{"id":579,"date":"2013-07-03T16:57:36","date_gmt":"2013-07-03T19:57:36","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=579"},"modified":"2013-07-19T23:16:15","modified_gmt":"2013-07-20T02:16:15","slug":"feira-literaria-de-paraty-2013-traz-tematica-social-e-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/feira-literaria-de-paraty-2013-traz-tematica-social-e-politica\/","title":{"rendered":"Feira Liter\u00e1ria de Paraty 2013 traz tem\u00e1tica social e pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>Homenageado da 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty (Flip), Graciliano Ramos costumava dizer que &#8220;a literatura \u00e9 revolucion\u00e1ria em ess\u00eancia&#8221;. Com tem\u00e1tica social e texto engajado, a obra do alagoano continua atual e, coincid\u00eancia ou n\u00e3o, \u00e9 celebrada na Flip no momento em que o pa\u00eds passa por uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es que pedem mudan\u00e7as. O evento come\u00e7a nesta quarta-feira (3) e vai at\u00e9 domingo.<\/p>\n<p>&#8220;Graciliano nunca foi panflet\u00e1rio, nunca escreveu pautado pelo partido [o escritor foi do Partido Comunista Brasileiro]. As preocupa\u00e7\u00f5es sociais estavam no texto de forma natural&#8221;, analisou o neto de Graciliano e tamb\u00e9m escritor Ricardo Ramos Filho, em entrevista ao UOL.<\/p>\n<p>Autor de romances consagrados, como &#8220;Vidas Secas&#8221; e &#8220;S\u00e3o Bernardo&#8221;, Graciliano Ramos nasceu em 1892, em Quebrangulo (AL), mas cresceu no interior de Pernambuco. Passou parte da juventude em Palmeira dos \u00cdndios (AL), trabalhando ao lado do pai em uma loja de tecidos, e no Rio, onde foi revisor de jornais. Em 1928, de volta ao Nordeste, foi eleito prefeito de Palmeira, experi\u00eancia que serviu de base para seu primeiro livro, &#8220;Caet\u00e9s&#8221;.<\/p>\n<p>Como prefeito, em 1929, produziu relat\u00f3rios para o governado de Alagoas nos quais narrava com ironia os problemas e a burocracia, chamando aten\u00e7\u00e3o para sua escrita. Manteve a produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria paralelamente \u00e0 vida pol\u00edtica. Ocupou distintos cargos p\u00fablicos, entre eles o de diretor de Instru\u00e7\u00e3o P\u00fablica de Alagoas, at\u00e9 ser preso em 1936 (quando j\u00e1 havia escrito &#8220;Caet\u00e9s&#8221; e &#8220;S\u00e3o Bernardo&#8221;), experi\u00eancia que inspirou o romance &#8220;Mem\u00f3rias do C\u00e1rcere&#8221;. Em 1945, entrou para o Partido Comunista Brasileiro e publicou o livro de mem\u00f3rias &#8220;Inf\u00e2ncia&#8221;. Morreu em 1952, v\u00edtima de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar de todas as mudan\u00e7as na hist\u00f3ria pol\u00edtica do Brasil desde ent\u00e3o, Ricardo Ramos Filho acredita que pouco mudaria no modo de Graciliano contar suas hist\u00f3rias. &#8220;Toda a vida ele se posicionou e certamente isso estaria no texto dele hoje tamb\u00e9m&#8221;, disse. O escritor tamb\u00e9m apoiaria a multid\u00e3o que decidiu levar suas reivindica\u00e7\u00f5es para as ruas do pa\u00eds nas \u00faltimas semanas, na opini\u00e3o do neto.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que ele concordaria que est\u00e1 tudo errado, que as coisas precisam mudar. Apoiaria o povo nas ruas, o povo que reclama da corrup\u00e7\u00e3o, da viol\u00eancia excessiva e da sa\u00fade precar\u00edssima. Mas tamb\u00e9m estaria com todas as d\u00favidas que todo mundo tem sobre para onde isso vai&#8221;, opinou Ricardo.<\/p>\n<p>Para ele, a obra que conta a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia de retirantes enfrentando a seca no sert\u00e3o brasileiro seria escrita exatamente como h\u00e1 75 anos: &#8220;Se ele fosse escrever &#8216;Vidas Secas&#8217; hoje, escreveria o mesmo livro. Continua tudo igualzinho, com os mesmos problemas. Fabiano e Sinh\u00e1 Vit\u00f3ria ainda est\u00e3o l\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Graciliano na Flip<br \/>\nAs homenagens ao autor come\u00e7am na confer\u00eancia de abertura da Flip, nesta quarta-feira, com Milton Hatoum. Conhecedor da obra do autor alagoano, Hatoum combinar\u00e1 relatos pessoais de seu encontro com os livros de Graciliano com a discuss\u00e3o sobre a import\u00e2ncia de seu trabalho para a cultura brasileira, da literatura \u00e0 pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Na Tenda dos Autores, outros dois debates t\u00eam Graciliano como tema. Na sexta-feira, \u00e0s 10h, a mesa &#8220;Graciliano Ramos: ficha pol\u00edtica&#8221; re\u00fane o bi\u00f3grafo do escritor, D\u00eanis de Moraes, o soci\u00f3logo Sergio Miceli e o brasilianista americano Randal Johnson para discutir o envolvimento do escritor com a conjuntura brasileira de sua \u00e9poca. A partir das 11h de domingo, a mesa &#8220;Graciliano Ramos: pol\u00edticas da escrita&#8221; ter\u00e1 os professores Wander Melo Miranda, Lourival Holanda e Erwin Torralbo Gimenez para explorar os elementos usados por Graciliano em seus livros para construir as rela\u00e7\u00f5es entre linguagem, escrita e cr\u00edtica social.<\/p>\n<p>O escritor alagoano ainda ser\u00e1 tema de um debate sobre suas adapta\u00e7\u00f5es para o cinema e de uma mesa na Flipinha, al\u00e9m de uma exposi\u00e7\u00e3o e outros eventos paralelos. (UOL)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homenageado da 11\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Festa Liter\u00e1ria Internacional de Paraty (Flip), Graciliano Ramos costumava dizer que &#8220;a literatura \u00e9 revolucion\u00e1ria em ess\u00eancia&#8221;. 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