{"id":530698,"date":"2026-05-28T06:33:55","date_gmt":"2026-05-28T09:33:55","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=530698"},"modified":"2026-05-28T06:33:55","modified_gmt":"2026-05-28T09:33:55","slug":"como-um-escandalo-de-r-350-milhoes-investigado-pela-pf-virou-pedido-de-indenizacao-bilionaria-de-empresario-baiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/como-um-escandalo-de-r-350-milhoes-investigado-pela-pf-virou-pedido-de-indenizacao-bilionaria-de-empresario-baiano\/","title":{"rendered":"Como um esc\u00e2ndalo de R$ 350 milh\u00f5es investigado pela PF virou pedido de indeniza\u00e7\u00e3o bilion\u00e1ria de empres\u00e1rio baiano"},"content":{"rendered":"<div class=\"container\">\n<h1 class=\"artigo-title text-center mb-4\"><\/h1>\n<\/div>\n<div class=\"container\">\n<div class=\"row mb-3\">\n<div class=\"col-content\">\n<figure class=\"img-lead\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-530700 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/operacao-navalha-como-um-escandalo-de-r-350-milhoes-investigado-pela-pf-virou-pedido-de-indenizacao-bilionaria-de-empresario-baiano-foto-baixada-pelo-bnews_widelg-620x349.jpg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/operacao-navalha-como-um-escandalo-de-r-350-milhoes-investigado-pela-pf-virou-pedido-de-indenizacao-bilionaria-de-empresario-baiano-foto-baixada-pelo-bnews_widelg-620x349.jpg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/operacao-navalha-como-um-escandalo-de-r-350-milhoes-investigado-pela-pf-virou-pedido-de-indenizacao-bilionaria-de-empresario-baiano-foto-baixada-pelo-bnews_widelg-300x169.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/operacao-navalha-como-um-escandalo-de-r-350-milhoes-investigado-pela-pf-virou-pedido-de-indenizacao-bilionaria-de-empresario-baiano-foto-baixada-pelo-bnews_widelg-768x432.jpg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/operacao-navalha-como-um-escandalo-de-r-350-milhoes-investigado-pela-pf-virou-pedido-de-indenizacao-bilionaria-de-empresario-baiano-foto-baixada-pelo-bnews_widelg-160x90.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/operacao-navalha-como-um-escandalo-de-r-350-milhoes-investigado-pela-pf-virou-pedido-de-indenizacao-bilionaria-de-empresario-baiano-foto-baixada-pelo-bnews_widelg-480x270.jpg 480w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/operacao-navalha-como-um-escandalo-de-r-350-milhoes-investigado-pela-pf-virou-pedido-de-indenizacao-bilionaria-de-empresario-baiano-foto-baixada-pelo-bnews_widelg-640x360.jpg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/operacao-navalha-como-um-escandalo-de-r-350-milhoes-investigado-pela-pf-virou-pedido-de-indenizacao-bilionaria-de-empresario-baiano-foto-baixada-pelo-bnews_widelg.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>Empres\u00e1rio pe\u00e7a central da Opera\u00e7\u00e3o Navalha move a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a e pede indeniza\u00e7\u00e3o bilion\u00e1ria ap\u00f3s investiga\u00e7\u00f5es da PF sobre fraudes em obras p\u00fablica\u00a0\u00a0|\u00a0\u00a0\u00a0<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.bnews.com.br\/static\/img\/camera_icon.svg\" alt=\"Bnews - Divulga\u00e7\u00e3o\" width=\"17\" height=\"17\" \/>\u00a0Alan Marques\/Folhapress<\/figcaption><\/figure>\n<div class=\"autor media mb-3\">\n<div class=\"media-body align-self-center\">\n<p class=\"text-wrap text-break mb-0\">Por <strong>Adelia Felix, do BNews<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"social-wrap d-flex align-items-center mb-2\"><\/div>\n<div class=\"artigo_texto mb-3\">\n<p>Na manh\u00e3 de 17 de maio de 2007, moradores do luxuoso condom\u00ednio Encontro das \u00c1guas, em Lauro de Freitas, na Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador, foram despertados pelo movimento de viaturas da Pol\u00edcia Federal (PF). O alvo era a casa do empres\u00e1rio baiano Zuleido Soares de Veras, ent\u00e3o com 62 anos, fundador da construtora Gautama e um dos nomes no centro da Opera\u00e7\u00e3o Navalha.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, a PF apontou Veras, hoje com 81 anos, como pe\u00e7a central de um esquema de fraudes em obras p\u00fablicas que, segundo as investiga\u00e7\u00f5es, envolvia contratos inflados e pagamento de propina. O preju\u00edzo calculado era de cerca de R$ 350 milh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos. A opera\u00e7\u00e3o se espalhou por nove estados, incluindo a Bahia.<\/p>\n<p><strong>De investigado a indenizado?<\/strong><br \/>\nContra Zuleido havia escutas telef\u00f4nicas, relat\u00f3rios de vigil\u00e2ncia da PF e planilhas apreendidas mostrando que ele comandava pessoalmente o direcionamento de licita\u00e7\u00f5es federais no Nordeste. Al\u00e9m disso, os investigadores apontaram que ele autorizava o fluxo de dinheiro vivo para o pagamento de propinas.<\/p>\n<p>Em 19 anos, o empres\u00e1rio respondeu cerca de 40 processos ligados ao caso. Todos foram arquivados. Hoje, aos 81 anos, Veras assiste \u00e0 sua empresa travar uma disputa judicial contra a Uni\u00e3o, em busca de uma indeniza\u00e7\u00e3o milion\u00e1ria desde 2022.<\/p>\n<p>Segundo apurado pelo\u00a0<strong>BNEWS<\/strong>, de um lado, a Construtora Gautama entrou com uma a\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo. Do outro, Zuleido Veras levou um processo pr\u00f3prio \u00e0 Justi\u00e7a Federal em Bras\u00edlia. As duas iniciativas corriam em paralelo, com pedidos semelhantes e o mesmo pano de fundo: o impacto da Opera\u00e7\u00e3o Navalha sobre a empresa.<\/p>\n<p>A duplicidade, no entanto, durou pouco. Documentos da Justi\u00e7a Federal acessados pela reportagem indicam que o Judici\u00e1rio decidiu concentrar tudo em S\u00e3o Paulo, onde a a\u00e7\u00e3o da Gautama havia sido protocolada primeiro. O processo aberto em Bras\u00edlia acabou absorvido.<\/p>\n<figure><\/figure>\n<figure class=\"image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-530699 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/zuelido-foto-folhapress-baixada-pelo-bnews-scaled-620x413.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"413\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/zuelido-foto-folhapress-baixada-pelo-bnews-scaled-620x413.jpeg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/zuelido-foto-folhapress-baixada-pelo-bnews-scaled-300x200.jpeg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/zuelido-foto-folhapress-baixada-pelo-bnews-768x512.jpeg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/zuelido-foto-folhapress-baixada-pelo-bnews-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/zuelido-foto-folhapress-baixada-pelo-bnews-2048x1365.jpeg 2048w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/zuelido-foto-folhapress-baixada-pelo-bnews-160x106.jpeg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/zuelido-foto-folhapress-baixada-pelo-bnews-450x300.jpeg 450w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/zuelido-foto-folhapress-baixada-pelo-bnews-640x427.jpeg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><figcaption>Ueslei Marcelino\/Folhapress<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00f3 a t\u00edtulo de dano moral, Veras pediu cerca de R$ 50 milh\u00f5es. Somados os preju\u00edzos atribu\u00eddos \u00e0 empresa, os valores apresentados pela defesa, na \u00e9poca, ultrapassavam a casa dos R$ 10 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Conforme apurado pelo\u00a0<strong>BNEWS<\/strong>, em 28 de abril de 2026, a ju\u00edza Cristiane Farias Rodrigues dos Santos fixou em R$ 90 mil o valor da per\u00edcia cont\u00e1bil que deve tentar dimensionar o preju\u00edzo alegado pela empreiteira.<\/p>\n<p>A defini\u00e7\u00e3o veio depois de um embate entre o perito judicial, nomeado pelo ju\u00edzo, e as partes. Inicialmente, perito estimou o trabalho em R$ 116 mil, com base em mais de 300 horas t\u00e9cnicas. A Uni\u00e3o e a construtora contestaram o valor, considerado elevado. Intimado a rever os c\u00e1lculos, o perito fez o movimento oposto: elevou a proposta para quase R$ 150 mil, alegando aumento no valor da hora t\u00e9cnica e custos operacionais.<\/p>\n<p>A ju\u00edza rejeitou a justificativa. Apontou falta de detalhamento, criticou a inclus\u00e3o de despesas administrativas e classificou o reajuste como desproporcional. Ao final, arbitrou o valor em R$ 90 mil, fixando o que chamou de patamar adequado.<\/p>\n<p>A partir da decis\u00e3o da magistrada, o perito ter\u00e1 prazo de 60 dias ap\u00f3s o dep\u00f3sito para concluir o trabalho. Ele vai revisitar 16 contratos de obras p\u00fablicas, reconstituir a capacidade operacional da Gautama ao longo de mais de uma d\u00e9cada e estimar lucros cessantes e danos emergentes decorrentes do bloqueio de ativos e da proibi\u00e7\u00e3o de contratar com o poder p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>R\u00e1pido esvaziamento da carceragem<\/strong><br \/>\nO que come\u00e7ou com pris\u00f5es em massa e promessa de responsabiliza\u00e7\u00e3o acabou marcado por decis\u00f5es que, na pr\u00e1tica, desmontaram a opera\u00e7\u00e3o. O empreiteiro e os outros 46 presos n\u00e3o ficaram muito tempo na carceragem.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o tratada como uma das maiores ofensivas contra corrup\u00e7\u00e3o em obras p\u00fablicas no Brasil foi perdendo for\u00e7a nos tribunais. Decis\u00f5es do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) foram derrubando as pris\u00f5es uma a uma, conforme os depoimentos avan\u00e7avam.<\/p>\n<p>Em menos de duas semanas, todo mundo j\u00e1 estava solto. A maioria ficou presa entre quatro e 13 dias. Consultas feitas nos sistemas da Justi\u00e7a Federal pelo\u00a0<strong>BNEWS<\/strong> comprovam que a maioria dos processos j\u00e1 foi arquivada.<\/p>\n<p>Boa parte dos recursos supostamente desviados tinha origem em programas federais como o Luz para Todos e Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC), al\u00e9m de obras de infraestrutura como adutoras, barragens e sistemas de saneamento.<\/p>\n<p>A pol\u00edcia descreveu um circuito de repasses que inclu\u00eda dinheiro em esp\u00e9cie, passagens a\u00e9reas e hospedagens em hot\u00e9is de luxo. O destino, segundo os investigadores, eram agentes p\u00fablicos de diferentes n\u00edveis, de servidores locais a autoridades pol\u00edticas, em troca de apoio a contratos, libera\u00e7\u00e3o de verbas e emendas parlamentares.<\/p>\n<p><strong>O desmonte da Navalha<\/strong><br \/>\nEm 2015, o STJ decidiu desmontar a A\u00e7\u00e3o Penal 536. O processo, at\u00e9 ent\u00e3o tratado como o eixo central da Opera\u00e7\u00e3o Navalha, foi fragmentado e redistribu\u00eddo pelo pa\u00eds. A partir disso, cada estado passou a lidar com a sua pr\u00f3pria parcela do caso.<\/p>\n<p>Os epis\u00f3dios ligados a verbas federais seguiram para varas da Justi\u00e7a Federal. J\u00e1 as suspeitas envolvendo recursos estaduais e municipais foram remetidas \u00e0s cortes locais, como o Tribunal de Justi\u00e7a da Bahia, onde parte dos desdobramentos tramitou de forma independente.<\/p>\n<p>Espalhada pelo pa\u00eds, a investiga\u00e7\u00e3o perdeu a unidade e o ritmo. Ju\u00edzes tiveram de recome\u00e7ar praticamente do zero, revisitando milhares de p\u00e1ginas e retomando depoimentos j\u00e1 colhidos.<\/p>\n<p>A derrocada das acusa\u00e7\u00f5es se deu, sobretudo, pela combina\u00e7\u00e3o de falta de provas e uma sequ\u00eancia de decis\u00f5es de absolvi\u00e7\u00e3o ao longo dos anos. Em muitos casos, as escutas telef\u00f4nicas que sustentavam parte das den\u00fancias foram anuladas pela Justi\u00e7a, consideradas ilegais, o que esvaziou a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF).<\/p>\n<p>O tempo, nesse intervalo, trabalhou a favor dos r\u00e9us. Com prazos vencendo em sequ\u00eancia, o que restou foi um efeito em cascata: processos arquivados, um ap\u00f3s o outro, sob o peso da prescri\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Sem condena\u00e7\u00f5es na Bahia<\/strong><br \/>\nNa Bahia, no dia 28 de maio de 2010, o processo criminal embri\u00e3o da Opera\u00e7\u00e3o Navalha, conhecido como \u201cEvento Cama\u00e7ari\u201d, foi encerrado pela Justi\u00e7a. Em decis\u00e3o monocr\u00e1tica, o juiz Abelardo Paulo da Matta Neto entendeu que todos os envolvidos, entre eles representantes da Prefeitura de Cama\u00e7ari, que tamb\u00e9m exerciam fun\u00e7\u00f5es no Executivo Municipal \u00e0 \u00e9poca, n\u00e3o teriam que responder.<\/p>\n<p>O magistrado afirmou que n\u00e3o foi comprovada a suspeita da PF de que houve licita\u00e7\u00e3o direcionada em contratos entre a prefeitura e a construtora Gautama para obras de saneamento e urbaniza\u00e7\u00e3o, nem pagamento por servi\u00e7os superfaturados ou n\u00e3o executados.<\/p>\n<p>O parecer que embasou a decis\u00e3o foi da Procuradoria-Geral de Justi\u00e7a, assinado pelo procurador R\u00f4mulo de Andrade Moreira.<\/p>\n<blockquote class=\"citacao\"><p>\u201cNos documentos acostados aos autos, verifica-se que os procedimentos licitat\u00f3rios, tidos por fraudulentos, n\u00e3o chegaram a ser formalizados, seja em face de impugna\u00e7\u00f5es administrativas formuladas, seja em face da concess\u00e3o de liminar suspendendo a concorr\u00eancia p\u00fablica, a indicar a inexist\u00eancia de materialidade do fato imputado, assim como do dolo enquanto elemento subjetivo informador da conduta\u201d, entendeu o magistrado.<\/p><\/blockquote>\n<p>A pr\u00f3pria decis\u00e3o aponta que as licita\u00e7\u00f5es investigadas nem chegaram a se concretizar. Foram interrompidas ainda na fase inicial, seja por questionamentos administrativos ou por decis\u00f5es judiciais que suspenderam os processos. Sem contrato, sem execu\u00e7\u00e3o e sem desvio comprovado, o caso acabou arquivado.<\/p>\n<p><strong>A queda que fez barulho<\/strong><br \/>\nA sa\u00edda do ent\u00e3o ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, do Governo Lula, foi o primeiro abalo pol\u00edtico de peso da opera\u00e7\u00e3o em maio de 2007. As investiga\u00e7\u00f5es apontavam para dentro do minist\u00e9rio. No centro, o assessor especial Ivo Almeida Costa, descrito como elo entre a empreiteira e a c\u00fapula da pasta.<\/p>\n<p>Segundo a PF, foi nesse circuito que circulou um pagamento de R$ 100 mil em dinheiro vivo, entregue por Maria de F\u00e1tima Palmeira, diretora da Gautama e mulher de Zuleido Veras.<\/p>\n<p>Rondeau negou envolvimento desde o in\u00edcio. Ainda assim, deixou o cargo cinco dias depois da opera\u00e7\u00e3o vir a p\u00fablico. A justificativa foi pol\u00edtica: sair para n\u00e3o contaminar o governo enquanto se defendia.<\/p>\n<div class=\"instagram\" contenteditable=\"false\">\n<div class=\"embed-responsive embed-responsive-16by9\"><iframe loading=\"lazy\" class=\"embed-responsive-item\" title=\"V\u00eddeo Incorporado\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/kqUZUcn11YU?si=4RB11OZzvnJZMW0N\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quem era quem e no que deu<\/strong><\/p>\n<p><strong>Zuleido Soares de Veras, dono da Gautama<\/strong><br \/>\nInvestigado por: chefiar o esquema, direcionar licita\u00e7\u00f5es e autorizar pagamento de propinas<br \/>\nDesfecho: provas anuladas; processos acabaram esvaziados ao longo dos anos<\/p>\n<p><strong>Maria de F\u00e1tima Palmeira, diretora da Gautama<\/strong><br \/>\nInvestigada por: operar o caixa do esquema e distribuir dinheiro em esp\u00e9cie<br \/>\nDesfecho: atingida pela anula\u00e7\u00e3o das provas; n\u00e3o houve condena\u00e7\u00e3o definitiva<\/p>\n<p><strong>Rodolpho Veras, filho de Zuleido<\/strong><br \/>\nInvestigado por: montar cons\u00f3rcios fict\u00edcios para fraudar licita\u00e7\u00f5es<br \/>\nDesfecho: mesmas nulidades atingiram o caso<\/p>\n<p><strong>Silas Rondeau, ministro de Minas e Energia no Governo Lula<\/strong><br \/>\nInvestigado por: suposto recebimento indireto de propina via assessor<br \/>\nDesfecho: pediu demiss\u00e3o em 2007; anos depois, acusa\u00e7\u00f5es foram arquivadas por falta de prova<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Reinaldo Tavares, ex-governador do Maranh\u00e3o<\/strong><br \/>\nInvestigado por: recebimento de vantagens em troca de favorecer contratos<br \/>\nDesfecho: preso na opera\u00e7\u00e3o; caso n\u00e3o resultou em condena\u00e7\u00e3o final<\/p>\n<p><strong>Fl\u00e1vio Concei\u00e7\u00e3o, conselheiro do Tribunal de Contas de Sergipe (TCE-SE)<\/strong><br \/>\nInvestigado por: facilitar aprova\u00e7\u00e3o de obras superfaturadas<br \/>\nDesfecho: acusa\u00e7\u00f5es perderam for\u00e7a com o tempo e decis\u00f5es judiciais<\/p>\n<p><strong>Paulo Magalh\u00e3es, deputado federal pelo PSD-BA<\/strong><br \/>\nInvestigado por: tr\u00e1fico de influ\u00eancia para liberar recursos<br \/>\nDesfecho: escutas anuladas pelo STF; caso esvaziado<\/p>\n<p><strong>Ivo Almeida Costa, assessor do minist\u00e9rio<\/strong><br \/>\nInvestigado por: intermediar repasses de propina em Bras\u00edlia<br \/>\nDesfecho: provas comprometidas; n\u00e3o houve desfecho penal robusto<\/p>\n<p><strong>Luiz Caetano, prefeito de Cama\u00e7ari em 2007<\/strong><br \/>\nInvestigado por: Alvo do &#8220;Evento Cama\u00e7ari&#8221;. A Pol\u00edcia Federal apurou o favorecimento da Gautama em contratos de macrodrenagem e saneamento b\u00e1sico na cidade da Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador.<br \/>\nDesfecho: Ele foi absolvido pelo Tribunal de Justi\u00e7a da Bahia em 2010, que considerou que n\u00e3o houve preju\u00edzo ao er\u00e1rio).<\/p>\n<p><strong>Alexandre de Maia Lacerda, ex-Codevasf<\/strong><br \/>\nInvestigado por: fraudar pareceres t\u00e9cnicos em obras p\u00fablicas<br \/>\nDesfecho: atingido pelo efeito cascata das nulidades<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na manh\u00e3 de 17 de maio de 2007, moradores do luxuoso condom\u00ednio Encontro das \u00c1guas, em Lauro de Freitas, na Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador, foram despertados pelo movimento de viaturas da Pol\u00edcia Federal (PF). 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