{"id":66351,"date":"2015-06-15T00:11:55","date_gmt":"2015-06-15T03:11:55","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=66351"},"modified":"2015-06-14T17:15:39","modified_gmt":"2015-06-14T20:15:39","slug":"conheca-o-drama-das-criancas-arrancadas-das-familias-em-experimento-social-na-dinamarca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/conheca-o-drama-das-criancas-arrancadas-das-familias-em-experimento-social-na-dinamarca\/","title":{"rendered":"Conhe\u00e7a o drama das crian\u00e7as arrancadas das fam\u00edlias em experimento social na Dinamarca"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\"><\/h1>\n<div class=\"byline\"><span class=\"byline__name\">Ellen Otzen<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"media-landscape full-width has-caption lead\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/660\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/06\/11\/150611232511_helene_thiesen_boneca_624x351_arquivopessoal.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"351\" \/><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Helene Thiesen tinha acabado de perder o pai quando foi levada de sua fam\u00edlia para ir \u00e0 Dinamarca<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\">Em 1950, um grupo de crian\u00e7as da etnia inuit (anteriormente chamadas de esquim\u00f3s) foi retirado de suas fam\u00edlias na Groenl\u00e2ndia e levado \u00e0 Dinamarca para que fossem educados como &#8220;cidad\u00e3os dinamarqueses&#8221;.<\/p>\n<p>O programa &#8220;Witness&#8221;, da BBC, conversou com uma das v\u00edtimas deste pol\u00eamico experimento social.<\/p>\n<p>&#8220;Era um dia lindo de ver\u00e3o quando dois distintos senhores dinamarqueses apareceram na nossa casa&#8221;, lembra Helene Thiesen. Era 1951, ela vivia com sua fam\u00edlia em Nuuk, a capital da Groenl\u00e2ndia.<\/p>\n<p>&#8220;Estavam com um int\u00e9rprete e com a minha irm\u00e3 mais velha. &#8216;O que eles est\u00e3o fazendo aqui?&#8217;, pensei. Est\u00e1vamos bastante curiosos. Pediram que a gente sa\u00edsse de casa enquanto minha m\u00e3e conversava com eles&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Perguntaram \u00e0 minha m\u00e3e se ela estava disposta a me mandar para a Dinamarca. Aprenderia a falar dinamarqu\u00eas e teria uma boa educa\u00e7\u00e3o. Disseram que seria uma grande oportunidade para mim&#8221;, prosseguiu.<\/p>\n<p>Helene conta que a m\u00e3e negou o &#8216;convite&#8217; duas vezes. Mas os dinamarqueses seguiram pressionando. &#8220;Diziam que era s\u00f3 por seis meses e que eu teria a oportunidade de um futuro promissor.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape full-width has-caption\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/06\/11\/150611232659_helene_thiesen_2_624x351_bbc_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"351\" \/><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Helene Thiesen (abaixo, \u00e0 esquerda), com seus pais e irm\u00e3os na Groenl\u00e2ndia<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">&#8216;Novo groenland\u00eas&#8217;<\/h2>\n<p>A Dinamarca estava decidida a melhorar as condi\u00e7\u00f5es de vida da sua col\u00f4nia \u00e1rtica. Muitos deles, por\u00e9m, viviam da ca\u00e7a \u00e0s focas, poucos falavam dinamarqu\u00eas e a tuberculose estava disseminada pela regi\u00e3o.<\/p>\n<p>As autoridades dinamarquesas decidiram que a melhor maneira de modernizar a ilha era criar um novo tipo de groenland\u00eas.<\/p>\n<p>Elas enviaram telegramas a diretores de escolas e padres pedindo que identificassem as crian\u00e7as mais inteligentes entre 6 e 10 anos. O plano, idealizado em conjunto com a funda\u00e7\u00e3o &#8220;Save the Children&#8221; da Dinamarca, era envi\u00e1-los a fam\u00edlias dinamarquesas para que fossem reeducados como &#8220;crian\u00e7as dinamarquesas&#8221;.<\/p>\n<p>Muitos se mostravam receosos a mandar seus filhos, mas finalmente 21 fam\u00edlias cederam. O pai de Helene Thiesen havia morrido de tuberculose tr\u00eas meses antes e sua m\u00e3e ficou sozinha com tr\u00eas filhos pequenos.<\/p>\n<p>&#8220;Minha m\u00e3e me explicou: &#8216;Voc\u00ea vai para a Dinamarca&#8217;. &#8216;O que \u00e9 a Dinamarca?&#8217;, perguntei a ela&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;&#8216;\u00c9 um pa\u00eds muito longe, mas bonito, \u00e9 como o para\u00edso. Voc\u00ea n\u00e3o tem que ficar triste&#8217;, disse a minha m\u00e3e.&#8221;<\/p>\n<p>Em maio de 1951, o barco MS Disko saiu de Nuuk com 22 crian\u00e7as a bordo.<\/p>\n<p>&#8220;No barco, olhei para a minha m\u00e3e e n\u00e3o consegui nem dizer &#8216;tchau&#8217; com a m\u00e3o. Estava enjoada: &#8216;Por que voc\u00ea est\u00e1 me deixando ir?&#8217;, pensei. N\u00e3o entend\u00edamos por que estavam nos mandando para um lugar t\u00e3o distante. O que encontrar\u00edamos l\u00e1? Era tudo muito incerto.&#8221;<\/p>\n<figure class=\"media-landscape full-width has-caption\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/06\/11\/150611232151_helene_thiesen_criancas_624x351_arquivopessoal.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"351\" \/><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Helene \u00e0 direita em uma foto tirada na Groenl\u00e2ndia<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Eu me lembro quando chegamos a Copenhagen. Estava anoitecendo e havia um porto muito grande&#8221;, contou Helene.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s chegarem, as crian\u00e7as foram enviadas \u00e0s suas fam\u00edlias adotivas. Mas, primeiro, passaram o ver\u00e3o em um &#8220;acampamento&#8221;, conhecido como Fedgaarden. &#8220;Depois, soubemos que, na realidade, eles estavam nos mantendo isolados, em quarentena&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Nos colocaram em quarentena porque \u00e9ramos o primeiro grupo de crian\u00e7as que chegava da Groenl\u00e2ndia \u00e0 Dinamarca. Eles temiam que tiv\u00e9ssemos algo contagioso.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Continuei me perguntando o que faria quando voltasse para casa. Tinha saudades de minha m\u00e3e e ainda sentia muito a morte de meu pai.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">A visita da rainha<\/h2>\n<p>A chegada das crian\u00e7as inu\u00edtes era um projeto de tanto prest\u00edgio que at\u00e9 a rainha quis visitar o acampamento.<\/p>\n<p>Mas, na foto que tiraram das crian\u00e7as com a rainha, nenhuma delas sorri.<\/p>\n<p>&#8220;Claro que houve momentos mais alegres, como quando \u00edamos \u00e0 praia. Mas quando nos mandavam dormir, chor\u00e1vamos em sil\u00eancio. Eu me sentia muito triste e insegura&#8221;.<\/p>\n<p>Em dezembro de 1951, uma revista dinamarquesa publicou uma reportagem descrevendo a experi\u00eancia como um &#8220;sucesso&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O modo de vida aqui na Dinamarca \u00e9 muito diferente do que esses meninos estavam acostumados, mas a habilidade que eles tiveram para se adaptar \u00e9 impressiomante. N\u00e3o \u00e9 comum ver nenhum problema provocado por sua rea\u00e7\u00e3o \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;, dizia a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;As crian\u00e7as da Groenl\u00e2ndia j\u00e1 falam dinamarqu\u00eas muito bem, mas quando a alegria ou a raiva os agitam, uma chuva de palavras groenlandesas aparece de repente, e sons sem sentido podem ser ouvidos.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Helene nunca disse uma palavra a seus pais adotivos, mas conversa com sua irm\u00e3 adotiva, Marianne, que est\u00e1 lhe ensinando a costurar.&#8221;<\/p>\n<p>Helene Thiesen desenvolveu um eczema em Fedgaarden e decidiram que ela deveria morar com um m\u00e9dico. Para tratar sua inflama\u00e7\u00e3o, cobriram seus cotovelos e calcanhares com uma pomada preta e proibiram-na de entrar na sala de estar para n\u00e3o danificar os m\u00f3veis.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca me senti bem-vinda nessa fam\u00edlia. Era uma estranha. A m\u00e3e tinha problemas mentais e ficava deitada o tempo todo.&#8221;<\/p>\n<p>Helene conta que n\u00e3o confiava nos adultos na Dinamarca e, quando algu\u00e9m lhe dirigia a palavra, apenas &#8220;assentia ou negava com a cabe\u00e7a&#8221; porque n\u00e3o queria responder. Alguns meses depois, quando seu problema de pele melhorou, a garota foi transferida para uma fam\u00edlia diferente.<\/p>\n<p>&#8220;A segunda fam\u00edlia me acolheu de maneira totalmente diferente. Era como um conto de fadas em compara\u00e7\u00e3o com a primeira. Eram pessoas muito calorosas&#8221;, disse.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape full-width has-caption\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/06\/11\/150611232753_helene_thiesen_3_624x351_bbc_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"351\" \/><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">A rainha visitou o acampamento<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">De volta \u00e0 Groenl\u00e2ndia<\/h2>\n<p>No ano seguinte, 16 dos 22 inu\u00edtes, incluindo Thiesen, foram enviados de volta \u00e0 Groenl\u00e2ndia. A organiza\u00e7\u00e3o &#8220;Save the Children&#8221; deixou os seis restantes na Dinamarca \u2013 eles foram adotados por suas fam\u00edlias de origem dinamarquesa.<\/p>\n<p>&#8220;Quando o barco atracou em Nuuk, segurei minha mala e corri pela ponte para os bra\u00e7os da minha m\u00e3e&#8221;, disse Helene.<\/p>\n<p>&#8220;E contei tudo o que havia visto. Mas ela n\u00e3o respondeu. Eu olhei para ela confusa. Depois de um tempo, ela me disse algo, mas n\u00e3o entendi. Nem uma palavra. A\u00ed pensei: &#8216;Que coisa horr\u00edvel! N\u00e3o consiguirei falar com a minha m\u00e3e nunca mais!&#8217;. Fal\u00e1vamos idiomas diferentes.&#8221;<\/p>\n<p>Teve, ent\u00e3o, outra surpresa. Enquanto Thiesen estava ausente, outra funda\u00e7\u00e3o, a Cruz Vermelha Dinamarquesa, havia constru\u00eddo um lar para crian\u00e7as em Nuuk.<\/p>\n<p>Segundo a institui\u00e7\u00e3o, as crian\u00e7as que haviam se hospedado em casas dinamarquesas n\u00e3o deveriam viver com suas pr\u00f3prias fam\u00edlias &#8220;em condi\u00e7\u00f5es piores&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa nova &#8216;m\u00e3e&#8217; \u2013 a diretora do lar \u2013 me tocou o ombro e disse: &#8216;Vamos, suba no \u00f4nibus, voc\u00ea vai para o orfanato&#8217;. Por que eu estava sendo enviada a um lar para crian\u00e7as? Ningu\u00e9m me respondeu. Observei a cidade por entre minhas l\u00e1grimas.&#8221;<\/p>\n<p>No lar de crian\u00e7as, os garotos e garotas queriam reaprender o groenland\u00eas para se comunicar com seus pais de novo. Muitos dos empregados, que falavam o idioma local, come\u00e7aram a ajud\u00e1-los.<\/p>\n<p>&#8220;Mas ent\u00e3o o diretor dinamarqu\u00eas apareceu. &#8216;O que est\u00e3o fazendo? N\u00e3o podem ensinar groenland\u00eas. Essas crian\u00e7as precisam ser educadas para chegarem ao topo da sociedade. Portanto elas s\u00f3 falar\u00e3o dinamarqu\u00eas&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o de Helene com sua m\u00e3e nunca voltou a ser a mesma. &#8220;Me sentia muito triste pela decis\u00e3o de me mandar para longe. Eu ficava realmente irritada porque ela n\u00e3o s\u00f3 me deixou ir, como tamb\u00e9m permitiu que eu voltasse a viver em um orfanato, apesar de morarmos na mesma cidade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Eram tempos em que os dinamarqueses eram os senhores coloniais da Groenl\u00e2ndia. Eram &#8216;mestres&#8217; no pior sentido da palavra. Eles controlavam tudo e ningu\u00e9m poderia contradizer um dinamarqu\u00eas.&#8221;<\/p>\n<p>Somente em 1996, quando tinha 52 anos, Helene descobriu por que havia sido afastada de sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>E a not\u00edcia n\u00e3o veio do governo dinamarqu\u00eas e sim de uma escritora que encontrou uma cole\u00e7\u00e3o de documentos no Arquivo Nacional da Dinamarca.<\/p>\n<p>&#8220;Ela me ligou e disse: &#8216;Voc\u00ea est\u00e1 sentada? Voc\u00ea foi parte de um experimento.&#8217; Me sentei no ch\u00e3o e a \u00fanica coisa que fiz foi chorar.&#8221;<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Experimento falido<\/h2>\n<p>Longe de servir como modelo para o interc\u00e2mbio cultural na Groenl\u00e2ndia, as crian\u00e7as terminaram como um pequeno grupo sem ra\u00edzes e marginalizados na periferia de sua pr\u00f3pria sociedade. V\u00e1rios deles se tornaram alco\u00f3latras e morreram jovens.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape full-width has-caption\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/06\/11\/150611233119_helene_thiesen_4_624x351_bbc_nocredit.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"351\" \/><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Helene no segundo lar que teve na Dinamarca<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Alguns deles se tornaram mendigos, outros simplesmente ficaram marcados para sempre. Perderam sua identidade e a capacidade de falar sua l\u00edngua materna e, com isso, perderam seu prop\u00f3sito de vida&#8221;, disse Helene.<\/p>\n<p>Ela recebeu uma carta da Cruz Vermelha Dinamarquesa em 1998 &#8220;lamentando&#8221; o epis\u00f3dio. Finalmente, em 2009, a Save the Children da Dinamarca tamb\u00e9m se desculpou. Mas uma investiga\u00e7\u00e3o interna descobriu que alguns dos documentos que detalham a participa\u00e7\u00e3o da Save the Children podem ter sido destru\u00eddos propositalmente.<\/p>\n<p>&#8220;O que aconteceu foi uma clara viola\u00e7\u00e3o dos direitos fundamentais das crian\u00e7as&#8221;, disse Mimi Jacobsen, secret\u00e1ria geral da Save the Children Dinamarca.<\/p>\n<p>&#8220;Tinham boas inten\u00e7\u00f5es, mas tudo foi feito de uma forma terr\u00edvel supondo que o pensamento nesse momento era que queriam educar e melhorar os groenlandeses para dar a eles um futuro melhor.&#8221; Em 2010, as autoridades da Groenl\u00e2ndia reivindicaram uma desculpa ao governo dinamarqu\u00eas.<\/p>\n<p>O Partido Democrata Social dinamarqu\u00eas, ent\u00e3o oposi\u00e7\u00e3o, pediu uma investiga\u00e7\u00e3o independente. Mas logo que eles assumiram o governo em 2011, reinou o sil\u00eancio sobre o tema. Helene disse que a experi\u00eancia teve alguns resultados positivos.<\/p>\n<p>&#8220;Apesar de ter jurado que nunca me casaria com um dinamarqu\u00eas, porque estava revoltada com o poder colonial, acabei com um marido de l\u00e1. Junto com ele e meus filhos, temos uma vida feliz na Dinamarca.&#8221;<\/p>\n<p>Helene Thiesen dedicou sua vida a cuidar dos filhos. Hoje tem 71 anos e est\u00e1 aposentada. Vive no sul da Dinamarca. &#8220;Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s autoridades dinamarquesas, minha m\u00e1goa \u00e9 grande. \u00c9 simplesmente incompreens\u00edvel. O que vivi me magoar\u00e1 para sempre at\u00e9 o dia da minha morte.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ellen Otzen Helene Thiesen tinha acabado de perder o pai quando foi levada de sua fam\u00edlia para ir \u00e0 Dinamarca Em 1950, um grupo de crian\u00e7as da etnia inuit (anteriormente chamadas de esquim\u00f3s) foi retirado de suas fam\u00edlias na Groenl\u00e2ndia e levado \u00e0 Dinamarca para que fossem educados como &#8220;cidad\u00e3os dinamarqueses&#8221;. 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