{"id":66370,"date":"2015-06-15T00:56:24","date_gmt":"2015-06-15T03:56:24","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=66370"},"modified":"2015-06-14T17:57:32","modified_gmt":"2015-06-14T20:57:32","slug":"uniao-usa-morosidade-da-justica-em-seu-beneficio-e-contra-o-contribuinte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/uniao-usa-morosidade-da-justica-em-seu-beneficio-e-contra-o-contribuinte\/","title":{"rendered":"&#8220;Uni\u00e3o usa morosidade da Justi\u00e7a em seu benef\u00edcio e contra o contribuinte&#8221;"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"title\"><\/h2>\n<p class=\"authors\"><a href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2015-jun-14\/entrevista-luiz-gustavo-bichara-advogado-tributarista#author\">Por\u00a0Marcos de Vasconcellos\u00a0e\u00a0Livia Scocuglia<\/a><\/p>\n<div class=\"wysiwyg\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"direita\" src=\"http:\/\/s.conjur.com.br\/img\/b\/caricatura-luiz-gustavo-bichara.jpeg\" alt=\"\" width=\"288\" height=\"312\" \/>O advogado tributarista <strong>Luiz Gustavo Bichara<\/strong> j\u00e1 fala do\u00a0Conselho Administrativo de Recursos Fiscais\u00a0(Carf)\u00a0no pret\u00e9rito. Segundo ele, a opera\u00e7\u00e3o zelotes, que investiga a venda de senten\u00e7as no \u00f3rg\u00e3o, foi &#8220;espetacularizada&#8221; para esvaziar o tribunal fazend\u00e1rio e, como resultado, far\u00e1 com que o contribuinte n\u00e3o ganhe mais nenhum caso l\u00e1.<\/p>\n<p>&#8220;O combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o no Carf tinha que ser feito de maneira implac\u00e1vel. Agora, a\u00a0sua\u00a0espetaculariza\u00e7\u00e3o\u00a0atende a um objetivo maior, que \u00e9 enfraquecer o \u00f3rg\u00e3o&#8221;, afirma o advogado, logo antes de perguntar: &#8220;Cad\u00ea as provas desses oitenta casos de corrup\u00e7\u00e3o que foram noticiados?&#8221;<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o, diz Bichara, serviu para amedrontar os julgadores. &#8220;O efeito das zelotes vai ser um manto de temor no Conselho.\u00a0O julgador tem o receio de ter o nome publicado no jornal e n\u00e3o vai querer se\u00a0envolver com qualquer caso grande.&#8221;<\/p>\n<p>Para o advogado a corrup\u00e7\u00e3o no Carf\u00a0n\u00e3o pode ser vista de forma generalizada.\u00a0\u201cSe o \u00f3rg\u00e3o julgou favor\u00e1vel ao contribuinte e o Fisco n\u00e3o gostou, ele que recorra&#8221;.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 revista <strong>Consultor Jur\u00eddico<\/strong>, Bichara afirma que a reforma tribut\u00e1ria, t\u00e3o alardeada em qualquer campanha eleitoral, \u00e9 um devaneio, j\u00e1 que entre os donos do poder, ningu\u00e9m est\u00e1 interessado nela. &#8220;O Governo Federal bate recordes sucessivos de arrecada\u00e7\u00e3o. Os estados est\u00e3o super-divididos. Os exportadores vivem o\u00a0drama do cr\u00e9dito do ICMS. Os munic\u00edpios nunca foram chamados para essa conversa. Como fazer reforma tribut\u00e1ria sem convidar para a mesa 5 mil entes tributantes? N\u00e3o vai acontecer, [a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria] vai continuar essa colcha de retalho.&#8221;<\/p>\n<p>Com 23 anos de f\u00f3rum, e dividido entre S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Bras\u00edlia,\u00a0Bichara gosta de dizer quer vive &#8220;com a barriga no balc\u00e3o&#8221;. Ele afirma que o diferencial entre os advogados hoje em dia \u00e9 a disponibilidade e a qualidade do atendimento. \u201cN\u00e3o tem dia, n\u00e3o tem hora. O\u00a0advogado hoje \u00e9 considerado como qualquer outro\u00a0servi\u00e7o para o cliente.\u201d<\/p>\n<p>Em visita \u00e0 reda\u00e7\u00e3o da <strong>ConJur<\/strong>, o tributarista falou tamb\u00e9m de temas como a guerra fiscal, a reforma tribut\u00e1ria, o posicionamento de tribunais a favor do Fisco e o mercado da advocacia, entre outros assuntos.<\/p>\n<p><strong>Leia a entrevista:<\/strong><\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre a decis\u00e3o do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do brasil<\/strong> <strong>que impede conselheiros do Carf de advogar?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Eu acho que o presidente Marcus Vin\u00edcius Furtado Co\u00ealho foi correto ao falar que a OAB precisa dar o exemplo, ser a &#8220;mulher de C\u00e9sar&#8221;. Al\u00e9m disso, \u00e9 importante uma posi\u00e7\u00e3o no sentido de que\u00a0o julgador n\u00e3o possa advogar contra a Fazenda que o remunera. Pessoalmente, acho que a melhor sa\u00edda seria o impedimento.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Impedimento de atuar no Carf ou s\u00f3 contra a Fazenda?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong>\u00a0Contra a Fazenda. N\u00e3o me escandaliza o advogado que \u00e9 conselheiro ter uma advocacia privada, atuando em quest\u00f5es de Direito Privado, que n\u00e3o envolvam a Fazenda. Ent\u00e3o a \u00fanica coisa que, talvez, pudesse ser um pouco mais branda, na decis\u00e3o do Conselho Federal, \u00e9 n\u00e3o determinar a incompatibilidade total, como foi feito.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Que resultado essa decis\u00e3o vai trazer para o Carf? O Conselho n\u00e3o ter\u00e1 mais especialistas?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong>\u00a0Depois das zelotes, acabou o Carf. O efeito das zelotes vai ser um manto de temor no Conselho e n\u00e3o se ganhar\u00e1 mais casos grandes l\u00e1. N\u00f3s vivemos isso em tribunais que foram alvos de opera\u00e7\u00f5es policias. Opera\u00e7\u00f5es at\u00e9 corretas, porque realmente havia corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Como assim?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Por exemplo, alguns Tribunais Regionais Federais foram alvos de opera\u00e7\u00e3o desse tipo e como consequ\u00eancia, passaram a ter um temor generalizado de decidir contra a Fazenda. Quem votar favor\u00e1vel ao contribuinte vai ser sempre criminalizado. O juiz tem medo que amanh\u00e3 saia o nome dele no jornal, se amedronta e n\u00e3o quer se envolver com aqueles casos. \u00c9 o que vamos viver no Carf. No caso das zelotes, por exemplo, todo mundo que milita l\u00e1 sabe que tem coisa errada. Mas a gente n\u00e3o pode partir para o\u00a0crime de exegese. Se julgou favor\u00e1vel e o Fisco n\u00e3o gostou, ele que recorra.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Mas at\u00e9 ent\u00e3o quase 100% dos julgamentos do Carf eram pr\u00f3-Fazenda.<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Sim! O Carf era muito fazend\u00e1rio. Mas ainda tinha alguma coisa ali que era em favor do contribuinte. Agora vai piorar, porque existe esse medo, que \u00e9 da natureza humana. No fundo, eu acho que isso contribui muito para o ajuste fiscal.\u00a0O contribuinte vai perder muito mais. Vai judicializar. O Superior Tribunal de Justi\u00e7a diz que\u00a0os Embargos a Execu\u00e7\u00e3o devem ser recebidos somente no efeito devolutivo, e suspensivo para situa\u00e7\u00f5es excepcionais.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Ou seja, o contribuinte vai pagar de qualquer jeito e depois vai tentar reaver.<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong>\u00a0 Exatamente. Quem \u00e9 que vai dar carta de fian\u00e7a para esses casos de 10, 15 ou 20 bilh\u00f5es de reais? Quanto custa uma carta de fian\u00e7a dessa? O sistema est\u00e1 errado e precisa ser rediscutido.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 \u00c9 poss\u00edvel fazer um balan\u00e7o e analisar se o Judici\u00e1rio \u00e9 pr\u00f3-governo ou pr\u00f3-contribuinte?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Tranquilamente d\u00e1 para fazer um balan\u00e7o e constatar que\u00a0alguns tribunais s\u00e3o muito mais pr\u00f3-Fisco. Quem milita na \u00e1rea sabe que, se o processo cair em certas turmas, \u00e9 claro que o contribuinte vai perder. Alguns magistrados j\u00e1 t\u00eam uma pr\u00e9-compreens\u00e3o gen\u00e9rica em favor da Uni\u00e3o. \u00c9 uma quest\u00e3o de zona de conforto. Uma decis\u00e3o contra a Uni\u00e3o pode causar problemas.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 O Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal afirmou que n\u00e3o vai conseguir provar 90% dos decis\u00f5es que seria irregulares do Carf.<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Pois \u00e9, mas nesse tempo os nomes j\u00e1 foram publicados no jornal. Houve\u00a0uma vontade muito grande da Fazenda, do Governo Federal, de amplificar esse assunto para enfraquecer o Carf.\u00a0Cad\u00ea as provas desses oitenta casos de corrup\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 O Carf era o espa\u00e7o que servia para o Fisco dizer que estava errado. O Fisco assume erro?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Muito dif\u00edcil. Eu vi isso pouqu\u00edssimas vezes. \u00c9 comum\u00a0funcion\u00e1rios da Receita Federal\u00a0dizerem que o contribuinte tinha raz\u00e3o, mas que n\u00e3o daria para deferir aquilo, e que era melhor\u00a0impetrar um Mandado de Seguran\u00e7a. Acontece que todo mundo tem medo do MP. O funcion\u00e1rio p\u00fablico correto, republicano, tem medo de tomar uma decis\u00e3o, embora correta na convic\u00e7\u00e3o dele, e sofrer alguma repres\u00e1lia.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 O Fisco j\u00e1 foi chamado de burro porque a carga tribut\u00e1ria inviabilizaria as atividades econ\u00f4micas do pa\u00eds. O Fisco \u00e9 burro?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> N\u00e3o. O Fisco \u00e9 inteligent\u00edssimo! O Fisco Federal arrecada mais de R$ 1 trilh\u00e3o por ano. A carga tribut\u00e1ria beira os 40% do PIB. Eles conseguem engavetar um debate sobre a reforma tribut\u00e1ria h\u00e1 pelo menos vinte anos. Eles batem sucessivos recordes de arrecada\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 burra, \u00e9 a pol\u00edtica fiscal. Mas o Fisco, enquanto arrecadador, faz o seu trabalho muito bem feito. E n\u00e3o cabe ao Fisco julgar carga tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Qual \u00e9 o defeito da nossa pol\u00edtica tribut\u00e1ria?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Esse debate \u00e9 um pouco mais complexo. O problema do Brasil n\u00e3o \u00e9 a arrecada\u00e7\u00e3o, e sim o gasto que \u00e9 muito alto. Fizemos uma op\u00e7\u00e3o em termos de social democracia que custa muito caro. E vamos pagar com tributo. O pa\u00eds podia fazer outras coisas para arrecadar mais, como ser dono de estrada, aeroporto e banco. Podia dar uma enxugada para ajudar a enxugar o gasto p\u00fablico.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Qual \u00e9 o maior problema tribut\u00e1rio de uma empresa m\u00e9dia?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> A complexidade do sistema. Em uma entrevista, o\u00a0Gerdau \u00a0[Jorge\u00a0Gerdau\u00a0Johannpeter]\u00a0disse que ele tem duas empresas do mesmo tamanho. Uma nos Estados Unidos e outra no Brasil. No Brasil ele tem 42 pessoas na \u00e1rea fiscal s\u00f3 para <em>compliance<\/em>, para cumprir o processo tribut\u00e1rio. Nos Estados Unidos, ele tem uma pessoa. Um\u00a0exemplo de inefici\u00eancia decorrente da burocracia \u00e9 a Certid\u00e3o Negativa de D\u00e9bito [CND]. A empresa que recebe verba p\u00fablica tem que provar, de dois em dois meses, que n\u00e3o tem d\u00e9bito. Isso \u00e9 uma maluquice.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 N\u00e3o cabe ao acusador provar o erro alheio? Isso s\u00f3 funciona no crime?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Deveria ser assim. Mas no Brasil \u00e9 <em>in dubio pro Fisco<\/em>. O sistema milita contra o empreendedorismo.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 A ideia do novo C\u00f3digo de Processo Civil visa aumentar a seguran\u00e7a jur\u00eddica no pa\u00eds?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> No mundo real n\u00e3o h\u00e1 seguran\u00e7a jur\u00eddica no Brasil. O c\u00f3digo vai tratar do procedimento, do que est\u00e1 judicializado. H\u00e1 um ano, a Justi\u00e7a Federal aprovou o Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o. Dentro de outras coisas, o PNE diz que vamos aumentar, expandir e alargar a base do Fies \u2014 maior programa de inclus\u00e3o nas faculdade no Brasil. Mas muda o ministro da Fazenda e, seis meses depois, n\u00e3o tem mais Fies. Mesmo estando na lei.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Isso dificulta o investimento no pa\u00eds?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Sim! Se dois pa\u00edses estiverem em condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas de igualdade, o Brasil perde. Acontece que o pa\u00eds \u00e9 bom. D\u00e1 um bom retorno para multinacional.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014<\/strong> <strong>Como avalia a atua\u00e7\u00e3o do STF na guerra fiscal?<\/strong><br \/>\n<strong>Luiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Quero crer que a guerra fiscal \u00e9 um assunto resolvido pelo julgamento recente que <a href=\"http:\/\/www.conjur.com.br\/2015-mai-19\/supremo-modula-decisao-declarou-inconstitucional-beneficio-icms\" target=\"_blank\">modulou decis\u00e3o que declarou inconstitucional benef\u00edcio de ICMS<\/a>. At\u00e9 o voto vencido do ministro Marco Aur\u00e9lio, contr\u00e1rio \u00e0 modula\u00e7\u00e3o de uma forma geral, confirma a inten\u00e7\u00e3o do Plen\u00e1rio de modular. Ent\u00e3o eu acho uma decis\u00e3o maravilhosa e espero que isso ilumine o debate da guerra fiscal como um todo.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 A decis\u00e3o deve ser aplicada em outros casos, ou s\u00f3 na decis\u00e3o do Paran\u00e1?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong>\u00a0Deveria ser\u00a0aplicada como um todo. Espero que essa seja a orienta\u00e7\u00e3o jurisprudencial prevalente em todos os debates semelhantes. Porque \u00e9 uma decis\u00e3o que traz um pouco mais de conforto para os contribuintes que foram envolvidos nesse tema. O Supremo podia at\u00e9 sumular nesses termos, j\u00e1 que a\u00a0s\u00famula vinculante\u00a0n\u00e3o s\u00f3 orienta, mas produz efeitos normativos sobre a Administra\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o evitaria autos de infra\u00e7\u00e3o dos estados.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 N\u00e3o seria ativismo do Supremo?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> N\u00e3o. O Supremo est\u00e1 interpretando a Constitui\u00e7\u00e3o, sendo que, por uma quest\u00e3o de seguran\u00e7a jur\u00eddica, aquele contribuinte que desconhecia a complexidade do ordenamento jur\u00eddico e o conflito normativo entre lei federal e lei estadual deve ser protegido.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 H\u00e1 algum cen\u00e1rio favor\u00e1vel \u00e0 reforma tribut\u00e1ria?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Isso \u00e9 um devaneio. Entre os donos do poder, ningu\u00e9m est\u00e1 interessado na reforma tribut\u00e1ria. O governo federal bate recordes sucessivos de arrecada\u00e7\u00e3o. Os estados est\u00e3o super-divididos. Os exportadores vivem esse drama do problema do cr\u00e9dito do ICMS, a Lei Kandir (Lei Complementar 87\/1996). Veja s\u00f3 o Par\u00e1, um dos estados que mais gera riqueza para o Brasil, \u00e9 um estado pobre, que n\u00e3o recebe de volta minimamente o que d\u00e1 para o pa\u00eds em riqueza em termos de minera\u00e7\u00e3o, exporta\u00e7\u00e3o etc. Os munic\u00edpios nunca foram chamados para essa conversa. Como fazer reforma tribut\u00e1ria sem convidar para a mesa 5 mil entes tributantes? N\u00e3o vai acontecer, [a legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria] vai continuar essa colcha de retalho.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 O senhor virou procurador tribut\u00e1rio da OAB, um cargo que n\u00e3o existia. A Ordem tem voz para falar sobre reforma?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong>\u00a0Sim, mas isso n\u00e3o \u00e9 assunto da procuradoria. A procuradoria cumpre a honrosa miss\u00e3o de representar judicialmente a OAB nos assuntos judiciais tribut\u00e1rios. A quest\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria tem que estar presente no debate da OAB, mas ela \u00e9 muito complexa. A mesma dificuldade que existe dentro do Congresso para andar com a reforma tribut\u00e1ria por for\u00e7a da desigualdade da nossa federa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m existe dentro da OAB.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 representa\u00e7\u00e3o dos estados?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Sim. No fundo, a OAB reproduz o sistema da Federa\u00e7\u00e3o e cada estado quer alguma coisa diferente. Ent\u00e3o \u00e9 muito dif\u00edcil evoluir num consenso ali dentro, porque todo mundo tem, e \u00e9 do sistema, um pr\u00e9-compromisso com o seu estado.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Quais s\u00e3o os casos mais s\u00e9rios da procuradoria? A tributa\u00e7\u00e3o<\/strong> <strong>das<\/strong><strong>caixas de assist\u00eancia dos advogados (ou\u00a0CAAs)\u00a0<\/strong><strong>\u00e9 um\u00a0deles?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> \u00c9, e eu acho que \u00e9 um caso que amea\u00e7a o pr\u00f3prio sistema OAB. S\u00e3o d\u00e9bitos impag\u00e1veis das maiores caixas. A gente est\u00e1 lutando e acho que temos uma jurisprud\u00eancia muito consistente. O ministro Joaquim Barbosa, cuja a aus\u00eancia preenche uma grande lacuna, entendeu que as Caixas n\u00e3o s\u00e3o \u00f3rg\u00e3os estruturantes da Ordem. E, por n\u00e3o serem, a eles n\u00e3o \u00e9 dada a imunidade constitucional que protege a OAB. Portanto, toda a receita das Caixas deveria ser tributada. O que acontece \u00e9 que o Estatuto da OAB, que \u00e9 lei federal, diz que assim como os conselhos seccionais, o Conselho Federal, as Caixas s\u00e3o partes estrutural do sistema OAB.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 N\u00e3o seria concorr\u00eancia desleal fazer um plano de sa\u00fade n\u00e3o tributado?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong>\u00a0O Supremo enfrenta essa\u00a0quest\u00e3o da concorr\u00eancia desleal.\u00a0\u00a0A minha\u00a0impress\u00e3o \u00e9 que o STF vai compreender que \u00e9 \u00f3rg\u00e3o estruturante e obviamente deve ter imunidade. Na pior das hip\u00f3teses, a\u00a0gente espera que haja a\u00a0modula\u00e7\u00e3o dessa\u00a0decis\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014<\/strong> <strong>A autua\u00e7\u00e3o conta automaticamente como cr\u00e9dito da uni\u00e3o. Isso influencia o n\u00famero de autua\u00e7\u00f5es?<\/strong><br \/>\n<strong>Luiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Isso \u00e9 escandaloso. Desde 1998, o governo federal tem a titularidade dos dep\u00f3sitos judiciais. Ent\u00e3o quando \u00e9 feito um dep\u00f3sito, ele est\u00e1 s\u00f3 virtualmente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do ju\u00edzo. Ele est\u00e1 de fato \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de um \u00f4nus tributante. E pior, a Uni\u00e3o diz que n\u00e3o quer receber a carta de fian\u00e7a, s\u00f3 quer dinheiro. Porque ela leva aquilo para o super\u00e1vit prim\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 E se\u00a0o contribuinte que fez o dep\u00f3sito ganhar a a\u00e7\u00e3o? Ele\u00a0deve receber esse valor com multa e corre\u00e7\u00e3o?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> S\u00f3 com corre\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria, quando o processo acabar. Ent\u00e3o, a quem interessa a celeridade do processo? O contribuinte litiga contra a Uni\u00e3o e faz o dep\u00f3sito. A Uni\u00e3o j\u00e1 pegou o dinheiro. Se ele perder, a Uni\u00e3o tem que devolver os valores. Se ele ganhar, a Uni\u00e3o tamb\u00e9m tem que te devolver o dinheiro ao ju\u00edzo e depois arrecadar. Ou seja, para ela n\u00e3o melhora, s\u00f3 mant\u00e9m a mesa situa\u00e7\u00e3o. A\u00a0maior interessada no alongamento do curso do processo \u00e9 a Uni\u00e3o. A sociedade tinha que debater esse tipo de coisa.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Nessa ideia, \u00e9 interessante criar uma lei errada, porque a arrecada\u00e7\u00e3o sempre vai ser garantida&#8230;<\/strong><br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014 Claro! H\u00e1 20 anos o ministro Sep\u00falveda Pertence j\u00e1 chamava isso de inconstitucionalidade \u00fatil. Ou seja, criar uma norma inconstitucional, 20% dos contribuintes v\u00e3o discutir, os que v\u00e3o discutir v\u00e3o depositar, os outros v\u00e3o pagar. Al\u00e9m disso, os estados e munic\u00edpios quanto mais autuam, mais aumentam o limite de endividamento com a Uni\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 \u00c9 uma &#8220;miniatura&#8221; dessa quest\u00e3o do super\u00e1vit da Uni\u00e3o.<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Exatamente! Existem casos em que munic\u00edpio autua uma empresa grande e informam o Estado da autua\u00e7\u00e3o e do receb\u00edvel. E por isso, pede para aumentar a linha de cr\u00e9dito. Hoje em dia, tem muito auto de infra\u00e7\u00e3o que tem por motiva\u00e7\u00e3o efetiva de ter um bom receb\u00edvel. Isso subverte toda a l\u00f3gica do sistema.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 E nos casos em o valor da autua\u00e7\u00e3o era maior do que de fato era devido? O que a Uni\u00e3o tem direito de fazer depois de j\u00e1 ter aumentado o cr\u00e9dito?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Vai rolar uma d\u00edvida interna. Por isso que o Marco Aur\u00e9lio Greco tem uma proposta, que eu sempre achei muito inteligente, de criar um \u00f3rg\u00e3o de an\u00e1lise pr\u00e9vio das autua\u00e7\u00f5es, porque muitas vezes \u00e9 um valor absurdo.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre a<\/strong> <strong>guerra dos escrit\u00f3rios brasileiros contra os estrangeiros?<\/strong><br \/>\n<strong>Luiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Eu apoio a posi\u00e7\u00e3o do Cesa\u00a0[Centro de Estudos das Sociedades de Advogados]. \u00c9 uma quest\u00e3o simples de interpreta\u00e7\u00e3o da norma legal. A opera\u00e7\u00e3o de escrit\u00f3rios estrangeiros no Brasil \u00e9 ilegal e eu acho que tem gente operando ilegalmente com isso.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 H\u00e1 pelo menos 20 escrit\u00f3rios grandes operando no Brasil em arbitragem e media\u00e7\u00e3o. Ainda assim o senhor acha que eles n\u00e3o deveriam poder atuar aqui?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Sim, porque isso \u00e9 o que a lei diz. Eles n\u00e3o podem operar no Brasil.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 A gente ouve muito falar da dor do crescimento. Hoje em dia, o Simples facilitou para as empresas? Ou \u00e9 f\u00e1cil abrir, mas continua dif\u00edcil crescer?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> \u00c9 muito dif\u00edcil crescer. A empresa muda completamente quando muda\u00a0do regime de simples para presumido. \u00c9 muito dif\u00edcil controlar. A quest\u00e3o do cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es acess\u00f3rias no Brasil \u00e9 muito complicado. Por exemplo, cr\u00e9dito do PIS e da Cofins n\u00e3o d\u00e1 para fazer pela lei. \u00c9 preciso balizar as exig\u00eancias da Receita e sobretudo a jurisprud\u00eancia do Carf. O modelo \u00e9 muito complexo. Al\u00e9m disso, existe a dificuldade de interlocu\u00e7\u00e3o com o funcion\u00e1rio p\u00fablico. Ele tem sempre recebe a empresa um p\u00e9 atr\u00e1s, achando que tem alguma coisa errada. \u00c9 dif\u00edcil argumentar, dialogar, e mostrar que est\u00e1 certo. No Brasil ningu\u00e9m te orienta.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Por que n\u00e3o existem escrit\u00f3rios gigantes no Brasil?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong>\u00a0 Por causa da economia. O Brasil n\u00e3o tem economia para ter escrit\u00f3rio de mil advogados. Eu acho que os Estados Unidos e a Europa t\u00eam escrit\u00f3rios\u00a0gigantes por causa da economia, porque o Brasil tem escrit\u00f3rios de n\u00edvel mundial e faz um servi\u00e7o de refer\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Por que o pa\u00eds \u00e9 t\u00e3o regrado com a quest\u00e3o de propagando agressiva de escrit\u00f3rio?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Isso \u00e9 um falso dilema. Ningu\u00e9m vai contratar o\u00a0advogado de um escrit\u00f3rio s\u00f3 porque ele tem uma propaganda em revista. O advogado n\u00e3o se vende num an\u00fancio, ele se vende na credibilidade, no boca a boca<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Ent\u00e3o por que tem tanto processo disciplinar por causa disso?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Eu n\u00e3o sei. Eu acho esse um debate totalmente irrelevante. A gente tem que discutir em um novo C\u00f3digo de \u00c9tica outras quest\u00f5es. Por exemplo, a quest\u00e3o do conflito de interesse.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 \u00c9 personal\u00edssimo&#8230;<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Pois \u00e9, e personal\u00edssimo mede a compreens\u00e3o de cada escrit\u00f3rio. Por exemplo, tem escrit\u00f3rio que \u00e9 mais conservador, n\u00e3o admite nem ouvir um assunto que possa representar interesse contr\u00e1rio ao seu cliente. Existem escrit\u00f3rios que representam um cliente em uma \u00e1rea e representa interesses contr\u00e1rios ao mesmo cliente em outra \u00e1rea. Na falta de regulamenta\u00e7\u00e3o, cada um faz o que quer.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Na sua opini\u00e3o, o escrit\u00f3rio pode atender a clientes com interesses contr\u00e1rios?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Deveria ter um regramento para que o advogado fique impedido de representar interesses contr\u00e1rios \u00e0quele cliente, se ele defender interesses dele em determinada \u00e1rea. Por exemplo, o escrit\u00f3rio pode atender um cliente em uma arbitragem contra uma empresa. E tamb\u00e9m pode atender essa empresa em um caso ambiental.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Qual \u00e9 o desafio de se contratar um advogado para o escrit\u00f3rio atualmente?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Essa gera\u00e7\u00e3o nova \u00e9 muito imediatista. E a advocacia \u00e9 maratona, n\u00e3o \u00e9 corrida de 100 metros. Quem opta pela advocacia tem que entender que vai demorar muito tempo para ter algum reconhecimento na profiss\u00e3o e uma remunera\u00e7\u00e3o um pouco melhor.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Essa gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o fica em uma mesma empresa por muito tempo..<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Uma consultora de RH em gera\u00e7\u00e3o Y fez uma palestra no escrit\u00f3rio e disse que o problema dessa turma \u00e9 que ela quer mudar ao longo do tempo, porque eles foram criados jogando videogame, ent\u00e3o para eles a vida \u00e9 mudar de fase.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Como isso reflete no contato com o cliente, e no dia a dia do escrit\u00f3rio?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Eles t\u00eam uma tend\u00eancia muito grande \u00e0 informalidade, e a advocacia \u00e9 uma profiss\u00e3o formal. O advogado mais que representa o cliente, ele presenta o cliente judicialmente. Quando o profissional vai despachar com o juiz, quem est\u00e1 na frente dele \u00e9 a empresa. Se ele n\u00e3o estiver com uma boa apar\u00eancia, \u00e9 essa a imagem que o juiz vai ter da empresa.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Ser\u00e1 que isso deveria ser explicado na faculdade?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Faculdade n\u00e3o prepara advogado, prepara quem vai prestar concurso. Com exce\u00e7\u00e3o da FGV. Est\u00e1 muito dif\u00edcil achar faculdade, porque todo mundo quer algo imediato e as pessoas t\u00eam um estilo de vida que \u00e0s vezes \u00e9 incompat\u00edvel com a advocacia.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 A advocacia pode mudar, ou essa gera\u00e7\u00e3o vai ter que se adaptar?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Os dois v\u00e3o ter de se aproximar. O problema \u00e9 que os nossos interlocutores, os clientes e o ju\u00edzes, n\u00e3o est\u00e3o parecendo querer mudar muito ainda.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Com crise econ\u00f4mica, o tributarista est\u00e1 trabalhando menos ou mais?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Estamos trabalhando muito. Quando tem crise e a economia fica mais dif\u00edcil, uma das primeiras coisas que as empresas fazem \u00e9 olhar para a parte tribut\u00e1ria. \u00c9 porque quando a empresa est\u00e1 vendendo muito, o empres\u00e1rio n\u00e3o fica muito preocupado em arrumar a casa. E agora \u00e9 hora para isso. Al\u00e9m disso, a Uni\u00e3o, os estados e os munic\u00edpios precisam de caixa, mais auto de infra\u00e7\u00e3o, \u00e9 trabalho para a gente. E as outra \u00e1reas do escrit\u00f3rio, como recupera\u00e7\u00e3o judicial e trabalhista tamb\u00e9m est\u00e3o com muito trabalho. Mesmo a \u00e1rea de fus\u00f5es e aquisi\u00e7\u00f5es que a gente achava que seria um ano ruim, muitas empresas estrangeiras t\u00eam interesse no Brasil.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 O que se fala no mercado \u00e9 da falta de pagamento. Isso reflete tamb\u00e9m na advocacia?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Reflete. A inadimpl\u00eancia n\u00e3o \u00e9 definitiva, \u00e9 tempor\u00e1ria, mas est\u00e1 pior.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 O Brasil deveria ter uma lei de repatriamento de capitais?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Claro. No projeto de lei consta que tem R$ 500 bilh\u00f5es de brasileiros no exterior. \u00c9 poss\u00edvel fazer uma lei de repatriamento de capitais, cobrar 20% de imposto de renda e receber R$ 100 bilh\u00f5es de imposto e fazer o ajuste fiscal.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Por que ent\u00e3o isso ainda n\u00e3o foi feito?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Eu acho que por moralismo, porque o projeto de lei pressup\u00f5e anistia dos crimes antecedentes e consequente. Mas, por que n\u00e3o trazer R$ 100 bilh\u00f5es para o Brasil? Esse projeto est\u00e1 parado. Essa \u00e9 uma das coisas que d\u00e1 fazer na \u00e1rea tribut\u00e1ria que podem gerar arrecada\u00e7\u00e3o, sendo boas para os contribuintes.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 N\u00e3o vai parecer tributa\u00e7\u00e3o de grande fortunas?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Grande fortuna fria. N\u00e3o declarada.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Qual \u00e9 a sua opini\u00e3o sobre isen\u00e7\u00e3o fiscal para igreja?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Sou a favor, desde que a igreja seja um empreendimento voltado para o culto religioso. Se for um empreendimento empresarial, eu acho que n\u00e3o tem que ter.<\/p>\n<p><strong>ConJur \u2014 Como assim?<br \/>\nLuiz Gustavo Bichara \u2014<\/strong> Se por acaso a igreja tiver uma televis\u00e3o, apenas com conte\u00fado religioso, eu acho que deve ter a isen\u00e7\u00e3o. Mas se for um canal que passa novela, n\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Marcos de Vasconcellos\u00a0e\u00a0Livia Scocuglia O advogado tributarista Luiz Gustavo Bichara j\u00e1 fala do\u00a0Conselho Administrativo de Recursos Fiscais\u00a0(Carf)\u00a0no pret\u00e9rito. 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