{"id":68919,"date":"2015-06-29T00:09:33","date_gmt":"2015-06-29T03:09:33","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=68919"},"modified":"2015-06-28T20:27:50","modified_gmt":"2015-06-28T23:27:50","slug":"o-dia-em-que-cholinha-virou-churrasco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-dia-em-que-cholinha-virou-churrasco\/","title":{"rendered":"O dia em que Cholinha virou churrasco"},"content":{"rendered":"<h2 id=\"noticia-olho\"><em>Cerca de 10 mil cachorros e gatos foram mortos em festival na China na semana passada; jornalista da BBC conta quando seu animal de estima\u00e7\u00e3o foi cozinhado<\/em><\/h2>\n<div id=\"noticia\" class=\"noticia\">\n<p id=\"selo-agencia\"><a href=\"http:\/\/www.bbcbrasil.com\/\" target=\"_blank\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/selos-agencias\/bbc.gif\" alt=\"BBC\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na semana passada, cerca de 10 mil cachorros e diversos gatos foram mortos num festival anual no sudoeste da China para celebrar o dia mais longo do ano. Mas para a correspondente da BBC em Hong Kong Juliana Liu foi uma lembran\u00e7a de um dos dias mais traum\u00e1ticos de sua inf\u00e2ncia, na cidade chinesa de Changsha.<\/p>\n<figure class=\"foto-legenda gd12\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/i0.statig.com.br\/bancodeimagens\/dl\/z5\/f1\/dlz5f1avby4b1eygvl8di0ydz.jpg\" alt=\"Turista levava c\u00e3ozinho junto ao peito - como pais fazem com beb\u00eas\" \/><figcaption class=\"undefined\"><cite>BBC<\/cite><\/p>\n<div class=\"undefined\">Turista levava c\u00e3ozinho junto ao peito &#8211; como pais fazem com beb\u00eas<\/div>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\" \">Quando eu tinha tr\u00eas anos, depois de passar meses implorando aos meus pais, eles finalmente me deram um cachorrinho.\u00a0Aquele dia em que meu tio, um caminhoneiro, trouxe um vira-lata amarelo da distante casa da minha v\u00f3, foi o mais feliz da minha at\u00e9 ent\u00e3o curta vida.<\/p>\n<p>Eu o chamei de &#8220;C\u00e3ozinho&#8221;. Imediatamente, nos tornamos insepar\u00e1veis.<\/p>\n<p>Como filha \u00fanica nascida em 1979 no in\u00edcio da pol\u00edtica chinesa de um s\u00f3 filho, eu sempre fui sozinha e C\u00e3ozinho tornou-se meu melhor amigo. Ele amava correr para fora do nosso apartamento de um quarto, devorando qualquer sobra de arroz.<\/p>\n<p>Mas esses dias felizes n\u00e3o duraram muito. Depois de apenas um inverno, meus pais me disseram que C\u00e3ozinho tinha que ir embora.<\/p>\n<p>Em cidades chinesas no in\u00edcio dos anos 1980, ter um animal de estima\u00e7\u00e3o era considerado um comportamento altamente indesej\u00e1vel, burgu\u00eas. Nenhum dos meus vizinhos tinha um. E tamb\u00e9m n\u00e3o era totalmente legal.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia nenhum acesso a vacinas animais ou veterin\u00e1rios e, por isso, estes animais poderiam representar um risco \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Um dia, minha m\u00e3e disse que ir\u00edamos fazer compras &#8211; e, quando voltamos algumas horas depois, C\u00e3ozinho n\u00e3o existia mais. Ele havia sido pendurado pelas pernas em nosso quintal comunal e se transformado num ensopado.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m prestou aten\u00e7\u00e3o nas minhas l\u00e1grimas. Ouvi os vizinhos dizerem que logo eu esqueceria tudo isso.<\/p>\n<p>Eles estavam em festa. Nos anos que antecederam o boom econ\u00f4mico da China, quando pequenas por\u00e7\u00f5es de comida ainda eram racionadas, era raro ter a chance de comer um animal inteiro.<\/p>\n<p>Recusei-me a comer o cozido &#8211; e eu nunca comi cachorro na vida.<\/p>\n<p>Na China, a tradi\u00e7\u00e3o de comer cachorro vai al\u00e9m da hist\u00f3ria escrita. Por outro lado, n\u00e3o \u00e9 o tipo de coisa que as pessoas comem diariamente. \u00c9 uma especiaria, e acredita-se que d\u00e1 for\u00e7a, vigor e virilidade a quem a come.<\/p>\n<p>Cerca de 716 milh\u00f5es porcos e 48 milh\u00f5es de bovinos s\u00e3o abatidos no pa\u00eds por ano. O n\u00famero de c\u00e3es abatidos \u00e9 bem menor &#8211; um grupo de direitos de animais calcula o n\u00famero em cerca de 10 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Mas de onde v\u00eam estes c\u00e3es?<\/strong><\/p>\n<p>Uma investiga\u00e7\u00e3o de quatro anos sobre a ind\u00fastria de carne de cachorro pelo grupo Animals Asia concluiu que a maioria dos c\u00e3es consumidos na China s\u00e3o roubados.<\/p>\n<p>&#8220;Durante toda a investiga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o encontramos nenhuma evid\u00eancia de quaisquer instala\u00e7\u00f5es de reprodu\u00e7\u00e3o em larga escala, onde mais de 100 c\u00e3es sejam criados&#8221;, disse o relat\u00f3rio publicado no in\u00edcio deste m\u00eas.<\/p>\n<p>&#8220;A dificuldade da reprodu\u00e7\u00e3o em larga escala de c\u00e3es para alimenta\u00e7\u00e3o e a gan\u00e2ncia pelo lucro d\u00e3o espa\u00e7o a roubos e at\u00e9 mesmo a envenenamento de c\u00e3es.&#8221;<\/p>\n<p>Mas Peter Li, da Sociedade Internacional Humana, diz haver uma crescente press\u00e3o sobre autoridades chinesas para que tomem medidas contra o h\u00e1bito de consumir animais de estima\u00e7\u00e3o &#8211; e que a pr\u00f3pria sociedade est\u00e1 se voltando contra a ideia de comer c\u00e3es.<\/p>\n<p>Havia muito menos barracas que vendiam carne de gato e c\u00e3o no festival de Yulin neste ano do que em 2014, disse ele.<\/p>\n<p>&#8220;A atitude geral \u00e9 de ser contra o consumo de c\u00e3es. A China tem 130 milh\u00f5es de cachorros, dos quais 27 milh\u00f5es s\u00e3o animais de estima\u00e7\u00e3o urbanos. Isso \u00e9 um grande n\u00famero de donos de animais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A gera\u00e7\u00e3o mais nova, nascida na d\u00e9cada de 1990, n\u00e3o \u00e9 tolerante a crueldade animal.&#8221;<\/p>\n<p>Em 2014, ativistas de direitos dos animais interceptaram 18 caminh\u00f5es que transportavam c\u00e3es destinados a alimenta\u00e7\u00e3o, resultando no resgate de cerca de 8 mil animais, disse ele.<\/p>\n<p>Li relaciona a ascens\u00e3o do ativismo de prote\u00e7\u00e3o animal na China ao ano de 2011, quando, pela primeira vez na hist\u00f3ria, mais pessoas viviam em cidades do que no campo no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Moradores urbanos, diz ele, v\u00eaem c\u00e3es e gatos mais como animais de estima\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o como animais de trabalho &#8211; c\u00e3es de guarda, por exemplo &#8211; ou fontes de carne.<\/p>\n<p>Em maio, numa visita a Shanghai, vi uma cena que me encantou.\u00a0Enquanto caminhava, parei uma jovem turista chamada Yang Yang, que levava seu pequeno c\u00e3ozinho junto ao peito &#8211; da mesma maneira que eu levo meu beb\u00ea &#8220;humano&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Desta maneira, eu posso lev\u00e1-lo a restaurantes e em avi\u00f5es&#8221;, disse Yang. &#8220;Caso contr\u00e1rio, ele n\u00e3o seria permitido comigo. Para onde eu vou, ele vai.&#8221;<\/p>\n<p>Posamos para uma foto juntos &#8211; os tr\u00eas.\u00a0Como eu gostaria que as pessoas pensassem assim h\u00e1 tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Meus pais, agora extremamente envergonhados por terem permitido que meu animalzinho fosse cozinhado, geralmente evitam discutir esse assunto.<\/p>\n<p>Mas, quando eu tinha cinco anos, meu pai deixou a China para estudar fora e o primeiro presente que ele me mandou foi um bichinho de pel\u00facia.<\/p>\n<p>O nome que eu dei a ele? C\u00e3ozinho.\u00a0At\u00e9 hoje, onde eu vou, ele vai comigo.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Desta maneira, eu posso lev\u00e1-lo a restaurantes e em avi\u00f5es&#8221;, disse Yang. &#8220;Caso contr\u00e1rio, ele n\u00e3o seria permitido comigo. 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