{"id":69824,"date":"2015-07-04T00:37:42","date_gmt":"2015-07-04T03:37:42","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=69824"},"modified":"2015-07-03T17:40:00","modified_gmt":"2015-07-03T20:40:00","slug":"menores-ex-internos-relatam-experiencias-e-opinam-sobre-reducao-da-maioridade-penal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/menores-ex-internos-relatam-experiencias-e-opinam-sobre-reducao-da-maioridade-penal\/","title":{"rendered":"Menores ex-internos relatam experi\u00eancias e opinam sobre redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"story-body__h1\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div class=\"byline\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"byline__name\">Jefferson Puff\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"story-body__inner\">\n<figure class=\"lead media-landscape full-width has-caption\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/660\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/06\/10\/150610190926_youth_crime_624x351_thinkstock.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"351\" \/><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal ser\u00e1 votada nesta semana no Congresso<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"story-body__introduction\" style=\"text-align: justify;\">Com vota\u00e7\u00e3o aguardada na C\u00e2mara para esta ter\u00e7a-feira, a proposta de redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal est\u00e1 no centro das discuss\u00f5es no pa\u00eds e continua dividindo opini\u00f5es. Mas o que pensam jovens que cometeram atos infracionais na adolesc\u00eancia e passaram pelas institui\u00e7\u00f5es de interna\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A BBC Brasil ouviu os relatos de quatro adultos que conseguiram prosseguir com suas vidas ap\u00f3s incurs\u00f5es pelo mundo do crime, seja por tr\u00e1fico de drogas, forma\u00e7\u00e3o de quadrilha, roubo de cargas ou roubo de carros. Alguns passaram por per\u00edodos de interna\u00e7\u00e3o na antiga Febem e na atual Funda\u00e7\u00e3o Casa, em S\u00e3o Paulo, e outros pelo Degase, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eles relatam suas experi\u00eancias e argumentam sobre a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Veja os principais trechos dos depoimentos abaixo:<\/strong><\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Odilon Jos\u00e9 da Silva<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu roubava cargas e estabelecimentos comerciais. Lojas, galerias, supermercados. Sem crimes violentos, nem agress\u00f5es \u00e0s pessoas, nada disso. Eram crimes contra o patrim\u00f4nio mesmo. O que me levou ao crime? Descobri que tinha sido adotado aos 13 anos, quando meu pai, b\u00eabado, disse que n\u00e3o deveria ter me tirado da lata de lixo e me jogou na rua porque eu tinha pego dinheiro dele escondido. Fiquei dos 13 aos 16 anos na rua, perambulando, e tamb\u00e9m passei por favelas, pens\u00f5es. No come\u00e7o eu roubava comida no supermercado, mas, quando eu fiz 15 anos, meu pai morreu e minha m\u00e3e me chamou de volta para casa &#8211; mas eu j\u00e1 estava nas drogas, no crack, coca\u00edna, cola, e fiquei na rua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<figure class=\"media-landscape full-width has-caption\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/06\/29\/150629013327_menores_depoimentos_odilon_549x549_arquivopessoal.jpg\" alt=\"null\" width=\"549\" height=\"549\" \/><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">Odilon se diz recuperado: &#8216;Existe ressocializa\u00e7\u00e3o, sim, eu sou prova disso&#8217;<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acabou que minha m\u00e3e perdeu tudo, e uns meses depois est\u00e1vamos eu, ela e meu irm\u00e3o \u00e0 deriva, em casas de parentes. Eu vi que precisava arranjar dinheiro de algum lugar, antes que eles come\u00e7assem a passar pelo que eu tinha passado na rua. T\u00ednhamos d\u00edvidas, e precis\u00e1vamos viver. Procurei uma quadrilha numa periferia de S\u00e3o Paulo, e no come\u00e7o eles acharam estranho, mas checaram tudo e viram que eu estava falando a verdade. Eu queria mesmo entrar para ganhar dinheiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em nove meses roubando carga pude pagar aluguel, comprar padaria e pizzaria junto com outros, e ficamos muito bem. Mas um dos menores da quadrilha me delatou, e acabei indo parar na Febem, e cumpri um ano e seis meses de interna\u00e7\u00e3o. Nessa \u00e9poca, minha m\u00e3e foi despejada, perdeu tudo de novo, foi uma grande confus\u00e3o. Olha, o que eu vivi na Febem est\u00e1 gravado na minha alma para sempre, mas o tempo encarcerado me fez ver que eu n\u00e3o queria o crime, s\u00f3 n\u00e3o sabia por onde procurar outras op\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando eu sa\u00ed, fui cumprir liberdade assistida na Pastoral do Menor, e a\u00ed minha vida realmente mudou. Fiz est\u00e1gios, estudei, e anos depois me formei em Direito. Hoje sou advogado e j\u00e1 trabalhei em \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, mas quero advogar mesmo. Sou totalmente contra a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal. O Estado brasileiro n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es para isso, jamais. H\u00e1 setores da sociedade engajados em convencer que os menores ficam impunes no Brasil. Isso n\u00e3o \u00e9 verdade. Deveriam aumentar a pena de interna\u00e7\u00e3o para homic\u00eddio, latroc\u00ednio, estupro, claro. Mas h\u00e1 puni\u00e7\u00e3o e h\u00e1 ressocializa\u00e7\u00e3o, sim, eu sou prova viva disso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><strong>Odilon Jos\u00e9 da Silva tem 34 anos e foi internado por roubo de cargas e lojas aos 17 anos<\/strong><\/i><\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Michelle Felix<\/h2>\n<figure class=\"media-landscape full-width has-caption\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/06\/29\/150629013622_menores_depoimento_mulher_624x351_bbcbrasil.jpg\" alt=\"null\" width=\"624\" height=\"351\" \/><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">&#8216;Acho que a interna\u00e7\u00e3o pode recuperar o adolescente&#8217;, diz Michelle<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nasci em Fortaleza, no Cear\u00e1, mas cresci no Rio, na Rocinha. Minha m\u00e3e tinha problemas psiqui\u00e1tricos, e deixava eu e meus irm\u00e3os trancados em casa o dia todo. Quando eu tinha 13 anos ela colocou fogo na casa, e eu e meus dois irm\u00e3os acabamos sendo criados por parentes. Com 17 anos eu trabalhava num hotel e fazia croch\u00ea para sobreviver. Tinha tr\u00eas empregos e queria uma vida melhor, mas fui me aproximando de m\u00e1s influ\u00eancias. Fui para S\u00e3o Paulo e na volta um amigo, maior de idade, colocou drogas na minha mochila quando a pol\u00edcia fez uma batida. Ele me convenceu de que eu pegaria s\u00f3 um m\u00eas, por ser menor, mas acabei cumprindo um ano e tr\u00eas meses de interna\u00e7\u00e3o, seis meses de semiliberdade e seis meses de liberdade assistida, o in\u00edcio na Funda\u00e7\u00e3o Casa, em S\u00e3o Paulo, e a maior parte no Degase da Ilha do Governador, no Rio, por tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi dif\u00edcil. Em S\u00e3o Paulo as meninas apanhavam muito, embora a infraestrutura fosse melhor. Quis sair logo de l\u00e1. No Rio as coisas eram mais prec\u00e1rias, mas os funcion\u00e1rios nos tratavam melhor. Passar pelo sistema me ajudou a ser quem eu sou hoje. Estou casada com outro ex-interno, trabalhando, e gr\u00e1vida de oito meses. Trabalho na TV Degase, um projeto de ressocializa\u00e7\u00e3o dos internos atrav\u00e9s de oficinas de audiovisual. Consegui ajudar minha m\u00e3e, que agora faz tratamento e est\u00e1 bem. Meu sonho \u00e9 fazer faculdade de jornalismo. Meu ato ocorreu oito meses antes de eu fazer 18 anos. Nem sei quantos anos eu teria ficado na cadeia em Bangu se j\u00e1 fosse maior. N\u00e3o sei como teria sido minha vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sou totalmente contra a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal. Acho que a interna\u00e7\u00e3o pode, sim, ressocializar e recuperar o adolescente, sobretudo se ele sair com um emprego e se n\u00e3o voltar para o lugar onde morava, para os amigos e a estrutura de vida anterior. Tem que haver um outro futuro, um recome\u00e7o. Tamb\u00e9m vai do esfor\u00e7o de cada um. No meu tempo de semiliberdade, eu aprendi a fazer unha num curso dentro do Degase. Sa\u00eda, fazia unha na favela e voltava para dormir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reduzir (a maioridade) \u00e9 s\u00f3 uma maquiagem, n\u00e3o vai resolver nada. \u00c9 um erro jogar esses jovens na verdadeira &#8220;escola do crime&#8221; que s\u00e3o os pres\u00eddios, a\u00ed sim n\u00e3o tem chance nenhuma de uma nova vida. Mas sou a favor de aumentar a pena de interna\u00e7\u00e3o em casos graves, de assassinato, latroc\u00ednio, estupro. Tamb\u00e9m n\u00e3o acho justo um adolescente matar a m\u00e3e, como acontece tanto aqui, e ficar no m\u00e1ximo tr\u00eas anos. Entendo que a sociedade cobre justi\u00e7a em casos assim, e acho que est\u00e3o certos mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><i>Michelle Feliz tem 23 anos e foi internada por tr\u00e1fico de drogas aos 17 anos<\/i><\/strong><\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Carlos de Souza dos Santos<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecei com 15 anos no mundo do crime, com uma quadrilha de roubo de carros na Ilha do Governador, no Rio. Pegava carro em Bonsucesso, Barra, v\u00e1rios bairros. No meu &#8220;bonde&#8221; s\u00f3 tinha menores. Naquela \u00e9poca, eu era maluco, achava que tinha uma vis\u00e3o de mundo. J\u00e1 estava bem acostumado, mas um dia fui preso e vim para o Degase. Primeiro tive uma passagem de seis meses, depois fugi e cumpri mais 47 dias. Hoje em dia, botando na ponta do l\u00e1pis, vejo que ganhar R$ 10 mil com o crime n\u00e3o compensa, depois voc\u00ea ainda faz d\u00edvida com advogado.<\/p>\n<figure class=\"media-landscape full-width has-caption\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"js-image-replace\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/ws\/624\/amz\/worldservice\/live\/assets\/images\/2015\/06\/29\/150629013508_menores_jose_depoimento_624x351_arquivopessoal.jpg\" alt=\"null\" width=\"624\" height=\"351\" \/><figcaption class=\"media-caption\"><span class=\"media-caption__text\">&#8216;Na minha opini\u00e3o reduzir a maioridade seria como pegar um garoto com um 38 na m\u00e3o e ensin\u00e1-lo a usar fuzil&#8217;, disse Jos\u00e9<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando a gente sai, percebe que a vida continuou para quem ficou l\u00e1 fora, mas para quem est\u00e1 preso o tempo para. \u00c9 ruim. Hoje eu vejo que minha mente era fechada, e apesar de tudo, esse tempo internado me mostrou outro caminho. O ser humano \u00e9 falho, n\u00e9, erra. \u00c0s vezes a gente precisa passar por algumas coisas para enxergar o caminho certo. Hoje em dia eu tenho 27 anos, tenho uma filha de cinco anos, e nunca mais tive passagem, nem por briga. Trabalhei e juntei dinheiro por quatro anos para comprar equipamento e montei um canal no YouTube, &#8220;Do Morro para o Mundo&#8221;. \u00c9 disso que eu gosto. C\u00e2mera, falar, me expressar, mostrar essa realidade. Sempre gostei de cinema, teatro, TV e estou tentando trabalhar com filmagens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na minha opini\u00e3o, reduzir a maioridade seria como pegar um garoto com um 38 na m\u00e3o e ensin\u00e1-lo a usar fuzil. Se eu tivesse ido para a cadeia de maior, de duas uma: ou teria voltado a roubar ainda mais, ou j\u00e1 estaria morto, com certeza. Acho que seria uma confus\u00e3o total se houvesse a redu\u00e7\u00e3o. Na cadeia, j\u00e1 te d\u00e3o v\u00e1rias dicas logo de come\u00e7o. &#8220;Esquece redes sociais, nada de carr\u00e3o para n\u00e3o levantar suspeita, esquece celular&#8221;. S\u00e3o contatos, t\u00e9cnicas, pessoas com quem voc\u00ea tem que se associar, agradar. O pa\u00eds tinha que pensar no que est\u00e1 fazendo com esses jovens de favela antes de decidir reduzir. Seria um grande erro. Hoje eu vejo que \u00e9 poss\u00edvel ter mais sem perder tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><strong>Jos\u00e9 Carlos de Souza dos Santos tem 27 anos e foi internado por forma\u00e7\u00e3o de quadrilha e roubo de carros aos 15 anos<\/strong><\/i><\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\" style=\"text-align: justify;\">F.L.*<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu roubava carros em S\u00e3o Paulo, em diversos bairros. Depois de um tempo fui preso e cumpri quatro medidas socioeducativas ainda na antiga Febem, quando tinha 14 anos, num total de tr\u00eas anos internado. Foi terr\u00edvel. Havia maus-tratos, rebeli\u00f5es, muita viol\u00eancia. Os agentes abusavam, agrediam mesmo, havia muita fuga dos adolescentes. Eu mesmo apanhei demais. Foi traumatizante, n\u00e3o vou esconder, mas me fez mudar. N\u00e3o voltei pro mundo do crime quando sa\u00ed, e isso se deve muito ao fato de ter terminado meus estudos na Febem e ao apoio que eu tive da minha fam\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje estou fazendo faculdade de Direito, com bolsa do ProUni. Fui bem na prova do Enem e consegui, me esforcei. Me formo no final do ano e meu objetivo \u00e9 tirar a OAB e advogar mesmo. O motivo da minha entrada no crime foi conseguir mais dinheiro. N\u00e3o passava necessidade, e n\u00e3o tinha envolvimento com drogas. Eu queria ter as coisas, poder comprar as coisas. Fiquei alienado. Quando tive meu primeiro emprego, com 18 anos, um outro mundo se abriu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu acho que a redu\u00e7\u00e3o da maioridade penal \u00e9 um grave erro. Por mais problemas que as institui\u00e7\u00f5es de interna\u00e7\u00e3o de menores tenham, ali voc\u00ea estuda, tem cursos, tem uma chance. Na cadeia n\u00e3o tem nem espa\u00e7o, nem higiene. O sistema carcer\u00e1rio n\u00e3o oferece nenhuma chance de recupera\u00e7\u00e3o. Se reduzirem, seis meses depois vamos ver um aumento brutal da criminalidade, pode apostar. Tamb\u00e9m sou contra aumentar o tempo de interna\u00e7\u00e3o de menores por crimes hediondos. As pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta de que o tr\u00e1fico de drogas \u00e9 crime hediondo, e respons\u00e1vel por 70% das interna\u00e7\u00f5es de menores. Sou a favor de aumentar o tempo de interna\u00e7\u00e3o s\u00f3 em crimes como homic\u00eddio, latroc\u00ednio e estupro e desde que se crie uma fiscaliza\u00e7\u00e3o maior dos abusos dentro dessas unidades e que se invista muito mais nelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><strong>F. L. tem 25 anos e foi internado por roubo de carros aos 14 anos<\/strong><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><strong>*Iniciais de ex-menor que n\u00e3o quis se identificar<\/strong><\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: BBC Brasil<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando eu sa\u00ed, fui cumprir liberdade assistida na Pastoral do Menor, e a\u00ed minha vida realmente mudou. 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