{"id":63415,"date":"2015-05-29T03:23:50","date_gmt":"2015-05-29T06:23:50","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=63415"},"modified":"2015-05-29T03:23:50","modified_gmt":"2015-05-29T06:23:50","slug":"apos-milhares-de-execucoes-comuna-de-paris-e-encerrada-pelo-exercito-frances","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/apos-milhares-de-execucoes-comuna-de-paris-e-encerrada-pelo-exercito-frances\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s milhares de execu\u00e7\u00f5es, Comuna de Paris \u00e9 encerrada pelo Ex\u00e9rcito franc\u00eas"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"bigtitle\" style=\"text-align: justify;\" data-section=\"MEM\u00d3RIA\"><\/h1>\n<p style=\"text-align: justify;\"><time class=\"time d-b\" datetime=\"2015-05-29BRT03:05\">Max Altman\u00a0<\/time><\/p>\n<div class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Seriam quatro mil communards mortos. Entre as for\u00e7as do governo, n\u00famero n\u00e3o chegou a 900<\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"___plusone_0\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"descript\">\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia 28 de maio de 1871, ao longo da chamada \u201cSemana Sangrenta\u201d, a Comuna de Paris deixava de existir. Ao pre\u00e7o de v\u00e1rias dezenas de milhares de execu\u00e7\u00f5es e pris\u00f5es, Adolphe Thiers podia se vangloriar de ter libertado o pa\u00eds da \u201cquest\u00e3o social\u201d, tema que permaneceria ausente da cena pol\u00edtica francesa at\u00e9 1936.<\/p>\n<p><sup>WikiCommons<\/sup><\/p>\n<div class=\"img-vertical fl-l\" style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/comuna.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<div class=\"img-vertical-descript\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Dez semanas antes, em 18 de mar\u00e7o, os parisienses viviam subjugados \u00e0s tropas do governo, humilhados pela derrota de seu pa\u00eds diante dos prussianos e irritados por estarem subordinados a um estado de s\u00edtio. O chefe do Executivo, Adolphe Thiers, havia deixado Paris e se instalado em Versalhes. Um movimento improvisado se insurge e assume o poder na capital, dando origem \u00e0 Comuna de Paris.<\/p>\n<p>No entanto, desde a assinatura em 10 de maio do Tratado de Paz com a Alemanha, Thiers obt\u00e9m da Pr\u00fassia a liberta\u00e7\u00e3o antecipada de 60 mil soldados. Com o contingente recuperado, lan\u00e7a imediatamente contra a capital cinco batalh\u00f5es do Ex\u00e9rcito. Eram 130 mil homens, entre presidi\u00e1rios e camponeses, recrutados e treinados \u00e0s pressas para enfrentar a \u201ccanalha vermelha\u201d.<\/p>\n<p>As tropas eram comandadas pelo marechal Mac-Mahon, o mesmo que havia sido derrotado em Sedan pelos prussianos. Diante delas, os Communards s\u00f3 puderam alinhar cerca de 20 mil combatentes. Os primeiros confrontos ocorreram em 2 e 3 de abril. Em 10 de maio, na capital, Charles Delescluze assume o comando das opera\u00e7\u00f5es militares.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s ter conquistado os fortes de Vanves e de Issy, Mac-Mahon lan\u00e7a um assalto decisivo em 21 de maio, no bairro do Point du Jour, em Boulogne. Thiers determina um avan\u00e7o lento e prudente nas ruas de Paris. Ap\u00f3s violentas explos\u00f5es, o bairro de Belleville, a leste, foi o \u00faltimo a cair. Os combates de rua deixam quatro mil mortos. Apenas 877 membros das tropas governistas seriam mortos.<\/p>\n<p>Mais al\u00e9m, houve ainda as v\u00edtimas da repress\u00e3o: aqueles considerados suspeitos eram mortos metodicamente. Vinte comitivas militares ligadas \u00e0s grandes unidades julgavam rapidamente homens e mulheres apanhados com armas nas m\u00e3os. Os r\u00e9us eram fuzilados no pr\u00f3prio lugar.<\/p>\n<p>O Muro dos Federados, no cemit\u00e9rio P\u00e8re Lachaise, conserva a lembran\u00e7a de 147 combatentes que foram fuzilados nas cercanias e dos milhares de cad\u00e1veres que foram sepultados em uma vala vizinha. Das longas filas de prisioneiros que eram conduzidos \u00e0s deten\u00e7\u00f5es de Versalhes, o general Marqu\u00eas de Gallifet destacava os homens de cabelos grisalhos e mandava fuzil\u00e1-los. Isso pela simples suspeita de que j\u00e1 haviam participado da revolu\u00e7\u00e3o de junho de 1848.<\/p>\n<p>Os Communards, inexperientes e apavorados com as masmorras de Versalhes, sequestram e liquidam cerca de 80 ref\u00e9ns. Tamb\u00e9m criariam focos de inc\u00eandio que, ao lado dos bombardeios, destruiriam importantes monumentos hist\u00f3ricos, como o Pal\u00e1cio das Tuileries, o Pal\u00e1cio de Justi\u00e7a g\u00f3tico, o H\u00f4tel de Ville, o Palais-Royal e o Pal\u00e1cio d&#8217;Orsay. Das ru\u00ednas deste \u00faltimo foi constru\u00edda a esta\u00e7\u00e3o de trens que abrigou a Exposi\u00e7\u00e3o Universal de 1900. Preciosas cole\u00e7\u00f5es de arte e arquivos de valor incalcul\u00e1vel desapareceriam durante a Semana Sangrenta.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/comuna1.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Essas destrui\u00e7\u00f5es iriam privar Paris de alguns flor\u00f5es de seu patrim\u00f4nio arquitet\u00f4nico. Essa cidade, que se orgulha tanto de seu passado hist\u00f3rico, n\u00e3o disp\u00f5e de monumentos que remontem al\u00e9m do s\u00e9culo XVII. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o \u00e9 o pal\u00e1cio do Louvre, a igreja de Notre Dame e algumas outras do centro.<\/p>\n<p>O balan\u00e7o final da Semana Sangrenta foi de cerca de 20 mil v\u00edtimas e 38 mil pris\u00f5es. Isso tudo sem contar as penalidades jur\u00eddicas: tribunais pronunciariam at\u00e9 1877 um total de cerca de 50 mil julgamentos. Houve algumas condena\u00e7\u00f5es \u00e0 morte e cerca de 10 mil deporta\u00e7\u00f5es. As leis de anistia s\u00f3 viriam dez anos mais tarde, em 1879 e 1880. Apenas a partir desse marco prisioneiros seriam libertados e deportados, enquanto exilados poderiam retornar ao pa\u00eds.<\/p>\n<figure class=\"img-show\">\n<div class=\"photlr\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/figure>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seriam quatro mil communards mortos. 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