\u00e1spora por meio de interc\u00e2mbios art\u00edsticos e eles t\u00eam recebido projetos cujo principal objetivo \u00e9 desenvolver narrativas pr\u00f3prias, em di\u00e1logo com artistas contempor\u00e2neos negros. Esses locais s\u00e3o centros vivos de cultura que acolhem oficinas, rodas de conversa e manifesta\u00e7\u00f5es art\u00edsticas, mantendo viva a tradi\u00e7\u00e3o dos povos africanos e afrodescendentes.<\/p>\n<p>Brasil negro<\/p>\n<p>Locais como o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), tamb\u00e9m criado em Salvador, contribuem para o fortalecimento da consci\u00eancia hist\u00f3rica, o combate ao racismo e a valoriza\u00e7\u00e3o das contribui\u00e7\u00f5es africanas \u00e0 sociedade brasileira. No Muncab, o acervo convida o p\u00fablico a refletir sobre o passado, reconhecer o presente e construir um futuro mais justo e plural, ao trazer desde quest\u00f5es sobre o tr\u00e1fico de pessoas escravizadas at\u00e9 as contribui\u00e7\u00f5es dos povos africanos na culin\u00e1ria. A inaugura\u00e7\u00e3o do Muncab foi t\u00e3o esperada que, antes mesmo de abrir oficialmente, exposi\u00e7\u00f5es j\u00e1 eram realizadas no museu.<\/p>\n<p>&#8220;A abertura \u00e9 para que o p\u00fablico continue cobrando a conclus\u00e3o do que ser\u00e1 o primeiro museu nacional da Bahia\u201d, afirmou Jos\u00e9 Carlos Capinan, presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Amigos da Cultura Afro-brasileira (Amafro), na edi\u00e7\u00e3o de A TARDE de 12 de novembro de 2011. O texto ainda informava sobre o que o p\u00fablico encontraria no Muncab durante tr\u00eas meses, de forma gratuita: &#8220;Ser\u00e3o apresentadas tr\u00eas exposi\u00e7\u00f5es, com curadoria de Emanoel Ara\u00fajo. Uma delas \u00e9 o &#8216;Acervo Inicial do Muncab&#8217;, com cerca de 260 pe\u00e7as. Outra, &#8216;O Escultor do Sagrado&#8217;, celebra os 94 anos do Mestre Didi. Uma terceira, de fotografias, &#8216;N\u00f3s, os Afrodescendentes&#8217;, ser\u00e1 aberta no dia 17&#8221;, lista a reportagem.<\/p>\n<p>Apesar do crescente n\u00famero de museus e demais espa\u00e7os de mem\u00f3ria pelo pa\u00eds, ainda h\u00e1 desafios no que diz respeito \u00e0 plena consolida\u00e7\u00e3o da museologia negra na atualidade. &#8220;E esses desafios est\u00e3o profundamente ligados ao contexto hist\u00f3rico e social dos museus. \u00c9 fundamental lembrar que os museus contempor\u00e2neos, desde o s\u00e9culo XIX e a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, foram pensados como espa\u00e7os p\u00fablicos de educa\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m como instrumentos de domina\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de discursos hierarquizados sobre o outro. Os antigos museus de antropologia ainda testemunham isso, mesmo que renovados&#8221;, reflete Marcelo Cunha.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso, acima de tudo, repensar todos esses espa\u00e7os. &#8220;Quem ocupa os cargos de lideran\u00e7a? Quem est\u00e1 nas fun\u00e7\u00f5es subordinadas como portaria, seguran\u00e7a e limpeza? Qual \u00e9 a cor dessas pessoas? Esses questionamentos s\u00e3o urgentes. A sociedade civil tem se mobilizado para reconstruir e ressignificar essas hist\u00f3rias e acervos. \u00c9 ineg\u00e1vel o avan\u00e7o que n\u00f3s tivemos, mas ainda h\u00e1 o que ser feito para que a museologia contribua efetivamente para a fundamenta\u00e7\u00e3o e fortalecimento das perspectivas identit\u00e1rias e para o entendimento do outro. Sobretudo para o respeito ao outro. N\u00e3o s\u00f3 em sua mem\u00f3ria, mas em seus corpos. O racismo \u00e9 uma viol\u00eancia simb\u00f3lica que \u00e9 exercida sobre esses corpos em todos os aspectos&#8221;, afirma Marcelo Cunha.<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salvador, uma das cidades mais negras do Brasil, possui diversos acervos em espa\u00e7os museol\u00f3gicos e terreiros de candombl\u00e9 para valorizar a negritude<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":507849,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-507846","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/predio-antigo-salvador.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/507846","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=507846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/507846\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/507849"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=507846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=507846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=507846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}