{"id":64907,"date":"2015-06-07T04:56:36","date_gmt":"2015-06-07T07:56:36","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=64907"},"modified":"2015-06-07T04:56:36","modified_gmt":"2015-06-07T07:56:36","slug":"apos-analise-delegado-conclui-que-sociedade-aceita-violencia-policial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/apos-analise-delegado-conclui-que-sociedade-aceita-violencia-policial\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s an\u00e1lise, delegado conclui que sociedade aceita viol\u00eancia policial"},"content":{"rendered":"<div>\n<div class=\"EJENEA00204\">\n<div class=\"toolsbar\">\n<div class=\"tools-gplus\">\n<div id=\"___plusone_1\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticia-header\">\n<h2 id=\"noticia-olho\">Orlando Zaccone analisou 308 autos de resist\u00eancia e descobriu que todos foram arquivados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico<\/h2>\n<div id=\"barra-superior\" class=\"barra-superior\">\n<div class=\"EJENEE00404\"><span id=\"authors-box\"><strong>MARIA LUISA BARROS<\/strong><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"noticia\" class=\"noticia\">\n<p>Em uma d\u00e9cada e meia, as a\u00e7\u00f5es policiais registradas nos inqu\u00e9ritos como \u2018autos de resist\u00eancia\u2019, aqueles em que os agentes alegam leg\u00edtima defesa, mataram 12.594 pessoas em todo o Estado do Rio. \u00c9 como se, nesse per\u00edodo, a popula\u00e7\u00e3o fluminense tivesse travado 14 Guerras das Malvinas \u2014 conflito entre argentinos e brit\u00e2nicos que terminou com a vit\u00f3ria da Inglaterra e um saldo de 907 mortos.<\/p>\n<p>Na guerra urbana carioca n\u00e3o h\u00e1 vencedores. Todos perdem, sobretudo os jovens negros das periferias. Foi o que constatou o delegado da Pol\u00edcia Civil Orlando Zaccone, que tamb\u00e9m \u00e9 doutor em Ci\u00eancia Pol\u00edtica, a partir de um trabalho investigativo para a sua tese de doutorado que deu origem ao livro \u2018Indignos de vida: a forma jur\u00eddica da pol\u00edtica de exterm\u00ednio de inimigos na cidade do Rio de Janeiro\u2019.<\/p>\n<figure class=\"foto-legenda EJENEE00504\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ejesa.statig.com.br\/bancodeimagens\/8s\/3v\/2w\/8s3v2w1mqoezj78ugj2008r87.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>\n<div class=\"legenda\">Delegado estuda 308 autos de resist\u00eancia e conclui que sociedade aceita viol\u00eancia policial<\/div>\n<p><cite>Foto:\u00a0 Ag\u00eancia O Dia<\/cite><\/figcaption><\/figure>\n<p>Para provar que o Estado criou um sistema que legitima a viol\u00eancia como forma de puni\u00e7\u00e3o, o mestre em Ci\u00eancias Penais esmiu\u00e7ou 308 autos de resist\u00eancia ocorridos entre 2003 e 2009. Descobriu que todos foram arquivados a pedido do Minist\u00e9rio P\u00fablico e que, em apenas um caso, uma viatura policial havia sido atingida por disparos de arma. Do total, 99% foram engavetadas em menos de tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Ao analisar o perfil das v\u00edtimas, Zaccone observou que 75,6% dos autos de resist\u00eancia aconteceram dentro de favelas. A maior parte das v\u00edtimas (78%) era negra ou parda. Em 60,7% dos processos nos quais os mortos eram maiores de idade, foi anexado ao processo a folha de antecedentes criminais da v\u00edtima.<\/p>\n<p>Segundo ele, esses ind\u00edcios refor\u00e7am a ideia de que o governo, a sociedade e o Judici\u00e1rio , atrav\u00e9s de promotores e ju\u00edzes, sustentam uma pol\u00edtica que aprova as execu\u00e7\u00f5es policiais contra aqueles que, por supostamente estarem envolvidos no crime, n\u00e3o teriam direito \u00e0 vida. \u201cA Justi\u00e7a peca por omiss\u00e3o. O promotor ao fazer o arquivamento omite ind\u00edcios de execu\u00e7\u00e3o\u201d, denuncia o delegado.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dele, a pol\u00edcia mata, mas n\u00e3o mata sozinha. \u201cA sociedade aplaude quando a viol\u00eancia \u00e9 dirigida aos \u2018mat\u00e1veis\u2019. Quando essa a\u00e7\u00e3o transborda e atinge outros inocentes, essa mesma sociedade n\u00e3o tolera e exige a puni\u00e7\u00e3o do policial\u201d, critica.<\/p>\n<figure class=\"foto-legenda EJENEE00504\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ejesa.statig.com.br\/bancodeimagens\/06\/vc\/9g\/06vc9gs5jr5m2xuwrygw1ew3w.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>\n<div class=\"legenda\">O delegado Zaccone observou que 75,6% dos autos de resist\u00eancia ocorreram em favelas. E a maior parte das v\u00edtimas (78%) era negra ou parda<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\" \"><strong>Mais que a pena de morte<\/strong><\/p>\n<p>Em 2011, 676 pessoas foram executadas nos 20 pa\u00edses que mant\u00eam a pena de morte. No mesmo ano, ocorreram 961 mortes em a\u00e7\u00f5es policiais nos estados do Rio e S\u00e3o Paulo. Na s\u00e9rie hist\u00f3rica das mortes por autos de resist\u00eancia, segundo dados do Instituto de Seguran\u00e7a P\u00fablica (ISP), o pior \u00edndice ocorreu, em 2007. Naquele ano, \u00e0s v\u00e9speras da instala\u00e7\u00e3o das primeiras Unidades de Pol\u00edcia Pacificadora (UPPs), 1.330 pessoas morreram no estado em a\u00e7\u00f5es policiais. Nos anos seguintes, esse tipo de ocorr\u00eancia caiu.<\/p>\n<p>Em 2014, chegou a 584. Os n\u00fameros ainda superam os casos registrados nos anos 90. Naquela d\u00e9cada \u2014 auge da chamada \u2018gratifica\u00e7\u00e3o faroeste\u2019 \u2014 os homic\u00eddios decorrentes de interven\u00e7\u00e3o policial eram inferiores a 400 casos no ano.<\/p>\n<p>\u201cDiscordo quando dizem que as mortes por autos de resist\u00eancia diminu\u00edram depois das UPPs. A bem da verdade, os \u00edndices apenas retornam para os n\u00edveis da d\u00e9cada de 90\u201d, diz o delegado Zaccone.<\/p>\n<p><strong>Pela legaliza\u00e7\u00e3o de todas as drogas<\/strong><\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do delegado Orlando Zaccone, a redu\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia no Rio de Janeiro s\u00f3 tem uma sa\u00edda: a legaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, do com\u00e9rcio e do consumo de todas as drogas il\u00edcitas, inclusive de tipos mais letais, como a coca\u00edna. \u201cNo dia em que a coca\u00edna for oferecida no mercado, ningu\u00e9m vai buscar o crack. Ele desaparece. \u00c9 o mesmo que acontece com o \u00e1lcool, uma droga l\u00edcita. Quem vai comprar cerveja n\u00e3o autorizada no camel\u00f4, se pode levar uma cerveja de qualidade?\u201d, defende o delegado.<\/p>\n<p>Como porta-voz da Law Enforcement Against Prohibition (Leap) do Brasil \u2014 entidade que prega o fim da proibi\u00e7\u00e3o \u00e0s drogas \u2014 Zaccone lembra que o pa\u00eds est\u00e1 perto de alcan\u00e7ar a marca de 600 mil presidi\u00e1rios nas penitenci\u00e1rias brasileiras. \u201cSomos a terceira na\u00e7\u00e3o que mais encarcera no mundo, atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos e da China\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>Mais de 60% das deten\u00e7\u00f5es de mulheres est\u00e3o ligadas ao tr\u00e1fico de drogas. \u201cNa maioria dos casos, elas s\u00e3o presas servindo de \u2018mulas\u2019, ou seja, fazendo o transporte das drogas ou levando pequenas quantidades para os companheiros na pris\u00e3o\u201d, constata Orlando Zaccone.<\/p>\n<p>De acordo com a Leap, composta por agentes da lei como ju\u00edzes e delegados, os elevados \u00edndices de homic\u00eddios dolosos no Rio \u2014 mais de 4 mil por ano \u2014 t\u00eam estreita rela\u00e7\u00e3o com o combate \u00e0s drogas. Resultam de guerras entre fac\u00e7\u00f5es por pontos de vendas, cobran\u00e7as de d\u00edvidas e a\u00e7\u00f5es policiais.<\/p>\n<p>Este e outros pontos pol\u00eamicos est\u00e3o no livro que ser\u00e1 lan\u00e7ado na pr\u00f3xima quinta-feira no Circo Voador, na Lapa, \u00e0s 19h. O evento ter\u00e1 participa\u00e7\u00e3o de m\u00e3es que perderam filhos em a\u00e7\u00f5es policiais, al\u00e9m de shows, debates e exposi\u00e7\u00e3o de fotos.<\/p>\n<p>Fonte: O Dia<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma d\u00e9cada e meia, as a\u00e7\u00f5es policiais registradas nos inqu\u00e9ritos como \u2018autos de resist\u00eancia\u2019, aqueles em que os agentes alegam leg\u00edtima defesa, mataram 12.594 pes<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":64908,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-64907","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-justica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/delegado-rio1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64907\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}