{"id":517295,"date":"2026-02-02T09:10:00","date_gmt":"2026-02-02T12:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=517295"},"modified":"2026-02-02T09:10:00","modified_gmt":"2026-02-02T12:10:00","slug":"os-30-anos-da-tragedia-da-hemodialise-em-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/os-30-anos-da-tragedia-da-hemodialise-em-pernambuco\/","title":{"rendered":"Os 30 anos da Trag\u00e9dia da Hemodi\u00e1lise em Pernambuco"},"content":{"rendered":"<div class=\"cabecalhoNot mt-5\">\n<h1 class=\"tituloNot font-bold text-[28px] leading-8 md:text-[40px] md:leading-11 tracking-[-4%] text-black mt-1 mb-5\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"descricaoNot font-normal text-[14px] md:text-[14px] tracking-[-3%] my-5\" style=\"text-align: justify;\">A morte de 60 pacientes renais do IDR de Caruaru ganhou o notici\u00e1rio internacional e mudou de vez os cuidados necess\u00e1rios no pa\u00eds para evitar novas contamina\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p class=\"assinaturaNot font-bold text-[14px] md:text-[14px] tracking-[-5%] text-[var(--var-primary--color)]\" style=\"text-align: justify;\">Nicolle Gomes, do Diario de Pernambuco<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"socialShare mt-5 flex flex-row justify-start\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"flex flex-row justify-evenly\">\n<div class=\"h-7\">\n<div class=\"rounded-2xl border-[1px] border-gray-200\">\n<p class=\"flex flex-row justify-center px-3\">\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"corpoNot w-full py-5 text-[16px] font-normal leading-normal tracking-normal text-black\">\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"fotoNot\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-517296 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/10_dvu_0202_02-840843-620x413.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/10_dvu_0202_02-840843-620x413.jpeg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/10_dvu_0202_02-840843-300x200.jpeg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/10_dvu_0202_02-840843-768x511.jpeg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/10_dvu_0202_02-840843-160x106.jpeg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/10_dvu_0202_02-840843-450x300.jpeg 450w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/10_dvu_0202_02-840843-640x426.jpeg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/10_dvu_0202_02-840843.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p class=\"credFotoNot text-[12px] my-2.5 font-medium tracking-[-3%] text-center text-black\">IDR de Caruaru (L\u00e9o Caldas\/Arquivo DP)<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">A conhecida \u2018Trag\u00e9dia da Hemodi\u00e1lise\u2019, caso de intoxica\u00e7\u00e3o que matou mais de 60 pacientes renais em Caruaru, no Agreste do estado, completa 30 anos neste m\u00eas. Foi em 20 de fevereiro de 1996 que o\u00a0<strong>Diario de Pernambuc<\/strong>o noticiou a primeira morte do caso que, devido \u00e0 gravidade, chamou a aten\u00e7\u00e3o at\u00e9 da presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brit\u00e2nica dos Pacientes Renais, Elizabeth Ward. At\u00e9 hoje, familiares de v\u00edtimas e sobreviventes lutam por indeniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Nesta reportagem, o\u00a0<strong>Diario<\/strong>\u00a0relembra a hist\u00f3ria da \u2018Trag\u00e9dia da Hemodi\u00e1lise\u2019, que mudou a vida de muitas fam\u00edlias de Caruaru e localidades pr\u00f3ximas, e tamb\u00e9m os par\u00e2metros de seguran\u00e7a em processos de hemodi\u00e1lise em todo o Brasil. Ap\u00f3s o primeiro \u00f3bito, a frequ\u00eancia de mortes instalou um alerta e uma grande d\u00favida do que estava acontecendo com as v\u00edtimas, todas pacientes do Instituto de Doen\u00e7as Renais (IDR) de Caruaru. A situa\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o foi descoberta imediatamente, muito em fun\u00e7\u00e3o do ineditismo do caso.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Cerca de 140 pacientes foram contaminados, quando realizavam o procedimento de hemodi\u00e1lise, por uma toxina denominada microcistina-LR, produzida por cianobact\u00e9rias (algas verde-azuladas) contidas na \u00e1gua usada nos procedimentos. Foi o primeiro registro no mundo de contamina\u00e7\u00e3o nessas circunst\u00e2ncias.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEsse foi o primeiro caso desse tipo de contamina\u00e7\u00e3o, apesar da alga que causou isso ser uma alga encontrada em diversos lugares do mundo. Existiam alguns relatos de intoxica\u00e7\u00e3o por pessoas que bebiam da \u00e1gua, que tinham contato, tomavam banho, qualquer coisa desse tipo, e desenvolviam uma doen\u00e7a hep\u00e1tica. Mas isso nunca tinha sido descrito numa unidade de hemodi\u00e1lise\u201d, explicou ao Diario o nefrologista Amaro Medeiros, que tratou v\u00e1rios pacientes v\u00edtimas da intoxica\u00e7\u00e3o na \u00e9poca.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Profissionais de todo o planeta estiveram em Caruaru para colaborar com as an\u00e1lises do caso. Cerca de um m\u00eas ap\u00f3s a primeira morte, surgiram as primeiras conclus\u00f5es sobre a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua usada na hemodi\u00e1lise. \u201cEra \u00e9poca de seca. A gente recebeu a not\u00edcia de que uma das cl\u00ednicas do Caruaru recebia \u00e1gua do reservat\u00f3rio Tabocas. Essa alga \u00e9 azul esverdeada, e na \u00e9poca da seca, se concentra na \u00e1gua. N\u00e3o tinha \u00e1gua para quase ningu\u00e9m, eles usaram essa \u00e1gua\u201d, relembra Dr. Amaro.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">A contamina\u00e7\u00e3o por microcistina causa danos hep\u00e1ticos, que em nada se relacionam \u00e0 insufici\u00eancia renal. \u201cA contamina\u00e7\u00e3o, na realidade, n\u00e3o tinha nada a ver com o rim. O grande efeito dela era no sistema neurol\u00f3gico, dores musculares e no f\u00edgado\u201d, afirma o m\u00e9dico. A hemodi\u00e1lise \u00e9 um processo de tratamento para pacientes com quadro de insufici\u00eancia renal, que pode ser causado por v\u00e1rios motivos.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA di\u00e1lise funciona como um rim, retirando subst\u00e2ncias que o rim n\u00e3o est\u00e1 conseguindo tirar do organismo. O paciente permanece bem, mas tem que repetir isso no m\u00ednimo tr\u00eas vezes por semana, quatro horas por dia. \u00c9 como uma filtragem do sangue\u201d, esclarece Dr. Amaro. Para esses pacientes, a di\u00e1lise \u00e9 importante para manter a sa\u00fade enquanto a chance de transplante de rim n\u00e3o aparece.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\u201cEu posso manter meu doente na di\u00e1lise, produzindo socialmente, tendo uma vida interativa com a sociedade, com a fam\u00edlia, enquanto ele espera a chegada de um rim para transplantar. Isso significa dizer que a di\u00e1lise salva a vida\u201d, explica o nefrologista.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a Trag\u00e9dia da Hemodi\u00e1lise, foram determinadas mudan\u00e7as no padr\u00e3o de seguran\u00e7a de pr\u00e1tica do procedimento. \u201cCom o exemplo de Caruaru, a grande mudan\u00e7a dentro da di\u00e1lise aconteceu quando o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade publicou uma portaria que obriga todas as unidades de di\u00e1lise do Brasil a utilizar um tratamento chamado Osmose Reversa. Modificou completamente o desempenho da di\u00e1lise. Outras modifica\u00e7\u00f5es aconteceram, nas membranas que se utilizam para filtragem e tudo mais, mas o grande evento foi a mudan\u00e7a na forma de tratar a \u00e1gua\u201d, aponta.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o nefrologista, \u00e0 \u00e9poca, j\u00e1 existia preocupa\u00e7\u00e3o com o tratamento de \u00e1gua, por\u00e9m mais simples. \u201cExistia uma preocupa\u00e7\u00e3o com \u00e1gua naquela \u00e9poca. As cl\u00ednicas eram obrigadas a ter um tratamento de \u00e1gua. S\u00f3 que era bem mais simples, uma quest\u00e3o de n\u00e3o ter dispon\u00edvel todas as formas de tratamento, e a um custo que fosse poss\u00edvel. No Brasil todo, era usado um deionizador: uma coluna que tirava parte de subst\u00e2ncia, outras tiravam os c\u00e1tions e os \u00edons, e uma coluna de carv\u00e3o que filtrava\u201d, detalha.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\"><strong>A luta de um sobrevivente<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Quit\u00e9rio Silva, de 51 anos, foi um dos pacientes que sobreviveu \u00e0 intoxica\u00e7\u00e3o, mas at\u00e9 hoje lida com uma Hepatite C, sequela da contamina\u00e7\u00e3o. Natural de Tacaimb\u00f3, no Agreste, ele fazia hemodi\u00e1lise desde os 16 anos, tr\u00eas vezes por semana no IDR. Aos 21 anos, foi intoxicado. Ele conta ao\u00a0<strong>Diario<\/strong>\u00a0como tudo aconteceu. \u201cAntes da trag\u00e9dia era normal. Em fevereiro de 96 come\u00e7ou a morrer gente e ningu\u00e9m sabia o que era. No meio de mar\u00e7o vieram descobrir que era o problema da \u00e1gua. Tiveram que desenterrar um bocado de paciente para saber o que tinha acontecido\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Ele relembra como foi continuar com o procedimento em meio \u00e0s mortes e d\u00favidas. \u201cA gente ficava ansioso, apreensivo, porque est\u00e1vamos no mesmo processo das pessoas que estavam morrendo. A gente tinha que ir. Ia ou morria. Ou voc\u00ea ia (para a hemodi\u00e1lise) para morrer, ou se ficasse em casa, ia morrer, porque n\u00e3o podia ficar sem tratamento. Eu pegava carona com uma menina de Pesqueira, e me lembro quando ela entrou na m\u00e1quina (de hemodi\u00e1lise) do meu lado. Assim que ela entrou, teve uma parada e morreu. Eu fiquei muito nervoso nesse dia\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Quit\u00e9rio, como mais de 100 outros pacientes, foi contaminado, e como poucos, sobreviveu. Ele ficou internado por mais de dois meses no Hospital Bar\u00e3o de Lucena, na Iputinga, Zona Oeste do Recife. Durante o per\u00edodo, perdeu um amigo pr\u00f3ximo que tamb\u00e9m era tratado no IDR, uma das perdas mais dolorosas, ele relata. \u201cToda vez que lembramos de hemodi\u00e1lise, ou fala-se em trag\u00e9dia, d\u00e1 muita ang\u00fastia no cora\u00e7\u00e3o da gente, porque perdemos muitos amigos. N\u00e3o gosto de lembrar. D\u00e1 um nervosismo, vontade de chorar. Eu nunca me esqueci do meu amigo Cirilo, foi um dos pacientes que me ajudou muito, me dava muita for\u00e7a. Na \u00e9poca eu era de menor, passei minha juventude toda fazendo hemodi\u00e1lise e ele era o \u00fanico que me aconselhava, para eu n\u00e3o me desesperar, dizia que um dia eu ia sair daquele sofrimento. Infelizmente ele n\u00e3o resistiu, faleceu l\u00e1 no Recife\u201d, menciona.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Atualmente, Quit\u00e9rio n\u00e3o realiza mais hemodi\u00e1lise, pois conseguiu um transplante de rim em 2013. Ap\u00f3s todos esses anos, a \u00fanica coisa que falta a respeito da trag\u00e9dia \u00e9 a indeniza\u00e7\u00e3o, obtida na Justi\u00e7a, que nunca foi devidamente recebida. Ele diz que os sobreviventes e muitas fam\u00edlias est\u00e3o \u201cesquecidos\u201d. \u201c\u00c9 uma luta. Ainda espero que seja cumprido o que a Justi\u00e7a pede. Sei que a Justi\u00e7a daqui da terra \u00e9 muito falha, mas a de Deus n\u00e3o. Espero que eu que um dia seja resolvido. N\u00e3o vai trazer a nossa sa\u00fade de volta e nem vai trazer a vida dos pacientes que infelizmente faleceram, mas para eles aprenderem a trabalhar direito na \u00e1rea da sa\u00fade. Temos que lutar para n\u00e3o sermos esquecidos, como estamos sendo\u201d, expressa.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">J\u00e9ssica Borges tinha cinco anos quando perdeu o pai, Jos\u00e9 Francisco Borges, que faleceu aos 30, em decorr\u00eancia da intoxica\u00e7\u00e3o. Ele ficou mais de um ano internado no Hospital Bar\u00e3o de Lucena, onde os pacientes contaminados eram tratados. Segundo ela, Jos\u00e9 Francisco viajava de Bezerros, onde ainda mora a fam\u00edlia, para o IDR, em Caruaru, tr\u00eas vezes por semana. Apesar da pouca idade, ela diz se lembrar do pai, e de quando ele adoeceu.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\u201cFoi uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o traum\u00e1tica, mas eu lembro bastante. Tudo piorou com a contamina\u00e7\u00e3o. Ele ia e voltava s\u00f3, era tranquilo. Nesse dia minha m\u00e3e estranhou porque ele chegou acompanhado do cobrador de \u00f4nibus, j\u00e1 com dificuldade de enxergar. Come\u00e7ou com uma dor de cabe\u00e7a, depois teve uma crise de riso, suando muito, algo incontrol\u00e1vel. Depois a dor de cabe\u00e7a retornou, s\u00f3 que de uma forma mais forte\u201d, compartilha.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">O pai de J\u00e9ssica foi socorrido para o IDR, e encaminhado para o Bar\u00e3o de Lucena, no Recife. A jovem conta que foi um momento delicado, pois a m\u00e3e dela veio para a capital acompanhar Jos\u00e9 Francisco, e ela e a irm\u00e3, ainda crian\u00e7as, ficaram longe dos pais. \u201cFoi uma situa\u00e7\u00e3o muito complicada. Minha m\u00e3e assumiu a causa, e eu e minha irm\u00e3 n\u00f3s ficamos pela casa de parentes, vendo minha m\u00e3e raramente\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia n\u00e3o conseguiu sequer enterrar Jos\u00e9 Francisco. Ele faleceu enquanto a m\u00e3e de J\u00e9ssica estava em Bezerros, visitando as filhas. Elas s\u00f3 souberam da morte um tempo depois. \u201cEu n\u00e3o consegui ver o meu pai morto para dar a ele um funeral decente. Quando ele faleceu, estava com tuberculose e hepatite t\u00f3xica. Minha m\u00e3e tinha vindo para me ver com minha irm\u00e3 e ele ficou com uma prima. Naquela \u00e9poca n\u00e3o tinha telefone com tanta disponibilidade e a gente s\u00f3 ficou sabendo em outro dia, por uma liga\u00e7\u00e3o de orelh\u00e3o, que ele tinha falecido e tinha sido sepultado. Ent\u00e3o, n\u00e3o teve vel\u00f3rio, a gente n\u00e3o conseguiu ver. Foi terr\u00edvel\u201d, relembra, emocionada.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">Ainda em 1996, os s\u00f3cios do IDR, os m\u00e9dicos nefrologistas Br\u00e1ulio Coelho e Ant\u00f4nio Bezerra Filho, foram condenados a indenizar as v\u00edtimas e fam\u00edlias. Eles foram absolvidos na vara criminal em 2002. Apesar da condena\u00e7\u00e3o, poucas fam\u00edlias e sobreviventes conseguiram ser indenizados. Alguns familiares e v\u00edtimas ainda lutam para conseguir a indeniza\u00e7\u00e3o. O impasse na justi\u00e7a \u00e9 em conseguir bens dos s\u00f3cios para realizar a penhora. \u00c9 o caso de Quit\u00e9rio e J\u00e9ssica.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">As lembran\u00e7as nunca foram embora. Hoje, aos 34 anos, J\u00e9ssica conta que esse \u00e9 o principal motor da luta por justi\u00e7a pelo que aconteceu com o pai. \u201cEu lembro de tudo dele. Acho que \u00e9 isso que alimenta essa minha vontade t\u00e3o grande de justi\u00e7a, porque eu lembro da voz dele, do pedido que ele fez para minha m\u00e3e, da minha \u00faltima visita a ele\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">O processo foi arquivado, mas ela n\u00e3o desistiu. H\u00e1 alguns anos, entrou novamente na justi\u00e7a, mas o andamento \u00e9 lento, ela explica. O sentimento de, mesmo ap\u00f3s tanto tempo, continuar lutando, \u00e9 de \u201cimpunidade\u201d, segundo J\u00e9ssica.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\u201cMeu pai infelizmente se foi por conta de irresponsabilidade, eu gostaria muito que a justi\u00e7a se compadecesse para que n\u00e3o ficasse no esquecimento. Porque quando a gente vai atr\u00e1s da indeniza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 para trazer nenhuma vida de volta, mas uma forma de fazer a justi\u00e7a. Eles foram condenados e nada foi feito, \u00e9 como se nada tivesse acontecido. A vida para eles continuou da mesma forma, j\u00e1 a nossa, n\u00e3o. Eu falo pela minha m\u00e3e, pela minha irm\u00e3, foram anos de sofrimento e at\u00e9 hoje \u00e9 assim. Crescer sem um pai dilacerou minha vida, faz muita falta mesmo. A gente queria que a justi\u00e7a fosse feita para poder colocar um ponto final nessa hist\u00f3ria e seguir. S\u00f3 houve consequ\u00eancia para as v\u00edtimas e para as fam\u00edlias, n\u00e3o para os culpados\u201d, desabafa.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\"><strong>IDR<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<strong>Diario<\/strong>\u00a0n\u00e3o conseguiu localizar a defesa dos s\u00f3cios do IDR, Br\u00e1ulio Coelho e Ant\u00f4nio Bezerra Filho.<\/p>\n<p class=\"texto\" style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A morte de 60 pacientes renais do IDR de Caruaru ganhou o notici\u00e1rio internacional e mudou de vez os cuidados necess\u00e1rios no pa\u00eds para evitar novas contamina\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":517296,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[4,6],"tags":[],"class_list":["post-517295","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/10_dvu_0202_02-840843.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/517295","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=517295"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/517295\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/517296"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=517295"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=517295"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=517295"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}