{"id":507921,"date":"2025-11-09T05:05:54","date_gmt":"2025-11-09T08:05:54","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=507921"},"modified":"2025-11-09T05:05:54","modified_gmt":"2025-11-09T08:05:54","slug":"em-busca-dos-segredos-do-clima-nas-profundezas-de-uma-geleira-remota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/em-busca-dos-segredos-do-clima-nas-profundezas-de-uma-geleira-remota\/","title":{"rendered":"Em busca dos segredos do clima nas profundezas de uma geleira remota"},"content":{"rendered":"<header class=\"grid_12 prefix_2\">\n<div class=\"tituloNoticia\">\n<h1 class=\"tituloNoticiaDet\"><\/h1>\n<h2 class=\"subTituloDet\">As camadas de gelo compactado ao longo de s\u00e9culos ou talvez mil\u00eanios podem oferecer informa\u00e7\u00f5es \u00fanicas sobre a neve, as temperaturas, a composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e a poeira e os sedimentos de eras passadas<\/h2>\n<\/div>\n<div class=\"descricaoNoticia\">\n<aside class=\"dataAutor\">Por<strong>\u00a0AFP<\/strong><\/aside>\n<\/div>\n<div class=\"spacer40 mobileNao\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-507922 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sol-deserto.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sol-deserto.jpg 450w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sol-deserto-300x200.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/sol-deserto-160x106.jpg 160w\" sizes=\"auto, (max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/div>\n<\/header>\n<div class=\"imgPadrao grid_12 prefix_2\"><a id=\"imgPrincipalNoticia\" title=\"Vale da geleira de Pamir  - Foto: Foto: PRAKASH MATHEMA \/ AFP\" href=\"https:\/\/cdn.folhape.com.br\/img\/pc\/450\/450\/dn_arquivo\/2025\/11\/afp-20251107-82lq3t9-v1-midres-tajikistanscienceglaciericeclimate.jpg\" rel=\"gallery\"><small class=\"legendaFoto\">Vale da geleira de Pamir &#8211;\u00a0<em>Foto: PRAKASH MATHEMA \/ AFP<\/em><\/small><\/a><\/div>\n<div class=\"clear\"><\/div>\n<div class=\"spacer40 mobileNao\"><\/div>\n<article class=\"grid_8 prefix_2 textoArea\" data-fetch=\"true\">Stanislav Kutuzov se emociona quando o cabo de perfura\u00e7\u00e3o que baixou at\u00e9 o fundo desta geleira na regi\u00e3o do Pamir toca o fundo, 105 metros abaixo. Ele est\u00e1 prestes a extrair uma das amostras de gelo mais antigas do mundo, repleta de pistas sobre o passado e o futuro do clima.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 o melhor sentimento do mundo&#8221;, exclama este glaciologista russo nas remotas montanhas do leste do Tadjiquist\u00e3o, na fronteira com a China, onde um fot\u00f3grafo da AFP o acompanhou com exclusividade em setembro, como parte de uma expedi\u00e7\u00e3o de 15 cientistas.<\/p>\n<p data-intext-processed=\"true\">A miss\u00e3o, a uma altitude de 5.810 metros, foi hist\u00f3rica devido ao seu objetivo: extrair as amostras de gelo mais profundas j\u00e1 encontradas no maci\u00e7o do Pamir e disponibilizar \u00e0 ci\u00eancia um arquivo precioso, tanto pela sua antiguidade quanto pelas informa\u00e7\u00f5es que cont\u00e9m.<\/p>\n<div id=\"_ppads_outstream_intext\" data-premium=\"\" data-adunit=\"FOLHA_PE_INTEXT_01\" data-sizes-mobile=\"[[336,280],[320,320],[300,300],[300,250],[300,190],[250,250],[200,200]]\" data-sizes-desktop=\"[[336,280],[320,320],[300,300],[300,250],[250,250],[200,200]]\" data-type=\"intext\" data-count=\"1\" data-fetch=\"true\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/88816410\/FOLHA_PE_INTEXT_01_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>As camadas de gelo compactado ao longo de s\u00e9culos ou talvez mil\u00eanios podem oferecer informa\u00e7\u00f5es \u00fanicas sobre a neve, as temperaturas, a composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e a poeira e os sedimentos de eras passadas.<\/p>\n<p>A equipe espera que as amostras de gelo sejam as mais antigas j\u00e1 extra\u00eddas de Pamir-Karakoram. Essa \u00e1rea intriga muito os especialistas do clima, pois \u00e9 a \u00fanica regi\u00e3o montanhosa onde as geleiras parecem resistir ao aquecimento global.<\/p>\n<p data-intext-processed=\"true\"><strong>Uma longa subida\u00a0<\/strong><br \/>\nA expedi\u00e7\u00e3o, financiada pelo Instituto Polar Su\u00ed\u00e7o e pela funda\u00e7\u00e3o Ice Memory, inicialmente pretendia trabalhar na famosa geleira Fedchenko, mas teve que abandonar o projeto devido \u00e0 dificuldade de acesso e \u00e0 altitude excessiva para voos de helic\u00f3ptero.<\/p>\n<div id=\"pads_intext-176267544234150\" data-premium=\"\" data-adunit=\"FOLHA_PE_INTEXT_02\" data-sizes-mobile=\"[[336,280],[320,320],[300,300],[300,250],[300,190],[250,250],[200,200]]\" data-sizes-desktop=\"[[336,280],[320,320],[300,300],[300,250],[250,250],[200,200]]\" data-type=\"intext\" data-count=\"2\" data-fetch=\"true\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/88816410\/FOLHA_PE_INTEXT_02_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>A equipe, composta por cientistas su\u00ed\u00e7os, russos, japoneses e tadjiques, optou ent\u00e3o pela calota de gelo Kon Chukurbashi.<\/p>\n<p>A escalada aconteceu por etapas, a p\u00e9 por terreno rochoso e depois pela neve, at\u00e9 finalmente alcan\u00e7ar o cume do maci\u00e7o, com sua vista extraordin\u00e1ria sobre esta regi\u00e3o da \u00c1sia Central. A equipe passou sete dias perfurando o gelo em temperaturas abaixo de zero para extrair amostras de suas profundezas.<\/p>\n<p data-intext-processed=\"true\">Especificamente, o material extra\u00eddo consiste em dezenas de cilindros de gelo, com aproximadamente 50 cent\u00edmetros de comprimento, que foram cuidadosamente trazidos \u00e0 superf\u00edcie, numerados e embalados antes de serem baixados por &#8216;sherpas&#8217; e armazenados em caminh\u00f5es refrigerados.<\/p>\n<div id=\"pads_intext-176267544234174\" data-premium=\"\" data-adunit=\"FOLHA_PE_INTEXT_03\" data-sizes-mobile=\"[[336,280],[320,320],[300,300],[300,250],[300,190],[250,250],[200,200]]\" data-sizes-desktop=\"[[336,280],[320,320],[300,300],[300,250],[250,250],[200,200]]\" data-type=\"intext\" data-count=\"3\" data-fetch=\"true\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/88816410\/FOLHA_PE_INTEXT_03_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Perfuramos os primeiros 50 metros em um dia&#8221;, diz Stanislav Kutuzov, paleoclimatologista da Universidade Estadual de Ohio, nos Estados Unidos. &#8220;A partir de 70 ou 80 metros, come\u00e7amos a ter problemas com a qualidade&#8221; do gelo, conta ele \u00e0 AFP.<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 30.000 anos de antiguidade?\u00a0<\/strong><br \/>\nDe repente, o gelo mostrou-se mais fr\u00e1gil e dif\u00edcil de manusear. E mais promissor tamb\u00e9m. Sinal de um per\u00edodo de mudan\u00e7a, acredita o l\u00edder da expedi\u00e7\u00e3o, Evan Miles, glaciologista das universidades su\u00ed\u00e7as de Friburgo e Zurique.<\/p>\n<p data-intext-processed=\"true\">A equipe nunca tinha visto tantas part\u00edculas de poeira no gelo, o que dificultou as tarefas de perfura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"pads_intext-176267544234195\" data-premium=\"\" data-adunit=\"FOLHA_PE_INTEXT_04\" data-sizes-mobile=\"[[336,280],[320,320],[300,300],[300,250],[300,190],[250,250],[200,200]]\" data-sizes-desktop=\"[[336,280],[320,320],[300,300],[300,250],[250,250],[200,200]]\" data-type=\"intext\" data-count=\"4\" data-fetch=\"true\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/88816410\/FOLHA_PE_INTEXT_04_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Finalmente, nos &#8220;\u00faltimos tr\u00eas a cinco metros, surgiu uma tonalidade escura, amarelada, o que indica condi\u00e7\u00f5es muito diferentes&#8221;, explica Kutuzov.<\/p>\n<p>&#8220;Quando trouxemos a \u00faltima amostra \u00e0 superf\u00edcie, foi espetacular. Gelo muito amarelo, cheio de sedimentos. O que \u00e9 um \u00f3timo sinal para n\u00f3s&#8221;, acrescenta Evan Miles.<\/p>\n<p data-intext-processed=\"true\">Gelo muito antigo j\u00e1 havia sido encontrado na \u00c1sia Central. Em Grigoriev, no Quirguist\u00e3o, por exemplo, foi extra\u00edda uma amostra de 17.000 anos.<\/p>\n<div id=\"pads_intext-176267544234128\" data-premium=\"\" data-adunit=\"FOLHA_PE_INTEXT_05\" data-sizes-mobile=\"[[336,280],[320,320],[300,300],[300,250],[300,190],[250,250],[200,200]]\" data-sizes-desktop=\"[[336,280],[320,320],[300,300],[300,250],[250,250],[200,200]]\" data-type=\"intext\" data-count=\"5\" data-fetch=\"true\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/88816410\/FOLHA_PE_INTEXT_05_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>&#8220;Nosso gelo \u00e9 muito mais frio e provavelmente mais antigo que o de Grigoriev, e isso nos d\u00e1 esperan\u00e7a&#8221;, confidencia o l\u00edder da expedi\u00e7\u00e3o, de volta \u00e0 capital tadjique, Dushanbe, em outubro.<\/p>\n<p>&#8220;Somente an\u00e1lises laboratoriais poder\u00e3o confirmar, mas esperamos que a amostra seja excepcional n\u00e3o apenas na \u00e1rea, mas em toda a regi\u00e3o, com uma idade prov\u00e1vel de 20.000, 25.000 ou 30.000 anos&#8221;, observa Evan Miles.<\/p>\n<p data-intext-processed=\"true\"><strong>An\u00e1lise no Jap\u00e3o<\/strong><br \/>\nO gelo conserva as bolhas de ar daquela \u00e9poca, tornando-se o \u00fanico arquivo clim\u00e1tico capaz de fornecer informa\u00e7\u00f5es sobre a composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica de milhares de anos atr\u00e1s e a concentra\u00e7\u00e3o de gases do efeito estufa antes que a humanidade come\u00e7asse a queimar carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s em quantidades industriais.<\/p>\n<div id=\"pads_intext-17626754423416\" data-premium=\"\" data-adunit=\"FOLHA_PE_INTEXT_06\" data-sizes-mobile=\"[[336,280],[320,320],[300,300],[300,250],[300,190],[250,250],[200,200]]\" data-sizes-desktop=\"[[336,280],[320,320],[300,300],[300,250],[250,250],[200,200]]\" data-type=\"intext\" data-count=\"6\" data-fetch=\"true\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/88816410\/FOLHA_PE_INTEXT_06_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Gra\u00e7as a quil\u00f4metros de amostras extra\u00eddas da Groenl\u00e2ndia e da Ant\u00e1rtica, sabemos que o clima nunca esteve t\u00e3o quente quanto hoje nos \u00faltimos 800 mil anos.<\/p>\n<p>Pouqu\u00edssimas amostras foram coletadas em \u00e1reas habitadas entre os dois polos, &#8220;onde queremos entender como o sistema clim\u00e1tico varia naturalmente&#8221;, enfatiza Thomas Stocker, presidente da Ice Memory.<\/p>\n<p data-intext-processed=\"true\">O que os pesquisadores descobrir\u00e3o no gelo ancestral de Kon Chukurbashi \u2014 informa\u00e7\u00f5es sobre neve, ventos e poeira do passado \u2014 nos ajudar\u00e1 a entender at\u00e9 mesmo as mon\u00e7\u00f5es atuais.<\/p>\n<p>E talvez a antecipar sua evolu\u00e7\u00e3o futura, da qual dependem centenas de milh\u00f5es de pessoas na \u00c1sia, que atualmente sofrem os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Uma primeira amostra ser\u00e1 examinada em algumas semanas por pesquisadores japoneses da Universidade de Hokkaido, onde o gelo que caiu s\u00e9culos, at\u00e9 mesmo mil\u00eanios, atr\u00e1s nas montanhas do Pamir ser\u00e1 submetido a an\u00e1lises moleculares.<\/p>\n<p>A Ice Memory tamb\u00e9m financia o armazenamento de uma segunda amostra em uma caverna de gelo a -50\u00b0C na esta\u00e7\u00e3o ant\u00e1rtica de Concordia, juntamente com outras amostras dos Andes, dos Alpes, da Groenl\u00e2ndia e de outros locais ao redor do mundo.<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As camadas de gelo compactado ao longo de s\u00e9culos ou talvez mil\u00eanios podem oferecer informa\u00e7\u00f5es \u00fanicas sobre a neve, as temperaturas, a composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica e a poeira e os sedimentos de eras passadas Por\u00a0AFP Vale da geleira de Pamir &#8211;\u00a0Foto: PRAKASH MATHEMA \/ AFP Stanislav Kutuzov se emociona quando o cabo de perfura\u00e7\u00e3o que baixou 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