{"id":51693,"date":"2014-03-23T10:05:40","date_gmt":"2014-03-23T13:05:40","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=51693"},"modified":"2014-03-23T10:05:40","modified_gmt":"2014-03-23T13:05:40","slug":"adolescentes-em-guerra-com-o-proprio-corpo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/adolescentes-em-guerra-com-o-proprio-corpo\/","title":{"rendered":"Adolescentes em guerra com o pr\u00f3prio corpo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Quase um ter\u00e7o dos entrevistados por pesquisa de estudiosa da UFPE n\u00e3o gosta da pr\u00f3pria apar\u00eancia<\/strong><\/em><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"mailto:\">Marcionila Teixeira<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.5em;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div id=\"abanoticia\">\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" title=\"J\u00falia (nome fict\u00edcio) luta contra a bulimia:\" alt=\"J\u00falia (nome fict\u00edcio) luta contra a bulimia:\" src=\"http:\/\/imgsapp.diariodepernambuco.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2014\/03\/23\/495490\/20140323085638815704o.jpg\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>J\u00falia (nome fict\u00edcio) luta contra a bulimia:&#8221;N\u00e3o tenho vontade de comer. Se insistir, vomito&#8221; &#8211; Foto: Julio Jacobina\/DP\/D.A Press<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>A medida da satisfa\u00e7\u00e3o de J\u00falia (nome fict\u00edcio), 16 anos, varia de acordo com sua apar\u00eancia corporal. O \u00e1pice da felicidade pode residir no fato dos ossos da clav\u00edcula apontarem sobre seu busto. Tanto melhor quando a coluna mostra-se proeminente em suas costas. No dia da entrevista, a garota alimentou-se apenas com um copo de \u00e1gua e tr\u00eas bolachas. Apesar do est\u00f4mago vazio, dizia n\u00e3o ter fome. Pesa 58 kg distribu\u00eddos em 1,65 m, mas se acha gorda. Est\u00e1 t\u00e3o apreensiva com o \u201cexcesso de gordura\u201d que se pesa todo dia, em busca de constatar gramas perdidas.<\/p>\n<p>O drama de jovens como J\u00falia foi revelado em uma pesquisa in\u00e9dita realizada com pessoas entre 10 e 19 anos em 20 escolas estaduais do Recife. O levantamento apontou que tr\u00eas em cada dez adolescentes entrevistados (30,9%) est\u00e3o insatisfeitos com o corpo. Apesar de estarem no peso ideal, desejam ser magros. O olhar negativo sobre a silhueta se materializa da pior forma: comportamentos alimentares que pode levar \u00e0 bulimia e \u00e0 anorexia.<\/p>\n<p>A pesquisa revela outra novidade: a doen\u00e7a \u00e9 mais cruel com as filhas de pais com menos escolaridade. \u201cMuitas vezes as fam\u00edlias at\u00e9 estimulam o regime, achando que \u00e9 bobagem. Alguns n\u00e3o percebem os filhos doentes, pois saem cedo para trabalhar. \u00c9 um mito pensar que s\u00f3 os mais ricos, com abund\u00e2ncia de alimento, t\u00eam a doen\u00e7a\u201d, explica a psic\u00f3loga Tatiana Bertulino, autora do estudo desenvolvida no Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Neuropsiquiatria e Ci\u00eancia do Comportamento da UFPE.<\/p>\n<p>Filha de empregada dom\u00e9stica e moradora da Bomba do Hemet\u00e9rio, J\u00falia chegou a ser levada pela m\u00e3e para acompanhamento psicol\u00f3gico. \u201cA psic\u00f3loga mostrava fotos de meninas muito magras. Minha m\u00e3e comprou rem\u00e9dios para abrir o apetite, mas joguei fora. N\u00e3o tenho vontade de comer. Se insistir, vomito\u201d.<\/p>\n<p>Os maiores riscos envolvem os jovens de 14 e 15 anos, faixa na qual est\u00e3o as taxas mais altas de sintomas de transtornos alimentares e insatisfa\u00e7\u00e3o corporal, segundo a pesquisa. \u201cEssa tend\u00eancia pode estar relacionada \u00e0s expectativas da sociedade para homens e mulheres\u201d, afirma a psic\u00f3loga. Segundo ela, \u00e9 como se esses jovens n\u00e3o tivessem outro motivo para ser felizes, pois dirigem \u00e0 forma f\u00edsica ideal todo o prazer de viver.<\/p>\n<p>Pata Tatiana, o estudo revela a necessidade de campanhas e programas que estimulem a aceita\u00e7\u00e3o corporal e a ado\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitos saud\u00e1veis. \u201c\u00c9 interessante tamb\u00e9m reduzir a influ\u00eancia da m\u00eddia de modo a desvincular a imagem do corpo magro \u00e0 atratividade e ao padr\u00e3o de beleza ideal\u201d, pontua.<\/p>\n<p><strong>M\u00e3es e filhas<\/strong><\/p>\n<p>A insatisfa\u00e7\u00e3o com o corpo e os transtornos alimentares podem envolver tamb\u00e9m ambientes familiares desorganizados e rela\u00e7\u00f5es parentais problem\u00e1ticas, sobretudo com a m\u00e3e. A observa\u00e7\u00e3o \u00e9 do psiquiatra Amaury Cantilino. Outro aspecto \u00e9 o fator biol\u00f3gico. \u201c\u00c9 algo que pode ser geneticamente determinado. Essas pessoas t\u00eam chances maiores que podem ser despertadas\u201d.<\/p>\n<p>Lara Pacheco, 23 anos, estuda fisioterapia e ensina pilates. \u201cTrabalho o corpo e ensino as pessoas a conhecerem os delas\u201d, diz. Mas a rela\u00e7\u00e3o de Lara consigo nem sempre foi saud\u00e1vel. Ela teve um quadro grave de bulimia e anorexia entre os 16 e 17 anos, iniciado a partir da morte de um parente. Foi internada por um m\u00eas. A gravidez inusitada de Sofia, hoje com cinco anos, foi a salva\u00e7\u00e3o. \u201cSe a gesta\u00e7\u00e3o n\u00e3o tivesse acontecido, eu n\u00e3o estaria aqui hoje\u201d. Para Lara, o combate ao transtorno alimentar est\u00e1 no amor dos familiares e na nega\u00e7\u00e3o do preconceito.<\/p>\n<p>Bulimia<\/p><\/div>\n<div>\nA bulimia \u00e9 uma doen\u00e7a na qual uma pessoa exagera na ingest\u00e3o de alimentos ou tem epis\u00f3dios regulares em que come em excesso e sente perda de controle. Dessa forma, a pessoa com bulimia usa v\u00e1rios m\u00e9todos, como v\u00f4mitos, abuso de laxantes e excesso de exerc\u00edcio, para impedir o ganho de peso. Segundo Tatiana Bertolino, apresenta-se em personalidades mais impulsivas<\/p>\n<p>Anorexia<br \/>\nPessoas com anorexia podem ter um medo intenso de ganhar peso, mesmo quando est\u00e3o abaixo do peso normal. Elas podem abusar de dietas ou exerc\u00edcios, ou usar outros m\u00e9todos para perder peso. Segundo Tatiana Bertolino, manifesta-se em personalidades controladoras, mais r\u00edgidas. Normalmente s\u00e3o considerados \u00f3timos filhos e alunos<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p><strong>A pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>20 escolas estaduais do Recife foram visitadas<br \/>\n9 escolas s\u00e3o da Ger\u00eancia Norte e 11 da Ger\u00eancia Sul<\/p>\n<p>1.441 adolescentes foram ouvidos entre 10 a 19 anos<\/p>\n<p>37,1% das meninas entrevistadas est\u00e3o insatisfeitas com o corpo<\/p>\n<p>17,7% dos meninos entrevistados est\u00e3o insatisfeitos com o corpo<\/p>\n<p>14 e 15 anos \u00e9 a faixa et\u00e1ria com maior<br \/>\n\u00edndice de sintomas de transtorno alimentar<\/p>\n<p>34,10% das meninas ouvidas t\u00eam sintomas<\/p>\n<p>27,40% dos meninos ouvidos t\u00eam sintomas<\/p><\/div>\n<div>Fonte: Di\u00e1rio de Pernambuco<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase um ter\u00e7o dos entrevistados por pesquisa de estudiosa da UFPE n\u00e3o gosta da pr\u00f3pria apar\u00eancia Marcionila Teixeira \u00a0 J\u00falia (nome fict\u00edcio) luta contra a bulimia:&#8221;N\u00e3o tenho vontade de comer. Se insistir, vomito&#8221; &#8211; Foto: Julio Jacobina\/DP\/D.A Press A medida da satisfa\u00e7\u00e3o de J\u00falia (nome fict\u00edcio), 16 anos, varia de acordo com sua apar\u00eancia corporal. 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