{"id":536300,"date":"2026-07-19T07:37:48","date_gmt":"2026-07-19T10:37:48","guid":{"rendered":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=536300"},"modified":"2026-07-19T07:37:48","modified_gmt":"2026-07-19T10:37:48","slug":"familia-bolsonaro-foi-de-desconfianca-a-alinhamento-aos-eua-em-30-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/familia-bolsonaro-foi-de-desconfianca-a-alinhamento-aos-eua-em-30-anos\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlia Bolsonaro foi de desconfian\u00e7a a alinhamento aos EUA em 30 anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"flex flex-col items-start justify-start gap-4 self-stretch\">\n<h1 class=\"self-stretch text-headline-5 tracking-tight text-neutral-20 lg:text-headline-4\"><\/h1>\n<div class=\"flex items-center justify-start gap-1 font-sans\">\n<p><span class=\"text-body-1 tracking-tight text-neutral-50\">Por\u00a0<\/span><span class=\"text-body-1 tracking-tight text-secondary-50\">Ana Luiza Albuquerque e Laura Intrieri\/Folhapress<\/span><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"relative flex flex-col items-start justify-start gap-2 self-stretch\">\n<div class=\"flex items-start gap-6 self-stretch text-right font-sans\">\n<p class=\"w-full text-body-2 tracking-wide text-neutral-50\">Foto:\u00a0Arquivo Pessoal<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-radix-aspect-ratio-wrapper=\"\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-536301 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/flavio-bolsonaro-e-donald-trump_arquivo-pessoal.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/flavio-bolsonaro-e-donald-trump_arquivo-pessoal.jpg 600w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/flavio-bolsonaro-e-donald-trump_arquivo-pessoal-300x200.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/flavio-bolsonaro-e-donald-trump_arquivo-pessoal-160x106.jpg 160w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/flavio-bolsonaro-e-donald-trump_arquivo-pessoal-450x300.jpg 450w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/div>\n<div class=\"relative flex flex-col items-start justify-start gap-2 self-stretch\">\n<div class=\"flex items-start gap-6 self-stretch font-sans\">\n<p class=\"w-full text-body-2 tracking-wide text-neutral-50\">Fl\u00e1vio Bolsonaro e Donald Trump<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div id=\"inner-news-body\" class=\"max-w-full break-words text-body-1 leading-normal tracking-tight text-neutral-20 [&amp;&gt;span]:inline-block [&amp;_*]:mb-6 last:[&amp;_*]:mb-0 [&amp;_h2]:text-[32px] [&amp;_h2]:font-bold [&amp;_h3]:text-[24px] [&amp;_h3]:font-semibold [&amp;_hr]:mb-0 [&amp;_iframe]:!min-w-[unset] [&amp;_iframe]:!max-w-[560px] [&amp;_img]:!h-auto [&amp;_img]:!min-w-[unset] [&amp;_img]:!max-w-full [&amp;_ol]:ml-8 [&amp;_ol]:list-decimal [&amp;_p]:leading-relaxed [&amp;_table]:max-w-full [&amp;_table]:border [&amp;_table]:border-neutral-40 [&amp;_td]:border [&amp;_td]:border-neutral-40 [&amp;_tr]:border [&amp;_tr]:border-neutral-40 [&amp;_ul]:ml-8 [&amp;_ul]:list-disc [&amp;_video]:my-4 [&amp;_video]:!h-auto [&amp;_video]:!w-full [&amp;_video]:!min-w-[unset] [&amp;_video]:!max-w-full\">\n<p>Em janeiro de 2019, o rec\u00e9m-eleito presidente Jair Bolsonaro (PL) trocou algumas palavras com o democrata Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos. Em um coquetel do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, Bolsonaro disse ao interlocutor, conhecido pelo ativismo ambiental: &#8220;A Amaz\u00f4nia n\u00e3o pode ser esquecida. Temos muitas riquezas. E gostar\u00edamos muito de explor\u00e1-las junto com os EUA&#8221;.<\/p>\n<p>O convite, que gerou estranhamento \u2013&#8221;N\u00e3o entendi muito bem o que quis dizer&#8221;, Al Gore respondeu\u2013, ficou marcado como um dos exemplos de alinhamento aos Estados Unidos durante a gest\u00e3o Bolsonaro.<\/p>\n<p>A mesma postura \u00e9 adotada pelos filhos do ex-presidente, especialmente o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que escolheu a na\u00e7\u00e3o americana para seu autoex\u00edlio, e o senador Fl\u00e1vio Bolsonaro (PL), que, desde que anunciou sua pr\u00e9-candidatura \u00e0 Presid\u00eancia, j\u00e1 viajou ao menos seis vezes ao pa\u00eds, onde descolou uma reuni\u00e3o e uma foto com o presidente Donald Trump.<\/p>\n<p>Mas nem sempre foi assim. Nos anos 1990 e 2000, imbu\u00edda de um nacionalismo comum nos c\u00edrculos militares, a fam\u00edlia Bolsonaro fazia cr\u00edticas p\u00fablicas aos americanos, os acusando de desejar explorar a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Em agosto de 1995, ao criticar a demarca\u00e7\u00e3o da terra ind\u00edgena Yanomami, o ent\u00e3o deputado federal Jair Bolsonaro afirmou que a regi\u00e3o era alvo de &#8220;cobi\u00e7a internacional&#8221; e que &#8220;soberania n\u00e3o se negocia&#8221;. Tr\u00eas anos depois, disse que havia &#8220;grande interesse norte-americano pela nossa Amaz\u00f4nia&#8221; devido \u00e0s reservas minerais.<\/p>\n<p>Como de costume, Fl\u00e1vio seguiu os passos do pai ao tratar do assunto no in\u00edcio de sua carreira pol\u00edtica. Em outubro de 2003, enquanto deputado estadual no Rio de Janeiro, associou o interesse americano pelos povos ind\u00edgenas \u00e0s riquezas presentes nas \u00e1reas demarcadas. Afirmou que os Estados Unidos interferiam na nossa soberania e disse que, caso o Brasil n\u00e3o reagisse, o futuro seria de &#8220;depend\u00eancia total&#8221; do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Dois anos antes, Carlos Bolsonaro (PL), ent\u00e3o vereador no Rio de Janeiro, afirmara: &#8220;\u00c9 extremamente rid\u00edculo abrir um jornal e ver uma manchete que diz o seguinte: \u2018FMI est\u00e1 satisfeito com o Brasil\u2019. Que pa\u00eds \u00e9 este, meu Deus, que recebe elogios dos americanos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa postura diante deles? O governo brasileiro est\u00e1 de c\u00f3coras para os EUA. N\u00f3s temos que tomar uma postura extremamente en\u00e9rgica de patriotismo&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, o mesmo Al Gore era tratado em certos grupos militares como o maior representante da amea\u00e7a americana ao territ\u00f3rio brasileiro, diz Jo\u00e3o Roberto Martins Filho, professor da Ufscar (Universidade Federal de S\u00e3o Carlos) e estudioso do militarismo no Brasil h\u00e1 mais de 30 anos.<\/p>\n<p>A suspeita de interven\u00e7\u00e3o estrangeira nasceu com o fim da Guerra Fria e a ascens\u00e3o dos Estados Unidos como a grande pot\u00eancia mundial, ele afirma. &#8220;Isso tinha uma fun\u00e7\u00e3o: criar uma causa unificadora no meio militar, que era a defesa da Amaz\u00f4nia.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo o professor, Bolsonaro adotou esse discurso para obter ganhos com sua base eleitoral. &#8220;Nessa primeira encarna\u00e7\u00e3o como militar rebelde, Bolsonaro falava coisas que poderiam ter apoio na reserva, que garantiam o voto da fam\u00edlia militar.&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1, tamb\u00e9m, outra explica\u00e7\u00e3o para a postura de desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos americanos, afirma o cientista pol\u00edtico Jorge Chaloub, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). &#8220;Bolsonaro surge quase como um sindicalista do baixo oficialato das For\u00e7as Armadas. Na d\u00e9cada de 1990 havia a percep\u00e7\u00e3o [entre o grupo] de que o Ex\u00e9rcito tinha sido esquecido, que o Brasil estava entregue aos interesses do capital estrangeiro&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Chaloub lembra que, naquela \u00e9poca, havia um campo nacionalista de direita do qual fazia parte, por exemplo, o ex-deputado federal En\u00e9as Carneiro, que era contr\u00e1rio ao comunismo e, tamb\u00e9m, aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Bolsonaro sempre teve proximidade com esse nacionalismo, que ajudava a explicar por que o [ex-presidente] Fernando Henrique Cardoso n\u00e3o dava dinheiro para o Ex\u00e9rcito. Esse discurso cr\u00edtico ao neoliberalismo [do governo FHC] n\u00e3o pertencia s\u00f3 \u00e0 esquerda nos anos 1990.&#8221;<\/p>\n<p>A partir da metade da d\u00e9cada de 2010 houve uma virada de chave no discurso dos Bolsonaros. Uma primeira inflex\u00e3o ocorreu em julho de 2013, quando a C\u00e2mara discutiu uma mo\u00e7\u00e3o de rep\u00fadio aos Estados Unidos ap\u00f3s revela\u00e7\u00f5es de que a Ag\u00eancia de Seguran\u00e7a Nacional americana havia monitorado comunica\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>Jair disse que os EUA eram um parceiro comercial importante e que o Brasil n\u00e3o deveria buscar &#8220;animosidades&#8221; com o pa\u00eds. Tamb\u00e9m afirmou que os brasileiros deviam homenagens aos americanos &#8220;pelo que ocorreu em 1964&#8221;.<\/p>\n<p>Chaloub afirma que essa mudan\u00e7a de posicionamento se explica a partir da transi\u00e7\u00e3o de Bolsonaro de um deputado do baixo clero para um pol\u00edtico com potencial de se tornar uma grande lideran\u00e7a da direita. &#8220;Nesse movimento, ele entra em contato com um ecossistema mais amplo de direita que estava sendo formado, que inclu\u00eda o Instituto Millenium, o Olavo de Carvalho, redes sociais como Orkut e Facebook&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Nesses espa\u00e7os, afirma o professor, havia uma defesa expl\u00edcita de alinhamento aos EUA para se contrapor ao que entendiam como um alinhamento internacional da esquerda a pa\u00edses como Venezuela, Cuba e a Argentina dos Kirchner.<\/p>\n<p>&#8220;Para esse campo [de direita], existe uma guerra civilizacional entre culturas. De um lado est\u00e1 a cultura ocidental crist\u00e3, que estaria amea\u00e7ada. O Brasil faz parte dessa cultura, da qual o pa\u00eds l\u00edder \u00e9 os Estados Unidos.&#8221;<\/p>\n<p>Com a sobreposi\u00e7\u00e3o temporal dos governos Trump e Bolsonaro, o alinhamento da fam\u00edlia aos EUA se acentuou. No ano passado, o ex-presidente afirmou em entrevista ao jornal digital Poder360 que \u00e9 apaixonado por Trump, pelos americanos e pelos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Essa intensifica\u00e7\u00e3o se deu a partir do momento em que o bolsonarismo passou a mimetizar aspectos do Maga, o Make America Great Again (Torne a Am\u00e9rica Grande de Novo), movimento que al\u00e7ou Trump ao poder, afirma Feliciano Guimar\u00e3es, pesquisador do Centro Brasileiro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais.<\/p>\n<p>Ele diz que o Brasil passou a integrar uma &#8220;internacional reacion\u00e1ria iliberal&#8221; capitaneada pelo Maga, segundo a qual &#8220;as elites globalistas, a soma de todas as esquerdas e os burocratas de Estado, est\u00e3o destruindo as fam\u00edlias tradicionais conservadoras e os valores do Ocidente&#8221;.<\/p>\n<p>No segundo mandato de Trump surgiu um novo elemento que aprofundou ainda mais a aproxima\u00e7\u00e3o dos Bolsonaros \u2013uma estrat\u00e9gia americana mais agressiva de enfrentamento \u00e0 China no continente. Por ter uma rela\u00e7\u00e3o mais densa com os chineses, o Brasil se tornou o principal alvo, diz Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>&#8220;A estrat\u00e9gia de seguran\u00e7a nacional do presidente Trump, emitida no final de 2025 para 2026, que coloca as Am\u00e9ricas como o centro de atua\u00e7\u00e3o do governo americano, tem como pano de fundo a disputa com a China&#8221;, afirma ele.<\/p>\n<p>Enquanto se acumulam esc\u00e2ndalos e obst\u00e1culos para a pr\u00e9-campanha de Fl\u00e1vio no territ\u00f3rio nacional, da rela\u00e7\u00e3o com Daniel Vorcaro, do Banco Master, aos entreveros com a madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), o senador busca vit\u00f3rias nos EUA. Comemorou, por exemplo, a decis\u00e3o do governo Trump de classificar fac\u00e7\u00f5es criminosas brasileiras como terroristas.<\/p>\n<p>Por outro lado, o filho de Jair Bolsonaro tenta proteger sua imagem dos estragos do tarifa\u00e7o, mal recebido pelo eleitorado e apoiado pelo irm\u00e3o Eduardo no ano passado. Novas tarifas sobre uma s\u00e9rie de produtos brasileiros foram confirmadas na noite de quarta-feira (15).<\/p>\n<p>Para Guimar\u00e3es, a rela\u00e7\u00e3o de proximidade com o governo americano \u00e9 um &#8220;problema estrat\u00e9gico grave&#8221; para o pr\u00e9-candidato porque o tipo de agressividade que envolve a aplica\u00e7\u00e3o das tarifas gera um efeito conhecido como &#8220;rally around the flag&#8221;. Esse fen\u00f4meno acontece quando, em meio a uma grande crise internacional ou emerg\u00eancia, a popula\u00e7\u00e3o se une em torno do governo.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 meios de Fl\u00e1vio conseguir reverter a percep\u00e7\u00e3o de que esse \u00e9 um governo dos Estados Unidos agressivo aos interesses brasileiros.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Ana Luiza Albuquerque e Laura Intrieri\/Folhapress Foto:\u00a0Arquivo Pessoal Fl\u00e1vio Bolsonaro e Donald Trump Em janeiro de 2019, o rec\u00e9m-eleito presidente Jair Bolsonaro (PL) trocou algumas palavras com o democrata Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos. 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