{"id":529390,"date":"2026-05-18T14:08:10","date_gmt":"2026-05-18T17:08:10","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=529390"},"modified":"2026-05-18T14:08:10","modified_gmt":"2026-05-18T17:08:10","slug":"crises-globais-pressionam-custos-exportacoes-e-consumo-na-fruticultura-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/crises-globais-pressionam-custos-exportacoes-e-consumo-na-fruticultura-brasileira\/","title":{"rendered":"Crises globais pressionam custos, exporta\u00e7\u00f5es e consumo na fruticultura brasileira"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mudan\u00e7as no cen\u00e1rio geopol\u00edtico internacional, aumento dos custos log\u00edsticos, barreiras sanit\u00e1rias e oscila\u00e7\u00f5es cambiais j\u00e1 impactam diretamente a fruticultura brasileira e o que chega \u00e0 mesa do consumidor. Os efeitos dessas transforma\u00e7\u00f5es foram debatidos durante mais uma edi\u00e7\u00e3o da s\u00e9rie \u201cDebates em Socioeconomia\u201d, promovida pela Embrapa, com o tema \u201cFruticultura brasileira: como crises globais impactam o que chega \u00e0 sua mesa\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-529391 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/manga-exportacao-620x413.png\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/manga-exportacao-620x413.png 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/manga-exportacao-300x200.png 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/manga-exportacao-768x512.png 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/manga-exportacao-1536x1023.png 1536w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/manga-exportacao-160x106.png 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/manga-exportacao-450x300.png 450w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/manga-exportacao-640x426.png 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/manga-exportacao.png 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/p>\n<p>O encontro reuniu pesquisadores, economistas e representante do setor produtivo para discutir os principais desafios da fruticultura brasileira, em especial os impactos das mudan\u00e7as recentes no cen\u00e1rio global em importantes cadeias produtivas como a manga, uva e laranja. Moderador do evento, o pesquisador da Embrapa Semi\u00e1rido Pedro Gama destacou que a iniciativa visa analisar as tend\u00eancias, gargalos e perspectivas das principais cadeias da agropecu\u00e1ria brasileira, al\u00e9m de identificar demandas priorit\u00e1rias de pesquisa frente aos obst\u00e1culos estruturais e tecnol\u00f3gicos que limitam seu o desenvolvimento.<\/p>\n<p>Na abertura do evento, o chefe-geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura, Francisco Laranjeira, ressaltou a import\u00e2ncia econ\u00f4mica e social do setor, lembrando que a fruticultura brasileira movimenta bilh\u00f5es de reais por ano, gera empregos e ainda possui potencial de expans\u00e3o no mercado internacional. Entre os desafios destacados por ele est\u00e1 o consumo de frutas, ainda considerado baixo no Brasil e no mundo, refor\u00e7ando que \u201cse \u00e9 um desafio, o aumento no consumo tamb\u00e9m \u00e9 uma oportunidade\u201d.<\/p>\n<p>Laranjeira tamb\u00e9m chamou aten\u00e7\u00e3o para as quest\u00f5es sanit\u00e1rios que afetam a competitividade do setor, podendo impactar a produ\u00e7\u00e3o interna, mas tamb\u00e9m a exporta\u00e7\u00e3o. \u201cOs pa\u00edses importadores terminam usando quest\u00f5es de sanidade vegetal como uma arma geopol\u00edtica\u201d, afirmou. Entre os exemplos citados que amea\u00e7am a fruticultura nacional est\u00e3o o greening dos citros, o cancro da videira e a mosca-da-carambola.<\/p>\n<p>Guerra, tarifas e infla\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O economista e pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) Felipe Serigati analisou os impactos da guerra envolvendo Ir\u00e3 e Israel sobre a economia mundial e o agroneg\u00f3cio brasileiro. Ele destacou que o cen\u00e1rio pressiona a infla\u00e7\u00e3o e reduz a perspectiva de queda nas taxas de juros. \u201cO agro j\u00e1 vinha enfrentando um cen\u00e1rio de endividamento elevado e a guerra do Ir\u00e3 piora isso\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Segundo Serigati, os conflitos internacionais provocaram aumento nos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, impactando combust\u00edveis e fertilizantes e elevando os custos de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. No entanto, ele afirma que \u201cesse \u00e9 um choque de custos cl\u00e1ssico. Naturalmente com as suas especificidades, mas a gente j\u00e1 viu algo nessa natureza antes, o que facilita a cria\u00e7\u00e3o de cen\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>Com base em dados de recente relat\u00f3rio do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), o pesquisador apontou que, embora os impactos sejam sentidos em todo o mundo, chega em cada pa\u00eds de forma distinta, e o Brasil est\u00e1 entre os menos impactados, particularmente por ser exportador l\u00edquido de petr\u00f3leo. \u201cNingu\u00e9m vai passar ileso \u00e0 guerra no Ir\u00e3, mas comparado a outras economias, a nossa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 das piores\u201d.<\/p>\n<p>O pesquisador alertou, ainda, para a possibilidade de retorno de medidas protecionistas dos Estados Unidos. Para ele, ainda que a Suprema Corte tenha determinado que o chamado \u201ctarifa\u00e7o\u201d, como vinha sendo feito, era ilegal, existe uma demanda interna de alguns segmentos por essa prote\u00e7\u00e3o. \u201cCedo ou tarde, n\u00f3s temos esse cen\u00e1rio de que alguma coisa das tarifas ainda vai voltar. N\u00e3o daquela forma abrupta talvez como fez ali o ano passado, mas vai voltar, ent\u00e3o estejamos todos preparados\u201d.<\/p>\n<p>Alta de custos e barreiras para uvas<\/p>\n<p>Representando o setor produtivo do Vale do S\u00e3o Francisco, o produtor Edis Matsumoto apresentou uma an\u00e1lise detalhada de todos os custos envolvidos na cadeia da uva voltada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, desde o campo at\u00e9 chegar nos mercados internacionais, em especial o europeu. Segundo ele, o aumento dos custos log\u00edsticos j\u00e1 afeta diretamente a rentabilidade dos produtores.<\/p>\n<p>Matsumoto explicou que o frete mar\u00edtimo, o transporte interno, as embalagens e os insumos devem sofrer novos reajustes devido \u00e0 alta do petr\u00f3leo e \u00e0 instabilidade internacional. \u201cV\u00e1rios fatores j\u00e1 trazidos anteriormente v\u00e3o impactar sim o nosso neg\u00f3cio\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Outro desafio apontado como importante barreira comercial foi o aumento das exig\u00eancias europeias relacionadas ao limite m\u00e1ximo de res\u00edduos qu\u00edmicos nas frutas. De acordo com ele, os produtores t\u00eam cada vez menos ferramentas de controle fitossanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m alertou para a depend\u00eancia crescente de variedades desenvolvidas por empresas privadas e defendeu investimentos cont\u00ednuos em inova\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Matsumoto destacou a import\u00e2ncia de cultivares desenvolvidas pela Embrapa, como a BRS Vit\u00f3ria, para a expans\u00e3o recente da viticultura no Vale do S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Incerteza na citricultura<\/p>\n<p>A pesquisadora Margarete Boteon, do Centro de Estudos Avan\u00e7ados em Economia Aplicada (CEPEA-Esalq\/USP), apontou para um momento desafiador para a citricultura, mesmo sendo esta \u201cuma cadeia extremamente eficiente e resiliente, tanto em termos de comercializa\u00e7\u00e3o quanto de produ\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O Brasil desponta no mercado como o maior fornecedor global de suco de laranja &#8211; a cada 10 copos consumidos no mundo, oito s\u00e3o brasileiros. Ela contou que, \u201cquando veio o an\u00fancio do tarifa\u00e7o, no ano passado, foi uma bomba realmente pro setor, mas sabia-se que n\u00e3o teria outra fonte para atender os Estados Unidos\u201d. Isso fez com que, em pouco tempo, o produto tenha sido um dos primeiros isentos das tarifas extras, embora o suco de laranja brasileiro j\u00e1 enfrente tarifas elevadas no mercado internacional.<\/p>\n<p>Boteon destacou tamb\u00e9m o conflito no Oriente M\u00e9dio, que elevou os custos com fertilizantes, combust\u00edveis e log\u00edstica, enquanto a citricultura brasileira enfrenta simultaneamente problemas estruturais como o avan\u00e7o do greening (HLB), principal doen\u00e7a da cultura. Para ela, a quest\u00e3o fitossanit\u00e1ria \u00e9 um choque ainda maior que as crises geradas pelos conflitos. \u201cN\u00e3o tem margem de manobra, n\u00e3o d\u00e1 pra investir menos esse ano porque o pre\u00e7o est\u00e1 mais barato, porque voc\u00ea tem uma doen\u00e7a em xeque. Se n\u00e3o fizer os tratamentos sanit\u00e1rios adequados, voc\u00ea n\u00e3o tem produ\u00e7\u00e3o, e se n\u00e3o tem produ\u00e7\u00e3o, a\u00ed que n\u00e3o tem receita\u201d, explica.<\/p>\n<p>A pesquisadora tamb\u00e9m apontou preocupa\u00e7\u00e3o com a queda do consumo internacional de suco de laranja e com medidas regulat\u00f3rias adotadas na Europa, como propostas de restri\u00e7\u00e3o ao consumo de sucos em merendas escolares. Ela avalia que o setor entra em 2026 em um cen\u00e1rio de grande incerteza, com estoques elevados, demanda enfraquecida e necessidade crescente de ganhos de efici\u00eancia.<\/p>\n<p>Efeitos do \u201ctarifa\u00e7o\u201d na manga<\/p>\n<p>Encerrando o debate, o pesquisador Jo\u00e3o Ricardo Ferreira de Lima, da Embrapa Semi\u00e1rido, apresentou os efeitos das crises globais sobre a cadeia da manga, especialmente no Vale do S\u00e3o Francisco, que \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 92% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras da fruta.<\/p>\n<p>Lima apontou que o an\u00fancio de sobretaxas pelos Estados Unidos gerou forte inseguran\u00e7a entre exportadores no in\u00edcio da safra de 2025. \u201cNingu\u00e9m estava tentando vender sua fruta, literalmente era: \u2018como \u00e9 que eu fa\u00e7o para me livrar dessa fruta?\u2019\u201d, relatou. Segundo ele, a incerteza sobre o que poderia acontecer com o volume produzido e o pessimismo nesse momento provocou uma elevada especula\u00e7\u00e3o, com pre\u00e7os muito abaixo da m\u00e9dia hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Apesar da tens\u00e3o inicial, problemas nas safras de pa\u00edses concorrentes, como M\u00e9xico e Equador, acabaram favorecendo as exporta\u00e7\u00f5es brasileiras. Jo\u00e3o Ricardo apontou que os<\/p>\n<p>pre\u00e7os internacionais permaneceram acima da m\u00e9dia por v\u00e1rias semanas, permitindo que as exporta\u00e7\u00f5es fossem mantida mesmo com o pagamento dos impostos.<\/p>\n<p>O pesquisador destacou ainda o crescimento acelerado da manga no Vale do S\u00e3o Francisco, que, com o crescimento da \u00e1rea plantada e da produtividade por \u00e1rea, mais que triplicou o volume produzido de mangas em um curto espa\u00e7o de tempo. Segundo ele, as exporta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m cresceram, ajudando a retirar uma parte desta manga produzida, mas n\u00e3o na mesma velocidade da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Lima, o principal desafio agora est\u00e1 relacionado a quest\u00f5es clim\u00e1ticas e ao comportamento da taxa de c\u00e2mbio. Segundo ele, a valoriza\u00e7\u00e3o do Real frente ao d\u00f3lar n\u00e3o favorece os exportadores, pois recebem menos reais para cada d\u00f3lar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O encontro reuniu pesquisadores, economistas e representante do setor produtivo para discutir os principais desafios da fruticultura brasileira, em especial os impactos das mudan\u00e7as recentes no cen\u00e1rio global em importantes cadei<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":529391,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[4,6],"tags":[],"class_list":["post-529390","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/manga-exportacao.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/529390","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=529390"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/529390\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/529391"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=529390"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=529390"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=529390"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}