{"id":56903,"date":"2014-04-14T16:44:16","date_gmt":"2014-04-14T19:44:16","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=56903"},"modified":"2014-04-14T16:44:16","modified_gmt":"2014-04-14T19:44:16","slug":"site-colaborativo-ajuda-a-mapear-ocorrencias-criminais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/site-colaborativo-ajuda-a-mapear-ocorrencias-criminais\/","title":{"rendered":"Site colaborativo ajuda a mapear ocorr\u00eancias criminais"},"content":{"rendered":"<p>Cansados de conviver com relatos di\u00e1rios de viol\u00eancia urbana como assaltos e roubos, os estudantes de Ci\u00eancias da Computa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia (UFBA), M\u00e1rcio Vicente e Filipe Norton, resolveram colocar em pr\u00e1tica o que aprendiam na faculdade e criaram o site colaborativo Onde Fui Roubado.<\/p>\n<p>Desde que foi lan\u00e7ada, em junho de 2013, a plataforma j\u00e1 recebeu mais de 17 mil den\u00fancias de 399 cidades em todo o Brasil. S\u00e3o Paulo \u00e9 a recordista, seguida por Fortaleza, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>&#8220;Quer\u00edamos mostrar nosso trabalho e, ao mesmo tempo, dar um retorno positivo para a sociedade. Ent\u00e3o, desenvolvemos um espa\u00e7o onde \u00e9 poss\u00edvel compartilhar informa\u00e7\u00f5es sobre assaltos com todos os cidad\u00e3os&#8221;, explicou Vicente. Eles tamb\u00e9m oferecem dicas de seguran\u00e7a como evitar locais mal iluminados, n\u00e3o abrir bolsas e carteiras perto de estranhos ou deixar documentos no carro.<\/p>\n<p>Dispon\u00edvel em 60% das cidades brasileiras (aquelas que s\u00e3o alcan\u00e7adas pelo Google Maps), o site ajuda a mapear as ocorr\u00eancias a partir das den\u00fancias an\u00f4nimas das pr\u00f3prias v\u00edtimas. Na p\u00e1gina, a pessoa informa local, data, hor\u00e1rio, objetos roubados e o pr\u00f3prio sexo. Al\u00e9m de fazer um breve relato sobre a ocorr\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel selecionar sete tipos de crime, desde furto at\u00e9 assalto \u00e0 m\u00e3o armada e sequestro rel\u00e2mpago.<\/p>\n<p>Hoje, o Onde Fui Roubado tem entre 20 mil e 30 mil visualiza\u00e7\u00f5es por dia, entre pessoas que denunciam a viol\u00eancia e que monitoram dados e locais com maior incid\u00eancia criminal.<\/p>\n<p>Sem falar em investimentos financeiros, Vicente disse que &#8220;o esfor\u00e7o foi relativamente alto para um retorno de conhecimento elevado&#8221;. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 lan\u00e7ar um aplicativo para celulares com sistemas operacionais iOS e Android.<\/p>\n<p>REGISTROS<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo lidera o ranking com mais de 2.400 den\u00fancias e preju\u00edzo de R$ 4,6 milh\u00f5es em dez meses. Do total de ocorr\u00eancias apenas 58% das v\u00edtimas registraram boletins nas delegacias da cidade. O crime de maior incid\u00eancia \u00e9 o assalto \u00e0 m\u00e3o armada, seguido de furo, a maioria deles cometidos nos bairros Consola\u00e7\u00e3o e Vila Mariana.<\/p>\n<p>Diferentemente de S\u00e3o Paulo, em Fortaleza a maioria dos crimes \u00e9 cometida durante o dia. L\u00e1, apenas 47% das 1.900 den\u00fancias do site viraram boletins de ocorr\u00eancia. Em Belo Horizonte, o preju\u00edzo das v\u00edtimas chegou a R$ 5,6 milh\u00f5es. Das 1.790 den\u00fancias, 59% viraram boletins de ocorr\u00eancia.<\/p>\n<p>No Rio foram 1.400 registros na p\u00e1gina, a maioria (960) sobre roubo de celulares, mas apenas 46% das v\u00edtimas registraram boletins de ocorr\u00eancia. O centro \u00e9 o bairro mais perigoso da cidade, seguido pela Barra da Tijuca, na zona oeste. Os preju\u00edzos ultrapassam R$ 2,2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Vicente e Norton orientam as v\u00edtimas a procurarem a pol\u00edcia para registrar as ocorr\u00eancias. No entanto, apenas 47% seguem o conselho. &#8220;Alguns policiais e delegados de v\u00e1rias cidades entraram em contato conosco informalmente e disseram que usam nossos dados tamb\u00e9m nas estat\u00edsticas de criminalidade, porque muitas den\u00fancias do site n\u00e3o chegam na delegacia&#8221;, disse Vicente. Eles tamb\u00e9m j\u00e1 foram procurados pela Secretaria de Seguran\u00e7a de Belo Horizonte, mas as negocia\u00e7\u00f5es n\u00e3o avan\u00e7aram.<\/p>\n<p>SEGURAN\u00c7A<\/p>\n<p>Para o soci\u00f3logo Bruno Cardoso, do N\u00facleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Viol\u00eancia Urbana (NECVU\/UFRJ)os aplicativos refletem a cultura participativa e colaborativa atual. &#8220;Para a maioria das pessoas, o boletim de ocorr\u00eancia \u00e9 s\u00f3 uma coisa burocr\u00e1tica. Os aplicativos se baseiam na coletividade e criam um banco de dados relativamente neutro e de f\u00e1cil acesso que pode ser usado para pensar a seguran\u00e7a local&#8221;. (Ag\u00eancia Estado)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cansados de conviver com relatos di\u00e1rios de viol\u00eancia urbana como assaltos e roubos, os estudantes de Ci\u00eancias da Computa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal da Bahia (UFBA), M\u00e1rcio Vicente e Filipe Norton, resolveram colocar em pr\u00e1tica o que aprendiam na faculdade e criaram o site colaborativo Onde Fui Roubado. 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