{"id":529297,"date":"2026-05-18T02:41:41","date_gmt":"2026-05-18T05:41:41","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=529297"},"modified":"2026-05-18T02:41:41","modified_gmt":"2026-05-18T05:41:41","slug":"cronica-juazeirim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cronica-juazeirim\/","title":{"rendered":"Cr\u00f4nica: Juazeirim"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por Gilberto Maciel dos Santos<\/p>\n<p>Fazia mais de cinco anos que eu n\u00e3o ia a Juazeiro (BA), apesar de morar a menos de 500 quil\u00f4metros da cidade onde nasci. Pra ser sincero, faltavam-me est\u00edmulo, vontade ou qualquer motiva\u00e7\u00e3o para rev\u00ea-la, embora as postagens da prefeitura, espalhadas pelas redes sociais, tentassem vender a imagem de que a nossa velha Juazeiro estava se transformando numa esp\u00e9cie de Dubai do sert\u00e3o baiano.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-529298\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4f924f8e-32ae-4706-9325-14aad90ec9f9-288x300.jpg\" alt=\"\" width=\"288\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4f924f8e-32ae-4706-9325-14aad90ec9f9-288x300.jpg 288w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4f924f8e-32ae-4706-9325-14aad90ec9f9-480x500.jpg 480w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4f924f8e-32ae-4706-9325-14aad90ec9f9-160x167.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4f924f8e-32ae-4706-9325-14aad90ec9f9-640x667.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4f924f8e-32ae-4706-9325-14aad90ec9f9-30x30.jpg 30w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/4f924f8e-32ae-4706-9325-14aad90ec9f9.jpg 714w\" sizes=\"auto, (max-width: 288px) 100vw, 288px\" \/><\/p>\n<p>De tanto assistir a essas propagandas, comecei a acreditar que talvez a cidade estivesse mesmo diferente. Resolvi, ent\u00e3o, fazer uma visita a Juazeiro. Tamb\u00e9m havia outro motivo para essa viagem: rever os poucos parentes que ainda permanecem por l\u00e1 e reencontrar meus rar\u00edssimos amigos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cheguei a Juazeiro neste m\u00eas de maio de 2026 e permaneci cinco dias na cidade &#8211; tempo mais do que suficiente para perceber que a realidade continua muito distante da propaganda oficial. E, utilizando-me de uma can\u00e7\u00e3o do compositor Carlos Imperial, posso dizer que \u201cencontrei as mesmas pra\u00e7as, os mesmos bancos, as mesmas flores e os mesmos jardins\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caminhei pelas ruas tentando encontrar algo novo, alguma mudan\u00e7a significativa, alguma obra que simbolizasse progresso, mas n\u00e3o vi absolutamente nada que justificasse tanto marketing pol\u00edtico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A \u00fanica novidade de maior impacto \u00e9 a obra da travessia urbana, realizada com recursos do governo federal, embora cada pol\u00edtico tente puxar para si os m\u00e9ritos dessa constru\u00e7\u00e3o, a qual, de fato, \u00e9 importante para a cidade. S\u00f3 n\u00e3o sei, ainda, o que ir\u00e3o fazer com o enorme espa\u00e7o aberto debaixo dos viadutos &#8211; tomara que n\u00e3o se transforme em mais uma \u00e1rea abandonada ou mal aproveitada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As ruas de Juazeiro continuam sujas. O lixo se acumula em v\u00e1rios pontos da cidade, n\u00e3o existe poda regular de \u00e1rvores e muitos logradouros p\u00fablicos permanecem abandonados, entregues ao mato, ao descaso e \u00e0 indiferen\u00e7a administrativa. Os canais das muri\u00e7ocas seguem abertos, escuros, fedorentos e tomados pela vegeta\u00e7\u00e3o, como feridas expostas no meio da cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As casas continuam com as cores de sempre, o povo reclama das velhas mazelas e os bares (que aumentam a cada dia) que seguem reunindo o mesmo p\u00fablico. A exce\u00e7\u00e3o parece ser a Orla II, que, segundo muitos coment\u00e1rios ouvidos pelas ruas, teria sido feita mais para os moradores de Petrolina do que para os pr\u00f3prios juazeirenses, j\u00e1 que os pre\u00e7os praticados ali n\u00e3o cabem no bolso da popula\u00e7\u00e3o mais pobre da nossa cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pra mim, Juazeiro continua na mesma mesmice, com o desemprego, viol\u00eancia crescente, sa\u00fade p\u00fablica deficiente e uma educa\u00e7\u00e3o cada vez mais fragilizada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antigamente, n\u00f3s, juazeirenses, sofr\u00edamos da s\u00edndrome do vira-lata, aquele velho complexo de inferioridade diante do crescimento e da beleza de Petrolina. Hoje, por\u00e9m, a situa\u00e7\u00e3o parece ainda pior. N\u00f3s, filhos do velho \u201cJuazeirim\u201d, j\u00e1 n\u00e3o conseguimos enxergar o presente e muito menos o futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atualmente, cada juazeirense parece olhar apenas para o pr\u00f3prio umbigo, enquanto a t\u00e3o divulgada \u201cDubai do sert\u00e3o baiano\u201d continua existindo somente nas propagandas oficiais do governo municipal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pra ser sincero, houve um tempo em que eu ainda conseguia enxergar uma luz no fim do t\u00fanel de Juazeiro. Hoje, j\u00e1 n\u00e3o vejo sequer o t\u00fanel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Gilberto Maciel dos Santos<\/p>\n<p>Nascido em Juazeiro, escritor e compositor<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cheguei a Juazeiro neste m\u00eas de maio de 2026 e permaneci cinco dias na cidade &#8211; tempo mais do que suficiente para perceber que a realidade continua muito distante da propaganda oficial. 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