{"id":527371,"date":"2026-05-01T08:38:44","date_gmt":"2026-05-01T11:38:44","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=527371"},"modified":"2026-05-01T08:38:44","modified_gmt":"2026-05-01T11:38:44","slug":"por-que-o-1o-de-maio-deixou-de-ser-do-trabalhador-para-ser-do-trabalho-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/por-que-o-1o-de-maio-deixou-de-ser-do-trabalhador-para-ser-do-trabalho-no-brasil\/","title":{"rendered":"Por que o 1\u00ba de maio deixou de ser &#8216;do Trabalhador&#8217; para ser &#8216;do Trabalho&#8217; no Brasil?"},"content":{"rendered":"<div class=\"container\">\n<h1 class=\"artigo-title text-center mb-4\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row mb-3\">\n<div class=\"col-content\">\n<figure class=\"img-lead\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-527374 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1odemaio_widelg-620x349.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1odemaio_widelg-620x349.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1odemaio_widelg-300x169.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1odemaio_widelg-768x432.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1odemaio_widelg-160x90.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1odemaio_widelg-480x270.jpg 480w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1odemaio_widelg-640x360.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/1odemaio_widelg.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>Feriado de 1\u00ba de Maio tem um hist\u00f3rico de lutas por direitos trabalhistas\u00a0\u00a0|\u00a0\u00a0\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.bnews.com.br\/static\/img\/camera_icon.svg\" alt=\"Bnews - Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"17\" height=\"17\" \/>\u00a0Arquivo\/Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<div><\/div>\n<div class=\"autor media mb-3\">\n<div class=\"media-body align-self-center\">\n<p class=\"text-wrap text-break mb-0\">Por <strong>Antonio Dilson Neto<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"social-wrap d-flex align-items-center mb-2\"><\/div>\n<div class=\"artigo_texto mb-3\">\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">O <a href=\"https:\/\/www.bnews.com.br\/noticias\/salvador\/1-de-maio-veja-o-que-abre-e-fecha-em-salvador-e-rms-no-feriado-do-dia-do-trabalhador.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">1\u00ba de Maio<\/a>\u00a0\u00e9 um feriado que consagrou-se como marco internacional da luta de classes. A origem remete \u00e0 greve de trabalhadores ocorrida em 1886, em Chicago, nos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bnews.com.br\/tags\/estados-unidos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Estados Unidos<\/a>, quando oper\u00e1rios reivindicavam jornada de oito horas por dia e melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. O movimento entrou para a Hist\u00f3ria como um dos marcos mais simb\u00f3licos da organiza\u00e7\u00e3o oper\u00e1ria internacional e, desde ent\u00e3o, a data passou a ser lembrada como\u00a0<strong>Dia Internacional dos Trabalhadores.<\/strong><\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">Mais de um s\u00e9culo depois, o feriado segue carregando essa mem\u00f3ria, embora nem sempre com o mesmo significado.<\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">O historiador Gabriel Mendon\u00e7a conta como o movimento de lutas chegou por aqui. &#8220;No Brasil, o car\u00e1ter reivindicat\u00f3rio chegou com os imigrantes europeus no in\u00edcio do s\u00e9culo XX e teve seu \u00e1pice na Greve Geral de 1917, em S\u00e3o Paulo, que evidenciou a for\u00e7a do movimento oper\u00e1rio frente \u00e0 elite agroexportadora da Primeira Rep\u00fablica&#8221;.<\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\"><strong>O 1\u00ba de maio foi oficializado como feriado nacional em 1924, durante o governo de Arthur Bernardes.<\/strong><\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">Documentos da \u00e9poca, guardados no Arquivo do Senado, mostram que a medida n\u00e3o se limitou a reconhecer a pauta dos trabalhadores:\u00a0<strong>havia tamb\u00e9m a inten\u00e7\u00e3o de controlar o conte\u00fado pol\u00edtico da data.<\/strong><\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">At\u00e9 ent\u00e3o, sindicatos e lideran\u00e7as oper\u00e1rias usavam o 1\u00ba de Maio para organizar com\u00edcios e protestos contra a explora\u00e7\u00e3o no trabalho, em um pa\u00eds onde praticamente n\u00e3o existiam direitos trabalhistas consolidados.<\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">O autor do projeto de lei que transformou o 1\u00ba de maio em feriado no Brasil foi Irineu Machado. Pelos v\u00e1rios discursos proferidos pelo senador em favor dos oper\u00e1rios nas d\u00e9cadas de 1910 e 1920, entende-se que o seu objetivo com a proposta n\u00e3o era esvaziar politicamente o Dia do Trabalhador, ao contr\u00e1rio do que quis o presidente Arthur Bernardes.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-527373 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/jornaltrabalhadores-620x451.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"451\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/jornaltrabalhadores-620x451.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/jornaltrabalhadores-300x218.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/jornaltrabalhadores-768x558.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/jornaltrabalhadores-70x50.jpg 70w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/jornaltrabalhadores-160x116.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/jornaltrabalhadores-200x145.jpg 200w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/jornaltrabalhadores-640x465.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/jornaltrabalhadores.jpg 783w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>Voz do Povo, jornal do movimento oper\u00e1rio no Rio de Janeiro, noticia os protestos dos trabalhadores em 1\u00ba de maio de 1920, antes da cria\u00e7\u00e3o do feriado nacional\/Biblioteca Nacional Digital<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\"><strong>Ao oficializar a data, o governo queria deslocar a \u00eanfase da reivindica\u00e7\u00e3o para a celebra\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">Na mensagem enviada ao Congresso em 1925, Bernardes afirmou que a substitui\u00e7\u00e3o da luta pelos festejos j\u00e1 era uma &#8220;salutar tend\u00eancia&#8221; e defendeu que a data passasse a consagrar o &#8220;trabalho ordeiro e \u00fatil&#8221;.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-527372 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/decreto-620x242.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"242\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/decreto-620x242.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/decreto-300x117.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/decreto-160x62.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/decreto-640x250.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/decreto.jpg 743w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>Decreto que instituiu o feriado do 1\u00ba de Maio no Brasil\/Biblioteca da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\"><strong>Dia do Trabalho<\/strong><\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">Esse movimento de &#8220;domestica\u00e7\u00e3o&#8221; da data aprofundou-se alguns anos depois, com Get\u00falio Vargas. Sem alterar o decreto original de Bernardes, o governo varguista mudou o protagonismo do 1\u00ba de Maio e passou a us\u00e1-lo como ferramenta de aproxima\u00e7\u00e3o com os trabalhadores e de fortalecimento da imagem do Estado como mediador das rela\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<blockquote class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2 citacao\"><p>O projeto varguista tinha o intuito de tutelar os trabalhadores e afastar as influ\u00eancias anarquistas e comunistas do movimento oper\u00e1rio, ressalta Mendon\u00e7a.<\/p><\/blockquote>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">Durante o Estado Novo, o feriado se transformou em palco de grandes discursos, desfiles e celebra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.\u00a0A mensagem era clara: as conquistas trabalhistas apareciam como benesses do governo, e n\u00e3o como resultado da organiza\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios trabalhadores.<\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">A imprensa teve papel fundamental no projeto de Vargas. Segundo Gabriel Mendon\u00e7a, o governo acompanhava bem de perto as informa\u00e7\u00f5es que circulavam. &#8220;Com a cria\u00e7\u00e3o do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) em 1939, durante o Estado Novo, a m\u00eddia foi submetida a um forte controle. Jornais alinhados ao governo (como A Noite e A Manh\u00e3) cobriam o 1\u00ba de Maio exaltando a figura de Get\u00falio Vargas como um benfeitor e destacando a harmonia entre as classes. A ret\u00f3rica oficial dominava as manchetes&#8221;, registra.<\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">Do lado contr\u00e1rio, os ve\u00edculos independentes ou de oposi\u00e7\u00e3o enfrentavam repress\u00e3o e censura. &#8220;Cr\u00edticos do corporativismo varguista apontavam que os direitos concedidos vinham acompanhados pela perda de autonomia sindical e pela proibi\u00e7\u00e3o de greves aut\u00f4nomas&#8221; completa o historiador.<\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\"><strong>Em 1\u00ba de maio de 1943, Vargas assinou a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), refor\u00e7ando a simbologia pol\u00edtica da data.<\/strong><\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">Antes disso, o pa\u00eds ainda dava seus primeiros passos na legisla\u00e7\u00e3o trabalhista. Quando o feriado foi institu\u00eddo, havia, apenas, duas regras bastante amplas sobre o tema: uma, de 1923, que previa aposentadoria apenas para funcion\u00e1rios das ferrovias; outra, de 1919, que garantia indeniza\u00e7\u00e3o em caso de acidente de trabalho.<\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">&#8220;A historiografia atual destaca que, embora os direitos sociais fossem reais e transformassem o Brasil rural em um pa\u00eds com direitos urbanos, eles vieram acompanhados de uma forte repress\u00e3o pol\u00edtica e do controle sindical pelo Estado&#8221;, refor\u00e7a o historiador.<\/p>\n<p class=\"my-2 [&amp;+p]:mt-4 [&amp;_strong:has(+br)]:inline-block [&amp;_strong:has(+br)]:pb-2\">Assim, o nome que acabou prevalecendo no calend\u00e1rio oficial brasileiro: &#8220;Dia do Trabalho&#8221; contribuiu para suavizar a lembran\u00e7a direta da luta dos trabalhadores, sendo inscrita na mem\u00f3ria coletiva como um dia para lazer e descanso e eventos institucionaios \u2014 e n\u00e3o de protestos contra empres\u00e1rios e governos.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O 1\u00ba de Maio\u00a0\u00e9 um feriado que consagrou-se como marco internacional da luta de classes. 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