{"id":531740,"date":"2026-06-06T07:25:35","date_gmt":"2026-06-06T10:25:35","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=531740"},"modified":"2026-06-06T07:25:35","modified_gmt":"2026-06-06T10:25:35","slug":"sao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-estilos-mas-veem-mudanca-com-nova-lei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/sao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-estilos-mas-veem-mudanca-com-nova-lei\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Jo\u00e3o: sanfoneiros criticam a invas\u00e3o de outros estilos, mas veem mudan\u00e7a com nova lei"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1><\/h1>\n<h2>Cota do Forr\u00f3 vira esperan\u00e7a para sanfoneiros recuperarem palcos na Bahia<\/h2>\n<div>\n<div data-authorid=\"0\">\n<div class=\"atr-article-autor\">Por\u00a0Claudia Lessa<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"share-article\">\n<div class=\"btns-google\"><\/div>\n<\/div>\n<\/header>\n<figure class=\"inlineImage artigo-destaque\"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1390000\/500x300\/sao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400-ScaleDownProportional.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2FArtigo-Destaque%2F1390000%2Fsao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400.jpg%3Fxid%3D7099467%26resize%3D1000%252C500%26t%3D1780528477&amp;xid=7099467\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1390000\/1200x720\/sao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400-ScaleDownProportional.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2FArtigo-Destaque%2F1390000%2Fsao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400.jpg%3Fxid%3D7099467%26resize%3D1000%252C500%26t%3D1780528477&amp;xid=7099467\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/Artigo-Destaque\/1390000\/1200x720\/sao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400-ScaleDownProportional.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2FArtigo-Destaque%2F1390000%2Fsao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400.jpg%3Fxid%3D7099467%26resize%3D1000%252C500%26t%3D1780528477&amp;xid=7099467\" alt=\"Sanfona \u00e9 s\u00edmbolo das festas juninas\" \/><\/picture><figcaption>Sanfona \u00e9 s\u00edmbolo das festas juninas &#8211; Foto: Asa Produtora\/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"article\">\n<div id=\"denakop-intext-1\" class=\"intext_desktop\" data-google-query-id=\"CIePrcey8pQDFbxP3QIdmSwsug\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br\/intext\/post_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O sanfoneiro \u00e9 a alma das festas juninas. Afinal, o instrumento \u00e9 respons\u00e1vel pelo ritmo do forr\u00f3 e s\u00edmbolo da identidade nordestina. Consagrada nacionalmente por nomes como Luiz Gonzaga e Dominguinhos, a sanfona, junto ao tri\u00e2ngulo e \u00e0 zabumba, exerce o papel de manter viva toda essa heran\u00e7a cultural.<\/p>\n<p>Os sanfoneiros, entretanto, v\u00eam perdendo seu protagonismo no S\u00e3o Jo\u00e3o para grandes atra\u00e7\u00f5es musicais de estilos que n\u00e3o condizem com o perfil da festa junina. A Cota de Valoriza\u00e7\u00e3o do Forr\u00f3 e Artistas Regionais, institu\u00edda pelo Governo do Estado da Bahia, chega como uma esperan\u00e7a. A medida estabelece uma reserva obrigat\u00f3ria de 25% nos investimentos e grades de atra\u00e7\u00f5es dos festejos juninos, exigindo a contrata\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria de sanfoneiros e artistas locais para preservar a tradi\u00e7\u00e3o autenticamente nordestina.<\/p>\n<p>Artistas como Targino Gondim, Bruninho do Acordeon e Gildo Arano falam ao Caderno Munic\u00edpios sobre suas viv\u00eancias como artistas nordestinos e opinam sobre o mercado junino. Eles mostram que, para al\u00e9m de seus talentos, a disciplina, a perseveran\u00e7a e o respeito \u00e0 cultura regional s\u00e3o suas molas propulsoras.<\/p>\n<h2>Targino criou festival para manter a tradi\u00e7\u00e3o do forr\u00f3 aut\u00eantico<\/h2>\n<p>Cantor, compositor e sanfoneiro baiano reconhecido nacionalmente, Targino Gondim acumula premia\u00e7\u00f5es como o Grammy Latino e o Trof\u00e9u Caymmi, al\u00e9m de ser autor de projetos dedicados ao forr\u00f3, bai\u00e3o, xaxado e xote, como o Festival Internacional da Sanfona e o Festival de Forr\u00f3 da Chapada.<\/p>\n<p>Secret\u00e1rio de Cultura, Turismo e Esporte de Juazeiro desde 2024, o artista segue sua trajet\u00f3ria focado em fortalecer o forr\u00f3 tradicional, mantendo o compromisso com a valoriza\u00e7\u00e3o da sanfona como um dos mais importantes s\u00edmbolos da m\u00fasica nordestina.<\/p>\n<p>\u201cTemos um mercado agressivo, que investe bastante na m\u00eddia, nos contatos, nos acertos. E a gente, em detrimento disso, acaba perdendo o protagonismo da sanfona, dos sanfoneiros e dos forrozeiros. Com isso, a cultura, as tradi\u00e7\u00f5es genu\u00ednas v\u00e3o se perdendo\u201d, analisa Targino, que ganhou proje\u00e7\u00e3o no pa\u00eds em 2001 ao vencer o Grammy Latino com a can\u00e7\u00e3o \u201cEsperando na Janela\u201d, sucesso na voz de Gilberto Gil e inclu\u00edda na trilha do filme \u201cEu, Tu, Eles\u201d.<\/p>\n<p>As novas regras de fiscaliza\u00e7\u00e3o, criadas por \u00f3rg\u00e3os como o Minist\u00e9rio P\u00fablico da Bahia e Tribunais de Contas sobre os cach\u00eas milion\u00e1rios pagos por prefeituras, poder\u00e3o ajudar na sa\u00fade financeira das administra\u00e7\u00f5es p\u00fablicas municipais, na opini\u00e3o de Targino.<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o significa que v\u00e3o passar a pagar valores n\u00e3o t\u00e3o exorbitantes pelos shows, ou que a medida venha a repercutir na contrata\u00e7\u00e3o de atra\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas da \u00e9poca junina. Essas mudan\u00e7as t\u00eam que ser cobradas pelo pr\u00f3prio povo nordestino\u201d, considera.<\/p>\n<p>Outro fato importante, destaca Targino, \u00e9 a obrigatoriedade determinada pelo Governo do Estado de que pelo menos 25% dos recursos p\u00fablicos destinados \u00e0s contrata\u00e7\u00f5es art\u00edsticas nos festejos juninos sejam aplicados em atra\u00e7\u00f5es locais e no forr\u00f3 tradicional.<\/p>\n<p>\u201cTomara que consigam, realmente, fiscalizar para que ao menos uma boa parte cumpra as exig\u00eancias. Tenho que bater palmas para esta a\u00e7\u00e3o positiva e precisamos de outras tantas como esta\u201d.<\/p>\n<figure class=\"inlineImage \"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1390000\/320x0\/sao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1390000%2Fsao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400.jpg%3Fxid%3D7099470&amp;xid=7099470\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1390000\/724x0\/sao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1390000%2Fsao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400.jpg%3Fxid%3D7099470&amp;xid=7099470\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1390000\/724x0\/sao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1390000%2Fsao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400.jpg%3Fxid%3D7099470&amp;xid=7099470\" alt=\"O sanfoneiro Targino Gondim\" \/><\/picture><figcaption>O sanfoneiro Targino Gondim &#8211; Foto: Joilson C\u00e9sar\/Ag. A TARDE<\/figcaption><\/figure>\n<div id=\"denakop-intext-3\" class=\"intext_desktop\" data-google-query-id=\"CIi0qsey8pQDFbxP3QIdmSwsug\">\n<div id=\"google_ads_iframe_\/21715141650,22666819895\/atarde.com.br\/intext\/post_2__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p>O cen\u00e1rio de desvaloriza\u00e7\u00e3o dos sanfoneiros e demais m\u00fasicos que se dedicam ao forr\u00f3, pontua Targino, atinge a todos, em suas devidas propor\u00e7\u00f5es. \u201cNa \u00e9poca junina, sou muito requisitado e tenho que agradecer muito por meu trabalho ser bem aceito, o que acaba me proporcionando mais facilidade de trabalhar nesse per\u00edodo. Mas mesmo para mim n\u00e3o s\u00e3o nulas as dificuldades frente ao mercado atual\u201d, diz.<\/p>\n<p>Para reverenciar o forr\u00f3, Targino gravou o DVD \u201cTr\u00eas nordestinos: um por todos e todos pelo forr\u00f3\u201d, junto a Fl\u00e1vio Jos\u00e9 e Santana O Cantador, com cl\u00e1ssicos de Luiz Gonzaga e Dominguinhos, entre outros mestres. \u201cEstamos muito felizes com o resultado alcan\u00e7ado nas plataformas de m\u00fasica\u201d, conta Targino.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Festival de Forr\u00f3 da Chapada, criado em 2017, idealizado por ele, contribui para a promo\u00e7\u00e3o do g\u00eanero. \u201cO evento j\u00e1 \u00e9 tido como o melhor e maior festival de forr\u00f3 do mundo, porque aquece a economia de toda a Chapada Diamantina, \u00e9 palco para sanfoneiros e oportuniza aulas de sanfona, zabumba e tri\u00e2ngulo para os interessados.\u201d<\/p>\n<h2>Bruninho critica presen\u00e7a de estilos que n\u00e3o t\u00eam liga\u00e7\u00e3o com S\u00e3o Jo\u00e3o<\/h2>\n<p>Bruninho do Acordeon, nome art\u00edstico de Bruno Santos Moreira, tinha apenas sete anos quando come\u00e7ou a estudar bateria e percuss\u00e3o, mas logo se interessou pelas aulas de piano, ministradas pela professora Marialice Regis. Curiosamente, foi por meio do filho da pianista, o cantor Leo Macedo (Estakazero), que Bruninho conheceu o forr\u00f3. Foi quando se encantou por um novo instrumento: a sanfona.<\/p>\n<p>Apesar de entender a din\u00e2mica do mercado, o m\u00fasico diz se incomodar com a massifica\u00e7\u00e3o na programa\u00e7\u00e3o junina de estilos que n\u00e3o t\u00eam a ver com o S\u00e3o Jo\u00e3o. \u201cN\u00e3o concordo com uma grade tomada por bandas de artistas que n\u00e3o s\u00e3o do forr\u00f3\u201d.<\/p>\n<p>Para Bruninho do Acordeon, o fato deve ser motiva\u00e7\u00e3o para os sanfoneiros se organizarem financeiramente, ao longo do ano, com o intuito de ganharem visibilidade no per\u00edodo da festa. \u201cTemos que trabalhar o ano inteiro, produzir coisas novas, fazer um trabalho consistente e investir na divulga\u00e7\u00e3o para que as prefeituras acabem contratando nossos shows\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, durante o ano, ele procura ser um m\u00fasico mais vers\u00e1til. \u201cMontei o Projeto Bruninho Sanfonado, justamente para agregar e agradar mais o p\u00fablico em geral, tocando a maioria dos estilos na sanfona. A base do show \u00e9 forr\u00f3, mas, \u00e0s vezes, as pessoas pedem um sertanejo, um ax\u00e9, um reggae. E, assim, venho tocando o ano inteiro, de quinta a s\u00e1bado ou a domingo, em v\u00e1rios lugares, com a minha banda\u201d, revela o m\u00fasico, que come\u00e7ou a tocar profissionalmente aos 16 anos, tendo passado pelas bandas Forrozada, Clone de Mim e Flor de Maracuj\u00e1.<\/p>\n<p>Prestes a fechar a agenda para o S\u00e3o Jo\u00e3o 2026, Bruninho acredita que, com a Cota de Valoriza\u00e7\u00e3o do Forr\u00f3 e Artistas Regionais, estabelecida pelo governo estadual, os sanfoneiros ter\u00e3o mais oportunidades de tocar na festa junina, este ano. \u201cVai nos ajudar a tocar mais para, assim, nos capitalizarmos e podermos reinvestir no nosso trabalho\u201d, aposta.<\/p>\n<p>Bruninho do Acordeon caiu na estrada aos 18 anos, com a Banda Tio Barnab\u00e9, da qual era s\u00f3cio e sanfoneiro, entre 2004 e 2008. Tamb\u00e9m tocou sanfona nas bandas Estakazero e Cangalha de Jegue e para o cantor L\u00e9o Santana, na sua turn\u00ea junina de 2017. Mas, como disse Luiz Gonzaga, \u201cpara o sanfoneiro que n\u00e3o canta, s\u00f3 toca sanfona, a estrada fica mais dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p>Assim, decidiu pela carreira solo tamb\u00e9m como cantor. Gravou alguns \u00e1lbuns de est\u00fadio e registros ao vivo em grandes festejos de S\u00e3o Jo\u00e3o, incluindo um DVD com as participa\u00e7\u00f5es de Adelm\u00e1rio Coelho e Cicinho de Assis, entre outros nomes do forr\u00f3.<\/p>\n<p>O artista segue trabalhando sem se apegar a r\u00f3tulos. \u201cToco tudo, desde o forr\u00f3 das antigas ao atual. Bote a\u00ed: fa\u00e7o forr\u00f3 atualizado\u201d, diz, enfatizando sua versatilidade e seu v\u00ednculo com a sanfona.<\/p>\n<p>\u201cTudo \u00e9 mut\u00e1vel, se transforma. Assim como tivemos o sertanejo por muitos anos em evid\u00eancia, dominando o mercado, tivemos o forr\u00f3 universit\u00e1rio, com o Falamansa, nos anos 2000, que foi febre tamb\u00e9m nacional; e estamos vendo agora a volta do forr\u00f3 com o projeto Dominguinho (Jo\u00e3o Gomes, Jota.P\u00ea e Mestrinho) tomando um cen\u00e1rio mundial, ganhando um pr\u00eamio latino\u201d, avalia.<\/p>\n<h2>Prefeituras deveriam assumir maior responsabilidade\u201d diz Gildo<\/h2>\n<p>Gildo Arano tem uma forte liga\u00e7\u00e3o com o forr\u00f3 desde menino, quando desenhava nas folhas do seu caderno os teclados da sua imagin\u00e1ria sanfona. Aos 15 anos, ele conta que os pais fizeram um esfor\u00e7o e materializaram seu sonho de se tornar m\u00fasico ao presente\u00e1-lo com o instrumento.<\/p>\n<p>\u201cO S\u00e3o Jo\u00e3o \u00e9 um patrim\u00f4nio cultural e afetivo do povo, com uma profunda tradi\u00e7\u00e3o principalmente do Nordeste brasileiro, e vai al\u00e9m da m\u00fasica. Existe toda uma cultura em volta: comidas, fogueira, roupas, dan\u00e7as, brincadeiras, conviv\u00eancia entre as fam\u00edlias\u201d, pontua o m\u00fasico, natural do munic\u00edpio baiano de Seabra.<\/p>\n<p>Por isso, afirma, as prefeituras deveriam se responsabilizar mais pelo fortalecimento dessa tradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSinceramente, me causa um certo desgosto ver bandas tocando no palco principal de festas juninas com repert\u00f3rios completamente desconectados da linguagem do S\u00e3o Jo\u00e3o. Mas o que mais me entristece \u00e9 ver colegas sanfoneiros e m\u00fasicos do forr\u00f3 p\u00e9-de-serra abandonando sua linguagem musical para seguir algo mais comercial por necessidade de sobreviv\u00eancia\u201d, diz.<\/p>\n<p>A Cota de Valoriza\u00e7\u00e3o do Forr\u00f3 e Artistas Regionais \u00e9 vista com bons olhos por Gildo. \u201cA sanfona faz parte da narrativa hist\u00f3rica e afetiva do Nordeste. Valorizar esse instrumento \u00e9 tamb\u00e9m valorizar a mem\u00f3ria cultural da regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Para Gildo, uma das dificuldades dos sanfoneiros \u00e9 a vis\u00e3o limitada de muita gente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica nordestina. \u201cEnxergam como se fosse algo quase folcl\u00f3rico, decorativo ou sazonal, mas existe uma profundidade cultural, musical e identit\u00e1ria dentro dessa tradi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<figure class=\"inlineImage \"><picture><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1390000\/320x0\/sao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077701202606021400-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1390000%2Fsao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077701202606021400.jpg%3Fxid%3D7099471&amp;xid=7099471\" media=\"(max-width: 768px)\" \/><source srcset=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1390000\/724x0\/sao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077701202606021400-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1390000%2Fsao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077701202606021400.jpg%3Fxid%3D7099471&amp;xid=7099471\" media=\"(min-width: 768px)\" \/><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/cdn.atarde.com.br\/img\/inline\/1390000\/724x0\/sao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077701202606021400-1.webp?fallback=https%3A%2F%2Fcdn.atarde.com.br%2Fimg%2Finline%2F1390000%2Fsao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077701202606021400.jpg%3Fxid%3D7099471&amp;xid=7099471\" alt=\"Sanfoneiro Gildo Arano\" \/><\/picture><figcaption>Sanfoneiro Gildo Arano &#8211; Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Por outro lado, diz, est\u00e1 acontecendo uma cena interessante do forr\u00f3. \u201cProjetos como o de Mestrinho, Jo\u00e3o Gomes e Jota P\u00ea mostram que existe uma retomada do interesse pela sanfona e pela m\u00fasica nordestina tradicional, inclusive com repercuss\u00e3o internacional\u201d, acredita. Durante muitos anos, a dedica\u00e7\u00e3o de Gildo esteve voltada ao estudo, \u00e0 pesquisa e forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica.<\/p>\n<p>\u201cLogo depois que me formei, veio a pandemia (da Covid 19) e isso interrompeu muitos projetos. Quando os shows voltaram, senti o desejo de montar uma banda e levar meu trabalho art\u00edstico para os palcos\u201d, recorda. Ele chegou a tocar no S\u00e3o Jo\u00e3o de Len\u00e7\u00f3is, Iraquara, Piat\u00e3, Mucug\u00ea e Seabra, sua cidade natal, onde reside atualmente.<\/p>\n<p>Mas, sem contratos, afirma, fica dif\u00edcil estruturar banda, ensaios e toda a log\u00edstica necess\u00e1ria para um show maior. \u201cIsso foi algo que me gerou certa frustra\u00e7\u00e3o como artista\u201d, relata. O sanfoneiro, que j\u00e1 integrou o Grupo Rumpilezzinho, do maestro Letieres Leite (1959-2021), passou a se dedicar \u00e0 miss\u00e3o de \u201censinar m\u00fasica de um jeito simples e descomplicado\u201d.<\/p>\n<p>O ensino da sanfona se d\u00e1 atrav\u00e9s de aulas, cursos, livros e conte\u00fados digitais de sua autoria. \u201cDou aula diariamente, ouvindo, cantando, analisando acordes, observando dificuldades e descobrindo novas formas de pensar o instrumento\u201d, relata.<\/p>\n<p>A exist\u00eancia de brasileiros que moram fora do pa\u00eds e procuram o seu curso como forma de manter uma conex\u00e3o com o p\u00e1is surpreende o professor, que j\u00e1 teve alunos da Austr\u00e1lia, Fran\u00e7a, Alemanha e Estados Unidos, entre outros pa\u00edses.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cota do Forr\u00f3 vira esperan\u00e7a para sanfoneiros recuperarem palcos na Bahia<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":531741,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327,6],"tags":[],"class_list":["post-531740","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/sao-joao-sanfoneiros-criticam-a-invasao-de-outros-0139077700202606021400-ScaleDownProportional.webp","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/531740","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=531740"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/531740\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/531741"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=531740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=531740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=531740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}