{"id":508879,"date":"2025-11-18T04:36:56","date_gmt":"2025-11-18T07:36:56","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=508879"},"modified":"2025-11-18T04:36:56","modified_gmt":"2025-11-18T07:36:56","slug":"negros-jovens-e-com-filhos-estudo-revela-perfil-dos-traficantes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/negros-jovens-e-com-filhos-estudo-revela-perfil-dos-traficantes-no-brasil\/","title":{"rendered":"Negros, jovens e com filhos: Estudo revela perfil dos traficantes no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por\u00a0Eduarda Pinto \/ Paulo Dourado<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-508880 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMAGEM_NOTICIA_9-2025-11-18T043613.316-620x326.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMAGEM_NOTICIA_9-2025-11-18T043613.316-620x326.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMAGEM_NOTICIA_9-2025-11-18T043613.316-300x158.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMAGEM_NOTICIA_9-2025-11-18T043613.316-768x403.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMAGEM_NOTICIA_9-2025-11-18T043613.316-93x50.webp 93w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMAGEM_NOTICIA_9-2025-11-18T043613.316-160x84.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMAGEM_NOTICIA_9-2025-11-18T043613.316-640x336.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMAGEM_NOTICIA_9-2025-11-18T043613.316.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foto: Fernando Fraz\u00e3o \/ Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/p>\n<p>A maioria das pessoas envolvidas com tr\u00e1fico de drogas no Brasil s\u00e3o negros, jovens e com filhos. \u00c9 o que apontam os dados coletados pelo Data Favela, instituto de pesquisa fluminense, que revelou dados sobre a viv\u00eancia de pessoas envolvidas com o tr\u00e1fico de drogas por meio do estudo Raio-X da Vida Real, divulgado nesta segunda-feira (17).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira parte do estudo se dedica a compreender como funciona a din\u00e2mica social de pessoas ligadas a contraven\u00e7\u00e3o\u00a0nas favelas brasileiras, tendo como base as favelas mapeadas pelo \u00faltimo Censo do IBGE, em 2022. A pesquisa se baseou na distribui\u00e7\u00e3o censit\u00e1ria do IBGE para a distribui\u00e7\u00e3o dos entrevistados, sendo que maioria deles est\u00e1 no Sudeste (43,3%) e Nordeste (28,3%).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pesquisa tra\u00e7ou o perfil de 3.954 entrevistados, abordados presencialmente entre os dias 15 de agosto e 20 de setembro em favelas de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds. Segundo os dados demogr\u00e1ficos, 21% dos entrevistados foram mulheres e 79% foram homens. Entre os entrevistados, o maior grupo (24%) tinha entre 22 e 26 anos e cerca de 19% tinham entre 19 e 21 anos. At\u00e9 17% dos entrevistados s\u00e3o pessoas entre 27 e 31 anos e at\u00e9 13% tinham entre 32 e 36 anos durante a pesquisa.<\/p>\n<p>Assim como os dados censit\u00e1rios das favelas, a maior parte dos entrevistados foram pessoas negras, cerca de 74% eram pessoas negras entre pretas (43%) e pardas (31%). As pessoas brancas eram 22%, enquanto as pessoas amarelas eram 3%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>ORIGENS<br \/>\nA maior parte dos selecionados para a entrevista\u00a0entrevistados, cerca de 80%, nasceram em favelas. Dentre esses, 53% afirmaram que est\u00e3o \u201cna mesma favela desde que nasci\u201d e 26% responderam que cresceram na favela, mas hoje vivem em outra. Os outros 20% dos entrevistados, 14% disseram n\u00e3o ter nascido numa favela, mas hoje vivem l\u00e1 e apenas\u00a05% n\u00e3o nasceram, nem cresceram em favelas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estas mesmas pessoas envolvidas com o tr\u00e1fico\u00a0responderam quest\u00f5es sobre a sua cria\u00e7\u00e3o: a maior parte, 78%,\u00a0cresceu em um n\u00facleo familiar, n\u00facleos esses que possuem, em sua maioria, uma figura central feminina, entre m\u00e3es, av\u00f3s e at\u00e9 mesmo tias. Em n\u00fameros mais detalhados, sendo que cerca de 35% deles foram criados por um pai e uma m\u00e3e. 30% foram criados apenas por uma m\u00e3e e apenas 8% foram criados por um pai. Apenas 7% foram criados por uma av\u00f3.<\/p>\n<p>No que diz respeito a outros v\u00ednculos afetivos, o estudo do Data Favela buscou informa\u00e7\u00f5es sobre a parentalidade e os casamentos de pessoas envolvidas no tr\u00e1fico de drogas. A maior parte, ou cerca de 52%, dos respondentes disseram ter filhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre esses, 28% t\u00eam apenas um filho, 33% possuem dois filhos e 20% declararam ter tr\u00eas filhos, 8% t\u00eam quatro filhos, 6% t\u00eam 5 filhos e 3% t\u00eam mais de 5 filhos. Metade dos entrevistados respondeu ter um companheiro ou companheira, no entanto, 26% declararam ter mais de uma companheira. Sobre a cria\u00e7\u00e3o dos filhos, cerca de 84% afirmam que n\u00e3o deixariam os filhos entrarem para o crime.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>CAMINHOS DO CRIME<br \/>\nEm outra parte do levantamento, o estudo questionou os entrevistados sobre as raz\u00f5es que os impedem de deixar o crime. Dividido por regi\u00f5es, a Bahia aparece na lideran\u00e7a quando o motivo \u00e9 o risco de vida. Do outro lado, S\u00e3o Paulo foi o estado em que essa justificativa apareceu menos, com 16%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio nacional, ao serem perguntados \u201co que mais impede voc\u00ea de sair do crime?\u201d, metade dos entrevistados (50%) apontou fatores ligados \u00e0 ordem econ\u00f4mica. Dentro desse grupo, 33% disseram que n\u00e3o conseguem outra fonte de renda e 17% afirmaram que n\u00e3o conseguem sustentar a fam\u00edlia. Entre os estados em que o peso da quest\u00e3o econ\u00f4mica \u00e9 mais forte est\u00e3o Maranh\u00e3o, com 95%, Roraima, com 80%, e o Distrito Federal.<\/p>\n<p>De acordo com o Data Favela, 58% das pessoas ligadas ao crime no pa\u00eds afirmaram que deixariam essa vida se tivessem oportunidade. Das alternativas capazes de motivar essa sa\u00edda, aparecem empreendedorismo, emprego formal (CLT) e trabalho com flexibilidade, cada um mencionado por 57% desse grupo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando a pergunta foi \u201co que faria voc\u00ea deixar de trabalhar com o crime?\u201d, 22% responderam que abririam o pr\u00f3prio neg\u00f3cio, 20% disseram que aceitariam um emprego com carteira assinada e 17% afirmaram que um trabalho com hor\u00e1rios flex\u00edveis os afastaria do crime. Na outra ponta, tamb\u00e9m 17% declararam que n\u00e3o deixariam o movimento em nenhuma circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao empreendedorismo, a Bahia foi o estado que menos citou a possibilidade de abrir um neg\u00f3cio pr\u00f3prio, com 11%. S\u00e3o Paulo ficou no topo, com 25%. J\u00e1 sobre a CLT como alternativa para abandonar o crime, os entrevistados da Bahia aparecem acima da m\u00e9dia nacional de 20%. Com 22%, o estado ocupa a sexta posi\u00e7\u00e3o. No ranking, o Rio Grande do Sul lidera com 49%, seguido pelo Distrito Federal (39%), Rond\u00f4nia (31%), S\u00e3o Paulo (30%) e Santa Catarina (26%).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>EDUCA\u00c7\u00c3O E RELIGI\u00c3O<br \/>\nNo que diz respeito a escolaridade, a maior parte deles possui ensino fundamental incompleto, um total de 35% dos entrevistados, que disse ter estudado at\u00e9 a 7\u00aa s\u00e9rie. Com ensino fundamental completo seriam 22%, que conclu\u00edram at\u00e9 o 8\u00ba ano. 16% dos entrevistados teriam ensino m\u00e9dio incompleto, ou seja, estudaram at\u00e9 2\u00ba ano do EM; 13% tem ensino m\u00e9dio completo e apenas 4% chegaram ao ensino superior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em question\u00e1rio, um grupo relevante de pessoas\u00a0entrevistadas\u00a0contou sobre sua trajet\u00f3ria escolar. O grupo mais relevante, cerca de 55% disseram \u201csim?, enquanto 45% responderam \u201cn\u00e3o?. Entre aqueles que disseram gostar do ambiente escolar, 29% disseram que era pela merenda e 28% responderam gostar de aprender coisas novas. 16% responderam que era pelas professoras ou profissionais da educa\u00e7\u00e3o e 8% citaram aulas de artes.<\/p>\n<p>A pesquisa questionou a religi\u00e3o dos \u00a0entrevistados. O maior grupo \u00e9 o de crist\u00e3os, sendo mais de 48% do total, com 29% deles sendo cat\u00f3licos, seguidos por 19% se considerando evang\u00e9licos. Outros 22% s\u00e3o adeptos a religi\u00f5es de matriz africana, sendo 14% umbandistas e 8% candomblecistas. 15% s\u00e3o ateus ou n\u00e3o possuem religi\u00e3o e outros 1% s\u00e3o acredita em Deus.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maioria das pessoas envolvidas com tr\u00e1fico de drogas no Brasil s\u00e3o negros, jovens e com filhos. \u00c9 o que apontam os dados coletados pelo Data Favela, instituto de pesquisa fluminense, que revelou dados sobre a viv\u00eancia de pessoas envolvidas com o tr\u00e1fico de drogas por meio d<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":508880,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[27,6],"tags":[],"class_list":["post-508879","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/IMAGEM_NOTICIA_9-2025-11-18T043613.316.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/508879","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=508879"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/508879\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/508880"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=508879"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=508879"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=508879"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}