{"id":62436,"date":"2015-05-25T02:34:35","date_gmt":"2015-05-25T05:34:35","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=62436"},"modified":"2015-05-25T02:34:35","modified_gmt":"2015-05-25T05:34:35","slug":"presidios-a-escola-do-crime","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/presidios-a-escola-do-crime\/","title":{"rendered":"Pres\u00eddios, a escola do crime"},"content":{"rendered":"<header>\n<div class=\"row\">\n<h1 class=\"col-xs-13\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"col-xs-13\" style=\"text-align: justify;\">Pesquisa de VEJA comprova que os bandidos no Brasil saem da cadeia muito mais perigosos do que quando entraram: o estelionat\u00e1rio vira traficante; o contrabandista, sequestrador; e o ladr\u00e3o, assassino \u2014 como ocorreu com o menor H.A.S., que passou treze vezes por institui\u00e7\u00f5es do Estado antes de ser acusado de matar a facadas o m\u00e9dico Jaime Gold, no Rio<\/h2>\n<\/div>\n<p class=\"author row\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"prefixo-autor\">Por: <\/span><strong>Kalleo Coura<\/strong><\/p>\n<p class=\"author row\" style=\"text-align: justify;\">\n<\/header>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"content col-xs-13\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"O m\u00e9dico Jaime Gold, de 56 anos, pedalava na Lagoa Rodrigo de Freitas no dia 19 quando, segundo testemunhas, foi esfaqueado pelo menor H.A.S., de 16 anos. Ele n\u00e3o resistiu aos ferimentos. O autor do ataque j\u00e1 havia sido apreendido tr\u00eas vezes antes disso\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/05\/22\/2146\/pe6Cx\/alx_crime-jaime-gold-rj-2015-7-jpeg_original.jpeg?1432341966\" alt=\"O m\u00e9dico Jaime Gold, de 56 anos, pedalava na Lagoa Rodrigo de Freitas no dia 19 quando, segundo testemunhas, foi esfaqueado pelo menor H.A.S., de 16 anos. Ele n\u00e3o resistiu aos ferimentos. O autor do ataque j\u00e1 havia sido apreendido tr\u00eas vezes antes disso\" \/><figcaption>O m\u00e9dico Jaime Gold, de 56 anos, pedalava na Lagoa Rodrigo de Freitas no dia 19 quando, segundo testemunhas, foi esfaqueado pelo menor H.A.S., de 16 anos. Ele n\u00e3o resistiu aos ferimentos. O autor do ataque j\u00e1 havia sido apreendido tr\u00eas vezes antes disso<span class=\"credito\">(Jos\u00e9 Lucena\/FuturaPress\/Folhapress)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<section class=\"info-img-articles\">\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Infogr\u00e1fico: Pres\u00eddios, a escola do crime\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/05\/22\/2141\/infografico-presidios-a-escola-do-crime-original.jpeg?1432341638\" alt=\"Infogr\u00e1fico: Pres\u00eddios, a escola do crime\" \/><figcaption><span class=\"credito\">(VEJA.com\/VEJA)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na manh\u00e3 de 26 de novembro de 1989, Julio Cesar Guedes de Moraes, de 18 anos, aproximou-se do Porsche azul parado na esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta e, arma em punho, mandou que o motorista lhe entregasse o Rolex de ouro que levava no pulso. A v\u00edtima, um executivo, passou-lhe o rel\u00f3gio, mas, assim que o bandido se afastou, gritou: &#8220;Pega ladr\u00e3o!&#8221;. O ladr\u00e3o chegou a atirar, mas a pol\u00edcia apareceu e o prendeu. Moraes passou oito meses na cadeia at\u00e9 conseguir fugir. Voltou a roubar, assaltou bancos e acabou preso novamente. Em 1993, quando dividia pela quarta vez uma cela abarrotada de criminosos de todos os calibres, entrou para uma fac\u00e7\u00e3o criminosa rec\u00e9m-criada. Fugiu, foi preso outra vez e, em 1995, assassinou tr\u00eas detentos a golpes de faca junto com catorze comparsas. Em 2002, depois de uma sangrenta troca de comando na fac\u00e7\u00e3o, Julio de Moraes, o ladr\u00e3o que havia sido preso pela primeira vez ao tentar roubar um rel\u00f3gio, j\u00e1 tinha outro nome e outro status: era Julinho Carambola, o segundo homem do PCC, a fac\u00e7\u00e3o criminosa que domina os pres\u00eddios de S\u00e3o Paulo e \u00e0 qual se atribui a morte de centenas de homens, dentro e fora das cadeias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-62437 size-full\" src=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MARTEZ.jpg\" alt=\"MARTEZ\" width=\"500\" height=\"350\" srcset=\"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MARTEZ.jpg 500w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MARTEZ-300x210.jpg 300w, https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MARTEZ-439x307.jpg 439w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A transforma\u00e7\u00e3o de Moraes em Julio Carambola \u00e9 um exemplo extremo de como o sistema penitenci\u00e1rio brasileiro \u00e9 capaz de piorar os que nele desembarcam. Durante dois meses, VEJA analisou os 1\u2009306 processos de execu\u00e7\u00e3o penal dos criminosos mais perigosos de S\u00e3o Paulo, encarcerados na Penitenci\u00e1ria 2 de Presidente Venceslau e na Penitenci\u00e1ria 1 de Avar\u00e9. De cada dez detentos, nove cometeram crimes repetidas vezes &#8211; os chamados reincidentes. O que a an\u00e1lise da sequ\u00eancia e da natureza desses delitos revela \u00e9 impressionante: tr\u00eas em cada quatro reincidentes cometeram crimes mais graves a cada pris\u00e3o. Em outras palavras, o que o levantamento indica \u00e9 que um bandido quase sempre sai da cadeia mais perigoso do que quando entrou. Que um estelionat\u00e1rio vira um traficante; um contrabandista, um sequestrador; um ladr\u00e3o, um assassino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para analisar essa evolu\u00e7\u00e3o, a reportagem se baseou em tr\u00eas crit\u00e9rios: crimes contra a vida s\u00e3o mais graves que aqueles contra o patrim\u00f4nio; crimes com penas mais altas s\u00e3o mais graves que aqueles com penas menores; e, em caso de pris\u00f5es pelo mesmo crime, uma diferen\u00e7a de escala tamb\u00e9m torna o crime mais grave &#8211; uma pris\u00e3o por posse de 2 quilos de maconha foi considerada &#8220;mais grave&#8221; que outra por posse de 200 gramas, por exemplo. No Brasil, a letalidade de um criminoso avan\u00e7a quanto mais ele passa por institui\u00e7\u00f5es cuja finalidade \u00e9 cont\u00ea-la. E esse processo pode ter in\u00edcio bem antes da maioridade, como mostra a hist\u00f3ria do adolescente H.A.S.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa de VEJA comprova que os bandidos no Brasil saem da cadeia muito mais perigosos do que quando entraram: o estelionat\u00e1rio vira traficante; o contrabandista, sequestrador; e o ladr\u00e3o, assassino \u2014 como ocorreu com o menor H.A.S., que passou treze vezes por institui\u00e7\u00f5es do Estado antes de ser acusado de matar a facadas o m\u00e9dico [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":62437,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-62436","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noalvo"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/05\/MARTEZ.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62436","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62436"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62436\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62437"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}