{"id":65037,"date":"2015-06-08T04:19:54","date_gmt":"2015-06-08T07:19:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=65037"},"modified":"2015-06-08T04:19:54","modified_gmt":"2015-06-08T07:19:54","slug":"municipio-sofre-com-falta-de-professores-e-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/municipio-sofre-com-falta-de-professores-e-medicos\/","title":{"rendered":"Munic\u00edpio sofre com falta de professores e m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"<div id=\"date-view\" class=\"date-view\">\n<div class=\"EJENEA00304\"><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"noticia-header\">\n<h1 id=\"noticia-titulo\">Precaridade no transporte agrava evas\u00e3o escolar em Japeri<\/h1>\n<h2 id=\"noticia-olho\">Munic\u00edpio tem nota 4.3 no \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb)<\/h2>\n<div id=\"barra-superior\" class=\"barra-superior\">\n<div class=\"EJENEE00404\"><span id=\"authors-box\"><strong>FELIPE FREIRE<\/strong> E <strong>JO\u00c3O ANTONIO BARROS<\/strong><\/span><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<div id=\"noticia\" class=\"noticia\">\n<p>Uma aula \u00e0s avessas. Apesar de pagar um dos melhores sal\u00e1rios aos professores no Rio de Janeiro, Japeri tem nota vermelha nas escolas dos seis bairros mais pobres do estado. Reflexo do dever de casa mal feito. S\u00e3o aulas a menos e evas\u00e3o a mais, principalmente nos dois \u00faltimos anos do Ensino Fundamental, que, somados \u00e0 falta de sistema pedag\u00f3gico complementar \u2014 com laborat\u00f3rios e oficinas \u2014, escreveram a Educa\u00e7\u00e3o de Japeri no \u2018quadro negro\u2019 do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal.<\/p>\n<figure class=\"foto-legenda EJENEE00504\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ejesa.statig.com.br\/bancodeimagens\/b8\/xh\/2k\/b8xh2kg3ytjp2rgcqxttkkzb8.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>\n<div class=\"legenda\">Vanessa Eduarda dos Santos, 21 anos, desistiu da escola por falta de transporte \u00e0 noite para voltar para casa<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\" \">E pode acrescer um empurr\u00e3o extracurricular: o deficiente transporte p\u00fablico para os alunos acima de 12 anos \u2014 respons\u00e1vel por tornar ainda mais longo o percurso casa-escola-casa.<\/p>\n<p class=\" \">Um somat\u00f3rio de dificuldades e desest\u00edmulo vivido na pele por Vanessa Eduarda dos Santos. Aos 21 anos, abandonou a escola no fim de abril ap\u00f3s trocar o Ciep 207 \u2014 um dos piores \u00edndices no Ideb \u2014 pelo Col\u00e9gio Estadual Prefeito Luiz Guimar\u00e3es, na vizinha Queimados.<\/p>\n<p>Entrou na vida dela um complicador: a idade avan\u00e7ada para a matr\u00edcula diurna a empurrou para a noite. Foram dois meses tentando se adaptar \u00e0 rotina de voltar das aulas \u00e0s 22h, quando \u00e0s 20h30 sai o \u00faltimo \u00f4nibus de Queimados para o bairro de Santo Ant\u00f4nio.<\/p>\n<p>O des\u00e2nimo para concluir o Ensino M\u00e9dio, que algumas repet\u00eancias j\u00e1 haviam prolongado al\u00e9m do habitual, abortou o sonho de Vanessa de ser enfermeira. \u201cN\u00e3o dava para, todo dia, andar seis, sete quil\u00f4metros. Ainda mais \u00e0 noite. Estava muito complicado\u201d.<\/p>\n<p>A jovem pensa, mais \u00e0 frente, retomar os estudos. \u201cSei que \u00e9 fundamental para conseguir um bom emprego. Quem sabe o \u00f4nibus n\u00e3o prolongue o hor\u00e1rio?\u201d.<\/p>\n<p>Vanessa \u00e9 mais do que um exemplo na Educa\u00e7\u00e3o de Japeri. Ela replica a realidade da vida educacional dos bairros mais pobres do Rio. Os \u00edndices do governo mostram que o n\u00famero de alunos que deixam as salas nos \u00faltimos dois anos do Ensino Fundamental \u00e9 de 66% nessas localidades. Pior: apenas 19% completam o Ensino M\u00e9dio at\u00e9 os 20 anos.<\/p>\n<p>Quanto mais na periferia, piores os dados. Na primeira avalia\u00e7\u00e3o, alunos da Escola de Santo Am\u00e9lia \u2014 no bols\u00e3o de car\u00eancia de servi\u00e7os \u2014 obtiveram a preocupante pontua\u00e7\u00e3o de 2.7. Outra que teve avalia\u00e7\u00e3o ruim foi a Escola Municipal Rio D\u2019Ouro (bairro Rio D\u2019 Ouro) com 3.7, quando a meta era 4.0.<\/p>\n<p>Para quem est\u00e1 do outro lado do quadro, os professores, o transporte prec\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 um vil\u00e3o. Os sal\u00e1rios atrativos \u2014 de R$ 2.041,34, para turmas do primeiro ao quinto ano do Fundamental, a R$ 2.250,57 do sexto ao nono \u2014 n\u00e3o garantem a perman\u00eancia dos profissionais na cidade.<\/p>\n<figure class=\"foto-legenda EJENEE00504\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ejesa.statig.com.br\/bancodeimagens\/2j\/41\/sq\/2j41sqmaanpeamgnt5tg7p9rx.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>\n<div class=\"legenda\">\u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb)<\/div>\n<p><cite>Foto:\u00a0 Arte O Dia<\/cite><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\" \">De acordo com a diretora da Escola Municipal Santo Ant\u00f4nio, Andreia de F\u00e1tima, os professores pedem exonera\u00e7\u00e3o, principalmente quando t\u00eam outra matr\u00edcula. \u201cAt\u00e9 gostam da escola, mas n\u00e3o continuam porque n\u00e3o d\u00e1 para conciliar hor\u00e1rio. J\u00e1 perdemos tr\u00eas por conta disso\u201d, admite ela.<\/p>\n<p class=\" \">Professora de Geografia na Escola Municipal Rio D\u2019Ouro, Bruna Uchoa, 24 anos, d\u00e1 aulas tamb\u00e9m em Queimados. Por isso, mesmo morando no M\u00e9ier, n\u00e3o desistiu de lecionar no local. \u201cAcordo de madrugada e pego o trem. Quando tem problemas, o que n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, chego atrasada\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\" \"><strong>Alunos t\u00eam que atravessar ponte a p\u00e9<\/strong><\/p>\n<p class=\" \">A defici\u00eancia na Educa\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m dos seis bairros com pior \u00edndice de IDH. Em Nova Bel\u00e9m, o simples ir e vir \u00e0 escola \u00e9 tarefa mais dif\u00edcil do que qualquer prova. No meio do caminho tem uma ponte&#8230; literalmente! Cerca de 200 estudantes optaram por estudar em Serop\u00e9dica, cidade vizinha, mesmo que tenham que gastar mais sola do sapato.<\/p>\n<figure class=\"foto-legenda EJENEE00504\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/ejesa.statig.com.br\/bancodeimagens\/11\/27\/br\/1127br901v4p18vf6hffp1sac.jpg\" alt=\"\" \/><figcaption>\n<div class=\"legenda\">Alunos de Japeri que estudam em Serop\u00e9dica t\u00eam que atravessar a p\u00e9 uma ponte sobre o Rio Guandu. \u00d4nibus escolar da cidade vizinha n\u00e3o entra em Japeri por causa de desaven\u00e7as entre as duas prefeituras<\/div>\n<p><cite>Foto:\u00a0 Jo\u00e3o Laet \/ Ag\u00eancia O Dia<\/cite><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\" \">O sacrif\u00edcio \u00e9 v\u00e1lido, j\u00e1 que os n\u00fameros mais recentes do \u00cdndice de Desenvolvimento da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica (Ideb) apontam Serop\u00e9dica com nota 4.7, \u00e0 frente de Japeri, com 4.3. Enquanto nesta o ensino integral \u00e9 privil\u00e9gio de poucos, na cidade vizinha, al\u00e9m da grade regular, alunos t\u00eam aulas extras de ingl\u00eas, ensino religioso e artes c\u00eanicas.<\/p>\n<p class=\" \">Ap\u00f3s uma briga pol\u00edtica entre as prefeituras, h\u00e1 um ano, o \u00f4nibus escolar (foto do alto) n\u00e3o ultrapassa mais o limite dos munic\u00edpios, antes da ponte sobre o Rio Guandu. Desde ent\u00e3o, os estudantes andam quase dois quil\u00f4metros at\u00e9 o ponto.<\/p>\n<p class=\" \">A parte mais perigosa \u00e9 a hora de atravessar a ponte. H\u00e1 crian\u00e7as que v\u00e3o sozinhas. Quando os caminh\u00f5es trafegam por l\u00e1, ela chega a tremer. Um perigo! \u201cMeu filho estudou at\u00e9 os 8 anos em Nova Bel\u00e9m (Japeri) e n\u00e3o sabia nem as vogais. Agora, j\u00e1 l\u00ea, escreve e faz contas\u201d, comemora Lilian dos Santos, de 28 anos.<\/p>\n<p class=\" \">A falta de seguran\u00e7a \u00e9 outro problema para alunos e pais. N\u00e3o h\u00e1 policiamento. \u201cJ\u00e1 tentaram assaltar minha esposa e, por sorte, ela conseguiu fugir. Agora, eu trago as crian\u00e7as\u201d, diz o motorista Leandro Pereira Monteiro, 38.<\/p>\n<p>Depois da ponte, ap\u00f3s alguns metros, est\u00e1 l\u00e1 o esperado ponto de \u00f4nibus. De l\u00e1, os alunos partem, enfim, em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s escolas municipais Paulo de Assis Ribeiro e Nossa Senhora de Nazareth, a cerca de quatro e oito quil\u00f4metros, respectivamente.<\/p>\n<p>A Prefeitura de Japeri alega que n\u00e3o h\u00e1 restri\u00e7\u00e3o ao \u00f4nibus escolar ir at\u00e9 a cidade e que o fato \u00e9 corriqueiro em regi\u00e3o de divisa. A de Serop\u00e9dica n\u00e3o se pronunciou.<\/p>\n<p><strong>Um m\u00e9dico para cada 980 moradores<\/strong><\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico mostra que Japeri tamb\u00e9m vai mal das pernas na Sa\u00fade: n\u00e3o h\u00e1 maternidade e nem hospital de emerg\u00eancia; somente uma policl\u00ednica. Nos bairros mais pobres e afastados do Centro, m\u00e9dicos s\u00f3 chegam a conta gotas e obrigam os moradores a uma dura rotina: na \u00faltima semana de cada m\u00eas, antes de o sol nascer, h\u00e1 uma romaria nos arredores dos poucos postos de sa\u00fade \u00e0 espera da distribui\u00e7\u00e3o das senhas. Valem para os atendimentos do m\u00eas seguinte. \u00c9 a \u00fanica chance de tratamento.<\/p>\n<p>O n\u00famero de profissionais por habitante recomenda paci\u00eancia: enquanto no Brasil a m\u00e9dia \u00e9 de um m\u00e9dico por 622 pessoas e, no Rio, de um por 302, em Japeri h\u00e1 apenas um por 980 moradores. A prefeitura pediu refor\u00e7o ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para trazer m\u00e3o de obra de fora, recebeu seis estrangeiros \u2014 cinco cubanos, entre eles Ivelis Delgado (foto), e uma holandesa \u2014 e tenta outros cinco.<\/p>\n<p>A car\u00eancia levou os moradores dos bairros de Jardim Aljezur, Santo Ant\u00f4nio e Rio D\u2019Ouro a adotar um jeitinho bem brasileiro: atravessam os limites da cidade para se consultar no posto de Nova Igua\u00e7u. \u00c9 tanta gente cruzando a \u2018fronteira\u2019, que a estimativa da unidade \u00e9 que 80% dos pacientes s\u00e3o \u2018estrangeiros\u2019.<\/p>\n<p>Todos sempre atendidos pela \u00fanica m\u00e9dica da regi\u00e3o. Praticamente uma volunt\u00e1ria em tempo integral, desde que se aposentou, Maria Helena de Ara\u00fajo se mudou para um s\u00edtio vizinho aos bairros e foi atender no posto.<\/p>\n<p>Foi a sorte grande dos moradores, que n\u00e3o t\u00eam posto de sa\u00fade. O que tinha foi fechado e s\u00f3 funcionava \u00e0s quintas-feiras.<\/p>\n<p>Mas a Prefeitura de Nova Igua\u00e7u, desde o m\u00eas passado, endurece: passou a cobrar a conta de luz nos atendimentos para comprovar a resid\u00eancia. Problema para a dona F., 68 anos, que perdeu a oportunidade de fazer os exames de sangue t\u00e3o necess\u00e1rios para seguir o tratamento de hipertens\u00e3o.<\/p>\n<p>A falta de atendimento reflete tamb\u00e9m nas gr\u00e1vidas da cidade. Hoje, n\u00e3o nascem mais japerienses. As gestantes at\u00e9 fazem o pr\u00e9-natal nos postos de sa\u00fade locais, mas, na hora de ter a crian\u00e7a, s\u00e3o encaminhadas para a Maternidade Mariana Bulh\u00f5es, em Nova Igua\u00e7u, ou para o Hospital da Mulher, em S\u00e3o Jo\u00e3o de Meriti.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, dos 5.171 partos realizados na Mariana Bulh\u00f5es no ano passado, 339 foram de Japeri, 6,55% do total. A prefeitura deu um prazo de um ano para a constru\u00e7\u00e3o da maternidade p\u00fablica. O tempo n\u00e3o ser\u00e1, por\u00e9m, suficiente para a filha da estudante Thain\u00e1 Ferreira, 19 anos, gr\u00e1vida de oito meses, nascer na pr\u00f3pria cidade.<\/p>\n<p>Fonte: O Dia<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos sempre atendidos pela \u00fanica m\u00e9dica da regi\u00e3o. Praticamente uma volunt\u00e1ria em tempo integral, desde que se aposentou, Maria Helena de Ara\u00fajo se mudou para<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":65038,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[4,6],"tags":[],"class_list":["post-65037","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/falta-de-tudo.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65037"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65037\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65038"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}