{"id":536266,"date":"2026-07-18T10:54:18","date_gmt":"2026-07-18T13:54:18","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=536266"},"modified":"2026-07-18T10:54:18","modified_gmt":"2026-07-18T13:54:18","slug":"roubar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/roubar\/","title":{"rendered":"Roubar"},"content":{"rendered":"<div class=\"elementor-element elementor-element-7d2fc729 titulo-post elementor-widget elementor-widget-theme-post-title elementor-page-title elementor-widget-heading\" data-id=\"7d2fc729\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-title.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\"><\/div>\n<\/div>\n<section class=\"elementor-section elementor-inner-section elementor-element elementor-element-7e25a070 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"7e25a070\" data-element_type=\"section\">\n<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n<div class=\"elementor-column elementor-col-50 elementor-inner-column elementor-element elementor-element-24f401b5\" data-id=\"24f401b5\" data-element_type=\"column\">\n<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n<div class=\"elementor-element elementor-element-6b34b66e elementor-share-buttons--view-icon elementor-share-buttons--skin-flat elementor-share-buttons--align-right elementor-share-buttons--shape-square elementor-grid-0 elementor-share-buttons--color-official elementor-widget elementor-widget-share-buttons\" data-id=\"6b34b66e\" data-element_type=\"widget\" data-settings=\"{&quot;share_url&quot;:{&quot;url&quot;:&quot;https:\\\/\\\/blogdomagno.com.br\\\/roubar\\\/&quot;,&quot;is_external&quot;:&quot;&quot;,&quot;nofollow&quot;:&quot;&quot;,&quot;custom_attributes&quot;:&quot;&quot;}}\" data-widget_type=\"share-buttons.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div class=\"elementor-grid\">\n<div class=\"elementor-grid-item\">\n<div class=\"elementor-share-btn elementor-share-btn_twitter\" tabindex=\"0\" aria-label=\"Compartilhar no twitter\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"elementor-grid-item\">\n<div class=\"elementor-share-btn elementor-share-btn_email\" tabindex=\"0\" aria-label=\"Compartilhar no email\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n<div class=\"elementor-widget-container\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-536267 size-large\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/2026-07-18-075917-1024x578-1-620x350.jpeg\" alt=\"\" width=\"620\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/2026-07-18-075917-1024x578-1-620x350.jpeg 620w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/2026-07-18-075917-1024x578-1-300x169.jpeg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/2026-07-18-075917-1024x578-1-768x434.jpeg 768w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/2026-07-18-075917-1024x578-1-160x90.jpeg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/2026-07-18-075917-1024x578-1-480x270.jpeg 480w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/2026-07-18-075917-1024x578-1-640x361.jpeg 640w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/2026-07-18-075917-1024x578-1.jpeg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 620px) 100vw, 620px\" \/><\/div>\n<div class=\"elementor-element elementor-element-746f5ae4 elementor-widget elementor-widget-theme-post-content\" data-id=\"746f5ae4\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"theme-post-content.default\">\n<div class=\"elementor-widget-container\">\n<div id=\"ub-expand-7042aef0-990d-4bea-a14b-f76b06c325d1\" class=\"wp-block-ub-expand ub-expand\" data-scroll-type=\"false\" data-scroll-amount=\"\" data-scroll-target=\"\">\n<div id=\"ub-expand-partial-59c99ca1-fac9-41bc-b95e-543ea43182eb\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial wp-block-ub-expand-portion\" aria-hidden=\"false\">\n<p><strong>Por Marcelo Tognozzi<br \/>\nColunista do Poder360<\/strong><\/p>\n<p>Roubar \u00e9 verbo transitivo direto, mas tem suas maleabilidades, porque, afinal, o roubo pode ser praticado de formas distintas. Vale a criatividade. O verbo vai se esgueirando pela gram\u00e1tica, como o ladr\u00e3o com o bolso recheado de joias saindo \u00e0 francesa de uma festa chique. Ou o punguista, que depois de bater a carteira do cavalheiro no metr\u00f4, desliza at\u00e9 a porta do vag\u00e3o da frente, ganha a plataforma, a escada rolante e, finalmente, a rua.<\/p>\n<p>Esse verbo t\u00e3o conjugado, pode ser bitransitivo, quando tem dois objetos, tanto direto quanto indireto. \u00c9 o caso do fals\u00e1rio surrupiando algo ou de algu\u00e9m, enganando o ot\u00e1rio com a ilus\u00e3o do ganho f\u00e1cil, pap\u00e9is na Bolsa, aplica\u00e7\u00f5es milagrosas, rendimentos gordos, pesados, obscenos, de um dinheiro que vai e n\u00e3o volta. Mas se roubar for transitivo indireto, \u00e9 porque o fregu\u00eas est\u00e1 sendo roubado na balan\u00e7a ou no pre\u00e7o. Agora, se o ladr\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 roubando, ent\u00e3o o roubar \u00e9 intransitivo.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"ub-expand-full-59c99ca1-fac9-41bc-b95e-543ea43182eb\" class=\"ub-expand-portion ub-expand-full wp-block-ub-expand-portion\" aria-hidden=\"false\">\n<p>As qualidades do roubo s\u00e3o de uma multiplicidade capaz de deixar qualquer um de queixo ca\u00eddo. No Brasil, se rouba pela internet, pelo aplicativo, e os golpes s\u00e3o cada vez mais incr\u00edveis. A mulher de 37 anos se fazendo passar por uma crian\u00e7a de 12. S\u00e3o muitas faunas e floras daquilo que se convencionou chamar de gatunagem, surrupio, furto, desfalque, desvio, ladroagem, saqueio, rapinagem, latroc\u00ednio, esbulho, assalto, golpe, subtra\u00e7\u00e3o, expropria\u00e7\u00e3o, pilhagem, tantos nomes para um verbo camale\u00e3o, escorregadio, uma enguia ensaboada dif\u00edcil de segurar.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds do roubo criativo, intuitivo, escolado com gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. O banqueiro inteligente monta um produto descolado capaz de seduzir a classe m\u00e9dia \u00e1vida por lucros f\u00e1ceis. Ganha apoio da m\u00eddia, anuncia, muitos sujeitos, uns bem vivos, alguns ocultos, outros simples, muitos compostos, se encontram no objeto direto: quem rouba, rouba algo, pois h\u00e1 sempre algu\u00e9m dispon\u00edvel para ser enganado pelos artistas da rapinagem sofisticada.<\/p>\n<p>H\u00e1 os velhos, esses insaci\u00e1veis objetos do desejo daqueles mestres da arte de furtar e transformar empr\u00e9stimos consignados em ilus\u00e3o de riqueza, pois a aposentaria sai dos cofres do Tesouro e os velhos que as recebem precisam de aten\u00e7\u00e3o. Vir\u00e1 uma bolada no primeiro m\u00eas, e depois descontos at\u00e9 o fim do que resta da vida. N\u00e3o tem mais rem\u00e9dio, supermercado, feira, nem agrado para os netos. Nesta t\u00e9cnica precisa e cir\u00fargica, o dono do consignado vira s\u00f3cio do Estado, que paga o velho pobre, mas tamb\u00e9m desconta sem d\u00f3 nem piedade os juros e o principal, assegurando ao dono da m\u00e1quina emprestar seu quinh\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 roubos de apostas, inundando celulares, tablets e computadores. O influencer, a loura\u00e7a belzebu ou o artista da novela levam o apostador pela m\u00e3o e ele se entrega a tigrinhos, betinhos, le\u00f5ezinhos e outros bichos sanguessugas. Bolsa Fam\u00edlia n\u00e3o pode! Pode sim, meu pai. A gente paga com o cart\u00e3o e o que era para ser comida, vira alimento de bet. O ladr\u00e3o rouba teu celular na rua. Outro arranca com os dentes o anel emperrado nos dedos gordos da mulher. Depois se encontram no bar para uma cervejinha, uma aposta no tigrinho e segue o baile.<\/p>\n<p>Roubou, roube, roubar\u00e1. Ao longo de mais de 500 anos de evolu\u00e7\u00e3o permanente, cada \u00e9poca com seu golpe, cada personagem no seu melhor estilo. Golpe da mulher vinda de longe para casar e precisa do dinheiro da passagem, do frango congelado recheado de \u00e1gua, do paco, do bilhete de loteria, do terreno fantasma, pir\u00e2mide, ouro de tolo, carro bichado, mulher que era homem, a l\u00e1bia ensaiada, treinada, a habilidade do convencimento aplicada caso a caso.<\/p>\n<p>Arte de roubar na pol\u00edtica, a emenda que n\u00e3o se emenda, a elei\u00e7\u00e3o na cidade onde votam at\u00e9 os mortos e os vivos s\u00e3o mais do dobro do eleitorado registrado. A arte de transformar voto em dinheiro, dinheiro em voto. O melhor sempre vence. Isso n\u00e3o \u00e9 e nem nunca ser\u00e1 gatunagem, golpe ou rouban\u00e7a. \u00c9 o estado da arte a ser admirado, jamais condenado. Afinal, em quantos pa\u00edses do mundo temos riqueza sendo acumulada todos os dias fruto de pequenos, m\u00e9dios, grandes ou colossais golpes? O roubo tem de pagar imposto, porque se n\u00e3o pagar, a\u00ed sim vai dar cadeia, vira devedor contumaz.<\/p>\n<p>A grilagem sobrevive aqui como nos tempos de Jean-Jacques Rousseau, para quem o verdadeiro fundador da sociedade civil foi o primeiro que cercou um terreno, declarou ser seu e encontrou gente suficientemente trouxa para acreditar nele. Passados 248 anos da morte do fil\u00f3sofo, seguem os grileiros cercando terrenos e vendendo estas terras para quem sonha com seu pedacinho de ch\u00e3o, seja em Bras\u00edlia ou no sert\u00e3o.<\/p>\n<p>Vendemos tamb\u00e9m senten\u00e7as, absolvi\u00e7\u00f5es ou condena\u00e7\u00f5es. H\u00e1 mercado para tudo, seja rico ou seja pobre, cada qual com sua medida, justi\u00e7a seja feita. H\u00e1 ju\u00edzes, promotores e desembargadores \u00e0 venda. Uns entregam, outros nem tanto. Soltar ou prender \u00e9 uma quest\u00e3o de neg\u00f3cios. Vejam bem, temos delegados, agentes, comiss\u00e1rios, todo um corpo t\u00e9cnico de talento a toda prova. E os advogados t\u00e3o preparados, ativos, corporativos, com seus honor\u00e1veis honor\u00e1rios.<\/p>\n<p>Se o roubo \u00e9 intransitivo, transitivo direto, bitransitivo ou transitivo indireto, n\u00e3o importa. O que importa \u00e9 executar com refino, arte e precis\u00e3o. H\u00e1 dinheiro de sobra e quando n\u00e3o sobra, produz-se um desconto na conta ou aplica-se o conto do vig\u00e1rio, porque vivemos num pa\u00eds onde h\u00e1 sempre um ot\u00e1rio \u00e0 espera de um malandro para depen\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Vamos para as urnas em outubro, porque s\u00e3o o rem\u00e9dio capaz de manter tudo como est\u00e1. Umas elei\u00e7\u00f5es que nunca foram t\u00e3o pobres, t\u00e3o feias e t\u00e3o vigiadas. Neste pa\u00eds roubaram o direito de escolhermos o melhor. Resta-nos escolher o menos pior, mas essa escolha s\u00f3 nos divide mais, porque o que \u00e9 menos pior para uma banda \u00e9 muito pior para a outra.<\/p>\n<p>Roubar, verbo t\u00e3o flex\u00edvel, camale\u00f4nico de tanta transitividade e intransitividade, independente do objeto ser direto ou indireto, h\u00e1 sempre um sujeito, oculto ou n\u00e3o, pronto para p\u00f4r em pr\u00e1tica a sofisticada t\u00e9cnica da rapinagem, ladroagem, gatunagem ou como queiram chamar a profiss\u00e3o que nestas terras se tornou mais antiga que a praticada pelas mo\u00e7as injustamente acusadas de parir aqueles que dela sobrevivem.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Marcelo Tognozzi Colunista do Poder360 Roubar \u00e9 verbo transitivo direto, mas tem suas maleabilidades, porque, afinal, o roubo pode ser praticado de formas distintas. Vale a criatividade. 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