{"id":61155,"date":"2015-05-19T14:08:32","date_gmt":"2015-05-19T17:08:32","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=61155"},"modified":"2015-05-19T14:08:32","modified_gmt":"2015-05-19T17:08:32","slug":"cpi-do-assassinato-de-jovens-realiza-primeira-audiencia-e-ouve-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cpi-do-assassinato-de-jovens-realiza-primeira-audiencia-e-ouve-especialistas\/","title":{"rendered":"CPI do Assassinato de Jovens realiza primeira audi\u00eancia e ouve especialistas"},"content":{"rendered":"<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Estudos apontam escalada da viol\u00eancia no Nordeste\u00a0<\/strong><\/em><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">A CPI que investiga os assassinatos de jovens no Brasil realizou, na noite desta segunda-feira (18), a primeira audi\u00eancia p\u00fablica com especialistas em seguran\u00e7a p\u00fablica e direitos humanos. O encontro, no Senado Federal, contou com a presen\u00e7a do professor Ignacio Cano, fundador do Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise de Viol\u00eancia, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ); Marcelo Nery, pesquisador do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e Michel Misse, integrante do N\u00facleo de Estudos de Cidadania, Conflito e Viol\u00eancia Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Para a presidente da CPI, senadora L\u00eddice da Mata (PSB-BA), o trabalho da comiss\u00e3o mostra ao Brasil que a realidade da viol\u00eancia entre os jovens \u201cinfelizmente existe\u201d. A senadora lamentou que, apesar de serem \u201ct\u00e3o assustadores\u201d, os dados da viol\u00eancia sejam \u201cignorados e invis\u00edveis para a popula\u00e7\u00e3o\u201d. Segundo a senadora, a comiss\u00e3o poder\u00e1, ao fim dos trabalhos, propor pol\u00edticas p\u00fablicas que possam reverter ou diminuir a viol\u00eancia contra a juventude e apresentar propostas legislativas que valorizem a juventude.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-presidente da CPI, lamentou que a juventude brasileira esteja morrendo pela mil\u00edcia, pelo tr\u00e1fico e pela pol\u00edcia. Ele tamb\u00e9m apontou que h\u00e1 uma diferen\u00e7a de tratamento da pol\u00edcia entre os lugares mais humildes e as regi\u00f5es mais ricas das cidades. O senador ainda voltou a defender uma reforma na pol\u00edcia. A senadora F\u00e1tima Bezerra (PT-RN) afirmou que a CPI \u00e9 importante como um instrumento para contribuir com uma reflex\u00e3o sobre o tema, apontando o caminho mais adequado para o combate \u00e0 viol\u00eancia entre os jovens.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">A pesquisa apresentada por Cano usou dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, do DataSus e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), coletados no per\u00edodo entre os anos de 2000 e 2012. Segundo Ign\u00e1cio Cano, 30% dos jovens morreram v\u00edtimas de homic\u00eddio no ano 2000. O n\u00famero subiu para 36,5% no ano de 2012. Na popula\u00e7\u00e3o em geral, o \u00edndice ficou est\u00e1vel, perto dos 5%, ao longo do mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 \u00c9 um tema de extrema gravidade, que o Brasil tende a esquecer \u2014 lamentou Cano.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Segundo o professor, as proje\u00e7\u00f5es apontam que, a cada mil jovens, 3,3 perder\u00e3o a vida por homic\u00eddio antes de completarem a adolesc\u00eancia. De acordo com Cano, a pesquisa registrou que uma mudan\u00e7a ocorreu ao longo dos anos no topo do ranking das regi\u00f5es mais violentas do pa\u00eds, que mudou das grandes cidades do Sudeste para a regi\u00e3o Nordeste. Ele informou que os registros de homic\u00eddio entre os jovens s\u00e3o maiores no Nordeste e menores na regi\u00e3o Sul. Alagoas tem mais que o dobro da m\u00e9dia nacional. Fortaleza, Macei\u00f3 e Salvador s\u00e3o as cidades mais violentas para a juventude.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><b>Jovens negros<\/b><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">A pesquisa do Unicef, acrescentou o professor Cano, tamb\u00e9m mostra que os meninos t\u00eam risco de serem assassinados 12 vezes maior que as meninas. O risco de meninos morrerem por arma de fogo \u00e9 mais de quatro vezes maior do que o de meninas morrerem por todos os motivos. A quest\u00e3o racial tamb\u00e9m tem peso na pesquisa. Jovens negros t\u00eam tr\u00eas vezes mais chances de morrerem por homic\u00eddios que os jovens brancos.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o de Ign\u00e1cio Cano, os sistemas educacionais de qualidade e os programas de transfer\u00eancia de renda podem colaborar com a prote\u00e7\u00e3o dos jovens diante da viol\u00eancia. Ele tamb\u00e9m pediu um controle mais r\u00edgido de armas \u2013 j\u00e1 que \u201cmais de 80% dos assassinatos s\u00e3o com arma de fogo\u201d \u2013, um maior fortalecimento de pol\u00edticas sociais, o incremento do combate \u00e0 impunidade e a amplia\u00e7\u00e3o de planos de preven\u00e7\u00e3o e programas de prote\u00e7\u00e3o a crian\u00e7as e adolescentes.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">O professor Marcelo Nery, pesquisador do N\u00facleo de Estudos da Viol\u00eancia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), registrou que o jovem \u00e9, ao mesmo tempo, a principal v\u00edtima e o principal ator da viol\u00eancia, e isso \u00e9 \u201cuma tend\u00eancia mundial\u201d. Nery apresentou pesquisas que apontam que pessoas negras e de baixa renda s\u00e3o as principais v\u00edtimas da viol\u00eancia. Segundo o professor, o risco de negros brasileiros serem atingidos pela viol\u00eancia \u00e9 de 70 por 100 mil habitantes. Entre os brancos, o n\u00famero cai para 27 por 100 mil habitantes.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><b>Pol\u00edcia<\/b><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">O pesquisador Nery tamb\u00e9m pediu um foco mais regionalizado no combate \u00e0 viol\u00eancia, j\u00e1 que as raz\u00f5es dos crimes podem mudar conforme a regi\u00e3o e o per\u00edodo pesquisado. Segundo Nery, o pa\u00eds precisa criar uma tradi\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia de combate ao crime, envolver a sociedade civil e formar profissionais qualificados e em quantidade suficiente para aplicar pol\u00edticas p\u00fablicas, como forma de combater a viol\u00eancia. Ele ainda apontou que o jovem negro carrega estigmas e enfrenta preconceitos, por ser v\u00edtima de condi\u00e7\u00f5es sociais mais desfavor\u00e1veis.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">\u2014 Os suspeitos t\u00eam um perfil para o policial. Eles est\u00e3o em certo lugar, t\u00eam certa cor e certa classe social. Isso tem que ser quebrado \u2014 pediu.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\">Integrante do N\u00facleo de Estudos de Cidadania, Conflito e Viol\u00eancia Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o professor Michel Misse lamentou a falta de dados sobre a autoria dos crimes no Brasil. Ele pediu para CPI buscar a vincula\u00e7\u00e3o da quest\u00e3o do assassinato de jovens \u00e0 falta de dados sobre a autoria de crimes. Como forma de combater a viol\u00eancia entre os jovens, Misse sugeriu a desmilitariza\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia, a valoriza\u00e7\u00e3o da carreira policial e a integra\u00e7\u00e3o de sistemas de combate \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p class=\"ecxMsoNormal\" style=\"text-align: justify;\"><i>Com informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Senado<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A CPI que investiga os assassinatos de jovens no Brasil realizou, na noite desta segunda-feira (18), a primeira audi\u00eancia p\u00fablica com especialistas em seguran\u00e7a p\u00fablica e direitos humanos. O encontro, no Senado Federal, contou com a presen\u00e7a do professor Ignacio Cano, fundador do<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-61155","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61155","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=61155"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/61155\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=61155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=61155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=61155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}