{"id":509426,"date":"2025-11-24T06:37:23","date_gmt":"2025-11-24T09:37:23","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=509426"},"modified":"2025-11-24T06:37:23","modified_gmt":"2025-11-24T09:37:23","slug":"a-volta-do-barao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-volta-do-barao\/","title":{"rendered":"A volta do Bar\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7d2fc729 titulo-post elementor-widget elementor-widget-theme-post-title elementor-page-title elementor-widget-heading\" data-id=\"7d2fc729\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-title.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-59e555ed elementor-widget elementor-widget-post-info\" data-id=\"59e555ed\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"post-info.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><\/div>\n<\/div>\n<section class=\"elementor-section elementor-inner-section elementor-element elementor-element-7e25a070 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"7e25a070\" data-element_type=\"section\">\n<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-24f401b5\" data-id=\"24f401b5\" data-element_type=\"column\">\n<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-6b34b66e elementor-share-buttons--view-icon elementor-share-buttons--skin-flat elementor-share-buttons--align-right elementor-share-buttons--shape-square elementor-grid-0 elementor-share-buttons--color-official elementor-widget elementor-widget-share-buttons\" data-id=\"6b34b66e\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;share_url&quot;:{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/blogdomagno.com.br\\\/a-volta-do-barao\\\/&quot;,&quot;is_external&quot;:&quot;&quot;,&quot;nofollow&quot;:&quot;&quot;,&quot;custom_attributes&quot;:&quot;&quot;}}\" data-widget_type=\"share-buttons.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-grid\">\n<div class=\"elementor-grid-item\">\n<div class=\"elementor-share-btn elementor-share-btn_twitter\" tabindex=\"0\" aria-label=\"Compartilhar no twitter\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-grid-item\">\n<div class=\"elementor-share-btn elementor-share-btn_email\" tabindex=\"0\" aria-label=\"Compartilhar no email\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-7f30e03 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"7f30e03\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-509427 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/AA1QQpf3-620x349.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/AA1QQpf3-620x349.jpeg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/AA1QQpf3-300x169.jpeg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/AA1QQpf3-160x90.jpeg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/AA1QQpf3-480x270.jpeg 480w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/AA1QQpf3-640x360.jpeg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/AA1QQpf3.jpeg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-b6a2e67a-7d26-4360-a52a-cdb83bfafa3b\" class=\"wp-block-ub-expand ub-expand\" data-scroll-type=\"false\" data-scroll-amount=\"\" data-scroll-target=\"\">\n<div id=\"ub-expand-full-2d8b5b0a-6e53-482c-8842-3658ef6a01b7\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial wp-block-ub-expand-portion\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"ub-expand-full-2d8b5b0a-6e53-482c-8842-3658ef6a01b7\">\n<p><strong>Por Washington Ara\u00fajo<br \/>\nDa Revista F\u00f3rum<\/strong><\/p>\n<p>Os n\u00fameros contam a hist\u00f3ria com brutal simplicidade: das tarifas de 50% impostas por Donald Trump em julho de 2025, mais da metade j\u00e1 caiu. N\u00e3o houve retalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve bravata. Houve diplomacia \u2014 daquela que o Brasil domina desde que aprendeu, h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, que a for\u00e7a da raz\u00e3o costuma atravessar paredes que a for\u00e7a bruta apenas arranha.<\/p>\n<p>A revers\u00e3o anunciada no dia 20 de novembro \u2014 que retirou a sobretaxa de mais de 200 produtos brasileiros, incluindo caf\u00e9, carne bovina, cacau, frutas e a\u00e7\u00facar \u2014 reorganizou o tabuleiro comercial entre os dois pa\u00edses. Produtos que at\u00e9 ontem estavam punidos com 50% de sobretaxa voltaram a pagar apenas a tarifa-base americana, que varia entre 0% e 10%.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ub-expand-full-2d8b5b0a-6e53-482c-8842-3658ef6a01b7\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-full wp-block-ub-expand-portion\" tabindex=\"0\" role=\"button\" aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"ub-expand-full-2d8b5b0a-6e53-482c-8842-3658ef6a01b7\">\n<p>Segundo dados atualizados do MDIC, a fatia da pauta exportadora brasileira sujeita ao pacote tarif\u00e1rio excepcional caiu de 35,9% para aproximadamente 12%. \u00c9 um avan\u00e7o concreto, com impacto imediato em cadeias produtivas inteiras. Mas n\u00e3o \u00e9 o ponto final. Motores industriais, autope\u00e7as, m\u00e1quinas e parte do setor metalmec\u00e2nico continuam sob tarifas elevadas, al\u00e9m dos produtos afetados por regras americanas de seguran\u00e7a nacional, como a\u00e7o e alum\u00ednio. O contencioso foi reduzido, n\u00e3o encerrado.<\/p>\n<p>Para entender o que est\u00e1 em curso, \u00e9 preciso revisitar o momento em que a diplomacia brasileira adquiriu a musculatura que a distingue no mundo. Jos\u00e9 Maria da Silva Paranhos J\u00fanior, o Bar\u00e3o do Rio Branco (1845\u20131912), transformou a pol\u00edtica externa em of\u00edcio rigoroso: estudava at\u00e9 a exaust\u00e3o, cruzava mapas, revisava arquivos coloniais e articulava fatos com precis\u00e3o de relojoeiro. Suas conquistas territoriais \u2014 Acre, Amap\u00e1, Pirara \u2014 foram fruto de m\u00e9todo, n\u00e3o de sorte. Ele dizia que \u201ca diplomacia \u00e9 a defesa dos interesses nacionais pela for\u00e7a da raz\u00e3o\u201d. E acrescentava: \u201cO Brasil deve ser firme, mas jamais agressivo.\u201d O Brasil volta a respirar esse m\u00e9todo.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve, nos \u00faltimos quatro meses, qualquer gesto de improviso. Ao contr\u00e1rio: diante das tarifas punitivas aplicadas pela Casa Branca, o governo montou uma frente integrada entre Itamaraty, MDIC, Fazenda e Casa Civil. Em vez de reagir com retalia\u00e7\u00f5es precipitadas \u2014 que apenas elevariam tens\u00f5es \u2014 o pa\u00eds optou pelo caminho que Rio Branco chamaria de \u201caltivez serena\u201d: firmeza sem espalhafato, convic\u00e7\u00e3o sem hostilidade.<\/p>\n<p>E essa escolha produziu efeito. O aumento de pre\u00e7os nos supermercados americanos, resultado direto da tarifa sobre alimentos, gerou press\u00e3o na pol\u00edtica interna. Importadores, redes de varejo e setores industriais passaram a argumentar que manter o pacote tarif\u00e1rio prejudicava mais consumidores americanos do que exportadores brasileiros. Trump recuou. Parcialmente, mas recuou.<\/p>\n<p>O Brasil, fiel \u00e0 sua tradi\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica, n\u00e3o humilhou, n\u00e3o comemorou em excesso, n\u00e3o transformou o recuo em espet\u00e1culo. Apenas avan\u00e7ou. \u00c9 assim que se faz pol\u00edtica externa eficaz: com m\u00e9todo, e n\u00e3o com ru\u00eddo.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o pela qual a diplomacia brasileira alcan\u00e7a resultados est\u00e1 na estrutura que a sustenta. O Itamaraty \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o de Estado, n\u00e3o de governo. Seus quadros estudam hist\u00f3ria, geografia, com\u00e9rcio internacional, direito, l\u00ednguas, tratados e precedentes. Sabem negociar porque foram treinados para isso \u2014 em um pa\u00eds onde, felizmente, diplomatas ainda s\u00e3o valorizados por conhecimento, e n\u00e3o por alinhamentos ideol\u00f3gicos passageiros.<\/p>\n<p>Essa postura t\u00e9cnica, somada a princ\u00edpios consolidados, explica o respeito global conquistado pelo Brasil:<\/p>\n<p>\u2014 profissionalismo rigoroso, que produz argumentos s\u00f3lidos e confi\u00e1veis;<\/p>\n<p>\u2014 autonomia estrat\u00e9gica, que permite dialogar com todos sem submiss\u00e3o;<\/p>\n<p>\u2014 firmeza sem agressividade, que impede escaladas desnecess\u00e1rias;<\/p>\n<p>\u2014 apego ao direito internacional, que oferece prote\u00e7\u00e3o normativa num mundo vol\u00e1til;<\/p>\n<p>\u2014 busca da paz como instrumento, n\u00e3o como ornamento ret\u00f3rico.<\/p>\n<p>Essa f\u00f3rmula \u2014 discreta, l\u00f3gica, consistente \u2014 foi lapidada por Rio Branco. E, neste momento, reaparece com rara nitidez.<\/p>\n<p>Com a redu\u00e7\u00e3o das tarifas, inicia-se agora a etapa mais delicada: a remo\u00e7\u00e3o completa das barreiras remanescentes. O Itamaraty trabalha em v\u00e1rias frentes simult\u00e2neas, seguindo um roteiro que combina t\u00e9cnica, estrat\u00e9gia e c\u00e1lculo pol\u00edtico.<\/p>\n<p>Entendo serem esses os pr\u00f3ximos passos da diplomacia brasileira:<\/p>\n<p><strong>1. Ampliar a coaliz\u00e3o internacional.<\/strong><\/p>\n<p>Unir pa\u00edses igualmente afetados aumenta o custo pol\u00edtico de manter tarifas sem justificativa econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>2. Usar o G20 e a OMC como arenas de legitimidade.<\/strong><\/p>\n<p>Sem confronto direto, o Brasil enquadra as tarifas como distor\u00e7\u00f5es que afetam cadeias globais de suprimentos.<\/p>\n<p><strong>3. Mobilizar setores econ\u00f4micos americanos.<\/strong><\/p>\n<p>Importadores, distribuidores e ind\u00fastrias norte-americanas sabem que a tarifa encareceu pre\u00e7os internos e prejudicou sua competitividade.<\/p>\n<p><strong>4. Negociar diretamente com o USTR e ag\u00eancias regulat\u00f3rias.<\/strong><\/p>\n<p>Um trabalho silencioso, t\u00e9cnico, baseado em dados, mostrando onde as tarifas elevam custos para consumidores americanos.<\/p>\n<p><strong>5. Isolar o custo pol\u00edtico das tarifas no Congresso dos EUA.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c0 medida que parlamentares americanos percebem a press\u00e3o inflacion\u00e1ria interna, cresce a tend\u00eancia de rever tarifas punitivas.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o mapa. Um mapa que n\u00e3o promete vit\u00f3rias f\u00e1ceis, mas promete vit\u00f3rias poss\u00edveis. E, sobretudo, vit\u00f3rias duradouras.<\/p>\n<p>Rio Branco costumava dizer que \u201ca paz \u00e9 a vit\u00f3ria da intelig\u00eancia sobre a precipita\u00e7\u00e3o\u201d. Em 2025, essa frase volta a ter corpo, carne e conte\u00fado. O Brasil n\u00e3o caiu na armadilha da rea\u00e7\u00e3o impensada, n\u00e3o devolveu agress\u00e3o com agress\u00e3o, n\u00e3o buscou holofotes enquanto o problema exigia discri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Optou pelo m\u00e9todo. E quando o Brasil escolhe o m\u00e9todo \u2014 o m\u00e9todo de Rio Branco \u2014 quase sempre avan\u00e7a.<\/p>\n<p>O pa\u00eds n\u00e3o encerrou o contencioso. Mas est\u00e1 resolvendo-o com a ferramenta que mais o honra no mundo: diplomacia com rigor, diplomacia com serenidade, diplomacia com hist\u00f3ria.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Ara\u00fajo Da Revista F\u00f3rum Os n\u00fameros contam a hist\u00f3ria com brutal simplicidade: das tarifas de 50% impostas por Donald Trump em julho de 2025, mais da metade j\u00e1 caiu. N\u00e3o houve retalia\u00e7\u00e3o, n\u00e3o houve bravata. 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