{"id":516264,"date":"2026-01-24T08:45:57","date_gmt":"2026-01-24T11:45:57","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=516264"},"modified":"2026-01-24T08:45:57","modified_gmt":"2026-01-24T11:45:57","slug":"a-era-do-medo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/a-era-do-medo\/","title":{"rendered":"A era do medo"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7d2fc729 titulo-post elementor-widget elementor-widget-theme-post-title elementor-page-title elementor-widget-heading\" data-id=\"7d2fc729\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-title.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-59e555ed elementor-widget elementor-widget-post-info\" data-id=\"59e555ed\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"post-info.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><\/div>\n<\/div>\n<section class=\"elementor-section elementor-inner-section elementor-element elementor-element-7e25a070 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"7e25a070\" data-element_type=\"section\">\n<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-24f401b5\" data-id=\"24f401b5\" data-element_type=\"column\">\n<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-6b34b66e elementor-share-buttons--view-icon elementor-share-buttons--skin-flat elementor-share-buttons--align-right elementor-share-buttons--shape-square elementor-grid-0 elementor-share-buttons--color-official elementor-widget elementor-widget-share-buttons\" data-id=\"6b34b66e\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;share_url&quot;:{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/blogdomagno.com.br\\\/a-era-do-medo\\\/&quot;,&quot;is_external&quot;:&quot;&quot;,&quot;nofollow&quot;:&quot;&quot;,&quot;custom_attributes&quot;:&quot;&quot;}}\" data-widget_type=\"share-buttons.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-grid\">\n<div class=\"elementor-grid-item\">\n<div class=\"elementor-share-btn elementor-share-btn_twitter\" tabindex=\"0\" aria-label=\"Compartilhar no twitter\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-grid-item\">\n<div class=\"elementor-share-btn elementor-share-btn_email\" tabindex=\"0\" aria-label=\"Compartilhar no email\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class=\"elementor-widget-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-516265 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/medo-mulher-848x477-1-620x349.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/medo-mulher-848x477-1-620x349.jpeg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/medo-mulher-848x477-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/medo-mulher-848x477-1-768x432.jpeg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/medo-mulher-848x477-1-160x90.jpeg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/medo-mulher-848x477-1-480x270.jpeg 480w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/medo-mulher-848x477-1-640x360.jpeg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/medo-mulher-848x477-1.jpeg 848w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-efaceb7a-256f-4519-98f1-054432ba1645\" class=\"wp-block-ub-expand ub-expand\" data-scroll-type=\"false\" data-scroll-amount=\"\" data-scroll-target=\"\">\n<div id=\"ub-expand-partial-86c18253-6a38-494d-b57d-2d7af822a75c\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial wp-block-ub-expand-portion\" aria-hidden=\"false\">\n<p><strong>Por Marcelo Tognozzi<br \/>\nColunista do Poder360<\/strong><\/p>\n<p>Ele passou de um momento a uma era. Est\u00e1 no caminho do trabalho, no tr\u00e2nsito, no elevador, no grupo da fam\u00edlia, na notifica\u00e7\u00e3o do celular, na conversa no bar, nas manchetes, nas redes sociais, nos pal\u00e1cios e nos barracos, nos gritos e nos sussurros \u201cvoc\u00ea viu o que aconteceu?\u201d ou \u201cvoc\u00ea ainda est\u00e1 a\u00ed?\u201d. O medo est\u00e1 em toda parte, em cora\u00e7\u00f5es e mentes. Mergulhamos na era do medo industrializado, absoluto, solene e perene.<\/p>\n<p>Antes, ele chegava em ondas: no jornal da manh\u00e3, no telejornal \u00e0 noite. Agora \u00e9 fluxo. A tecnologia criou o grande aqu\u00e1rio da ansiedade, iluminado 24 horas por dia, borbulhando. Quem est\u00e1 dentro n\u00e3o dorme; cochila. A exce\u00e7\u00e3o agora \u00e9 regra. Alerta virou rotina; prud\u00eancia e paranoia se confundem. E o mundo, que sempre foi perigoso, agora parece estar \u00e0 beira do apocalipse.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ub-expand-full-86c18253-6a38-494d-b57d-2d7af822a75c\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-full wp-block-ub-expand-portion\" aria-hidden=\"false\">\n<p>Urg\u00eancia \u00e9 modelo de neg\u00f3cio. A internet n\u00e3o premia a verdade, premia a audi\u00eancia. E nada prende mais um ser humano do que a amea\u00e7a, a sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a. O algoritmo \u00e9 pastor do p\u00e2nico: conduz seus rebanhos pela trilha programada, porque sabe que, na sua m\u00e9trica, o medo vale mais que a esperan\u00e7a. A esperan\u00e7a exige tempo, compara\u00e7\u00e3o, paci\u00eancia, sonho. O medo exige um clique. \u00c9 r\u00e1pido, instintivo, rent\u00e1vel, fecha a mente e faz a pessoa se entregar inteira. Nada \u00e9 realidade, apenas barulho.<\/p>\n<p>A grande m\u00eddia n\u00e3o inventou a trag\u00e9dia. Mas integra o mercado da trag\u00e9dia cotidiana, seja na Ucr\u00e2nia, em Minneapolis, S\u00e3o Paulo, Rio, Paris ou Adis-Abeba. No mundo da concorr\u00eancia brutal por cliques e audi\u00eancia, a pol\u00edtica s\u00f3 tem dois lados, a not\u00edcia virou espet\u00e1culo e o espet\u00e1culo vive de sangue, esc\u00e2ndalo e desgra\u00e7a. O fato passou a ter formato. Paz n\u00e3o rende, \u00e9 invis\u00edvel. A percep\u00e7\u00e3o coletiva se deforma e a viol\u00eancia chega at\u00e9 n\u00f3s cada vez mais violenta, seja em filmes, s\u00e9ries, stories, memes, na pol\u00edtica, no esporte ou na arte. Est\u00e1 sempre l\u00e1.<\/p>\n<p>Entre o medo contempor\u00e2neo e o antigo h\u00e1 uma diferen\u00e7a essencial: antes era apenas emocional, agora \u00e9 estrutural. Uma parte da sociedade teme menos o assaltante do que o m\u00eas que vem. Teme n\u00e3o ter dinheiro para o aluguel, o mercado, os boletos acumulando, o hospital que n\u00e3o atende, a escola que n\u00e3o ensina, o Estado que n\u00e3o chega, os impostos que n\u00e3o param de subir. Um medo que trabalha em sil\u00eancio como ferrugem. Carcomendo.<\/p>\n<p>A inseguran\u00e7a econ\u00f4mica virou estilo de vida. Quando o futuro deixa de ser constru\u00e7\u00e3o para virar aposta, a mente entra em modo sobreviv\u00eancia. Dif\u00edcil planejar, cooperar, confiar. Pressa agora \u00e9 virtude. Cautela, desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p>Crime \u00e9 muito mais que o batedor de carteira ou o assaltante armado. \u00c9 engrenagem a controlar territ\u00f3rios, mercados, transportes, g\u00e1s, internet, \u00e1gua, votos, prote\u00e7\u00e3o e tem at\u00e9 tribunal pr\u00f3prio. Marcha \u00e0 r\u00e9 civilizat\u00f3ria. Homem lobo do homem. Viol\u00eancia administrada faz o cidad\u00e3o falar baixo e aprender a ser cego. Morda\u00e7a coletiva. N\u00e3o precisa prender jornalista, basta fomentar a sensa\u00e7\u00e3o de que perguntar custa caro, como quem assopra brasas no leito da fogueira.<\/p>\n<p>Confian\u00e7a virou artigo de luxo. Terreno perfeito para a pol\u00edtica do medo, o atalho mais antigo do manda quem pode e obedece quem tem ju\u00edzo. No poder do medo, ou voc\u00ea est\u00e1 comigo ou com meu inimigo. Sem meio termo. Reto e direto. O inimigo pode ser o comunismo, o fascismo, o golpe, o sistema, o globalismo, o Estado policial, a ditadura do Judici\u00e1rio, a ditadura militar, os diferentes, LGBTQIA+, n\u00e3o importa. O medo \u00e9 a arma mais democr\u00e1tica que existe: serve a qualquer ideologia.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria do medo vende solu\u00e7\u00f5es para si mesma. Seja grande ou pequeno, caro ou barato, fugaz ou duradouro. Na vitrine est\u00e1 o medo de perder a reputa\u00e7\u00e3o, o que nesta era digital significa perder a identidade. Qualquer um \u00e9 destru\u00eddo em minutos pelo recorte fora de contexto, a acusa\u00e7\u00e3o vazia ou mentira bem editada. O pavor de ser cancelado, exposto, ridicularizado, perseguido.<\/p>\n<p>Medo agora \u00e9 cultura, linguagem, h\u00e1bito. Gente se alimentando dele vorazmente: \u00e9 ruim, mas \u00e9 energia imediata, adrenalina pura. Viver do medo e com medo. H\u00e1 aqueles com medo de Trump, os que temem globalistas, fascistas, islamitas, Deus, o diabo e h\u00e1 os apavorados com a pervers\u00e3o e a pedofilia. Para aplacar temores, uns consomem barbit\u00faricos, outros coca\u00edna, muitos preferem \u00e1lcool, uns poucos oram. E assim o mundo vai sendo conduzido por fantasmas.<\/p>\n<p>Nesta \u00e9poca t\u00e3o desgastante e cansativa, onde a contempla\u00e7\u00e3o perde para a ansiedade, o v\u00edcio \u00e9 estar sempre conectado, ligado, alerta. O medo \u00e9 a ess\u00eancia do sistema. Move dinheiro, elege, d\u00e1 e tira poder, vende produto, justifica abuso, sustenta narrativas, aprisiona cora\u00e7\u00f5es, amores, afetos. Esvazia a intelig\u00eancia coletiva. E uma sociedade emburrecida \u00e9 uma sociedade de joelhos.<\/p>\n<p>Aos poucos as pessoas come\u00e7am a entender que \u00e9 preciso domar o medo. Trat\u00e1-lo n\u00e3o como realidade absoluta, mas como parte dela. Entend\u00ea-lo como um sentimento t\u00e3o humano quanto a coragem, o amor ou a alegria. Shakespeare escreveu que \u201cde todas as paix\u00f5es vis, o medo \u00e9 a mais maldita\u201d. Juscelino Kubitschek sabia disso quando disse que Deus o havia poupado do sentimento do medo. N\u00e3o por acaso ele se tornou o s\u00edmbolo dos anos dourados do Brasil.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcelo Tognozzi Colunista do Poder360 Ele passou de um momento a uma era. 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