{"id":53192,"date":"2014-03-29T00:18:57","date_gmt":"2014-03-29T03:18:57","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=53192"},"modified":"2014-03-28T16:24:47","modified_gmt":"2014-03-28T19:24:47","slug":"almanaque-destrincha-acontecimentos-que-marcaram-o-ano-de-1964","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/almanaque-destrincha-acontecimentos-que-marcaram-o-ano-de-1964\/","title":{"rendered":"Almanaque destrincha acontecimentos que marcaram o ano de 1964"},"content":{"rendered":"<h1 id=\"content\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Entre os fatos est\u00e3o a Guerra Fria, o Brasil enfrentando o golpe militar e os Beatles se consolidando nos EUA<\/li>\n<li>Autora lista dia a dia<span style=\"line-height: 1.5em;\">\u00a0<\/span><\/li>\n<\/ul>\n<div id=\"metadata\" style=\"text-align: justify;\">\n<p>LEONARDO LICHOTE<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"article-body\" style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div>\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Filmes e artistas que se destacaram em 1964 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/cultura\/12010431-29d-4d2\/FT500A\/materia-1.jpg\" width=\"500\" height=\"375\" \/><figcaption>Filmes e artistas que se destacaram em 1964\u00a0Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>No calend\u00e1rio do s\u00e9culo XX, 1964 est\u00e1 marcado em vermelho como o ano do Golpe no Brasil. Mas a folhinha daquele ano tem marcas que v\u00e3o al\u00e9m de toda a inf\u00e2mia que cerca o 31 de mar\u00e7o\/1\u00ba de abril \u2014 e seus antecedentes e reflexos futuros. Aquele foi, por exemplo, o ano de \u201c007 contra Goldfinger\u201d, da \u201cinvas\u00e3o\u201d dos Beatles aos Estados Unidos, da elei\u00e7\u00e3o da primeira Miss Guanabara negra, do disco \u201c\u00c9 proibido fumar\u201d de Roberto Carlos. Uma saga multifacetada que a jornalista Ana Maria Bahiana ilumina com leveza em \u201cAlmanaque 1964\u201d (Companhia das Letras). Ela autografa nesta sexta-feira o livro, depois de um debate com o colunista do GLOBO Arthur Dapieve sobre a efervesc\u00eancia cultural daquela d\u00e9cada, \u00e0s 18h30m, no CCBB. Na ter\u00e7a-feira que vem, \u00e0s 19h, \u00e9 o lan\u00e7amento oficial, na Livraria da Travessa do Leblon.<\/p>\n<p>No livro, Bahiana acompanha de perto os 366 dias de 1964 \u2014 sim, um ano bissexto, iniciado numa quarta-feira, \u201cdia de Merc\u00fario, deus da comunica\u00e7\u00e3o, dos viajantes, da sorte, do com\u00e9rcio, das fronteiras, dos truques e dos ladr\u00f5es, e guia das almas dos mortos ao submundo\u201d, como escreve a jornalista. Dividido m\u00eas a m\u00eas, dia a dia, o almanaque marca um fato, uma frase, uma curiosidade daquela data, numa panor\u00e2mica que p\u00f5e lado a lado a densidade hist\u00f3rica da tomada de poder pelos militares (destrinchada hora a hora ao longo dos dias 31 e 1\u00ba) e trivialidades como a mal\u00edcia\u00a0<em>nonsense<\/em>\u00a0de \u201cBigorrilho\u201d, sucesso naquele carnaval na voz de Jorge Veiga.<\/p>\n<p>\u2014 H\u00e1 muitas narrativas poss\u00edveis \u2014 diz Bahiana. \u2014 Dentro da geopol\u00edtica mundial, o golpe fazia todo o sentido. Era parte de um grande processo da Guerra Fria, de Estados Unidos e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica se enfrentando pelo controle do mundo. A guerra do Vietn\u00e3 e o golpe no Brasil fazem parte da mesma narrativa. Para mim, o momento mais \u201cuau!\u201d disso \u00e9 a conversa entre Lyndon Johnson e um secret\u00e1rio de Estado, na qual eles falam do Golpe e j\u00e1 conversam sobre o Chile\u00a0<em>(ocorrido no dia 11 de junho, o di\u00e1logo tem falas como \u201cO Brasil foi muito bem\u201d e \u201cMas agora temos essa elei\u00e7\u00e3o no Chile, est\u00e1 indo bem mas ainda temos muito trabalho pela frente\u201d)<\/em>. Por outro lado, a mar\u00e9 de mudan\u00e7a comportamental que vem desde os anos 1950 n\u00e3o \u00e9 interrompida. E eu queria sobretudo contar a hist\u00f3ria das pessoas comuns. Me interessa a forma como elas lidavam com falta de luz, que programas viam na televis\u00e3o. Porque no fim das contas s\u00e3o essas pessoas que v\u00e3o tocar a continuidade da Hist\u00f3ria. Quis manter todos esses triviais variados, checar pre\u00e7os dos alimentos, previs\u00e3o do tempo, para dar essa ideia de como as pessoas estavam vivendo enquanto os poderosos faziam seus jogos de xadrez.<\/p>\n<p>Um dos caminhos que ela buscou foi mergulhar nas revistas da \u00e9poca. A editora enviou para ela, que mora nos Estados Unidos, uma caixa repleta de exemplares de \u201cRevista do r\u00e1dio&#8221;, \u201cManchete\u201d, \u201cCruzeiro\u201d e outras.<\/p>\n<p>\u2014 Meu exerc\u00edcio era p\u00f4r a m\u00e1scara, devido \u00e0 poeira, e ler como se estivesse na \u00e9poca. As revistas s\u00e3o um dos recursos mais viscerais para isso. Voc\u00ea tem al\u00e9m dos textos, que me impressionaram pela alta qualidade, elementos como a publicidade, muito moderna, com os reclames dos anos 1940 e 1950 sendo rapidamente substitu\u00eddos por uma est\u00e9tica saturada, de cores n\u00e3o realistas, mais minimalista \u2014 avalia Bahiana, que j\u00e1 havia lan\u00e7ado o \u201cAlmanaque anos 1970\u201d. \u2014 Foi uma imers\u00e3o completa. Quando eu acabava e ia ligar a TV, era um choque, como quem sai da selva e cai na civiliza\u00e7\u00e3o. Nos primeiros segundos, eu esperava a imagem em preto e branco.<\/p>\n<p>O formato de di\u00e1rio \u2014 que oferece a fragmenta\u00e7\u00e3o t\u00edpica dos almanaques, ao mesmo tempo em que permite uma narrativa cronol\u00f3gica, dando clareza \u00e0s tens\u00f5es da sociedade, \u00e0s rela\u00e7\u00f5es de causa e efeito \u2014 foi uma escolha sobre a qual Bahiana n\u00e3o tinha muita seguran\u00e7a inicialmente.<\/p>\n<p>\u2014 Achei que esse formato de linha do tempo, dia a dia, era o melhor para criar uma narrativa do ano inteiro. Mas fiquei em d\u00favida. N\u00e3o sabia se conseguiria material suficiente. Depois o problema foi outro, comecei a ter v\u00e1rias coisas para as mesmas datas! Para escolher o que usar, usava o crit\u00e9rio do que era mais iluminador, mais fiel e \u00fatil \u00e0 hist\u00f3ria contada. Quis tamb\u00e9m trazer as vozes dos personagens. O almanaque permite essa vis\u00e3o em 360 graus, esse olhar total que abarca alta cultura e baixa cultura, alta pol\u00edtica e trivialidade, personagens exaltados e outros dos quais a gente nem sabe o nome.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: O Globo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No calend\u00e1rio do s\u00e9culo XX, 1964 est\u00e1 marcado em vermelho como o ano do Golpe no Brasil. Mas a folhinha daquele ano tem marcas que v\u00e3o al\u00e9m de toda a inf\u00e2mia que cerca o 31 de mar\u00e7o\/1\u00ba de abril \u2014 e seus antecedentes e reflexos futuros. 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