{"id":521061,"date":"2026-03-08T05:51:15","date_gmt":"2026-03-08T08:51:15","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=521061"},"modified":"2026-03-08T05:51:15","modified_gmt":"2026-03-08T08:51:15","slug":"elas-conseguiram-sobreviver-a-violencia-domestica-e-contam-suas-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/elas-conseguiram-sobreviver-a-violencia-domestica-e-contam-suas-historias\/","title":{"rendered":"Elas conseguiram sobreviver \u00e0 viol\u00eancia dom\u00e9stica e contam suas hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<div class=\"cabecalhoNot mt-5\">\n<h1 class=\"tituloNot font-bold text-[28px] leading-8 md:text-[40px] md:leading-11 tracking-[-4%] text-black mt-1 mb-5\"><\/h1>\n<p class=\"descricaoNot font-normal text-[14px] md:text-[14px] tracking-[-3%] my-5\"><strong>Para marcar o Dia Internacional da Mulher, o Diario traz dois relatos de quem viveu na pele a viol\u00eancia e, hoje, conta sua hist\u00f3ria para que sirva de exemplo<\/strong><\/p>\n<p class=\"assinaturaNot font-bold text-[14px] md:text-[14px] tracking-[-5%] text-[var(--var-primary--color)]\">Nicolle Gomes, do Diario de Pernambuco<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"socialShare mt-5 flex flex-row justify-start\">\n<div class=\"flex flex-row justify-evenly\">\n<div class=\"h-7\">\n<div class=\"rounded-2xl border-[1px] border-gray-200\">\n<p class=\"flex flex-row justify-center px-3\">\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"corpoNot w-full py-5 text-[16px] font-normal leading-normal tracking-normal text-black\">\n<div><\/div>\n<div class=\"fotoNot\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-521062 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/13_dvu0703_01-857579-620x412.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"412\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/13_dvu0703_01-857579-620x412.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/13_dvu0703_01-857579-300x200.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/13_dvu0703_01-857579-768x511.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/13_dvu0703_01-857579-160x106.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/13_dvu0703_01-857579-450x300.jpg 450w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/13_dvu0703_01-857579-640x426.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/13_dvu0703_01-857579.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p class=\"credFotoNot text-[12px] my-2.5 font-medium tracking-[-3%] text-center text-black\">Charlenne (Foto: Marina Torres\/DP Foto)<\/p>\n<\/div>\n<p class=\"texto\">O Dia Internacional da Mulher \u00e9 um marco que traz reflex\u00f5es sobre as lutas que, diariamente, mulheres t\u00eam de enfrentar, como desigualdades, preconceitos e viol\u00eancia. Diante do desafio e da supera\u00e7\u00e3o que \u00e9 ser mulher, o\u00a0<strong>Diario<\/strong>\u00a0conversou com v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica que, mesmo diante da dor, conseguiram um novo recome\u00e7o para as pr\u00f3prias vidas.<\/p>\n<p class=\"texto\">Sair de um relacionamento abusivo \u00e9 apenas o primeiro passo de uma maratona que exige coragem e, sobretudo, amparo. Para Charlenne Prado, de 44 anos, esse processo levou 13 anos. O que come\u00e7ou com proibi\u00e7\u00f5es sutis sobre uso de maquiagens, roupas e exig\u00eancias de mudan\u00e7as de comportamento, evoluiu para uma rotina de viol\u00eancia f\u00edsica e isolamento.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cPassei por muita coisa com o ser humano que achou que eu era um terreno. Ele me privou de tudo. Eu gostava de dan\u00e7ar, de sair, ver gente, de tomar um sorvete. Ele come\u00e7ou a tirar aos poucos e eu sem entender. E foi cada vez mais. Come\u00e7ou criticando uma maquiagem, uma roupa, foi me cercando, me humilhando. Quando tive meu primeiro filho, come\u00e7aram as brigas e confus\u00f5es, ele come\u00e7ou a me bater\u201d, relembra Charlenne.<br \/>\nEla conta ao Diario que tentou se separar do agressor quatro vezes, mas voltava a se submeter \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia por medo, e que teve que enfrentar tudo praticamente sozinha. \u201cEu n\u00e3o tinha para onde ir, n\u00e3o tinha quem dissesse \u2018saia que eu te ajudo\u2019. Eu s\u00f3 tinha minha m\u00e3e, e ela tamb\u00e9m tinha medo\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"texto\">As agress\u00f5es eram tantas e t\u00e3o graves que impactaram a vida dos dois filhos do casal. Rinaldo, de 19 anos, \u00e9 o ca\u00e7ula de Charlenne. Segundo ela, ele convive com sequelas da viol\u00eancia durante a gravidez. \u201cMeu filho, al\u00e9m de ter uma paralisia cerebral, tem retardo mental e hiperatividade, \u00e9 cheio de patologias devido \u00e0s pancadas que levei na gravidez dele. Ele nasceu uma crian\u00e7a com encefalopatia cr\u00f4nica. Ele tem uma m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro porque, quando o sistema nervoso dele estava sendo formado, eu estava apanhando\u201d, explica, emocionada.<br \/>\nAp\u00f3s anos de agress\u00f5es e medo constante, decidiu que n\u00e3o aceitaria mais aquela realidade. \u201cToda a hist\u00f3ria da vida da gente, da vida da minha fam\u00edlia, de minha e dos meus dois filhos, foi marcada por isso. At\u00e9 o dia em que despertei e disse: \u2018Eu n\u00e3o quero mais, n\u00e3o aceito mais\u2019. Ele bebeu e amea\u00e7ou me matar\u201d, conta.<br \/>\nO ex-marido n\u00e3o acreditava que era para valer. Segundo Charlene, ele tentou amea\u00e7\u00e1-la e at\u00e9 ateou fogo na casa em uma atitude vingativa. \u201cEu tinha tirado de dentro de casa o mais importante, que eram os meus dois filhos. Quando eu fui saindo, ele disse que n\u00e3o ia \u2018ficar assim\u2019. Ele tentou me ligar, tentou fazer muitas coisas. Me disseram que o sof\u00e1 estava pegando fogo. Eu n\u00e3o quis saber\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto\">Era 2008 quando ela conseguiu sair da casa do agressor. Mesmo ap\u00f3s o div\u00f3rcio, as amea\u00e7as continuaram por anos. \u201cEu fugi para o interior para me proteger. A gente dormia no ch\u00e3o, n\u00e3o tinha cama nem colch\u00e3o\u201d.<br \/>\nApesar das dificuldades, Charlenne conseguiu, com muito trabalho, criar os filhos sozinha, sem sequer receber pens\u00e3o do ex-marido. Ap\u00f3s anos de sofrimento, ela se define como uma \u201cf\u00eanix\u201d que ressurgiu das cinzas. Se encontrou na costura e afirma viver hoje o melhor momento da vida na profiss\u00e3o. \u201cNo meu anivers\u00e1rio passado, eu fiz a tatuagem que eu tanto queria. \u00c9 a m\u00e1quina de costura, o cora\u00e7\u00e3o, a agulha e a tesoura. Significam tudo na minha vida\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto\">Maria (nome fict\u00edcio), de 45 anos, conviveu por mais de 25 anos com o ex-marido. Ela tinha 18 quando casou. \u201cPara mim, a quest\u00e3o da depend\u00eancia emocional foi o que mais pesou, at\u00e9 porque eu tenho dois filhos com ele, foram 25 anos bem conturbados. At\u00e9 pensei em tirar a (queixa da) Maria da Penha devido \u00e0 depend\u00eancia emocional que eu tinha\u201d, ela conta.<\/p>\n<p class=\"texto\">Ela diz que come\u00e7ou a perceber comportamentos estranhos ainda quando era noiva, com coment\u00e1rios ofensivos sobre a apar\u00eancia e cr\u00edticas sobre ela. Al\u00e9m disso, ela tamb\u00e9m era v\u00edtima de manipula\u00e7\u00e3o. \u201cQuando ele viu que eu estava me afastando dele, ele ponderava e voltava novamente a ser aquele bonzinho, amoroso, carinhoso que dava presente, que dava beijinho.\u201d<br \/>\nMaria relembra como aconteceu a primeira agress\u00e3o, ap\u00f3s os epis\u00f3dios de constrangimento e viol\u00eancia. \u201cEu disse que n\u00e3o queria mais conversar, que ia embora. Me tranquei no quarto, comecei a fazer minha mala. Ele bateu na porta do quarto e eu n\u00e3o abri. Ele desligou a luz da casa, e quando fui religar, ele veio para cima de mim, foi uma briga feia. Ele me deu um murro que quebrou meu canino direito\u201d, relata.<br \/>\nAinda casada, Maria iniciou o sonho de cursar odontologia e tamb\u00e9m teve que conviver com a constantes desmotiva\u00e7\u00f5es do ex-companheiro. Segundo a mulher, as tentativas de separa\u00e7\u00e3o eram sempre frustradas, pois o agressor n\u00e3o aceitava o fim do relacionamento.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u201cQuando eu estava no s\u00e9timo per\u00edodo, eu decidi me separar dele de vez\u201d. Ele come\u00e7ou uma persegui\u00e7\u00e3o. Diante da situa\u00e7\u00e3o, o ex-marido chegou a ser preso, mas n\u00e3o permaneceu detido.<\/p>\n<p class=\"texto\">\nEla ainda precisou lidar com a aliena\u00e7\u00e3o parental dos filhos. \u201cEle tenta me culpar. Diz que tudo que estou construindo hoje foi gra\u00e7as ao que destru\u00ed dele\u201d. Maria nunca mais cedeu ou retornou a conviver com o agressor.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para marcar o Dia Internacional da Mulher, o Diario traz dois relatos de quem viveu na pele a viol\u00eancia e, hoje, conta sua hist\u00f3ria para que sirva de exemplo<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":521062,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[6,11],"tags":[],"class_list":["post-521061","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-municipios","category-regional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/13_dvu0703_01-857579.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/521061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=521061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/521061\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/521062"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=521061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=521061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=521061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}