{"id":63983,"date":"2015-06-01T03:44:08","date_gmt":"2015-06-01T06:44:08","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=63983"},"modified":"2015-06-01T03:47:13","modified_gmt":"2015-06-01T06:47:13","slug":"63983","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/63983\/","title":{"rendered":"90 anos de O Globo: Contando hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<div class=\"corpo novo inicio large-16 columns\" data-scroll-index=\"0\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"large-16 columns\">\n<p class=\"preTitle\" style=\"text-align: justify;\">90 anos O GLOBO<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"foto-principal-capitulo\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"As provas do Circuito da G\u00e1vea, entre 1933 e 1935 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16306890-d40-2f4\/FT1500A\/650\/O-Globo.jpg\" alt=\"As provas do Circuito da G\u00e1vea, entre 1933 e 1935 Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\" width=\"1500\" height=\"650\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"row\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"large-16 columns\">\n<div class=\"head-materia\">\n<div id=\"title\"><\/div>\n<h1>Contando hist\u00f3rias<\/h1>\n<h2>Em 90 anos, O GLOBO publicou mais de 3 milh\u00f5es de reportagens, muitas delas hist\u00f3ricas<\/h2>\n<div class=\"resumo-capitulos\">\n<p>Em 29 de julho, quando O GLOBO completar 90 anos, ter\u00e1 levado a seus leitores 29.882 edi\u00e7\u00f5es. Com m\u00e9dia mensal de tr\u00eas mil reportagens, ter\u00e1 publicado 3,2 milh\u00f5es desde 1925. Not\u00edcias que afetaram em cheio a vida neste pa\u00eds e no mundo.<\/p>\n<p>De hoje e at\u00e9 a data oficial da comemora\u00e7\u00e3o, uma s\u00e9rie lembrar\u00e1 algumas das coberturas mais relevantes. Hoje, ser\u00e3o conhecidos a hist\u00f3ria por tr\u00e1s da primeira manchete \u2014 dedicada \u00e0 borracha brasileira \u2014, a aventura de cobrir os 25 mil quil\u00f4metros da Coluna Prestes, o dia a dia da montagem do Cristo Redentor e a adrenalina do automobilismo no Circuito da G\u00e1vea. O leitor ver\u00e1 ainda que o debate por uma educa\u00e7\u00e3o de qualidade existe desde os anos 30, com An\u00edsio Teixeira e Cec\u00edlia Meireles, e que a Guerra Civil Espanhola teve uma cobertura em \u201ctempo real\u201d na \u00e9poca, com oito edi\u00e7\u00f5es impressas num s\u00f3 dia. A nova s\u00e9rie se junta aos depoimentos de leitores \u2014 dispon\u00edveis no site do jornal \u2014 e \u00e0 se\u00e7\u00e3o \u201cPor Dentro\u201d especial, na p\u00e1gina 2.<\/p>\n<p>* Danielle Nogueira, Cristina Tard\u00e1guila, Barbara Marcolini, Cl\u00e1udio Nogueira, Paula Ferreira e Andr\u00e9 Lobato<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row hr\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"large-16 columns\">\n<div class=\"capituloPage corpo novo large-16 columns\" style=\"text-align: justify;\" data-scroll-index=\"1\">\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16306667-58f-f45\/FT1086A\/420\/O-Globo.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>A primeira manchete do GLOBO<\/figcaption><figcaption><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ads.globo.com\/RealMedia\/ads\/adstream_lx.ads\/ogcoglobo8\/sociedade\/materia\/L28\/1397196856\/x20\/ocg\/4424-1_expedia_150416_OGlobo_ROS_comHome_Retangulo_Todos_Y_R_898\/tag_ret_globo_ros_expedia_230586.html\/795169435756564e41367741427a6d6c?_RM_EMPTY_&amp;topico=90-anos-O-GLOBO&amp;entidade=Globo&amp;idArtigo=16302144&amp;gender=1&amp;age=5&amp;education=2&amp;interest=137&amp;interest=61&amp;interest=62&amp;interest=10&amp;interest=66&amp;interest=3&amp;interest=8&amp;interest=1&amp;interest=27&amp;interest=150&amp;interest=146&amp;interest=122&amp;interest=95&amp;interest=96&amp;interest=101&amp;interest=18&amp;interest=19&amp;interest=15&amp;interest=156&amp;product=107&amp;product=17&amp;income=1&amp;marital=1&amp;cluster=41\" alt=\"\" width=\"1\" height=\"1\" \/><br \/>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Na primeira manchete, uma hist\u00f3ria de economia: \u201cVoltam-se as vistas para a nossa borracha\u201d, estampava o GLOBO em 29 de julho de 1925. O assunto era o burburinho em torno da expectativa da vinda do empres\u00e1rio americano Henry Ford ao Brasil. A reportagem dizia que Ford era esperado em breve no Par\u00e1, com o objetivo de erguer uma f\u00e1brica deborracha para abastecer a ind\u00fastria automotiva nos EUA e, assim, driblar o predom\u00ednio ingl\u00eas no mercado da extra\u00e7\u00e3o de l\u00e1tex.<\/p>\n<p>A demanda pela mat\u00e9ria-prima explodia nos EUA \u00e0 medida que os americanos inundavam o mundo com seus carros, s\u00edmbolos da modernidade. No Brasil, registrava-se um \u201cassombroso aumento\u201d das importa\u00e7\u00f5es de autom\u00f3veis. Em apenas um ano, de 1922 para 1923, o salto havia sido de 2.772 para 12.995 unidades, tamb\u00e9m registrava o GLOBO na sua primeira edi\u00e7\u00e3o. Um salto impressionante para o pa\u00eds que, hoje, produz 3,5 milh\u00f5es de ve\u00edculos por m\u00eas.<\/p>\n<div id=\"player-wrapper2-4219400\" class=\"artigo-video video-mobi clearfix\">\n<div class=\"wm-poster-wrapper\">\n<div class=\"wm-poster-inner-wrapper\">\n<div class=\"wm-poster-play\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wm-poster-image\" src=\"http:\/\/s01.video.glbimg.com\/x720\/4219400.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Ford acabou nunca vindo ao Brasil, mas seu projeto come\u00e7ou a sair do papel em 1927, quando ele comprou um terreno de quase 15.000 quil\u00f4metros quadrados \u00e0s margens do Rio Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1. Com apoio do ent\u00e3o presidente Getulio Vargas, a cidade foi inaugurada na d\u00e9cada seguinte, com campo de golfe, quadra de t\u00eanis, saneamento b\u00e1sico e uma vila inspirada na cidade americana de Detroit. A casa de Henry Ford, que o pr\u00f3prio nunca chegou a conhecer, tamb\u00e9m teve seu espa\u00e7o reservado no mapa da cidade, batizada de Fordl\u00e2ndia.<\/p>\n<p>O projeto de Ford, por\u00e9m, n\u00e3o conseguiu revitalizar a ind\u00fastria da borracha brasileira, que vivera seu auge entre 1870 e 1912. Hoje, a Fordl\u00e2ndia virou um imenso pasto, e os seringais da Amaz\u00f4nia \u2014 de onde se extra\u00eda a totalidade do l\u00e1tex brasileiro \u2014 foram para o fim da fila na produ\u00e7\u00e3o nacional de borracha natural, atualmente liderada por S\u00e3o Paulo. Essa reviravolta na geografia da produ\u00e7\u00e3o foi acompanhada por mudan\u00e7as na posi\u00e7\u00e3o ocupada pelo Brasil no com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<p>O pa\u00eds, que chegou a ser o maior produtor e exportador de borracha do mundo, tornou-se importador da mat\u00e9ria-prima. Em 2014, importamos 241,4 mil toneladas de borracha \u2014 bem mais que as 185 mil produzidas aqui naquele ano, de acordo com dados do Minist\u00e9rio da Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio Exterior. E enviamos ao mundo modestas mil toneladas, o que n\u00e3o representa sequer 0,5% de nossa pauta de exporta\u00e7\u00f5es. Em \u00e1ureos tempos, o item respondia por cerca de um ter\u00e7o das vendas externas, perdendo apenas para o caf\u00e9.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da decad\u00eancia da ind\u00fastria da borracha brasileira, assim como a da Fordl\u00e2ndia, \u00e9 digna de roteiros de filme de fic\u00e7\u00e3o. No fim do s\u00e9culo XIX, o ingl\u00eas Henry Wickman estabeleceu-se em terras paraenses aparentemente cultivando orqu\u00eddeas. Na verdade, plantava seringueiras. Selecionou 70 mil sementes e as contrabandeou para Londres. As mudas espalharam-se pelas col\u00f4nias asi\u00e1ticas da Gr\u00e3-Bretanha e da Holanda e logo quebraram o monop\u00f3lio da borracha amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>O golpe de miseric\u00f3rdia veio em 1913. Naquele ano, a produ\u00e7\u00e3o dos seringais da \u00c1sia (54.356 toneladas de borracha) superou pela primeira vez o que se extraiu dos seringais nativos da Amaz\u00f4nia (36.232 toneladas). Desde ent\u00e3o, a dist\u00e2ncia entre os dois polos produtivos n\u00e3o parou de crescer.<\/p>\n<p>\u2014 Nos seringais asi\u00e1ticos, o plantio era feito a partir de um planejamento que racionalizava o uso dos espa\u00e7os. Enquanto nos seringais da Amaz\u00f4nia as \u00e1rvores se situavam a dezenas de metros de dist\u00e2ncia, nos asi\u00e1ticos elas eram plantadas em fileiras e bem pr\u00f3ximas umas das outras, o que permitia significativa economia de tempo e dinheiro nas atividades de corte, coleta, defuma\u00e7\u00e3o e transporte do l\u00e1tex. Na Mal\u00e1sia, um seringueiro precisava de apenas um dia para produzir tr\u00eas quilos deborracha, resultado equivalente a 30 longos dias de trabalho de um seringueiro na Amaz\u00f4nia \u2014 conta a historiadora Etelvina Garcia.<\/p>\n<p>Pouco tempo depois de nascer a Fordl\u00e2ndia, uma praga que se espalhou pelas seringueiras arrasou a cidade. Ford tentou, ent\u00e3o, reproduzir seu projeto em Belterra, munic\u00edpio localizado a 100 quil\u00f4metros dali. Mas a nova sede da Ford Company no Brasil n\u00e3o resistiu \u00e0 concorr\u00eancia asi\u00e1tica. Em 1945, com o fim da Segunda Guerra Mundial e a concorr\u00eancia da borrachasint\u00e9tica \u2014 oriunda da petroqu\u00edmica \u2014, a fam\u00edlia Ford decidiu vender as duas cidades ao governo brasileiro. Com ambas abandonadas, Belterra entrou na rota da soja e Fordl\u00e2ndia, na atividade pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>O fim do sonho de Ford tamb\u00e9m encerrou a tentativa de retomada da ind\u00fastria da borracha no pa\u00eds, que durante o conflito ensaiou uma recupera\u00e7\u00e3o. Patrocinado pelo governo americano, o Estado Novo de Vargas recrutou cerca de 50 mil nordestinos durante a guerra para trabalhar nos seringais da Amaz\u00f4nia. O objetivo era reaquecer o setor e criar uma alternativa de suprimento para os EUA, j\u00e1 que os japoneses haviam bloqueado o fornecimento de borracha produzida no Sudeste da \u00c1sia para os americanos.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Rom\u00e3o, hoje aos 92 anos de idade, foi um dos recrutados. Acabara de completar duas d\u00e9cadas de vida quando deixou sua cidade natal, Parna\u00edba (PI), em 1943, para se aventurar na floresta amaz\u00f4nica. Deparou-se com uma realidade bem diferente da que lhe haviam prometido. Dormia em barracas de palha improvisadas na mata e trabalhava horas a fio todos os dias para colher o l\u00e1tex e tentar, em v\u00e3o, pagar a d\u00edvida que os seringueiros adquiriam junto aos patr\u00f5es quando compravam alimento.<\/p>\n<p>\u2014 Era um regime de escravid\u00e3o. Viv\u00edamos endividados. A maioria n\u00e3o resistia e morria de doen\u00e7a \u2014 recorda Rom\u00e3o, que apenas este ano recebeu indeniza\u00e7\u00e3o do governo brasileiro pelos anos que passou no seringal.<\/p>\n<p>Nos anos 80, o cultivo empresarial das seringueiras se disseminou no Brasil, especialmente no Sudeste. O regime de semiescravid\u00e3o que marcou as rela\u00e7\u00f5es de trabalho nos seringais da Amaz\u00f4nia na primeira metade do s\u00e9culo XX foi substitu\u00eddo pelo trabalho assalariado ou regime de parcerias agr\u00edcolas, em que o dono da fazenda entra com \u00e1rea plantada, adubo e m\u00e1quinas, e o sangrador (quem corta a \u00e1rvore e colhe o l\u00e1tex), com a for\u00e7a de trabalho, ficando em geral com 30% da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Hoje, um sangrador consegue tirar R$ 4 mil a R$ 5 mil por m\u00eas em tempos de alta de pre\u00e7os da borracha no mercado internacional, algo impens\u00e1vel no passado \u2014 afirma Heiko Rossmann, diretor-executivo da Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor).<\/p>\n<p>Com a profissionaliza\u00e7\u00e3o da atividade, a regi\u00e3o de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto (SP), que re\u00fane 27 munic\u00edpios produtores, desponta hoje como principal polo produtor de borracha natural do pa\u00eds. \u00c9 fonte de insumos para a produ\u00e7\u00e3o de preservativos, luvas cir\u00fargicas, alguns tipos de pneus e outras mercadorias que n\u00e3o podem ser fabricadas a partir da borracha derivada da petroqu\u00edmica.<\/p>\n<p>Uma tentativa da ind\u00fastria da moda de reativar o seringais da Amaz\u00f4nia, com a produ\u00e7\u00e3o do chamado couro vegetal \u2014 feito a partir da borracha natural \u2014, pegou carona na onda do consumo consciente dos anos 90, mas acabou n\u00e3o vingando. Entre idas e vindas, a produ\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex tenta se reinventar e encontrar seu papel no cada vez mais competitivo mercado daborracha. Longe do projeto idealizado por Ford e sob press\u00e3o da concorr\u00eancia asi\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>O SONHO DA FORDL\u00c2NDIA E O PESADELO DOS SOLDADOS DA BORRACHA<\/strong><\/p>\n<div class=\"fotogaleriasmateriaCapitulos\">\n<div id=\"fotoGaleriaCapitulos16307164\" class=\"fotogalerias-container\">\n<ul class=\"slider-container clearfix\">\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16306910-65b-765\/FT1086A\/420\/2015052597350.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>O americano Henry Ford, sentado numa lavoura de trigo. O empres\u00e1rio americano idealizou a&#8230;Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16306911-91e-b43\/FT1086A\/420\/2015052597351.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Homens que trabalharam na limpeza da floresta amaz\u00f4nica no Par\u00e1, onde foi erguida a Fordl\u00e2ndiaFoto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Editora Rocco<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16306912-cc5-a31\/FT1086A\/420\/2015052597352.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Homem posa ao lado de uma seringueira plantada na Fordl\u00e2ndia. A platan\u00e7\u00e3o n\u00e3o resitiu \u00e0s pragas&#8230;.Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o \/ Editora Rocco<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16306909-966-d22\/FT1086A\/420\/_mg_0230p.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Soldados da borracha em treinamento. Cerca de 50 mil homens foram recrutados no Nordeste para&#8230;Foto: Divulga\u00e7\u00e3o \/ Sindsbor<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16306908-3dd-0f3\/FT1086A\/420\/pouso_005pp.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Cerca de 20 mil soldados da borracha morreram nos seringais da Amaz\u00f4nia durante a Segunda Guerra&#8230;<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>AMAZ\u00d4NIA ENTRA NA SEGUNDA GUERRA<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto armas e canh\u00f5es ecoavam nas trincheiras europeias durante a Segunda Guerra Mundial, um ex\u00e9rcito de retirantes protagonizava um silencioso esfor\u00e7o de guerra na Amaz\u00f4nia para alimentar a ind\u00fastria b\u00e9lica americana e, assim, assegurar a vit\u00f3ria dos aliados em 1945. Eram os chamados soldados da borracha, homens recrutados, em sua maioria, no Nordeste brasileiro para trabalhar nos seringais da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, fornecendo aos Estados Unidos o insumo necess\u00e1rio para pneus e armamentos.<\/p>\n<p>Estima-se que, durante o conflito, cerca de 50 mil trabalhadores tenham sido arregimentados pelo Estado brasileiro com esse fim. Quase a metade \u2014 aproximadamente 20 mil\u2014 foi dizimada nos seringais durante o conflito, devido a doen\u00e7as e p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Setenta anos depois do fim da guerra, apenas um d\u00e9cimo ainda est\u00e1 vivo e luta para equiparar seus direitos aos dos ex-combatentes que foram enviados para o front.<\/p>\n<p>\u2014 Ao chegar \u00e0 Amaz\u00f4nia, os nordestinos perceberam que todas as garantias que lhes haviam prometido inexistiam. Com o rompimento desse contrato (de trabalho), eles n\u00e3o tinham a quem recorrer. N\u00e3o havia Justi\u00e7a Trabalhista na Amaz\u00f4nia. E ainda hoje eles reivindicam seus direitos \u2014 afirma o historiador e especialista em direito do trabalho Franciso Pereira Costa, que defendeu uma tese de doutorado na USP sobre os soldados da borracha.<\/p>\n<p>O ingresso da Amaz\u00f4nia na Segunda Guerra se d\u00e1 a partir da ocupa\u00e7\u00e3o pelos japoneses da base militar americana de Pearl Harbor, no Hava\u00ed, em 1941, o que acabou levando \u00e0 suspens\u00e3o do fornecimento daborracha produzida no Sudeste da \u00c1sia para os americanos. O Brasil, que experimentava um decl\u00ednio do ciclo da borracha, passa a ser visto como alternativa de suprimento. Mas havia poucos seringueiros ativos. \u00c9 nesse contexto que o governo de Getulio Vargas inicia, em 1943, uma campanha para recrutar homens dispostos a se aventurar nos seringais da Amaz\u00f4nia em troca de promessas de enriquecimento r\u00e1pido.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Rom\u00e3o, de 92 anos, foi um dos recrutados. Deixou sua cidade natal, Parna\u00edba (PI), em 1943 e viajou de trem e navio at\u00e9 Manaus com mais 47 homens. Tinha apenas 20 anos e um sonho de proporcionar uma vida melhor para os pais e os tr\u00eas irm\u00e3os. Ao chegar na floresta, deparou-se com uma realidade bem diferente da que lhe haviam prometido. Dormia em barracas de palha improvisadas na mata e trabalhava horas a fio todos os dias para colher o l\u00e1tex.<\/p>\n<div class=\"player\">\n<div class=\"play\"><\/div>\n<div class=\"audio-info\"><span class=\"nome-arquivo\">Depoimento do ex-soldado da borracha Jos\u00e9 Rom\u00e3o<\/span><\/div>\n<div class=\"volume\"><\/div>\n<\/div>\n<p>Recebia uma pequena quantia em dinheiro pela produ\u00e7\u00e3o do dia, mas esta era insuficiente para comprar produtos b\u00e1sicos para sua subsist\u00eancia no chamado \u201cbarrac\u00e3o\u201d, ponto de venda de alimentos e itens de higiene pessoal mantido pelo dono do seringal. Em pouco tempo estava endividado e n\u00e3o tinha permiss\u00e3o para deixar o seringal enquanto n\u00e3o quitasse sua d\u00edvida.<\/p>\n<p>\u2014 Era um regime de escravid\u00e3o. A gente levantava cedo e ca\u00eda na mata para cortar a madeira. E toda a produ\u00e7\u00e3o era consumida na compra de mercadoria \u2014 recorda Rom\u00e3o. \u2014 A maioria morria de doen\u00e7a. N\u00e3o tinha rem\u00e9dio, s\u00f3 rem\u00e9dio caseiro feito com planta da floresta. Depois de poucos meses, s\u00f3 18 tinham sobrevivido no meu grupo.<\/p>\n<p>Com o fim da guerra e o novo decl\u00ednio da ind\u00fastria da borracha, Rom\u00e3o buscou trabalho no com\u00e9rcio. Em 1981, mudou-se para Rond\u00f4nia para receber um lote de terra que o governo brasileiro estava distribuindo aos ex-soldados da borracha. Buscou reconstruir sua vida ao lado de uma nova mulher e iniciou um movimento para buscar indeniza\u00e7\u00e3o junto ao Estado para os sobreviventes dos seringais e seus parentes.<\/p>\n<p>\u00c0 frente do Sindicato dos Soldados da Borracha, denunciou o governo brasileiro na Corte Interamericana de Direitos Humanos em 2013 por neglig\u00eancia. A press\u00e3o pol\u00edtica deu resultado. Em agosto de 2014, foi aprovada no Congresso Nacional emenda constitucional que garantiu aos ex-soldados indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 25 mil, pagos em mar\u00e7o deste ano. De acordo com o Minist\u00e9rio daPrevid\u00eancia, 11.896 pessoas receberam a indeniza\u00e7\u00e3o, incluindo ex-seringueiros (5.110) e dependentes. Rom\u00e3o ainda n\u00e3o se deu por satisfeito. Uma a\u00e7\u00e3o no Supremo Tribunal Federal reivindica indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 800 mil.<\/p>\n<p>Paralelamente, o sindicato prepara uma a\u00e7\u00e3o para equiparar os benef\u00edcios dos soldados da borrachaaos de ex-combatentes de guerra, com o argumento de que o decreto que estabeleceu as bases para a atividade seringueira na \u00e9poca do Estado Novo considerou que \u201ca produ\u00e7\u00e3o da borracha \u00e9 essencial ao esfor\u00e7o de guerra e \u00e0 defesa militar do pa\u00eds\u201d e que os soldados da borracha t\u00eam status militar. A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 assegurou aos soldados da borracha benef\u00edcio de dois sal\u00e1rios m\u00ednimos mensais. Hoje, o valor m\u00e9dio do benef\u00edcio pago pela Previd\u00eancia \u00e9 de R$ 1.551. J\u00e1 o valor m\u00e9dio pago a ex-combatentes \u00e9 de R$ 3.607.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"capituloPage corpo novo large-16 columns\" style=\"text-align: justify;\" data-scroll-index=\"2\">\n<h2>A Coluna Prestes narrada em 11 cap\u00edtulos<\/h2>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16306668-e9e-530\/FT1086A\/420\/O-Globo.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>Coluna Prestes<b> &#8211; Reprodu\u00e7\u00e3o<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Em abril de 1925, um grupo composto por aproximadamente 1.500 militares descontentes com o governo de Arthur Bernardes se reuniu na cidade de Foz do Igua\u00e7u, no Paran\u00e1, e partiu para uma caminhada revolucion\u00e1ria pelo interior do Brasil. A ideia da chamada Coluna Prestes era mobilizar os brasileiros em favor do voto secreto e do ensino fundamental obrigat\u00f3rio. Buscava-se o fim da mis\u00e9ria e da injusti\u00e7a social. Na marcha, foram percorridos 25 mil quil\u00f4metros e, para contar essa hist\u00f3ria de luta e ch\u00e3o, O GLOBO fez de um deputado ga\u00facho seu correspondente.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Baptista Luzardo nasceu em Uruguaiana (RS), formou-se em Medicina e Direito no Rio de Janeiro e foi eleito deputado pela Alian\u00e7a Libertadora, que reunia os diversos setores da oposi\u00e7\u00e3o ga\u00facha e que, mais tarde, daria origem ao Partido Libertador (PL). Em 1927, Luzardo j\u00e1 havia sido preso, acusado de conspirar contra o governo, e era publicamente tido como \u201ca \u00fanica voz a defender a Coluna Prestes no Parlamento\u201d. Dispunha de imunidade parlamentar e aceitou narrar os vaiv\u00e9ns do movimento para o jornal.<\/p>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16307200-216-7aa\/FT1086A\/420\/O-GlOBO.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>Coluna Prestes<b> &#8211; Reprodu\u00e7\u00e3o<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>No dia 5 de janeiro daquele ano, Luzardo escreveu na capa do GLOBO sobre a tarefa que come\u00e7aria executar no dia seguinte. Contou que n\u00e3o havia tido d\u00favidas em dedicar seus \u201cescassos instantes de lazer\u201d ao trabalho de \u201csistematizar elementos da deflagra\u00e7\u00e3o da crise que agitava o pa\u00eds\u201d e deixou clara sua motiva\u00e7\u00e3o: \u201cfacilitar, amanh\u00e3, aquela miss\u00e3o do historiador\u201d.<\/p>\n<p>\u201cProponho-me, sim, a expor singelamente o que tem sido a marcha infatig\u00e1vel e invenc\u00edvel dessa Coluna Prestes, que \u00e9 um dos mais belos \u00edndices da energia nacional\u201d, afirmou. \u201cO relato da Coluna Prestes, que tomo a ombros fazer \u2014 previna-se a cr\u00edtica \u2014 \u00e9, antes, um depoimento de quem se v\u00ea dentro dos fatos, pela sua pr\u00f3pria conting\u00eancia de delegado de um povo que quer ver, em seus representantes, leais e dedicados advogados de seus gritos\u201d.<\/p>\n<p>Em 6 de janeiro de 1927, Luzardo come\u00e7ou oficialmente sua narrativa. Dividida em cap\u00edtulos, ela trazia alto n\u00edvel vocabular e hoje como prova de que o jornalismo tamb\u00e9m sofreu transforma\u00e7\u00f5es profundas nos \u00faltimos 90 anos.<\/p>\n<p>Se hoje, nas reda\u00e7\u00f5es, a ordem \u00e9 responder, logo no primeiro par\u00e1grafo de uma reportagem, \u00e0s cinco perguntas \u2014 Quem? O qu\u00ea? Quando? Onde? e Por qu\u00ea? \u2014, no tempo de Luzardo, a aposta era pelo contexto hist\u00f3rico, pelas descri\u00e7\u00f5es ricas e detalhadas. Era o tempo do jornalismo liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>Luzardo narrou com detalhes, por exemplo, o \u201cdiscreto encontro entre delegados das for\u00e7as conjuradas e elementos diretores da Alian\u00e7a Libertadora\u201d. Contou que o evento ocorreu em \u201cum pequeno recanto da fronteira uruguaia\u201d, chamado Berachy, e que este, \u201cpode dizer-se, foi o in\u00edcio da nova revolu\u00e7\u00e3o do sul\u201d. Naquela \u00e9poca, o jornal era impresso \u00e0s 17h para que houvesse tempo h\u00e1bil de ser distribu\u00eddo. Hoje em dia, as rotativas s\u00e3o postas em marcha cerca de seis horas mais tarde.<\/p>\n<p>A diagrama\u00e7\u00e3o das p\u00e1ginas tamb\u00e9m diferia \u2014 e muito \u2014 do que os leitores do GLOBO est\u00e3o acostumados a ver agora. As fotos eram posadas. Numa delas, at\u00e9 o pr\u00f3prio Luzardo chegou a aparecer. As letras eram min\u00fasculas. As colunas separadas por finas linhas. As fontes usadas na manchete e nos t\u00edtulos variavam diariamente e, sobretudo, n\u00e3o havia cor.<\/p>\n<p>Mas foi assim que, ao longo de 11 cap\u00edtulos, publicados at\u00e9 o dia 17 de fevereiro de 1927,que o deputado da Alian\u00e7a Libertadora ofereceu \u201ca um jornal realmente independente um corretivo ao maquiavelismo da censura\u201d imposta pelo governo Arthur Bernardes.<\/p>\n<p>Naquele mesmo ano, Luzardo foi reeleito e participou da funda\u00e7\u00e3o do Partido Democr\u00e1tico Nacional, que reunia opositores do regime. Em 1982, depois de ter feito parte do governo de Get\u00falio Vargas, de ter apoiado o Estado Novo, de ter sido embaixador do Brasil no Uruguai e na Argentina, Luzardo morreu na cidade de Porto Alegre. Para os leitores do GLOBO, ele ser\u00e1 para sempre a voz da Coluna Prestes.<\/p>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16307486-5cd-849\/FT1086A\/420\/O-Globo.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>O correspondente Baptista Luzardo<b> &#8211; Terceiro \/ Ag\u00eancia O Globo<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>TRECHOS DOS CAP\u00cdTULOS DE LUZARDO<\/strong><\/p>\n<p>Descri\u00e7\u00f5es, vocabul\u00e1rio e jornalismo liter\u00e1rioLeia abaixo trechos da narrativa do deputado Jo\u00e3o Baptista Luzardo, que atuou como correspondente do GLOBO na Coluna Prestes.<\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo 1, publicado em 6 de janeiro de 1927<\/strong><\/p>\n<p>Luzardo relata movimento do grupo na fronteira do Uruguai<\/p>\n<p>\u201cAs colunas civis ficaram e movimentaram-se pela zona fronteiri\u00e7a com o Uruguai, ao comando experimentado dos velhos guerrilheiros Honorio Lemes e Zecca Netto, ou se consolidaram na serra, sob o impulso de jaguar do invenc\u00edvel Leonel Rocha.<\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo 2, publicado em 11 de janeiro de 1927<\/strong><\/p>\n<p>Luzardo inicia o texto, levando o leitor do GLOBO ao s\u00edtio de Assis Brasil<\/p>\n<p>Na fronteira uruguaia, \u00e0 margem do Jaguar\u00e3o, descansa molemente, sobre um pequeno outeiro, um casar\u00e3o r\u00fastico, um rancho, tendo, ao lado, um outro rancho menor. E como ali desagua, na margem direita, um pequeno ribeir\u00e3o, o &#8220;Berachy&#8221;, ficou o lugar com este nome. Quando um pe\u00e3o ga\u00facho, um vaqueiro fronteiri\u00e7o fala que dormiu em Berachy, j\u00e1 se sabe que \u00e9 o sobranceiro rancho uruguaio que fica a 9 l\u00e9guas do castelo de Pedras Altas, do Sr. Assis Brasil, o grande brasileiro que resume, no momento, todas as aspira\u00e7\u00f5es republicano-democr\u00e1ticas nacionais.<\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo 4, publicado em 18 de janeiro de 1927<\/strong><\/p>\n<p>O correspondente do GLOBO relata o momento em que ficou decidido o in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&#8220;E dado o acordo quanto ao dia do movimento, assentou-se definitivamente a maneira de coopera\u00e7\u00e3o dos elementos civis. O brado de revolta seria dado no dia 7, nas guarni\u00e7\u00f5es da fronteira, iniciado pela de Uruguaiana. Dali, se faria a comunica\u00e7\u00e3o para as demais. E, levantados os quart\u00e9is, os elementos civis acorreriam aos mesmos, para se municiarem. Formar-se-iam em cada quartel duas colunas, uma civil e outra militar, embora obedecendo \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o ao \u00fanico comando do general zeca Netto, assistido de alta patente de uma das guarni\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo 10, publicado em 11 de fevereiro de 1927.<\/strong><\/p>\n<p>Luzardo elogia a \u201ccapacidade guerreira\u201d de Luis Carlos Prestes.<\/p>\n<p>\u201cCurioso neste golpe \u00e9 o registro da t\u00e1tica que sempre inspirou Prestes, no desenvolvimento posterior da luta invenc\u00edvel que vem travando, revelando-se uma capacidade guerreira indiscutivelmente genial. Prestes, desde o primeiro momento, caracterizou a linha que se impunha a esta luta. Tendo a revolu\u00e7\u00e3o somente a vantagem de uma tropa de elite, enfrentando a cada momento massas governistas esmadoras, impunha-se-lhe corrigir este desequil\u00edbrio por meio da agilidade. Nas condi\u00e7\u00f5es em que se via, a revolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o podia ficar na defensiva ou conformar-se com a campanha estatica. Da\u00ed, ter sempre opinado pelas lutas de movimento, valendo-se da inteligencia e agilidade, para esgotar os governistas. Era a norma que via, como \u00fanica aceit\u00e1vel, para a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Cap\u00edtulo 11, o \u00faltimo da narrativa, publicado em 17 de fevereiro de 1927.<\/strong><\/p>\n<p>O deputado Jo\u00e3o Baptista Luzardo se despede e agradece a oportunidade:<\/p>\n<p>\u201cO meu maior objetivo era oferecer uma vista geral das ocorrencias do sul, sem preocupa\u00e7\u00f5es de detalhes. N\u00e3o tive em mira descrever batalhas e encontros. Contentei-me em proporcionar uma vista de conjunto das ocorr\u00eancias.\u201d<\/p>\n<p>\u201cPor fim, s\u00f3 me resta felicitar O GLOBO pela sua iniciativa, no prop\u00f3sito que se tomou, de atacar a m\u00e1-f\u00e9 do pretenso historiador da admir\u00e1vel coluna. E n\u00e3o se reclamaria ataque mais brilhante que provocar a verdade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"capituloPage corpo novo large-16 columns\" style=\"text-align: justify;\" data-scroll-index=\"3\">\n<h2>O nascimento de um s\u00edmbolo do Rio<\/h2>\n<div class=\"fotogaleriasmateriaCapitulos\">\n<div id=\"fotoGaleriaCapitulos16302109\" class=\"fotogalerias-container\">\n<ul class=\"slider-container clearfix\">\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16301269-07d-20e\/FT1086A\/420\/PDF-AM-PC_1630.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>A partir da enseada de Botafogo, v\u00ea-se o morro do Corcovado ainda sem o monumento, no in\u00edcio do&#8230;Foto: Augusto Malta\/Arquivo AGCRJ<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16301279-b86-e3c\/FT1086A\/420\/2013_670121437-2013120627477.jpg_20131206.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>A cabe\u00e7a da imagem foi montada em um s\u00edtio antes de ser levada para o Alto do CorcovadoFoto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16301276-604-fab\/FT1086A\/420\/2010112550238.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Engenheiros e oper\u00e1rios comemoram a coloca\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a da est\u00e1tua no CorcovadoFoto: Acervo AGCRJ<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16301985-47f-7de\/FT1086A\/420\/20150529-152918.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Os engenheiros Heitor da Silva Costa, Pedro Fernandes Vianna da Silva, Antonio Ferreira Antero e&#8230;Foto: Acervo Eloy D&#8217;Ecanio<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16301907-759-bda\/FT1086A\/420\/capa12101931.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>A primeira p\u00e1gina da terceira edi\u00e7\u00e3o do dia 12 de outubro de 1931, quando o Cristo foi inauguradoFoto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16301270-60c-6a8\/FT1086A\/420\/2015052701911.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Mais de 80 anos desde a sua inaugura\u00e7\u00e3o, a imagem \u00e9 maior s\u00edmbolo da cidadeFoto: Cust\u00f3dio Coimbra \/ Ag\u00eancia O Globo<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u201cChristo reina, impera, e livrar\u00e1 o Brasil de todos os males\u201d. A frase, dita pelo arcebispo dom Sebasti\u00e3o Leme, no alto do Corcovado, estampava a primeira p\u00e1gina da terceira edi\u00e7\u00e3o do GLOBO de 12 de outubro de 1931. Era dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Completava-se ali uma aventura de dez anos, desde a elei\u00e7\u00e3o do projeto de Heitor da Silva Costa para o Cristo Redentor. Nascia o maior s\u00edmbolo do Rio.<\/p>\n<p>Assim como a nova est\u00e1tua, os festejos que antecederam a inaugura\u00e7\u00e3o tinham o objetivo de fortalecer a igreja cat\u00f3lica no Brasil. Quarenta e dois anos antes, a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica havia estabelecido um estado laico.<\/p>\n<p>\u2014 No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1920, o cardeal Arcoverde, ent\u00e3o arcebispo do Rio, procurava marcar presen\u00e7a na cidade. O presidente Epit\u00e1cio Pessoa era ateu e foi convertido pouco antes de chegar ao poder, em 1919. Ele incluiu na celebra\u00e7\u00e3o pelos 100 anos da independ\u00eancia, em 1922, a autoriza\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o do Cristo \u2014 explica o historiador Milton Teixeira.<\/p>\n<p>Mais do que um s\u00edmbolo religioso, a obra tamb\u00e9m marcava uma guinada para o futuro. A metr\u00f3pole com pouco mais de um milh\u00e3o de habitantes ganhava arranha-c\u00e9us e constru\u00e7\u00f5es em estilo art d\u00e9co. Zeppelins vinham da Europa sobrevoar o litoral brasileiro, e o r\u00e1dio, grande novidade, lan\u00e7ava estrelas como Carmen Miranda, ent\u00e3o com 22 anos.<\/p>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16301276-604-fab\/FT1086A\/420\/2010112550238.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>Engenheiros e oper\u00e1rios comemoram a coloca\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a da est\u00e1tua no Corcovado<b> &#8211; Acervo AGCRJ<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>CAMPANHA POR DOA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p>O projeto do Cristo fora escolhido em 1921, e seria pago com doa\u00e7\u00f5es \u00e0 Igreja. O GLOBO, criado em 1925, entrou na campanha pelo monumento e, diariamente, divulgava os valores recebidos na reda\u00e7\u00e3o do jornal. Ao final dos cinco anos de obras, o Cristo custou 2,5 mil contos de r\u00e9is \u2014 bem menos do que a Est\u00e1tua da Liberdade, conclu\u00edda 45 anos antes com 60 mil contos de r\u00e9is.<\/p>\n<p>Antes de come\u00e7ar a tocar a obra, Silva Costa encomendou ao escultor franc\u00eas Paul Landowski os moldes para as m\u00e3os e os p\u00e9s da est\u00e1tua. A colabora\u00e7\u00e3o do estrangeiro estaria por tr\u00e1s da cren\u00e7a popular de que o Cristo fora um presente dos franceses. Em 2011, a fam\u00edlia de Landowski entrou com um processo reivindicando a autoria da est\u00e1tua, mas a Arquidiocese do Rio possui o documento em que Silva Costa cede todos os direitos do Cristo \u00e0 entidade \u2014 conforme O GLOBO revelou no caderno especial pelos 80 anos da imagem.<\/p>\n<p>Outro estrangeiro que contribuiu para a constru\u00e7\u00e3o foi o italiano Heitor Levy, que se firmou como um dos maiores engenheiros de templos cat\u00f3licos no Brasil, apesar de ser judeu quando chegou. Levy, que foi o mestre de obras, morou no Corcovado durante os cinco anos de trabalho.<\/p>\n<p>\u2014 Ele se converteu ao catolicismo l\u00e1 em cima. Escreveu a \u00e1rvore geneal\u00f3gica da fam\u00edlia, colocou dentro de uma garrafinha e p\u00f4s dentro do cora\u00e7\u00e3o da imagem \u2014 conta o bisneto de Levy, Eloy D\u2019Ecanio.<\/p>\n<p>Naquele 12 de outubro de 1931, O GLOBO teve tr\u00eas edi\u00e7\u00f5es que contavam o passo a passo da inaugura\u00e7\u00e3o. Avi\u00f5es do Ex\u00e9rcito circundavam o monumento, enquanto milhares de fi\u00e9is subiam o Corcovado a p\u00e9 ou de trem. A cerim\u00f4nia contou com a presen\u00e7a do ent\u00e3o chefe do governo provis\u00f3rio, Get\u00falio Vargas, que era ateu, mas apoiou a obra.<\/p>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16307825-60b-49a\/FT1086A\/420\/O-Globo.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>Cristo Redentor<b> &#8211; Ag\u00eancia O Globo<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Quase oito d\u00e9cadas depois, em 2007, o monumento foi eleito uma das novas sete maravilhas do mundo moderno. No ano seguinte, o Cristo passou a receber ilumina\u00e7\u00e3o colorida para marcar campanhas e datas especiais. O calend\u00e1rio de cores, ali\u00e1s, j\u00e1 est\u00e1 preenchido at\u00e9 o fim do ano. A est\u00e1tua, de 30 metros e 635 quilos, \u00e9 o maior santu\u00e1rio a c\u00e9u aberto do mundo e o monumento mais visitado do pa\u00eds. Em 2013, na Jornada Mundial da Juventude, o Cristo recebeu cerca de 500 mil pessoas e ficou aberto por 24 horas durante 10 dias. No ano que vem, a arquidiocese planeja inaugurar o Museu do Cristo.<\/p>\n<p>\u2014 Ele vai contar a verdadeira hist\u00f3ria do Cristo e da f\u00e9 do povo brasileiro.\u2014 diz o reitor do santu\u00e1rio, Padre Omar. \u2014 O Cristo \u00e9 o lugar onde convergem a f\u00e9, o turismo, a cultura e a natureza do Rio. \u00c9 o camarote da cidade.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"capituloPage corpo novo large-16 columns\" style=\"text-align: justify;\" data-scroll-index=\"4\">\n<h2>O ber\u00e7o do automobilismo<\/h2>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16302274-971-8cf\/FT1086A\/420\/O-Globo.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>Circuito da G\u00e1vea<b> &#8211; Arquivo<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Era o tempo do bonde. Voar de avi\u00e3o ainda n\u00e3o era algo t\u00e3o comum, Get\u00falio Vargas havia assumido o poder em 1930, e o Rio era a capital da Rep\u00fablica. O Maracan\u00e3 ainda n\u00e3o existia, e o futebol brasileiro n\u00e3o era campe\u00e3o mundial. Mas o automobilismo j\u00e1 dava os primeiros passos no Brasil num evento que mobilizava a cidade: o GP internacional do Circuito da G\u00e1vea, uma bem-sucedida promo\u00e7\u00e3o do GLOBO. Sem exagero, pode-se afirmar que o circuito, realizado entre as d\u00e9cadas de 30 e 50, foi o ber\u00e7o do automobilismo na Am\u00e9rica do Sul, que resultou nos campe\u00f5es Juan Manuel Fangio, Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna.<\/p>\n<p>O evento mobilizava a cidade, trazendo alguns dos melhores pilotos do mundo, como Juan Manuel Fangio, Carlo Pintacuda, Hans Stuck e Chico Landi, pioneiro brasileiro na F\u00f3rmula-1. O Circuito da G\u00e1vea, disputado entre 1933 e 1953, exceto entre 1942 e 1946, por causa da Segunda Guerra Mundial, chegava a atrair um p\u00fablico de 300 mil pessoas, incluindo turistas brasileiros e estrangeiros, que se exprimiam \u00e0 beira das ruas da G\u00e1vea, da atual Rocinha, do Leblon e de S\u00e3o Conrado, que compunham o circuito de paralelep\u00edpedo e asfalto. Foram 16 GPs da G\u00e1vea (13 internacionais).<\/p>\n<p>\u2014 O GLOBO foi um dos incentivadores das corridas na G\u00e1vea. O doutor Roberto Marinho (morto em 2003) gostava de provas de velocidade e chegou a correr 1km de arrancada na Rodovia Rio-Petr\u00f3polis, em 1932, pilotando um carro Voisin \u2014 conta o advogado e pesquisador Paulo Scali, de 63 anos, autor da obra Circuito da G\u00e1vea e de mais quatro livros sobre automobilismo. \u2014 O GLOBO participou das provas na G\u00e1vea, da primeira \u00e0 \u00faltima. O jornal incentivava o evento. O doutor Roberto foi um dos que colaboraram para que fosse constru\u00eddo o circuito, e o jornal, em sua campanha junto a personalidades da \u00e9poca, para pedir apoio, mostrava as belezas da cidade<\/p>\n<p><strong>CHICO LANDI FOI TRICAMPE\u00c3O<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16302154-c65-079\/FT1086A\/420\/O-Globo.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>\u00a0<b> &#8211; \u00a0<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Hoje, o Rio n\u00e3o tem mais aut\u00f3dromo. Como o circuito de Jacarepagu\u00e1 foi sacrificado em fun\u00e7\u00e3o das obras do Parque Ol\u00edmpico, toda essa hist\u00f3ria parece distante. Para Scali, por\u00e9m, n\u00e3o se poderia falar em F-1 no pa\u00eds e na Am\u00e9rica do Sul n\u00e3o fossem as retas e curvas da G\u00e1vea:<\/p>\n<p>\u2014 O Circuito da G\u00e1vea foi muito importante, e fora do Brasil, todos falavam dele. Correr ali servia para dar um atestado de categoria ao piloto. A G\u00e1vea tinha subidas, descidas, paralelep\u00edpedo, asfalto, canal, trilho de bonde, v\u00e1rios tipos de pista. Era um circuito de refer\u00eancia \u2014 analisa. \u2014 O automobilismo do Brasil e da Am\u00e9rica do Sul nasceu no Circuito da G\u00e1vea. Acabou porque a cidade foi crescendo demais a partir da segunda metade dos anos 50.<\/p>\n<div id=\"player-wrapper2-4216807\" class=\"artigo-video video-mobi clearfix\">\n<div class=\"wm-poster-wrapper\">\n<div class=\"wm-poster-inner-wrapper\">\n<div class=\"wm-poster-play\"><\/div>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"wm-poster-image\" src=\"http:\/\/s04.video.glbimg.com\/x720\/4216807.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Grandes ases das pistas e personagens hist\u00f3ricos, al\u00e9m de marcas como Ferrari, Alfa Romeo, Maseratti, Porsche e Auto Union, coloriam os olhares de quem assistia \u00e0s provas.<\/p>\n<p>\u2014 Chico Landi foi tricampe\u00e3o na G\u00e1vea (1941, 1947, 1948, sempre com um Alfa Romeo), Teff\u00e9 ganhou duas vezes (1933 e 1938), Carlo Pintacuda (1937 e 1938), al\u00e9m de outros grandes nomes que se tornariam campe\u00f5es da F-1 no futuro, mas correram na G\u00e1vea, como Giuseppe Farina (primeiro campe\u00e3o da F-1, em 1950), Alberto Ascari (bi da F-1 em 1952 e 1953) e Fangio (pentacampe\u00e3o de F-1) \u2014 conta Scali. \u2014 Em 1937, dois anos antes da Guerra, os nazistas mandaram ao Rio o seu modelo Auto Union (atual Audi), com Hans Stuck, que ficou em segundo, perdendo para Pintacuda.<\/p>\n<p>O italiano Pintacuda, por sinal, virou personagem de marchinha de carnaval, que dizia: \u201cSou mo-mole pra fa-falar, mas sou Pintacuda pra beijar\u201d (\u201dMarcha do Gago\u201d de Kl\u00e9cius Caldas).<\/p>\n<p>\u2014 Outro personagem era Hell\u00e9-Nice, uma piloto francesa bonita e liberada a ponto de ir \u00e0 praia com um mai\u00f4 de duas pe\u00e7as, algo inimagin\u00e1vel naquele tempo. Em 1936, correu no Rio com um Alfa Romeo. Ela preencheu o imagin\u00e1rio masculino \u2014 diz Scali.<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o da pista, com apoio do GLOBO, foi iniciativa do bar\u00e3o Manuel de Teff\u00e9, diplomata e aficcionado por automobilismo, campe\u00e3o na G\u00e1vea em 1933 e de 1939, e de Carlos Guinle, do Autom\u00f3vel Club do Brasil A maior parte da pista era de paralelep\u00edpedos, exceto na Rua Visconde de Albuquerque, no Leblon, que era asfaltada. A m\u00e9dia de velocidade era de 70km\/h, levando-se em conta exatamente uma subida na altura onde hoje \u00e9 a Rocinha. Mas em retas os carros j\u00e1 chegavam aos 280km\/h.<\/p>\n<p>\u2014 A largada era na altura do 240 da Marqu\u00eas de S\u00e3o Vicente. Eram normalmente 25 a 30 voltas. E um os maiores eventos do Rio \u2014 afirma Scali.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"capituloPage corpo novo large-16 columns\" style=\"text-align: justify;\" data-scroll-index=\"5\">\n<h2>Ensino de qualidade, um sonho n\u00e3o realizado<\/h2>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16302637-c9b-3a0\/FT1086A\/420\/O-Globo.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>\u00a0\u00a0An\u00edsio Teixeira , um dos maiores educadores do pa\u00eds, foi um dos defensores de maior investimento na educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica<b> &#8211; Arquivo<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Um ensino p\u00fablico de qualidade, abrangente e com valoriza\u00e7\u00e3o de professores \u00e9 o sonho antigo no pa\u00eds. As demandas atuais, constantemente na origem de manifesta\u00e7\u00f5es de professores e alunos, v\u00eam, pelo menos, do in\u00edcio do s\u00e9culo passado. No dia 28 de mar\u00e7o de 1932, O GLOBO publicou uma mat\u00e9ria sobre o &#8220;Manifesto dos Pioneiros da Educa\u00e7\u00e3o Nova no Brasil&#8221;, assinado por intelectuais como An\u00edsio Teixeira, Louren\u00e7o Filho, Roquete Pinto e Cec\u00edlia Meirelles. Dirigido ao povo e ao governo, o documento destacava a import\u00e2ncia de se resolver os problemas do ensino no pa\u00eds e elencava necessidades que, quase um s\u00e9culo depois, ainda aparecem como metas do Plano Nacional da Educa\u00e7\u00e3o (PNE), abra\u00e7ado por entidades civis e sancionado pelo Pal\u00e1cio do Planalto no ano passado.<\/p>\n<p>&#8220;Na hierarchia dos problemas nacionaes, nenhum sobreleva em importancia e gravidade ao da educa\u00e7\u00e3o. Nem mesmo os de caracter economico lhe podem disputar a primazia nos planos de reconstruc\u00e7\u00e3o nacional\u201d, disse o manifesto, logo em suas primeiras linhas, exatamente como reproduzido no jornal da \u00e9poca. Em seguida, o texto faz uma cr\u00edtica: &#8220;Se depois de 43 annos de regimen republicano, se der um balan\u00e7o ao estado actual da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica no Brasil, se verificar\u00e1 que (&#8230;) n\u00e3o lograram ainda crear um systema de organisa\u00e7\u00e3o escolar a altura das necessidades modernas e das necessidades do paiz&#8221;. Ainda segundo o manifesto de 83 anos, a &#8220;situa\u00e7\u00e3o actual&#8221;, ap\u00f3s reformas parciais e lan\u00e7adas &#8220;sem vis\u00e3o global do problema&#8221;, deixava a impress\u00e3o de constru\u00e7\u00f5es &#8220;em ru\u00ednas ou abandonadas&#8221;.<\/p>\n<p>O documento expressa a necessidade de dar aos professores &#8220;forma\u00e7\u00e3o e remunera\u00e7\u00e3o equivalentes que lhe permitam manter, com efici\u00eancia no trabalho, a dignidade e o prest\u00edgio indispens\u00e1veis aos educadores.\u201d A antiga demanda, por\u00e9m, continua n\u00e3o atendida, quase um s\u00e9culo depois. Pesquisas recentes mostram o desinteresse dos jovens pela carreira de professor, enquanto docentes em todo o pa\u00eds se queixam de sobrecarga, remunera\u00e7\u00e3o baixa e falta de condi\u00e7\u00f5es para dar aula. Segundo uma das 20 metas estabelecidas pelo PNE, at\u00e9 junho deste ano o Brasil deveria ter 100% dos professores do ciclo b\u00e1sico com ensino superior completo. Em 2013, quando foi feito o \u00faltimo Censo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, apenas 74,8% dos docentes tinham terceiro grau. De acordo com outro horizonte do plano, em 2024, todos os professores do ensino b\u00e1sico devem ter rendimento m\u00e9dio equiparado aos demais profissionais com o mesmo n\u00edvel de escolaridade. Em 2013, s\u00f3 57,3% tinham essa garantia.<\/p>\n<div class=\"foto\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16307880-fca-651\/FT1086A\/420\/O-Globo.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>Cec\u00edlia Meireles: defesa do ensino<b> &#8211; Arquivo<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Ao voltar os olhos para o passado e vislumbrar as demandas dos educadores que confeccionaram o Manifesto pela Educa\u00e7\u00e3o Nova, especialistas na \u00e1rea acham que o Brasil perdeu o bonde da hist\u00f3ria. O motivo pelo qual isso aconteceu, na vis\u00e3o deles, \u00e9 simples: o pa\u00eds nunca teve a educa\u00e7\u00e3o como prioridade.<\/p>\n<p>&#8211; O manifesto \u00e9 de 1932 e, de l\u00e1 para c\u00e1, os problemas continuam os mesmos, sem solu\u00e7\u00e3o . Provavelmente, daqui a 50 anos tamb\u00e9m ser\u00e3o os mesmos. Com toda certeza, a educa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 o objetivo de primeira ordem da autoridades do governo de modo geral &#8211; comenta o educador e escritor Arnaldo Niskier.<\/p>\n<p>O ensino integral, outro desejo dos 26 intelectuais que assinaram o Manifesto em 1932, \u00e9 um gargalo at\u00e9 hoje. Tanto que pr\u00f3pria meta do PNE estipula que 25% dos alunos da rede p\u00fablica devem estar estudando em tempo integral at\u00e9 2024. Uma porcentagem maior do que essa poderia fazer do alvo um sonho imposs\u00edvel, j\u00e1 que, em 2013, apenas 12% das matr\u00edculas estavam inclu\u00eddas nessa realidade. A t\u00e3o sonhada universaliza\u00e7\u00e3o do ensino para todos os brasileiros em idade escolar, reivindicada tanto na carta de 1932 quanto no novo plano nacional, \u00e9 mais uma dificuldade. Segundo dados oficiais, 2,9 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes de 4 a 17 anos ainda est\u00e3o fora das salas de aula.<\/p>\n<p>Arnaldo Niskier \u00e9 c\u00e9tico em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s propostas atuais para reverter tudo isso. Para ele, em compara\u00e7\u00e3o com o manifesto, o PNE tem pouca credibilidade. O educador faz muitas cr\u00edticas ao projeto de P\u00e1tria Educadora, conjunto de medidas ainda em estudo, mas com o qual o governo federal pretende transformar o ensino nacional. Uma das ideias em discuss\u00e3o \u00e9 fazer interven\u00e7\u00f5es em redes municipais com mau desempenho em avalia\u00e7\u00f5es escolares:<\/p>\n<p>&#8211; O manifesto foi assinado por educadores aclamados, o Plano Nacional \u00e9 produto de an\u00f4nimos, destinado ao fracasso, porque antes dele deveria existir uma pol\u00edtica educacional. J\u00e1 as 29 laudas da P\u00e1tria Educadora representam uma piada de mau gosto, n\u00e3o tem nada que se aproveite. N\u00e3o tem nada a ver com a realidade, prev\u00ea uma mudan\u00e7a substancial e novas despesas num momento em que o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o precisa de dinheiro para pagar os compromissos que j\u00e1 assumiu, como o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies)<\/p>\n<p>O coordenador da Campanha Nacional pelo Direito \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, Daniel Cara, batalhou, junto com outros membros da sociedade civil, pela aprova\u00e7\u00e3o do PNE no Congresso, ano passado. Ele diz que, apesar de cada documento ser fruto da sua \u00e9poca, as demandas parecidas revelam o atraso do Brasil no debate educacional. De acordo com ele, na \u00e9poca, o pa\u00eds perdeu a oportunidade de acompanhar um movimento internacional de valoriza\u00e7\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8211; O manifesto tem muitos m\u00e9ritos, mas \u00e9 fruto de uma \u00e9poca, naquele momento n\u00e3o existia a possibilidade de constru\u00e7\u00e3o de um documento que envolvesse todos os setores sociais, como o PNE. Ainda assim, \u00e9 um documento avan\u00e7ado que o Brasil n\u00e3o teve a capacidade de tirar do papel. A gente perdeu o bonde da hist\u00f3ria, porque a educa\u00e7\u00e3o nunca foi prioridade no pa\u00eds. Outras na\u00e7\u00f5es, que na \u00e9poca tinham documentos at\u00e9 menos avan\u00e7ados, conseguiram implementar a agenda da educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade. N\u00f3s, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o (ABE), a qual pertenciam muitos dos signat\u00e1rios do documento, Jo\u00e3o Pessoa de Albuquerque acredita que o problema extrapola as fronteiras do poder p\u00fablico. N\u00e3o valorizar a quest\u00e3o \u00e9, na opini\u00e3o dele, um problema cultural da sociedade como um todo:<\/p>\n<p>&#8211; A for\u00e7a cultural \u00e9 t\u00e3o forte que muitas vezes leva um pa\u00eds a n\u00e3o dar prioridade \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Desde 1500 nunca colocamos ela em primeiro lugar. Hoje temos defici\u00eancias educacionais, como a desvaloriza\u00e7\u00e3o dos professores, que foram enfatizadas no manifesto e continuamos com elas porque faz parte da cultura n\u00e3o dar \u00e0 educa\u00e7\u00e3o a aten\u00e7\u00e3o que ela merece. A grande marca do manifesto era exatamente a universaliza\u00e7\u00e3o do ensino, a escola nova \u00e9 uma escola que deveria abrir suas portas para todas as classes socioecon\u00f4micas e isso infelizmente ainda n\u00e3o aconteceu.<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"capituloPage corpo novo large-16 columns\" data-scroll-index=\"6\">\n<h2 style=\"text-align: justify;\">O tempo real na Guerra Civil Espanhola<\/h2>\n<div class=\"fotogaleriasmateriaCapitulos\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"fotoGaleriaCapitulos16287912\" class=\"fotogalerias-container\">\n<ul class=\"slider-container clearfix\">\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16287736-b9f-cf9\/FT1086A\/420\/globo-5kjq23nx26wbkpbe3hf_layout1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Milicianos enfrentam as tropas de Francisco Franco, em ToledoFoto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16287726-e44-469\/FT1086A\/420\/globo-5kjq48p3jsx17tup13j7_layout1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Republicanos desfilam por MadriFoto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16287925-889-364\/FT1086A\/420\/globo-5kmmmm9yctjg9xy7c95_layout1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Pr\u00e9dio destru\u00eddo em Madri. O Arquivo P\u00fablico Espanhol guarda registros da \u00e9pocaFoto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16287916-c0a-846\/FT1086A\/420\/globo-5kjq12eq2fa1l2gpg3ak_layout1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Busca nos escombros de um bairro em Madri. O movimento Nacional ganhou apoio da Alemanha, de&#8230;Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16287932-e81-bd3\/FT1086A\/420\/globo-5kmmisg8wfobgiwnc3d_layout1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>A Esta\u00e7\u00e3o Norte, em Madri, ap\u00f3s ataque. O movimento Nacional ganhou apoio da Alemanha, de Hitler, e&#8230;Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16287880-023-f3c\/FT1086A\/420\/globo-5kjq2r83lxccc53y3fr_layout1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>M\u00e3e e filha nas ru\u00ednas de sua casa, totalmente destru\u00edda por bombardeio, em MadriFoto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16287889-fb8-513\/FT1086A\/420\/globo-5kjq5urqfznm2n6p3jr_layout1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Duas jovens republicanas comemoram a vit\u00f3ria em um combate, em MadriFoto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16287892-818-473\/FT1086A\/420\/globo-5kjq5710glt1hptix3jr_layout1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Homem se desespera ao perceber que perdeu a fam\u00edlia num bombardeio em MadriFoto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16287900-c87-151\/FT1086A\/420\/globo-5kjq1iepesy12tv973hf_layout1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>O corpo de um soldado franquista abandonado em uma rua da capital espanholaFoto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<li class=\"clearfix\">\n<div class=\"fotoIten\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16287895-b75-c80\/FT1086A\/420\/globo-5kjq4t5gqhxslppy3of_layout1.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"427\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda\">\n<h3>Crian\u00e7as se protegem de um bombardeio no metr\u00f4 de Madri Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<\/div>\n<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">O r\u00e1dio ainda estava se expandindo pelo pa\u00eds, e o mundo da hiperconectividade da internet era um sonho distante. Mas nem por isso os leitores do GLOBO deixavam de estar bem informados, com atualiza\u00e7\u00f5es constantes ao longo do dia. Na segunda metade da d\u00e9cada de 1930, quando a Guerra Civil Espanhola (1936-39) arrebatou manchetes mundo afora, a imprensa estava a todo vapor. O GLOBO imprimia at\u00e9 oito edi\u00e7\u00f5es por dia, entre 11h e 19h, de acordo com a import\u00e2ncia dos acontecimentos. Era o tempo real da \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os 11 anos que separam a primeira publica\u00e7\u00e3o do jornal, em 27 de julho de 1925, e o come\u00e7o do conflito espanhol foram marcados pelas turbul\u00eancias do per\u00edodo entre guerras. Pelas p\u00e1ginas do jornal, o leitor acompanhou a ascens\u00e3o do nazismo, a invas\u00e3o japonesa na China, o ataque italiano \u00e0 Eti\u00f3pia. At\u00e9 que o golpe militar do general Francisco Franco fez da Espanha um prel\u00fadio sangrento da Segunda Guerra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naqueles anos, reda\u00e7\u00e3o e gr\u00e1fica ficavam no mesmo lugar, no Centro do Rio, e as primeiras p\u00e1ginas eram atualizadas para que o jornal fosse rapidamente distribu\u00eddo nas ruas. F\u00e1bio Ponso, supervisor do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o do GLOBO, afirma que as sucessivas edi\u00e7\u00f5es eram comuns. Foi assim em 10 de agosto de 1937: apenas tr\u00eas horas depois da primeira edi\u00e7\u00e3o, uma terceira edi\u00e7\u00e3o apresentava uma capa toda reformulada para mostrar a ofensiva das tropas de Franco contra os republicanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA revolu\u00e7\u00e3o avan\u00e7a!\u201d, era a nova manchete do meio-dia. \u201cAnunciam-se o bombardeio de Badajoz e a tomada de Santander e de outras localidades\u201d, contava a capa do jornal, dominada pelos acontecimentos na Espanha, que suplantaram not\u00edcias sobre esportes da edi\u00e7\u00e3o anterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>INTERNACIONAL ERA DESTAQUE<\/strong><\/p>\n<div class=\"foto\" style=\"text-align: justify;\">\n<figure><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16302664-fa4-2c2\/FT1086A\/420\/O-Globo.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>Guerra Civil UERRA CIVIL ESPANHOLA CIDADE DE Guernica em 26 de abril de 1937, ap\u00f3s tr\u00eas horas de bombardeio pela avia\u00e7\u00e3o de Hitler<b> &#8211; Arquivo<\/b><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">No famoso bombardeio de Guernica, imortalizado por Pablo Picasso, as dificuldades de cobertura da guerra ficaram expressas na manchete de 29 de maio de 1937, quando a cidade basca foi arrasada por um ataque a\u00e9reo: \u201cFogo dos vermelhos ou bombas dos rebeldes?\u201d, perguntava a manchete, diante da incerteza inicial sobre a autoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jornal lembrava que informa\u00e7\u00f5es conflitantes vinham da Espanha. Depois, ficou claro que o ataque \u00e0 cidade foi feito pelas avia\u00e7\u00f5es alem\u00e3 e italiana, enviadas por Hitler e Mussolini, aliados de Franco. O GLOBO acompanhou com destaque o conflito, que deixou um rastro estimado de meio milh\u00e3o de mortos. Pelas p\u00e1ginas do di\u00e1rio, o leitor p\u00f4de seguir de perto o desenrolar da guerra, numa \u00e9poca em que jornais e r\u00e1dios eram os principais meios de comunica\u00e7\u00e3o. Doutor em Hist\u00f3ria da Imprensa, Jo\u00e3o Batista de Abreu Junior lembra que o notici\u00e1rio internacional tinha grande destaque na \u00e9poca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 Nas d\u00e9cadas de 20, 30 e 40, era considerado de bom tom na grande imprensa destacar na primeira p\u00e1gina o notici\u00e1rio internacional. Manchetes nacionais s\u00f3 em grandes momentos, seja de crise, morte de grandes personalidades ou trag\u00e9dia \u2014 afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As not\u00edcias, explica, eram enviadas pelas ag\u00eancias internacionais por um cabo subaqu\u00e1tico entre Lisboa e Recife. Na \u00e9poca, eram jornais, como O GLOBO, que pautavam os programas do r\u00e1dio, ainda n\u00e3o t\u00e3o disseminado no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 As not\u00edcias do jornal eram reescritas, lidas e comentadas no r\u00e1dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essencialmente, a guerra era travada pelas tropas de Franco, apoiadas pelos nazifascistas da Alemanha e da It\u00e1lia, contra a Frente Popular de esquerda, ancorada principalmente em brigadas de volunt\u00e1rios de inspira\u00e7\u00e3o comunista e anarquista. Estimados 41 brasileiros se voluntariaram.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prestes a fazer 80 anos, o conflito ainda deixa marcas na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2014 As divis\u00f5es est\u00e3o diminuindo. Mas continuam presentes. Franquistas votam no Partido Popular, e a esquerda continua um pouco dividida \u2014 explica o historiador espanhol Martin \u00c1lvarez.<\/p>\n<div class=\"foto\">\n<figure style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/og.infg.com.br\/in\/16306908-3dd-0f3\/FT1086A\/420\/pouso_005pp.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"420\" \/><figcaption>EC &#8211; Rio de Janeiro &#8211; RJ &#8211; 25\/5\/2015: Soldados da borracha recrutados no Nordeste brasileiro para trabalhar nos seringais da Amaz\u00f4nia.<\/figcaption><\/figure>\n<figure style=\"text-align: justify;\"><figcaption>\u00a0<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 90 anos, O GLOBO publicou mais de 3 milh\u00f5es de reportagens, muitas delas hist\u00f3ricas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":63988,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[4,6],"tags":[],"class_list":["post-63983","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/guerra-espanhola.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63983","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63983"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63983\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63988"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}