{"id":524194,"date":"2026-04-04T07:35:47","date_gmt":"2026-04-04T10:35:47","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=524194"},"modified":"2026-04-04T07:35:47","modified_gmt":"2026-04-04T10:35:47","slug":"ha-40-anos-filme-frances-foi-o-ultimo-a-sofrer-censura-previa-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ha-40-anos-filme-frances-foi-o-ultimo-a-sofrer-censura-previa-no-brasil\/","title":{"rendered":"H\u00e1 40 anos, filme franc\u00eas foi o \u00faltimo a sofrer censura pr\u00e9via no Brasil"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1><\/h1>\n<h2>Produ\u00e7\u00e3o inspirada em personagens b\u00edblicos do diretor Jean-Luc Godard teve exibi\u00e7\u00e3o proibida no pa\u00eds por Jos\u00e9 Sarney, em 1986, a pedido dos cat\u00f3licos<\/h2>\n<div class=\"blogs-share-like\">\n<section class=\"atr-share-social-container\">\n<div class=\"atr-share-social\"><\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n<\/header>\n<figure class=\"mw-article-head-image\" data-article-id=\"1384855\"><\/figure>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-524195 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ha-40-anos-filme-frances-foi-o-ultimo-a-sofrer-cen0138485500202604032119-ScaleDownProportional-620x349.webp\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ha-40-anos-filme-frances-foi-o-ultimo-a-sofrer-cen0138485500202604032119-ScaleDownProportional-620x349.webp 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ha-40-anos-filme-frances-foi-o-ultimo-a-sofrer-cen0138485500202604032119-ScaleDownProportional-300x169.webp 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ha-40-anos-filme-frances-foi-o-ultimo-a-sofrer-cen0138485500202604032119-ScaleDownProportional-160x90.webp 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ha-40-anos-filme-frances-foi-o-ultimo-a-sofrer-cen0138485500202604032119-ScaleDownProportional-480x270.webp 480w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ha-40-anos-filme-frances-foi-o-ultimo-a-sofrer-cen0138485500202604032119-ScaleDownProportional-640x360.webp 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ha-40-anos-filme-frances-foi-o-ultimo-a-sofrer-cen0138485500202604032119-ScaleDownProportional.webp 724w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<div class=\"mw-image-info\"><span class=\"mw-image-description\">Je vous salut Marie &#8211; Filme foi censurado no Brasil em 1986 &#8211;\u00a0<label class=\"mw-image-author\">Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/label><\/span><\/div>\n<div id=\"denakop-intext-1\" class=\"intext_desktop\" data-google-query-id=\"CO3IgcT_05MDFas3uQYdJv8Hww\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br\/post_intext_1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<article id=\"article\" data-id=\"79\">A vida do primeiro a ocupar o cargo de ministro da Justi\u00e7a do Brasi, depois dos 21 anos de ditadura militar, n\u00e3o estava nada f\u00e1cil naqueles primeiros meses de 1986. Fernando Lyra, o titular da pasta, havia anunciado o fim da censura no pa\u00eds, mas n\u00e3o contava com a determina\u00e7\u00e3o de grupos religiosos e conservadores para banir dos cinemas um filme franc\u00eas considerado her\u00e9tico e controverso, Je vous salue, Marie (Eu vos sa\u00fado, Maria), de Jean-Luc Godard.<\/p>\n<p>\u00c0 mesa do ministro e \u00e0 sede da Pol\u00edcia Federal, em Bras\u00edlia, chegavam of\u00edcios e abaixo-assinados encabe\u00e7ados por congrega\u00e7\u00f5es como o Centro B\u00edblico Cat\u00f3lico e a Liga do Professorado, de S\u00e3o Paulo, solicitando \u201ca interdi\u00e7\u00e3o imediata\u201d do filme. A celeuma foi t\u00e3o grande que chegou ao presidente da Rep\u00fablica, Jos\u00e9 Sarney, vice de Tancredo Neves que havia assumido o comando do pa\u00eds nos primeiros anos da redemocratiza\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s a morte do presidente eleito. Cat\u00f3lico que afirmava ler os evangelhos todas as noites, Sarney autorizou o banimento do filme e, h\u00e1 40 anos, Je vous salue, Marie, se tornou o \u00faltimo filme com exibi\u00e7\u00e3o censurada no Brasil.<\/p>\n<p>A campanha contra o filme de Godard foi encabe\u00e7ada pela Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que, por sua vez, seguia as recomenda\u00e7\u00f5es do Vaticano. O ent\u00e3o papa Jo\u00e3o Paulo II havia recomendado a proibi\u00e7\u00e3o do filme na It\u00e1lia e, em todo o mundo, inclusive na Fran\u00e7a, cat\u00f3licos se levantavam contra o que consideravam blasf\u00eamia contra a Virgem Maria.<\/p>\n<p>O filme s\u00f3 foi exibido em salas comerciais brasileiras muitos anos depois de seu lan\u00e7amento. A saga do banimento de Je vous salue, Marie est\u00e1 documentada nos jornais da \u00e9poca e no site Documentos Revelados. A partir da Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o (LAI), a p\u00e1gina disponibilizou mais de 200 c\u00f3pias em PDF de of\u00edcios protocolados na PF pedindo a proibi\u00e7\u00e3o do filme. N\u00e3o que isso impedisse, de fato, algu\u00e9m de assistir \u00e0 pol\u00eamica produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O professor e pesquisador Guilherme Fernandes, da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia (UFRB), explica que a interdi\u00e7\u00e3o ao filme transformou Je vous salue, Marie em objeto de curiosidade n\u00e3o s\u00f3 de acad\u00eamicos, como de todo mundo que ouvia falar no \u201cfilme proibido\u201d. Mestre e doutor em comunica\u00e7\u00e3o e autor do livro Mentalidade Cens\u00f3ria e Telenovela na Ditadura Militar, ele conta que grupos de estudantes pelo pa\u00eds conseguiam c\u00f3pias clandestinas em VHS do filme e montavam cineclubes.<\/p>\n<p>Na Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o cineclube dos estudantes foi frequentado por professores e alunos; e pelos profissionais de servi\u00e7os gerais da institui\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria na UFAM foi levantada pelo grupo de pesquisa do professor a partir de reportagens na imprensa sobre a censura ao filme. O grupo chegou a entrevistar a jornalista que cobriu o caso na universidade. \u201cO filme n\u00e3o era nominado Je vous Salue, Marie, porque o nome franc\u00eas \u00e9 dif\u00edcil de falar. Ele era s\u00f3 conhecido como o filme proibido. \u2018Ah, vai passar o filme proibido, ent\u00e3o vamos assistir ao filme proibido\u2019\u201d, conta o pesquisador.<\/p>\n<h2>A hist\u00f3ria do filme<\/h2>\n<p>Je vous salue, Marie tem o roteiro assinado tamb\u00e9m pelo pr\u00f3prio Jean-Luc Godard. O filme adapta para os tempos contempor\u00e2neos a hist\u00f3ria de Maria, m\u00e3e de Jesus, mas n\u00e3o necessariamente seguindo os c\u00e2nones religiosos. S\u00e3o duas linhas narrativas. Em uma, acompanhamos a hist\u00f3ria de Marie, estudante que joga basquete, trabalha no posto de gasolina do pai e namora Joseph, que \u00e9 motorista de t\u00e1xi. Ao saber da gravidez da namorada, ele a acusa de trai\u00e7\u00e3o e o anjo Gabriel tenta convenc\u00ea-lo a aceitar a gravidez. O outro arco conta a hist\u00f3ria de um professor de ci\u00eancias que estuda a origem da vida na Terra e tem um caso com uma das alunas, com quem promove debates filos\u00f3ficos.<\/p>\n<p>O filme foi produzido e finalizado em 1984 e, dois anos depois, teve lan\u00e7amento mundial. &#8220;Ele gerou pol\u00eamicas em outros pa\u00edses, incluindo a pr\u00f3pria Fran\u00e7a. Faz um paralelo com a hist\u00f3ria da Virgem Maria, mas \u00e9 uma livre cria\u00e7\u00e3o do Godard, que se inspira nesses nomes e hist\u00f3rias para conceber um filme contempor\u00e2neo, da d\u00e9cada de 1980. A grande pol\u00eamica surge porque ele seria considerado blasf\u00eamia contra a figura de Nossa Senhora e isso logo gerou repercuss\u00e3o\u201d, acrescenta o professor Guilherme Fernandes.<\/p>\n<p>No Brasil, a ditadura militar havia acabado em 1985, mas a censura pr\u00e9via ainda era realidade no pa\u00eds. A decis\u00e3o de proibir a exibi\u00e7\u00e3o de filmes ou outros produtos culturais considerados impr\u00f3prios, seja por quest\u00f5es morais ou por serem contr\u00e1rios ao regime, era tomada pela Divis\u00e3o de Censura de Divers\u00f5es P\u00fablicas (DCPD), da Pol\u00edcia Federal, que avaliava as produ\u00e7\u00f5es previamente.<\/p>\n<p>Nos 10 anos daquele que foi o \u00faltimo ato de censura pr\u00e9via no pa\u00eds, a edi\u00e7\u00e3o de A TARDE de 16 de setembro de 1996 traz uma reportagem de p\u00e1gina inteira comentando a proibi\u00e7\u00e3o a Je vous salue, Marie e o pr\u00f3prio mecanismo de funcionamento da censura nos anos 1980.<\/p>\n<p>De acordo com a reportagem, quem assinou o documento que proibiu o filme de Godard foi o \u00faltimo diretor da DCPD, Coriolano Fagundes. \u201cO censor, considerado um liberal na \u00e9poca, mesmo contrariando sua pr\u00f3pria vontade, sucumbiu \u00e0s press\u00f5es dos militares e da CNBB e vetou o filme\u201d, diz trecho do texto. Ainda na mesma reportagem, o jornal explica que em 1996, Fagundes, que chegou a ser conhecido como \u2018m\u00e3os-de-tesoura\u2019 por conta dos cortes feitos nas produ\u00e7\u00f5es parcialmente censuradas, j\u00e1 havia se convertido a uma denomina\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica, era pastor e conservador.<\/p>\n<p>A TARDE tem outros registros no decorrer da d\u00e9cada de 1990 sobre o filme de Godard, como a edi\u00e7\u00e3o de 10 de setembro de 1991, que anuncia a exibi\u00e7\u00e3o de duas sess\u00f5es di\u00e1rias, de quarta a domingo, de Je vous Salue, Marie, \u201cuma met\u00e1fora considerada profana sobre a concep\u00e7\u00e3o de Maria, m\u00e3e de Cristo, numa vers\u00e3o moderna\u201d, descreve o texto. A exibi\u00e7\u00e3o aconteceu na Sala Walter da Silveira, nos Barris, com ingressos a Cr$ 400 e Cr$ 800.<\/p>\n<h2>A censura do presidente<\/h2>\n<p>O professor Guilherme Fernandes explica que havia uma hierarquia dentro da DCPD. O chefe da divis\u00e3o era subordinado ao chefe da Pol\u00edcia Federal que, por sua vez, respondia ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Nos casos envolvendo grandes pol\u00eamicas como a do filme franc\u00eas, a norma era que a resolu\u00e7\u00e3o ficasse a cargo do ministro, sem envolver diretamente o presidente da Rep\u00fablica. &#8220;Mas isso mudou com Je vous salue, Marie. Tanto Coriolano Fagundes, quanto Fernando Lyra, n\u00e3o concordavam com a censura inicialmente, afirmando que a Igreja Cat\u00f3lica n\u00e3o deveria interferir nessa esfera. Ainda assim, o filme foi proibido. E a\u00ed entra a figura do presidente Jos\u00e9 Sarney&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O presidente, continua o pesquisador, declarou aos jornais da \u00e9poca que era um homem muito cat\u00f3lico e \u201cn\u00e3o poderia aceitar a exibi\u00e7\u00e3o de um filme que desonrava a imagem da Virgem Maria. N\u00e3o h\u00e1 relatos de que Sarney tenha assistido ao filme, mas a proibi\u00e7\u00e3o foi decretada\u201d, complementa Guilherme.<\/p>\n<p>Estudioso da censura \u00e0s divers\u00f5es p\u00fablicas, o professor da UFRB revela que atos proibindo a circula\u00e7\u00e3o de bens culturais aconteciam no Brasil desde os tempos coloniais. \u201cInicialmente, no Brasil col\u00f4nia e no Imp\u00e9rio, a religi\u00e3o cat\u00f3lica era a oficial e as pessoas eram obrigadas por lei a serem cat\u00f3licas. Isso exigia seguir as normas do Vaticano, que publicava o Index, um cat\u00e1logo de livros que a igreja proibia. Esses livros n\u00e3o poderiam circular em territ\u00f3rio nacional. Com o passar dos anos, al\u00e9m dos livros, o teatro come\u00e7ou a ser censurado e depois as m\u00eddias eletr\u00f4nicas &#8211; j\u00e1 no curso do s\u00e9culo XX -, o cinema, depois o r\u00e1dio e a televis\u00e3o\u201d, detalha, enfatizando que a censura pr\u00e9via s\u00f3 caiu de fato no pa\u00eds com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988.<\/p>\n<h2>Outros proibidos<\/h2>\n<p>Nos 21 anos da ditadura militar, que se sustentava tamb\u00e9m com apoio conservador, a censura funcionava tanto como ferramenta pol\u00edtica, silenciando cr\u00edticas ao regime e moldando uma narrativa oficial, quanto como forma de controle social, vetando obras que confrontavam valores tradicionais e supostamente blasfemavam contra a f\u00e9 crist\u00e3 ou tinham teor sexual e violento.<\/p>\n<p>Entre as produ\u00e7\u00f5es proibidas no Brasil nos anos da ditadura est\u00e3o filmes como O Massacre da Serra El\u00e9trica (1974), pelas cenas de viol\u00eancia e sangue. Outro filme exibido nos anos 1970, Laranja Mec\u00e2nica, adapta\u00e7\u00e3o do romance dist\u00f3pico hom\u00f4nimo de Anthony Burgess, at\u00e9 foi liberado sem cortes, mas c\u00edrculos pretos ocultavam a genit\u00e1lia dos atores e atrizes nas cenas em que as personagens apareciam sem roupas.<\/p>\n<p>Na esfera liter\u00e1ria, o livro Feliz Ano Novo, de Rubem Fonseca, foi proibido de circular em 1977. Escritoras como Cassandra Rios, campe\u00e3 em ser censurada na \u00e9poca, teve obras como Eu sou uma L\u00e9sbica, A Borboleta Branca e O Prazer de Pecar proibidas. Adelaide Carraro, Nelson Rodrigues, Ign\u00e1cio de Loyola Brand\u00e3o e outros autores e autoras tamb\u00e9m foram censurados.<\/p>\n<p>No \u00e2mbito das pe\u00e7as teatrais, Roda Viva, de Chico Buarque, e Navalha na Carne, de Pl\u00ednio Marcos, foram proibidas. Pl\u00ednio teve 18 pe\u00e7as vetadas. Entre os compositores, Chico Buarque, Gonzaguinha, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Odair Jos\u00e9 foram alguns que tiveram m\u00fasicas vetadas.<\/p>\n<p>Dois casos foram emblem\u00e1ticos na teledramaturgia, as novelas Roque Santeiro, do baiano Dias Gomes, em 1975, e Despedida de Casada, de Walter George Durst, em 1976. &#8220;Ambas foram inicialmente aprovadas, com sinopse e cap\u00edtulos liberados, mas acabaram barradas. Minha pesquisa no Arquivo Nacional revelou que a censura atuava como uma esp\u00e9cie de coautora das novelas. Ela modificava perfis de personagens, alterava enredos e obrigava autores a mudar suas hist\u00f3rias&#8221;, revela o professor Guilherme Fernandes.<\/p>\n<p>A DCPD seguiu avaliando previamente produ\u00e7\u00f5es art\u00edsticas at\u00e9 3 de agosto de 1988, quando o Artigo 5\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o estabeleceu a \u201cliberdade de express\u00e3o, intelectual, art\u00edstica, cient\u00edfica e de comunica\u00e7\u00e3o\u201d. Nos anos 1990, n\u00e3o foi s\u00f3 na Sala Walter da Silveira que Je vous salue, Marie finalmente entrou em cartaz. O filme, com o fim da censura, chegou a outros cinemas do pa\u00eds, inclusive no interior de Minas Gerais, na pequena cidade de sete mil habitantes onde o professor Guilherme Fernandes morava: &#8220;Eu era crian\u00e7a, mas recordo de algumas mulheres da igreja, beatas, com uma lista pedindo \u00e0s pessoas para assinarem pela proibi\u00e7\u00e3o da veicula\u00e7\u00e3o do filme&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Apesar da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 ter erradicado a censura oficialmente, produ\u00e7\u00f5es culturais ainda sofrem tentativas de banimento no Brasil e, na opini\u00e3o de Guilherme Fernandes, isso se deve ao fato de que dos tempos coloniais at\u00e9 a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Cidad\u00e3 foram s\u00e9culos de restri\u00e7\u00f5es; enquanto de 1988 para c\u00e1, s\u00e3o menos de quatro d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um tempo muito curto em que o Estado n\u00e3o rege mais o que podemos ou n\u00e3o assistir. E vemos que hoje isso atinge quest\u00f5es morais, sobretudo no \u00e2mbito das sexualidades dissidentes. \u00c9 muito complicado ver grupos pol\u00edticos ou religiosos, e pior ainda quando s\u00e3o pol\u00edticos religiosos, decidirem o que as pessoas podem ou n\u00e3o consumir&#8221;, reflete o pesquisador.<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produ\u00e7\u00e3o inspirada em personagens b\u00edblicos do diretor Jean-Luc Godard teve exibi\u00e7\u00e3o proibida no pa\u00eds por Jos\u00e9 Sarney, em 1986, a pedido dos cat\u00f3licos<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":524195,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3,6],"tags":[],"class_list":["post-524194","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/ha-40-anos-filme-frances-foi-o-ultimo-a-sofrer-cen0138485500202604032119-ScaleDownProportional.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/524194","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=524194"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/524194\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/524195"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=524194"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=524194"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=524194"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}