{"id":522906,"date":"2026-03-23T07:57:12","date_gmt":"2026-03-23T10:57:12","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=522906"},"modified":"2026-03-23T07:57:12","modified_gmt":"2026-03-23T10:57:12","slug":"cientistas-brasileiros-sao-premiados-internacionalmente-por-pesquisas-sobre-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cientistas-brasileiros-sao-premiados-internacionalmente-por-pesquisas-sobre-alzheimer\/","title":{"rendered":"Cientistas brasileiros s\u00e3o premiados internacionalmente por pesquisas sobre Alzheimer"},"content":{"rendered":"<div class=\"sc-b4c8ccf3-0 fsXNOt\">\n<div class=\"sc-b4c8ccf3-4 dxBsro\"><\/div>\n<div class=\"sc-b4c8ccf3-5 ccjAte\">\n<div class=\"nameContainer\">\n<p>Por\u00a0Reda\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"sc-24c322fd-1 laZqPV\">\n<div class=\"sc-24c322fd-2 dQgbLd\">\n<div class=\"imgWrapper\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-522907 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMAGEM_NOTICIA_9-5-620x326.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMAGEM_NOTICIA_9-5-620x326.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMAGEM_NOTICIA_9-5-300x158.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMAGEM_NOTICIA_9-5-768x403.webp 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMAGEM_NOTICIA_9-5-93x50.webp 93w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMAGEM_NOTICIA_9-5-160x84.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMAGEM_NOTICIA_9-5-640x336.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/IMAGEM_NOTICIA_9-5.webp 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<div class=\"imgCredits\">Foto: Fernando Fraz\u00e3o \/ Ag\u00eancia Brasil<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"sc-24c322fd-3 giHdVV\">\n<p>Cientistas de todo o mundo tentam encontrar novas abordagens para a doen\u00e7a de Alzheimer, e dois laborat\u00f3rios brasileiros t\u00eam se destacado nessa corrida. Recentemente, os pesquisadores Mychael Louren\u00e7o, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Wagner Brum, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foram premiados por organiza\u00e7\u00f5es internacionais por suas contribui\u00e7\u00f5es ao tema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo a Ag\u00eancia Brasil, Louren\u00e7o foi contemplado com o ALBA-Roche Prize for Excellence in Neuroscience Research, oferecido pela organiza\u00e7\u00e3o Alba a cientistas em meio de carreira que j\u00e1 alcan\u00e7aram conquistas excepcionais. J\u00e1 Brum foi escolhido como o Next \u201cOne to Watch\u201d (&#8220;O pr\u00f3ximo para ficar de olho&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), pr\u00eamio concedido pela organiza\u00e7\u00e3o americana Alzheimer\u2019s Association a jovens cientistas promissores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 considerada um dos grandes desafios da medicina, j\u00e1 que at\u00e9 hoje poucos tratamentos se mostraram eficazes para retardar a sua evolu\u00e7\u00e3o, e nenhuma cura foi encontrada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sintoma mais reconhecido \u00e9 a perda de mem\u00f3ria recente, mas, conforme a doen\u00e7a progride, o paciente adquire dificuldades de racioc\u00ednio, comunica\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de movimenta\u00e7\u00e3o, se tornando completamente dependente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dados sobre os brasileiros<br \/>\nO professor da UFRJ Mychael Louren\u00e7o estuda o Alzheimer desde a sua gradua\u00e7\u00e3o em Biologia, e foi apurando esse interesse durante o mestrado, doutorado e p\u00f3s-doutorado, at\u00e9 assumir a doc\u00eancia e fundar o Louren\u00e7o Lab, grupo de pesquisa dedicado \u00e0s dem\u00eancias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Eu sempre me interessei por coisas misteriosas. Por exemplo: &#8216;como \u00e9 que o c\u00e9rebro funciona?&#8217;. N\u00e3o tenho resposta at\u00e9 hoje, mas continua sendo um objeto de interesse bastante grande&#8221;, ele brinca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas Louren\u00e7o n\u00e3o \u00e9 movido apenas pela curiosidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s temos hoje no mundo em torno de 40 milh\u00f5es de pessoas com doen\u00e7a de Alzheimer. Dessas, umas 2 milh\u00f5es devem estar no Brasil, um n\u00famero que pode ser subestimado por causa de problemas de acesso \u00e0 sa\u00fade e diagn\u00f3stico. E n\u00f3s temos uma popula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 envelhecendo cada vez mais, mas a maior parte dos estudos s\u00e3o feitos no Norte global. N\u00f3s precisamos de dados para entender a doen\u00e7a no Brasil&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pesquisador explica que, desde quando Alois Alzheimer descreveu a doen\u00e7a, em 1906, j\u00e1 se sabia que ela causava placas no c\u00e9rebro, mas somente na d\u00e9cada de 80 cientistas descobriram que essas placas s\u00e3o compostas por beta-amiloide, fragmentos de prote\u00edna que se acumulam por alguma raz\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Contudo, drogas eficazes na remo\u00e7\u00e3o dessas placas n\u00e3o conseguiram reverter a doen\u00e7a, mostrando que h\u00e1 um hiato entre causa e efeito que a ci\u00eancia ainda precisa preencher.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;A gente continua tentando entender o que faz com que o c\u00e9rebro se torne vulner\u00e1vel e desenvolva a doen\u00e7a, inclusive olhando para o que a gente chama de resili\u00eancia para o Alzheimer. Tem pessoas como a Fernanda Montenegro, por exemplo, com 96 anos, e completamente l\u00facida e ativa. E tem pessoas que desenvolvem a placa de beta-amiloide no c\u00e9rebro e n\u00e3o apresentam sintoma cognitivo. O que elas t\u00eam de diferente?&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em paralelo, o Louren\u00e7o Lab tamb\u00e9m est\u00e1 testando em animais subst\u00e2ncias que podem evitar o ac\u00famulo da beta-amiloide e de outra prote\u00edna, chamada tau, que tamb\u00e9m est\u00e1 envolvida na forma\u00e7\u00e3o das placas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Possivelmente, essas prote\u00ednas t\u00eam tend\u00eancia a se acumular, mas as c\u00e9lulas t\u00eam um sistema natural de\u00a0degrada\u00e7\u00e3o que a gente chama de proteassoma. Mas, no Alzheimer, \u00e9 como se a companhia de lixo parasse de funcionar. Ent\u00e3o, aumentar a atividade desse sistema seria uma forma de tentar melhorar esse fluxo&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diagn\u00f3stico precoce<br \/>\nOutra linha de pesquisa \u00e9 voltada para o diagn\u00f3stico precoce da doen\u00e7a, o que pode possibilitar que ela seja controlada antes de causar danos irrevers\u00edveis ao c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Louren\u00e7o coordena uma pesquisa que busca identificar se marcadores biol\u00f3gicos encontrados no sangue de pessoas com Alzheimer em outros pa\u00edses tamb\u00e9m s\u00e3o v\u00e1lidos para os brasileiros, e se a nossa popula\u00e7\u00e3o apresenta algum marcador espec\u00edfico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;A doen\u00e7a de Alzheimer n\u00e3o aparece quando os sintomas aparecem: ela come\u00e7a a se desenvolver muito tempo antes. Ent\u00e3o, a gente est\u00e1 tentando pegar essa janela, em que a doen\u00e7a est\u00e1 se desenvolvendo, mas os sintomas ainda n\u00e3o apareceram t\u00e3o claramente&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Talvez a gente nunca vai conseguir curar o paciente que j\u00e1 est\u00e1 num est\u00e1gio muito avan\u00e7ado. Mas a gente pode conseguir interromper a doen\u00e7a antes disso&#8221;, ele acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As pesquisas com biomarcadores tamb\u00e9m foram respons\u00e1veis por colocar o m\u00e9dico Wagner Brum sob os holofotes. Hoje, ele faz doutorado na UFRGS e \u00e9 pesquisador do Zimmer Lab, grupo de pesquisa sobre Alzheimer. Sua verve cient\u00edfica se manifestou desde cedo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Eu estudei numa escola p\u00fablica bem tradicional do Rio Grande do Sul, chamada Funda\u00e7\u00e3o Liberato, que organiza uma feira de ci\u00eancias que \u00e9 a maior da Am\u00e9rica Latina. Eu cresci com a minha m\u00e3e me levando nessa feira, ent\u00e3o, quando eu entrei no ensino m\u00e9dio, eu j\u00e1 comecei a trabalhar com pesquisa. Na faculdade, eu escolhi a UFRGS por ser uma faculdade com muita tradi\u00e7\u00e3o em pesquisa, onde eu ia poder me desenvolver como m\u00e9dico pesquisador&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O trabalho de maior proje\u00e7\u00e3o de Brum foi o desenvolvimento de protocolos para a implementa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica de um exame de sangue que consegue diagnosticar a doen\u00e7a de Alzheimer, a partir da presen\u00e7a da prote\u00edna p-tau217, um dos principais biomarcadores da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de o teste ter se mostrado preciso durante as pesquisas, era preciso criar os padr\u00f5es de leitura para que ele fosse adotado na rotina diagn\u00f3stica. E foi isso que Brum fez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Em pacientes com medi\u00e7\u00e3o muito alta ou muito baixa, claramente a gente poderia saber, apenas com o exame de sangue, se a pessoa tem ou n\u00e3o a doen\u00e7a. Mas tem cerca de 20% a 30% que ficam numa faixa intermedi\u00e1ria, e esses precisam de um exame adicional&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do laborat\u00f3rio para o SUS<br \/>\nDe acordo com Brum, o protocolo aumenta a confiabilidade do exame, e j\u00e1 est\u00e1 sendo usado por laborat\u00f3rios na Europa e Estados Unidos. Infelizmente, no Brasil, apenas poucos laborat\u00f3rios privados j\u00e1 incorporaram a tecnologia. Mas o Zimmer Lab continua suas pesquisas, almejando facilitar o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a em larga escala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Para ele ser implementado no SUS, que \u00e9 o nosso grande objetivo, s\u00e3o necess\u00e1rios estudos mostrando que a introdu\u00e7\u00e3o desses exames pode melhorar tanto a confian\u00e7a diagn\u00f3stica quanto mudar o tratamento do paciente. O que se tem visto em outros pa\u00edses \u00e9 que esses exames fazem isso&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Testes com essa pretens\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o sendo feitos no Rio Grande do Sul e depois ser\u00e3o expandidos para outras cidades do Brasil. Brum ressalta que, atualmente, o diagn\u00f3stico do Alzheimer \u00e9 feito principalmente a partir dos sintomas, com a an\u00e1lise cl\u00ednica feita pelo m\u00e9dico e o aux\u00edlio de exames n\u00e3o totalmente precisos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;O que se acaba fazendo, mais comumente, s\u00e3o exames de imagem estrutural, tomografia ou resson\u00e2ncia, que conseguem informar quais partes do c\u00e9rebro j\u00e1 apresentam uma atrofia. Mas at\u00e9 o processo do envelhecimento causa atrofia natural, assim como outras doen\u00e7as neurodegenerativas. Existem padr\u00f5es mais t\u00edpicos ao Alzheimer, mas esses exames n\u00e3o s\u00e3o espec\u00edficos&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os dois testes precisos j\u00e1 existentes s\u00e3o o exame de l\u00edquor, que examina material retirado da coluna vertebral, e a Tomografia por Emiss\u00e3o de Positrons (PET-CT), mas ambos s\u00e3o caros e pouco acess\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Brum acredita que a ado\u00e7\u00e3o do exame de sangue poderia n\u00e3o s\u00f3 facilitar o diagn\u00f3stico, como aumentar a confian\u00e7a dos m\u00e9dicos em suas condutas. No futuro, exames de biomarcadores tamb\u00e9m podem detectar a doen\u00e7a, antes que os sintomas apare\u00e7am.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito bom ver que a comunidade de pesquisa internacional presta aten\u00e7\u00e3o no que a gente faz e valoriza o que a gente faz. Tem muita gente fazendo pesquisa de excel\u00eancia no Brasil, em muitas \u00e1reas diferentes, e que merece visibilidade.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os dois pesquisadores premiados trabalham com recursos de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa como a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), Funda\u00e7\u00e3o Serrapilheira e Instituto Idor de Pesquisas.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Reda\u00e7\u00e3o Foto: Fernando Fraz\u00e3o \/ Ag\u00eancia Brasil Cientistas de todo o mundo tentam encontrar novas abordagens para a doen\u00e7a de Alzheimer, e dois laborat\u00f3rios brasileiros t\u00eam se destacado nessa corrida. 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