{"id":53538,"date":"2014-03-31T03:46:00","date_gmt":"2014-03-31T06:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=53538"},"modified":"2014-03-31T03:46:00","modified_gmt":"2014-03-31T06:46:00","slug":"para-professores-e-escolas-e-mudar-ou-morrer-diz-estudioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/para-professores-e-escolas-e-mudar-ou-morrer-diz-estudioso\/","title":{"rendered":"Para professores e escolas, \u00e9 mudar ou morrer, diz estudioso"},"content":{"rendered":"<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><em>O professor em\u00e9rito da UFSM, especialista em ensino e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, diz que o atual sistema educacional \u00e9 obsoleto e que o novo modelo s\u00f3 se erguer\u00e1 se docentes e institui\u00e7\u00f5es ouvirem as li\u00e7\u00f5es de um ator: o aluno<\/em><\/h2>\n<div style=\"text-align: justify;\">Bianca Bibiano<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Ronaldo Mota, professor em\u00e9rito da Universidade Federal de Santa Maria e autor do livro \u201cEducando para a Inova\u00e7\u00e3o\u201d\" alt=\"Ronaldo Mota, professor em\u00e9rito da Universidade Federal de Santa Maria e autor do livro \u201cEducando para a Inova\u00e7\u00e3o\u201d\" src=\"http:\/\/veja2.abrilm.com.br\/assets\/images\/2014\/3\/211687\/educacao-professor-ufsm-ronaldo-mota-20140321-002-size-598.jpg?1395427046\" width=\"598\" height=\"336\" data-original=\"http:\/\/veja2.abrilm.com.br\/assets\/images\/2014\/3\/211687\/educacao-professor-ufsm-ronaldo-mota-20140321-002-size-598.jpg?1395427046\" \/>Ronaldo Mota, professor em\u00e9rito da Universidade Federal de Santa Maria e autor do livro \u201cEducando para a Inova\u00e7\u00e3o\u201d(Berenice Roth)<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div>&#8220;Seria um erro concluir que a escola n\u00e3o \u00e9 mais importante. Ela \u00e9, mas desde que reconhe\u00e7a a exist\u00eancia do novo processo e que saiba se inserir nessa realidade.&#8221;<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e9culos depois do in\u00edcio da universaliza\u00e7\u00e3o do ensino e d\u00e9cadas ap\u00f3s a introdu\u00e7\u00e3o da forma\u00e7\u00e3o profissional, a educa\u00e7\u00e3o enfrenta uma terceira revolu\u00e7\u00e3o. O motor \u00e9 a tecnologia. Nem todos, por\u00e9m, reagem bem ao terremoto, avalia Ronaldo Mota, professor em\u00e9rito da Universidade Federal de Santa Maria, ex-secret\u00e1rio de desenvolvimento tecnol\u00f3gico e inova\u00e7\u00e3o no Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e ex-secret\u00e1rio de ensino superior do Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o. &#8220;Os alunos j\u00e1 podem estudar em casa e at\u00e9 obter diploma pela internet. Mas muitos professores ainda n\u00e3o perceberam esse movimento: ser\u00e3o engolidos pela tecnologia e perder\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o dos estudantes&#8221;, diz Mota, que acaba de lan\u00e7ar, em coautoria com David Scott, professor da universidade de Londres, o livro\u00a0<em>Educando para Inova\u00e7\u00e3o<\/em>\u00a0(Elsevier, 49,90 reais). A obra aborda o desafio das escolas de formar pessoas em um mundo de mudan\u00e7as aceleradas em que a grande demanda \u00e9 o aprendizado permanente. A despeito do atraso geral de institui\u00e7\u00f5es e mestres para lidar com a nova realidade \u2014 &#8220;O modelo de escola que conhecemos hoje ser\u00e1 completamente extinto. O papel do professor, tamb\u00e9m&#8221; \u2014, ele diz que o Brasil pode aproveitar a crise do modelo de ensino para promover uma grande transforma\u00e7\u00e3o. &#8220;Temos uma popula\u00e7\u00e3o jovem, com n\u00edvel de toler\u00e2ncia alto e flexibilidade diante de experimentos, elementos que favorecem a adapta\u00e7\u00e3o. Se fiz\u00e9ssemos disso um terreno para mudan\u00e7as educacionais, provocar\u00edamos uma grande transforma\u00e7\u00e3o.&#8221; Confira a seguir os principais trechos da entrevista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia tamb\u00e9m:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/acervodigital\/home.aspx?edicao=2345&amp;pg=122\">As compet\u00eancias do futuro, segundo professor de Harvard<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/educacao\/precisamos-despertar-paixao-pelas-ciencias\">&#8216;Precisamos despertar paix\u00e3o pelas ci\u00eancias&#8217;, diz brasileiro professor de Stanford<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Em\u00a0<em>Educando para Inova\u00e7\u00e3o<\/em>, o senhor afirma que as mudan\u00e7as a que assistimos hoje n\u00e3o s\u00e3o apenas tecnol\u00f3gicas e que esse movimento impulsiona tamb\u00e9m uma revolu\u00e7\u00e3o de conceitos. Quais ideias est\u00e3o em transforma\u00e7\u00e3o?<\/strong>\u00a0Inova\u00e7\u00e3o \u00e9 muito associada a equipamentos e maquin\u00e1rio, mas as grandes mudan\u00e7as deste s\u00e9culo n\u00e3o t\u00eam necessariamente essa caracter\u00edstica. Tomemos como exemplo uma inova\u00e7\u00e3o em outra \u00e1rea: o Cirque du Soleil. A partir do conceito tradicional do circo, o grupo canadense promoveu uma reestrutura\u00e7\u00e3o radical e formatou um novo produto, criando um novo p\u00fablico. O conceito tradicional de inova\u00e7\u00e3o parte da ideia de que existe, antes de tudo, uma demanda para um produto ou processo. O que estamos vivendo neste s\u00e9culo, por\u00e9m, \u00e9 o aparecimento de mudan\u00e7as que n\u00e3o prov\u00eam da necessidade. Elas s\u00e3o t\u00e3o revolucion\u00e1rias que induzem a demanda ap\u00f3s serem criadas. O tablet n\u00e3o foi feito ap\u00f3s uma consultoria descobrir que havia demanda por computadores n\u00e3o port\u00e1teis. Ele surgiu como um produto inovador e criou a demanda a partir dele. Talvez voc\u00ea n\u00e3o necessite de uma impressora 3D agora, mas daqui a tr\u00eas anos vai querer uma em casa. O produto convence voc\u00ea de que \u00e9 imposs\u00edvel viver sem ele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como a escola se insere nesse contexto de\u00a0<\/strong><strong>mudan\u00e7as acelerada<\/strong><strong>s? O que significa educar para a inova\u00e7\u00e3o?<\/strong>\u00a0Significa que a escola precisa formar pessoas aptas a viver nesse cen\u00e1rio de constante inova\u00e7\u00e3o. No modelo fordista (<em>sistema predominante no s\u00e9xulo XX marcado pela linha industrial de produ\u00e7\u00e3o<\/em>), o papel da educa\u00e7\u00e3o era formar t\u00e9cnicos competentes, aptos a atuar na produ\u00e7\u00e3o tradicional para desenvolver tarefas com efici\u00eancia. Definitivamente, educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais isso. O mundo n\u00e3o \u00e9 mais fordista. Hoje, o sucesso ou n\u00e3o das empresas est\u00e1 associado diretamente \u00e0 capacidade de inovar. O problema \u00e9 que a escola segue se preparando para o antigo modelo. \u00c9 como formar profissionais competentes que podem trabalhar em uma gr\u00e1fica em vez de formar designers capazes de atuar em v\u00e1rias plataformas de comunica\u00e7\u00e3o. As institui\u00e7\u00f5es de ensino ainda n\u00e3o s\u00e3o, em geral, capazes de fazer esse racioc\u00ednio, pois carregam um atraso intr\u00ednseco. A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, tomemos o que aconteceu na \u00e1rea financeira nos \u00faltimos 30 anos: os bancos de hoje em nada lembram as institui\u00e7\u00f5es do passado devido \u00e0 ascens\u00e3o tecnol\u00f3gica. Enquanto isso, a escola permaneceu absolutamente a mesma. Ainda mantemos a figura cl\u00e1ssica do professor que entra na sala de aula e apresenta o conte\u00fado para os alunos como se eles n\u00e3o soubessem nada. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o deve nos dar a ilus\u00e3o de que a escola n\u00e3o ser\u00e1 transformada: ela ser\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que tipo de transforma\u00e7\u00e3o ser\u00e1 essa?<\/strong>\u00a0O modelo de escola que conhecemos hoje ser\u00e1 completamente extinto. O papel do professor, tamb\u00e9m. Ele poder\u00e1 at\u00e9 receber outra denomina\u00e7\u00e3o, como &#8220;designer educacional&#8221;, um profissional dedicado \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de conte\u00fados. Mas ele n\u00e3o poder\u00e1 fazer essa tarefa sozinho: o processo de ensino e aprendizado ser\u00e1 cada vez mais coletivo. O designer educacional de f\u00edsica que se propuser a colocar o conte\u00fado de aula em uma plataforma on-line contar\u00e1 com ajuda de gente que saiba usar a plataforma, algu\u00e9m que entenda de design, usabilidade e ferramentas no ambiente virtual. N\u00e3o ser\u00e1 uma pessoa s\u00f3, vai ser um time. No come\u00e7o do processo de mudan\u00e7a, provavelmente ainda contaremos com um professor cl\u00e1ssico, que domina o conte\u00fado de uma disciplina. Mas ao lado dele, veremos um menino de 14 anos, respons\u00e1vel por fazer a interface gr\u00e1fica da plataforma. \u00c9 um fen\u00f4meno que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo: as grandes funcionalidades dos portais educacionais s\u00e3o desenvolvidas hoje por jovens que dominam os sistemas digitais gra\u00e7as \u00e0 afinidade que possuem com o universo dos games. Se resolver ficar sozinho, o professor perder\u00e1 essa corrida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Nesse cen\u00e1rio, como ser\u00e1 o ensino?<\/strong>\u00a0Grande parte dos jovens j\u00e1 aprende parte do conte\u00fado escolar em canais que n\u00e3o dependem da escola. Os alunos j\u00e1 podem estudar em casa e at\u00e9 obter diploma pela internet. Mas muitos professores ainda n\u00e3o perceberam esse movimento: ser\u00e3o engolidos pela tecnologia e perder\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o dos estudantes. N\u00e3o \u00e9 o fim da escola, mas uma chance que se apresenta para aqueles alunos que n\u00e3o aguentam permanecer em sala de aula e que procuram mecanismos alternativos para adquirir o pr\u00f3prio conhecimento. H\u00e1 muitos adolescentes criativos, que ser\u00e3o profissionais muito competentes e que simplesmente vivem em conflito com a escola. \u00c9 um processo que vai acontecer cada vez mais. At\u00e9 pouco tempo, existia um conflito do professor, que era algu\u00e9m n\u00e3o digital, com o aluno, um nativo digital. J\u00e1 estamos na fase seguinte, do n\u00e3o di\u00e1logo. As crian\u00e7as j\u00e1 chegaram a uma etapa em que abstraem o conflito e simplesmente aprendem por conta pr\u00f3pria, independente da escola. Seria um erro concluir que a escola n\u00e3o \u00e9 mais importante. Ela \u00e9, mas desde que reconhe\u00e7a a exist\u00eancia do novo processo e que saiba se inserir nessa realidade. Se a escola entender isso como um confronto, vai perder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Se a escola n\u00e3o mudar, a evas\u00e3o de alunos vai crescer?<\/strong>\u00a0Sim. A escola j\u00e1 enfrenta esse fen\u00f4meno, ainda que se trate de uma evas\u00e3o n\u00e3o contabilizada. O aluno \u00e9 deixado pelos pais na escola, senta l\u00e1 por algumas horas e finge prestar aten\u00e7\u00e3o \u00e0s aulas. O professor, por sua vez, altamente desestimulado, deixa o aluno ali, muitas vezes evitando o conflito. Quando olhamos os resultados num\u00e9ricos desse modelo educacional, conclu\u00edmos que o ensino vai mal. Sim, est\u00e1 ruim, mas \u00e9 mais grave que isso. Temos dois conflitos acontecendo ao mesmo tempo: o ensino tradicional vai mal no Brasil e vai mal em si. Para superar essa crise, precisamos melhorar a qualidade de ensino e, simultaneamente, transform\u00e1-lo. O Brasil tem uma real oportunidade de dar um salto significativo e mais r\u00e1pido do que outros pa\u00edses se entender a import\u00e2ncia da inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por qu\u00ea?\u00a0<\/strong>Tomemos como base os resultados do exame do Pisa (<em>mais importante avalia\u00e7\u00e3o educacional do mundo, realizada em alunos com 15 anos de idade<\/em>), da OCDE. A Finl\u00e2ndia est\u00e1 sempre nos primeiros lugares da prova, que avalia o ensino tradicional. Qual a consequ\u00eancia? Os professores finlandeses morrem de medo de mudar seu m\u00e9todo de ensino: afinal, quem quer mexer em time que est\u00e1 ganhando? A Finl\u00e2ndia pode n\u00e3o conseguir enfrentar os desafios da inova\u00e7\u00e3o com tanta facilidade. O Brasil, por sua vez, n\u00e3o tem motivo para temer a mudan\u00e7a. Afinal, se olharmos para o ensino m\u00e9dio brasileiro, podemos afirmar que n\u00e3o h\u00e1 como piorar. Por isso, temos um campo vasto para aplicar metodologias revolucion\u00e1rias. O Brasil tem 200 milh\u00f5es de habitantes e 104 milh\u00f5es de usu\u00e1rios da internet, que em m\u00e9dia navegam mais do que pessoas de outros pa\u00edses. Temos uma popula\u00e7\u00e3o jovem, com n\u00edvel de toler\u00e2ncia alto e flexibilidade diante de experimentos, elementos que favorecem a adapta\u00e7\u00e3o. Se fiz\u00e9ssemos disso um terreno para mudan\u00e7as educacionais, provocar\u00edamos uma grande transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais os caminhos para a inova\u00e7\u00e3o?<\/strong>\u00a0Precisamos usar metodologias que valorizem a aprendizagem independente. Em caminho contr\u00e1rio, o Brasil deve ser o campe\u00e3o mundial da aprendizagem dependente. Desde a pr\u00e9-escola at\u00e9 o p\u00f3s-doutorado, o que fazemos \u00e9 estimular o estudante a ser dependente do professor. Por que o professor que termina o p\u00f3s-doutorado na universidade tem medo de sair do laborat\u00f3rio? Porque ele \u00e9 dependente. Nos pa\u00edses mais desenvolvidos, o estudante \u00e9 estimulado a encontrar seus pr\u00f3prios caminhos. Aqui, \u00a0criamos uma estrutura de depend\u00eancia t\u00e3o grande que as pessoas s\u00e3o estimuladas a n\u00e3o abdicar da zona de conforto. O que mais precisamos \u00e9 do oposto disso. Quando isso ocorre, temos a rebeli\u00e3o \u00e0 que estamos assistindo, sem interfer\u00eancia do Estado, dos pais e muito menos da escola: essa rebeli\u00e3o \u00e9 movida pela juventude \u00e0 procura de mecanismos alternativos. Isso explica o sucesso de servi\u00e7os de aprendizagem on-line como o Veduca, que j\u00e1 tem 3,5 milh\u00f5es de inscritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Como o senhor avalia projetos que tentam colocar o tablet na sala de aula?<\/strong>\u00a0Na maioria, s\u00e3o frustrantes, porque s\u00e3o feitos por gestores escolares que n\u00e3o s\u00e3o do campo da tecnologia digital aplicada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Da\u00ed, cena comum, os pais pagam pelos tablets e, como as estat\u00edsticas comprovam, eles ficam jogados em casa. Em geral, os alunos recebem o aparelho com um material antiquado, com reprodu\u00e7\u00f5es de apostilas id\u00eanticas ao material impresso. Mas a quest\u00e3o vai muito al\u00e9m do produto. O h\u00e1bito de estimular o aluno a estudar em casa depois de ver o conte\u00fado em sala aula \u00e9 falido, n\u00e3o h\u00e1 a menor chance de dar certo. A \u00fanica forma de preparar algu\u00e9m para a inova\u00e7\u00e3o e para a aprendizagem independente \u00e9 oferecer o conte\u00fado antes da aula e fazer com que os momentos presenciais e coletivos passem por um filtro: s\u00f3 participam desses momentos aqueles que demonstrarem o m\u00ednimo interesse. Se a crian\u00e7a sequer tocar no conte\u00fado antes, ela simplesmente n\u00e3o deveria participar do conv\u00edvio. Sabemos, por v\u00e1rios experimentos, que se metade da turma estiver prestando aten\u00e7\u00e3o e a outra metade n\u00e3o estiver, a parte desinteressada contamina o restante do grupo e o resultado \u00e9 um desastre. Se o professor usar um filtro inicial baseado em interesse e realizar os momentos coletivos somente com aqueles que demonstraram o m\u00ednimo de interesse, os resultados v\u00e3o l\u00e1 para cima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia mais sobre inova\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o:<br \/>\n<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/educacao\/ensino-brasileiro-precisa-de-aula-de-inovacao\">Ensino brasileiro precisa de aula de inova\u00e7\u00e3o<\/a><br \/>\n<a href=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/educacao\/escolas-ja-despertaram-para-o-desafio-da-inovacao\">Escolas brasileiras despertam para o desafio da inova\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>E o que o professor faria com o estudante que n\u00e3o se interessa?<\/strong>\u00a0Ele pode mand\u00e1-lo para a biblioteca, para uma sala de inform\u00e1tica, para qualquer outra atividade. Em uma metodologia tradicional, mesmo que o professor tenha toda a rotina sob seu controle, ele precisa reprovar aquele que n\u00e3o acompanhou o grupo. Isso n\u00e3o \u00e9 negativo da mesma maneira? Uma nova metodologia implica mudan\u00e7a de cultura. Vai ser normal que o aluno assuma que n\u00e3o pode assistir \u00e0 aula porque n\u00e3o se preparou para ela, e ter\u00e1 que ser aceit\u00e1vel tanto para o gestor escolar quanto para os pais. Na pr\u00f3xima aula, ele vai se preparar para participar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Que mudan\u00e7as de conceitos s\u00e3o necess\u00e1rias para a transforma\u00e7\u00e3o de que o senhor fala?<\/strong>\u00a0Todo o processo educativo tradicional \u00e9 baseado na cogni\u00e7\u00e3o, ou seja, como se aprende e como se ensina. O mais importante no futuro ser\u00e1 a metacogni\u00e7\u00e3o: o aluno ter\u00e1 que entender o processo ao que est\u00e1 submetido e conhecer seus avan\u00e7os, obst\u00e1culos e defici\u00eancias. Ele precisa se enxergar no processo educacional. Isso abre a porta para um novo ponto: a classe n\u00e3o se dividir\u00e1 mais entre aqueles que sabem e os que n\u00e3o sabem, mas dar\u00e1 espa\u00e7o para um terceiro, que n\u00e3o sabe o conte\u00fado, mas sabe onde encontr\u00e1-lo. No mundo atual e futuro, \u00e9 mais relevante a atitude de uma pessoa diante de uma pergunta para a qual ela n\u00e3o tem resposta, porque o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais cr\u00edtico. O professor tem que esquecer essa ideia de que vai disputar espa\u00e7o com a tecnologia. N\u00e3o h\u00e1 chance de ele dominar mais esse tema que um jovem. Ele tem que achar mecanismos para dizer ao aluno: &#8220;Eu n\u00e3o sei essa linguagem como voc\u00ea sabe, mas eu estou disposto a compartilhar o que eu sei e aprender com voc\u00ea.&#8221; Mas fazer isso exige um alto n\u00edvel de maturidade e metacogni\u00e7\u00e3o para entender o papel de cada um. Ele n\u00e3o pode mais chegar na aula e dizer que sabe mais, pois n\u00e3o sabe mais sobre certas \u00e1reas, como as tecnologias digitais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>N\u00e3o \u00e9, de fato, o que acontece hoje nas escolas, certo?<\/strong>\u00a0N\u00e3o, ainda temos a maior parte dos professores pedindo que seus alunos desliguem o celular durante as aulas. Mas eles n\u00e3o conseguem, cada vez que ele vira para frente, o estudante est\u00e1 l\u00e1 teclando. O problema real n\u00e3o \u00e9 esse, os jovens conseguem perfeitamente acompanhar os dois e n\u00e3o haver\u00e1 como mudar isso. As crian\u00e7as n\u00e3o v\u00e3o mais aprender equa\u00e7\u00e3o de segundo grau na escola. Elas v\u00e3o procurar um v\u00eddeo, com um bom professor, e v\u00e3o aprender na hora que querem, como querem, com algum n\u00edvel de interatividade. O espa\u00e7o tradicional de ensino hoje mais se assemelha \u00e0 tortura do que ao ensino.Tenho a esperan\u00e7a de que a escola v\u00e1\u00a0reconhecer esse movimento e se reconceitualizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quais os avan\u00e7os vistos em outros pa\u00edses?<\/strong>\u00a0A Inglaterra \u00e9 um pa\u00eds que est\u00e1 avan\u00e7ando muito. Eles fizeram uma a\u00e7\u00e3o interessante no ensino m\u00e9dio. Mudaram a obrigatoriedade de certas disciplinas, como qu\u00edmica, f\u00edsica e biologia: n\u00e3o \u00e9 mais necess\u00e1rio fazer as tr\u00eas ao mesmo tempo, e o aluno pode ter sua motiva\u00e7\u00e3o voltada apenas para biologia, por exemplo. Mas a maior inova\u00e7\u00e3o est\u00e1 em garantir uma prepara\u00e7\u00e3o dentro dessa disciplina para que o professor introduza elementos de qu\u00edmica e f\u00edsica. O aluno pode estudar press\u00e3o, conte\u00fado da f\u00edsica, a partir do estudo da capilaridade das plantas, um cap\u00edtulo da biologia. Isso introduz, de forma agrad\u00e1vel, conceitos que s\u00e3o relevantes. O professor tradicional pode dizer que desse modo o estudante n\u00e3o aprende toda a f\u00edsica e a qu\u00edmica. Mas eu pergunto: por acaso, ele aprende tudo com o atual sistema de aulas? Provavelmente n\u00e3o, e ainda deixa a escola com raiva das ci\u00eancias. Se voc\u00ea apresenta um modelo em que o aluno desenvolve apre\u00e7o pelo m\u00e9todo cient\u00edfico e se sente parte do processo, n\u00e3o importa se ele escolheu cursar uma, duas ou tr\u00eas disciplinas, mas, sim, o fato de que, ao escolher, ele possa dizer: &#8220;Eu sou correspons\u00e1vel pelo processo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Veja<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O professor em\u00e9rito da UFSM, especialista em ensino e inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, diz que o atual sistema educacional \u00e9 obsoleto e que o novo modelo s\u00f3 se erguer\u00e1 se docentes e institui\u00e7\u00f5es ouvirem as li\u00e7\u00f5es de um ator: o aluno<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":53539,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-53538","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/03\/educacao-professor-ufsm-ronaldo-mota-20140321-002-size-598.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53538"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53538\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/53539"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}