{"id":54306,"date":"2014-04-03T03:57:38","date_gmt":"2014-04-03T06:57:38","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=54306"},"modified":"2014-04-03T03:57:38","modified_gmt":"2014-04-03T06:57:38","slug":"zabe-da-loca-chega-aos-90-anos-como-um-patrimonio-vivo-da-cultura-de-pernambuco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/zabe-da-loca-chega-aos-90-anos-como-um-patrimonio-vivo-da-cultura-de-pernambuco\/","title":{"rendered":"Zab\u00e9 da Loca chega aos 90 anos como um patrim\u00f4nio vivo da cultura de Pernambuco"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\"><em><strong><span style=\"line-height: 1.5em;\">Chico C\u00e9sar dedicou versos a tocadora de p\u00edfano pernambucana criada em uma gruta<\/span><\/strong><\/em><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"mailto:\">Juliana Colares<\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div>\n<div id=\"abanoticia\">\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" title=\"Zab\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o toca mais p\u00edfano, instrumento que lhe rendeu o t\u00edtulo de revela\u00e7\u00e3o da m\u00fasica brasileira, em 2009. Foto: Teresa Maia\/DP\/D.A Press\" alt=\"Zab\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o toca mais p\u00edfano, instrumento que lhe rendeu o t\u00edtulo de revela\u00e7\u00e3o da m\u00fasica brasileira, em 2009. Foto: Teresa Maia\/DP\/D.A Press\" src=\"http:\/\/imgsapp.diariodepernambuco.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2014\/04\/02\/497213\/20140402094557473455e.jpg\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Zab\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o toca mais p\u00edfano, instrumento que lhe rendeu o t\u00edtulo de revela\u00e7\u00e3o da m\u00fasica brasileira, em 2009. Foto: Teresa Maia\/DP\/D.A Press<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Monteiro (PB) &#8211; Aos 90 anos, Zab\u00e9 da Loca passa o tempo vendo o tempo passar, da varanda da casa de alvenaria doada pelo Incra, \u00e0 beira da estrada, onde mora h\u00e1 oito anos. Natural de Bu\u00edque (PE), vive desde a adolesc\u00eancia em Monteiro, no Cariri paraibano, onde foi \u201cdescoberta\u201d, em 2003, pelo Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Agr\u00e1rio e pelo projeto Dom Helder Camara.<\/p>\n<p>Sorridente, Zab\u00e9 fala pouco. Josivane Caiano &#8211; percussionista, articuladora de cultura, vizinha e uma esp\u00e9cie de filha de considera\u00e7\u00e3o &#8211; diz que a modera\u00e7\u00e3o com as palavras vem do tempo do quase isolamento na loca onde Isabel Marques passou boa parte da vida e de onde saiu o apelido transformado em nome art\u00edstico. A gruta, ela j\u00e1 n\u00e3o visita h\u00e1 mais de um ano. O caminho de 200 metros da estrada at\u00e9 l\u00e1 \u00e9 serra acima, cheio de pedregulhos. Zab\u00e9 tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o toca mais p\u00edfano, instrumento que a fez conhecida e que lhe rendeu o t\u00edtulo de revela\u00e7\u00e3o da m\u00fasica brasileira, em 2009. Fumante desde os 7 anos, ela tem bronquite cr\u00f4nica e passou 22 dias internada no ano passado, tratando um enfisema pulmonar.<\/p>\n<p>Mas o gosto pelas festas \u00e9 o mesmo da juventude. No \u00faltimo anivers\u00e1rio, no come\u00e7o do ano, foi dormir \u00e0s 4h30. Quando relembra diz, rindo, que queria outra comemora\u00e7\u00e3o daquela. \u00c9 nessas horas que a bem-humorada e ativa Zab\u00e9 mais se parece com a adolescente que fugia de casa no meio da noite para dan\u00e7ar e tocar p\u00edfano e tudo quanto era instrumento de percuss\u00e3o no meio das festas, em meio aos homens, sem dar ouvidos a coment\u00e1rios machistas.<\/p>\n<p>Josivane \u00e9 filha, m\u00e3e, amiga e registro oral da mem\u00f3ria de Zab\u00e9. Conta que nem a barriga grande da primeira gesta\u00e7\u00e3o fez a menina, ainda Isabel, ficar longe dos festejos. \u201cPara onde ela ia, levava o p\u00edfano. Naquela \u00e9poca, Zab\u00e9 entrava na festa tocando e dan\u00e7ando. As bandas eram s\u00f3 de homens, imagina o que significava isso\u201d, observa.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, machismo \u00e9 palavra que enra\u00edza entre pedras, igual \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o local. Zab\u00e9 n\u00e3o tinha muito mais que 16 anos quando engravidou pela primeira vez. \u201cO fazendeiro que deu uma terrinha para o pai dela morar dentro das terras dele se engra\u00e7ou dela e a engravidou. A mulher do fazendeiro a expulsou e o pai dela, pra n\u00e3o perder a casa e tudo mais, colocou-a para fora.<br \/>\nEla veio para Santa Catarina (distrito de Monteiro), onde trabalhou nas terras de Manoel Soares, limpando o mato, plantando feij\u00e3o, colhendo algod\u00e3o\u2026 Foi a\u00ed que ela, que aprendeu a tocar p\u00edfano com o irm\u00e3o aos 7 anos, conheceu um baiano, tocador de p\u00edfano, realejo e outros instrumentos de sopro e percuss\u00e3o\u201d, conta Josivane.<\/p>\n<p>Zab\u00e9 casou com Delmiro e foi morar numa casinha de taipa. Delmiro morreu, a casa come\u00e7ou a ruir e Zab\u00e9 decidiu morar na loca. A gruta formada por duas grandes pedras foi fechada por paredes de taipa que ela construiu. Ali, criou dois filhos e um sobrinho. A filha, fruto da primeira gesta\u00e7\u00e3o, foi doada a uma fam\u00edlia que foi morar em Bras\u00edlia. Ela j\u00e1 tinha quase 70 anos quando conheceu a m\u00e3e. Morreu h\u00e1 dois com complica\u00e7\u00f5es card\u00edacas.<\/p>\n<p>Na loca onde morou &#8211; Zab\u00e9 conta que foram 25 anos, mas Josivane acha pouco prov\u00e1vel e diz que pode ter sido muito mais, perto de 50 -, Isabel dormia em uma cama feita com finos peda\u00e7os de madeira postos lado a lado. Hoje, vive em uma casa de dois quartos, dorme em uma cama com colch\u00e3o de espuma, ao lado de um pequeno santu\u00e1rio, onde guarda as imagens de S\u00e3o Jos\u00e9 e de Padre C\u00edcero. Tem TV a cabo, mas n\u00e3o assiste. No quarto de h\u00f3spede, os filhos de Josivane se revezam para n\u00e3o deixar Zab\u00e9 sozinha \u00e0 noite &#8211; \u00e9 s\u00f3 um cuidado, mas ela nem liga. Nas paredes, t\u00edtulos\u00a0 e o cartaz do document\u00e1rio O mundo encantado de Zab\u00e9 da Loca, patrocinado pela Petrobras. Recebe tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos e \u00e9 conhecida na regi\u00e3o como mulher abastada. Parte da renda \u00e9 investida por Josivane em um novo projeto social (o primeiro durou quatro anos), que ensina m\u00fasica, dan\u00e7a, poesia e teatro \u00e0s crian\u00e7as da regi\u00e3o. \u00c9 o Projeto Zab\u00e9 da Loca. Uma forma de perpetuar a arte da Isabel do Cariri e de manter firmes os la\u00e7os do povo do semi\u00e1rido paraibano com a cultura local.<\/p>\n<table>\n<tbody>\n<tr>\n<td><img decoding=\"async\" title=\"Gruta foi fechada por paredes de taipa que a pr\u00f3pria Zab\u00e9 construiu. Foto: Teresa Maia\/DP\/D.A Press\" alt=\"Gruta foi fechada por paredes de taipa que a pr\u00f3pria Zab\u00e9 construiu. Foto: Teresa Maia\/DP\/D.A Press\" src=\"http:\/\/imgsapp.diariodepernambuco.com.br\/app\/noticia_127983242361\/2014\/04\/02\/497213\/20140402094553647419u.jpg\" border=\"0\" \/><\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Gruta foi fechada por paredes de taipa que a pr\u00f3pria Zab\u00e9 construiu. Foto: Teresa Maia\/DP\/D.A Press<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Hist\u00f3ria<br \/>\nDo engano\u2026<br \/>\nO primeiro registro sonoro de Zab\u00e9 foi feito em 1997, quando ela tinha 73 anos. Era a primeira forma\u00e7\u00e3o da banda, com Livino no prato, Bei\u00e7ola e Zab\u00e9 no p\u00edfano, Setenta na caixa e Pinto na zabumba &#8211; Josivane, que toca prato, fez parte da sexta forma\u00e7\u00e3o, que tocou em Olinda no ano passado. \u201cVeio um pessoal aqui e gravou o CD Idade da Pedra. Mas ela nunca recebeu nada por isso. Disseram que n\u00e3o tinham conseguido fazer o CD, mas depois soubemos que o disco existia\u201d, diz Josivane.<\/p>\n<p>\u2026ao encanto<br \/>\nEm dezembro de 2003, o Minist\u00e9rio de Desenvolvimento Agr\u00e1rio gravou, em parceria com o projeto Dom Helder Camara e com a produ\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Quinteto Violado, o primeiro trabalho p\u00fablico de Zab\u00e9. O segundo foi gravado em 2008, no Recife.<\/p>\n<p>M\u00fasica<br \/>\nO compositor e conterr\u00e2neo Chico C\u00e9sar dedicou a Zab\u00e9 os seguintes versos:<\/p>\n<p>\u201cDona Zab\u00e9 da Loca<br \/>\n\u00e9 uma v\u00e9ia bem l\u00f4ca<br \/>\nque toca pife muderno<br \/>\nnuma caverna do sert\u00e3o<br \/>\nDizem que \u00e9 mesmo que t\u00e1 vendo Jimi Hendrix<br \/>\nque aparece assim como se fosse a estrela f\u00eanix<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nDiz que \u00e9 altos empenos<br \/>\nque tem perfume e veneno<br \/>\nno piado que pia a loca\u201d<\/p>\n<p>(M\u00fasica Zab\u00e9)<\/p>\n<p>Discografia<br \/>\nCD Bom todo (2008)<br \/>\nCrioula Record, R$ 24,90<br \/>\nCD Zab\u00e9 da Loca (2003) &#8211; MDA<\/p><\/div>\n<div>Fonte: Di\u00e1rio de Pernambuco<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chico C\u00e9sar dedicou versos a tocadora de p\u00edfano pernambucana criada em uma gruta<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":54307,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-54306","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/zab\u00e9.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54306","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54306"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54306\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54307"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54306"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54306"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54306"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}