{"id":66193,"date":"2015-06-13T21:45:53","date_gmt":"2015-06-14T00:45:53","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=66193"},"modified":"2015-06-13T21:45:53","modified_gmt":"2015-06-14T00:45:53","slug":"carolina-maria-de-jesus-revisitada-pesquisas-buscam-definir-estilo-e-influencias-de-autora-de-quarto-de-despejo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/carolina-maria-de-jesus-revisitada-pesquisas-buscam-definir-estilo-e-influencias-de-autora-de-quarto-de-despejo\/","title":{"rendered":"Carolina Maria de Jesus revisitada: pesquisas buscam definir estilo e influ\u00eancias de autora de &#8216;Quarto de Despejo&#8217;"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"bigtitle\" data-section=\"\"><\/h1>\n<p><time class=\"time d-b\" datetime=\"2015-06-13BRT21:06\">M\u00e1rcio Ferrari<\/time><\/p>\n<div class=\"subtitle\"><em><strong>Para al\u00e9m de aspecto testemunhal, pesquisadoras focam em abordagem liter\u00e1ria para identificar parentescos culturais e discursos presentes nos textos de Jesus, cujo primeiro livro, publicado h\u00e1 55 anos, foi traduzido em 14 idiomas<\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"subtitle\"><\/div>\n<div class=\"descript\">\n<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/Carolina960.jpg\" alt=\"\" \/><br \/>\nParte de conto publicado postumamente, em 2014, e dispon\u00edvel online no ebook <a href=\"http:\/\/www.letraria.net\/site\/biblioteca\/\" target=\"_blank\">&#8220;Onde estaes felicidade?&#8221;<\/a><\/p>\n<p>Cinquenta e cinco anos depois de\u00a0\u201cQuarto de despejo\u201d, estreia em livro da escritora Carolina Maria de Jesus, o interesse por sua obra continua se desdobrando e tomou impulso em 2014, ano de seu centen\u00e1rio de nascimento \u2013 presumido, porque a pr\u00f3pria Carolina n\u00e3o tinha certeza sobre a data e h\u00e1 discrep\u00e2ncias de dados entre sua certid\u00e3o de nascimento e a de batismo. Definida como \u201cfavelada\u201d no subt\u00edtulo do livro (\u201cDi\u00e1rio de uma favelada\u201d), Carolina hoje \u00e9 revisitada sob diversos \u00e2ngulos, dada a riqueza de sua produ\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, ou quase, e de sua vida de altos e baixos.<\/p>\n<p>\u201cEscritora, lavradora, catadora de papel, compositora, sambista, poetisa, dramaturga, cantora, atriz circense, raizeira [quem usa ra\u00edzes em tratamento m\u00e9dico]\u201d, assim a descreve a historiadora Elena Pajaro Peres em sua tese de doutorado\u00a0\u201cExuber\u00e2ncia e invisibilidade. Popula\u00e7\u00f5es moventes e cultura em S\u00e3o Paulo, 1942 ao in\u00edcio dos anos 70\u201d, defendida em 2007 no Departamento de Hist\u00f3ria da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da Universidade de S\u00e3o Paulo (FFLCH-USP). Elena desenvolve agora no Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da USP pesquisa de p\u00f3s-doutorado sobre a di\u00e1spora africana nos manuscritos de Carolina.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de Carolina (1914-1977) em c\u00edrculos acad\u00eamicos no Brasil e no exterior contrasta com o quase total desconhecimento de seu nome pelo p\u00fablico leitor. \u00c0 sua \u00e9poca, entretanto,\u00a0\u201cQuarto de despejo\u201d foi um fen\u00f4meno de vendas. A primeira tiragem, de 10 mil exemplares, se esgotou em tr\u00eas dias, outros 90 mil foram vendidos em seis meses. No exterior, ganhou tradu\u00e7\u00e3o em 14 idiomas. A publica\u00e7\u00e3o do livro aconteceu depois de uma reportagem do jornalista Aud\u00e1lio Dantas na favela do Canind\u00e9, uma das primeiras de S\u00e3o Paulo. Um encontro casual com Carolina o levou a conhecer os escritos \u2013 contidos em cerca de 20 cadernos \u2013 que selecionou e editou, alterando a pontua\u00e7\u00e3o, mas mantendo a ortografia e a gram\u00e1tica originais. Carolina, que estudou apenas at\u00e9 o 2\u00ba ano do ent\u00e3o chamado curso prim\u00e1rio em sua cidade natal, Sacramento, em Minas Gerais, sempre havia confiado no potencial de publica\u00e7\u00e3o do que escrevia. Trechos de seus cadernos j\u00e1 tinham sa\u00eddo em reportagens de jornais, entre elas a de Aud\u00e1lio Dantas, publicada em 1958 na\u00a0Folha da Noite. Dois anos depois sairia\u00a0\u201cQuarto de despejo\u201d, j\u00e1 com expectativa de p\u00fablico.<\/p>\n<p>Carolina publicaria ainda tr\u00eas livros em vida, com repercuss\u00e3o incomparavelmente menor do que a obra que a celebrizou, e deixou guardados \u201cmais de 5 mil p\u00e1ginas manuscritas, totalizando 58 cadernos que cont\u00eam sete romances, mais de 60 textos com caracter\u00edsticas de cr\u00f4nicas, f\u00e1bulas, autobiografia e contos, mais de 100 poemas, quatro pe\u00e7as de teatro e 12 marchinhas de Carnaval\u201d, segundo levantamento feito pela doutoranda Raffaella Fernandez, que atualmente trabalha na pesquisa \u201cNarrativas de Carolina Maria de Jesus: Processo de cria\u00e7\u00e3o de uma po\u00e9tica de res\u00edduos\u201d,\u00a0no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).<\/p>\n<p>Todo esse material se encontra espalhado, e novos manuscritos podem aparecer. \u201cSempre que se trabalha com pessoas em movimento, tem-se que lidar com a dispers\u00e3o dos documentos\u201d, diz Elena. \u201cCarolina entregou muitos escritos a outras pessoas, na esperan\u00e7a de public\u00e1-los, e, em suas constantes mudan\u00e7as, foi obrigada a deixar para tr\u00e1s alguns livros que colecionava com carinho.\u201d Mesmo suas obras publicadas s\u00e3o dif\u00edceis de encontrar. Elena Peres p\u00f4de consultar os microfilmes de seus manuscritos na Biblioteca do Congresso em Washington, que guarda tamb\u00e9m uma c\u00f3pia de todos os livros de Carolina, inclusive o romance\u00a0\u201cPeda\u00e7os da fome\u201d, de 1963, e seu \u00fanico disco, gravado pela RCA Victor. Os mesmos microfilmes tamb\u00e9m est\u00e3o dispon\u00edveis na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, mas no cat\u00e1logo da BN n\u00e3o constam todos os seus livros.<\/p>\n<p>Foi nos livros\u00a0\u201cProv\u00e9rbios\u201d\u00a0e\u00a0\u201cDi\u00e1rio de Bitita\u201d\u00a0\u2013 mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia da escritora, publicadas inicialmente na Fran\u00e7a, em 1982, e quatro anos depois no Brasil \u2013 que a pesquisadora tem encontrado os principais v\u00ednculos entre Carolina e a cultura da di\u00e1spora africana no continente americano. \u201cConsegue-se perceber conex\u00f5es com tradi\u00e7\u00f5es africanas que davam muita import\u00e2ncia \u00e0 palavra escrita\u201d, diz Elena. A historiadora identifica em particular um elo com a cultura de Cabinda, hoje prov\u00edncia de Angola, que liga a escritora \u00e0 \u00c1frica Central. Seu av\u00f4, a quem ouvia com devo\u00e7\u00e3o quando crian\u00e7a, era ex-escravo e seus pais vinham dessa regi\u00e3o de cultura banto, onde o exerc\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o moral e da busca do caminho reto era feito por meio de di\u00e1logos e prov\u00e9rbios, muitas vezes pictografados em tecidos e cer\u00e2micas.<\/p>\n<p>Elena, que esteve por 12 meses em est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado no African American Studies da Boston University e que vem dialogando com africanistas e estudiosos das di\u00e1sporas africanas, relaciona essa preocupa\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 firmeza de car\u00e1ter com a tradi\u00e7\u00e3o musical afro-norte-americana do\u00a0<em>spirituals<\/em>. \u201cComo os prov\u00e9rbios, os\u00a0<em>spirituals<\/em>\u00a0comunicam o caminho a ser seguido e lamentam os seus desvios, recriando uma \u00e9tica religiosa e pol\u00edtica que foi constantemente retomada nos discursos em prol dos direitos civis, especialmente nas d\u00e9cadas de 1950 e 1960\u201d, explica Elena. O av\u00f4 de Carolina era crist\u00e3o e comandava a reza do ter\u00e7o em Sacramento, o que lhe conferia autoridade moral e proemin\u00eancia na comunidade.<\/p>\n<section class=\"noticias-relevantes cf\">\n<h4 class=\"subtitle\"><\/h4>\n<\/section>\n<p><img decoding=\"async\" title=\"Reprodu\u00e7\u00e3o Facebook Carolina Maria de Jesus\" src=\"http:\/\/www.operamundi.com.br\/media\/images\/carolina1.jpg\" alt=\"Reprodu\u00e7\u00e3o Facebook Carolina Maria de Jesus\" \/>Quando foram lan\u00e7ados\u00a0\u201cQuarto de despejo\u201d, \u201cCasa de alvenaria\u201d\u00a0(mem\u00f3rias de sua vida depois do sucesso do primeiro livro) ou\u00a0\u201cAntologia pessoal\u201d\u00a0(reuni\u00e3o de poemas organizada pelo historiador Jos\u00e9 Carlos Bom Meihy, publicada em 1996), costumava-se criticar a escritora por n\u00e3o refletir sobre sua condi\u00e7\u00e3o de mulher e negra. No entanto, textos sobre esses assuntos encontram-se espalhados pelos in\u00e9ditos e mesmo em passagens publicadas que n\u00e3o foram suficientemente levadas em conta na \u00e9poca. A doutoranda Raffaella destaca poemas e outras passagens dos escritos de Carolina que formam um conjunto amb\u00edguo sobre essas quest\u00f5es \u2013 ora a autora incorpora preconceitos, ora reivindica a emancipa\u00e7\u00e3o de negros e mulheres. Na vida, a escritora sempre se manteve t\u00e3o independente quanto p\u00f4de. Preferiu ser catadora de papel a empregada dom\u00e9stica e nunca quis se casar \u2013 teve tr\u00eas filhos de pais diferentes.<\/p>\n<p>Para Elena, a no\u00e7\u00e3o de pertencimento \u00e0 cultura negra se alimentou tamb\u00e9m do abolicionismo dos poetas rom\u00e2nticos brasileiros e das ideias de intelectuais como Rui Barbosa e Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, aos quais Carolina teve acesso por influ\u00eancia de um oficial de Justi\u00e7a mulato de Sacramento, que lia trechos de jornais para os negros da cidade que n\u00e3o sabiam ler. Nos ex\u00edguos dois anos em que estudou numa escola esp\u00edrita, Carolina tomou gosto pela leitura, e o primeiro livro que leu inteiro, emprestado por uma vizinha, foi \u201cA escrava Isaura\u201d, do rom\u00e2ntico Bernardo Guimar\u00e3es. Dali para frente, continuou lendo tudo o que lhe ca\u00eda nas m\u00e3os, entre livros achados ou recebidos em doa\u00e7\u00e3o, o que formou um repert\u00f3rio de refer\u00eancia muito particular. \u201cOs escritos de Carolina t\u00eam trechos po\u00e9ticos de um grande refinamento e que n\u00e3o correspondem exatamente \u00e0 literatura do per\u00edodo em que foram produzidos\u201d, diz Elena.<\/p>\n<p>Quando se mudou para S\u00e3o Paulo, em 1937, sozinha, deixando para tr\u00e1s fam\u00edlia e livros, Carolina passou a escrever furiosamente. Pelos relatos que deixou, sabe-se que sua cabe\u00e7a era inundada por \u201cpensamentos po\u00e9ticos\u201d. Uma de suas anota\u00e7\u00f5es diz: \u201cSentia ideias que eu desconhecia\u201d. Para Elena, esse despertar inesperado d\u00e1 continuidade a uma esp\u00e9cie de miss\u00e3o de procura da sabedoria incutida por seu av\u00f4 e impregnada de uma cultura ancestral. \u201cTalvez ela n\u00e3o houvesse vindo para S\u00e3o Paulo se n\u00e3o sentisse essa necessidade\u201d, diz a pesquisadora. \u201cNa cidade grande, Carolina se isolou e encontrou a literatura.\u201d Com isso, conjugou uma voz pr\u00f3pria com a viv\u00eancia que trazia do entorno. De acordo com Elena, a express\u00e3o \u201cquarto de despejo\u201d, numa met\u00e1fora da escritora, refere-se \u00e0 favela como um lugar em que a sociedade \u201cguarda\u201d o que n\u00e3o quer mostrar na sala de visitas.<\/p>\n<p>O livro de estreia da autora foi recebido como um relato testemunhal da vida na favela e, segundo Elena, no exterior continua residindo a\u00ed o interesse principal despertado pela escritora. O impacto e o inc\u00f4modo imediatos causados pelo livro foram tanto que logo a prefeitura de S\u00e3o Paulo, na gest\u00e3o do prefeito Prestes Maia (1961-65), come\u00e7ou uma campanha bem-sucedida de derrubada da favela do Canind\u00e9, o que resultou na remo\u00e7\u00e3o for\u00e7ada dos moradores. Essa a\u00e7\u00e3o da prefeitura incentivou um grupo de estudantes a criar o Movimento Universit\u00e1rio do Desfavelamento (MUD), que, com a ajuda de grandes empresas, atuou na remo\u00e7\u00e3o de outras favelas.<\/p>\n<p>A doutoranda Raffaella defende um deslocamento de abordagem que se detenha nos aspectos propriamente liter\u00e1rios da obra de Carolina \u2013 um terreno em que mesmo o aspecto informativo dos escritos pode ser relativizado. \u201cO universo ficcional est\u00e1 sempre muito presente\u201d, diz, por sua vez, Elena Peres. \u201cH\u00e1 mem\u00f3ria na fic\u00e7\u00e3o e fic\u00e7\u00e3o no testemunho, como tamb\u00e9m ocorre em outros autores.\u201d A pesquisadora defende tamb\u00e9m a supera\u00e7\u00e3o dos limites da literatura \u201cde periferia, marginal\u201d a que Carolina \u00e9 frequentemente circunscrita. \u201cIsso \u00e9 importante, mas ficar\u00edamos apenas com a vis\u00e3o do lugar e da \u00e9poca em que viveu ap\u00f3s deixar sua fam\u00edlia\u201d, diz, ao se referir \u00e0s redes transnacionais que vem tra\u00e7ando a partir da obra da autora.<\/p>\n<p>\u201cComo escritora, Carolina est\u00e1 al\u00e9m das determina\u00e7\u00f5es imediatas\u201d, ressalta Raffaella, que organizou e promoveu a publica\u00e7\u00e3o do livro\u00a0\u201cOnde estaes felicidade?\u201d, com dois contos in\u00e9ditos da autora, em 2014 (dispon\u00edvel\u00a0<a href=\"http:\/\/www.letraria.net\/site\/biblioteca\/\" target=\"_blank\">neste link<\/a>), e agora prepara a edi\u00e7\u00e3o de um livro infantil e outro infantojuvenil. Em seu trabalho acad\u00eamico, ela define a produ\u00e7\u00e3o de Carolina como uma \u201cpo\u00e9tica de res\u00edduos\u201d, na qual se misturam discursos e g\u00eaneros liter\u00e1rios e n\u00e3o liter\u00e1rios, dos poemas rom\u00e2nticos aos textos jornal\u00edsticos, das letras de sambas \u00e0 radionovela e da norma culta \u00e0 oralidade, \u00e0 qual se incorpora um sotaque mineiro. Esse grande am\u00e1lgama leva Raffaella a aproximar a atividade de catadora de papel \u00e0 de escritora. \u201cA literatura de Carolina tamb\u00e9m sobrevive de uma cata\u00e7\u00e3o de discursos\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mat\u00e9ria original publicada na revista\u00a0<a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2015\/05\/15\/poetica-de-residuos\/\" target=\"_blank\">Pesquisa FAPESP<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para al\u00e9m de aspecto testemunhal, pesquisadoras focam em abordagem liter\u00e1ria para identificar parentescos culturais e discursos presentes nos textos de Jesus, cujo primeiro livro, publicado h\u00e1 55 anos, foi traduzido em 14 idiomas<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":66194,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[1175],"tags":[],"class_list":["post-66193","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-educacao"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/carolina1.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66193","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66193"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66193\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66194"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66193"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66193"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66193"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}