{"id":69971,"date":"2015-07-05T08:08:56","date_gmt":"2015-07-05T11:08:56","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=69971"},"modified":"2015-07-05T08:08:56","modified_gmt":"2015-07-05T11:08:56","slug":"nao-sabia-conta-secreta-na-suica-abasteceu-campanha-de-lula-em-2006","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/nao-sabia-conta-secreta-na-suica-abasteceu-campanha-de-lula-em-2006\/","title":{"rendered":"N\u00e3o sabia: Conta secreta na Su\u00ed\u00e7a abasteceu campanha de Lula em 2006"},"content":{"rendered":"<header class=\"entry-header\">\n<h1 class=\"entry-title\"><\/h1>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"attachment-post-thumbnail wp-post-image\" src=\"http:\/\/imagens4.ne10.uol.com.br\/blogsne10\/jamildo\/uploads\/2015\/07\/alx_lula-pt_original-624x468.jpeg\" alt=\"alx_lula-pt_original\" width=\"624\" height=\"468\" \/><\/header>\n<div class=\"entry-content\">\n<p>O documento abaixo reproduz a movimenta\u00e7\u00e3o de uma conta secreta na Su\u00ed\u00e7a aberta pelos empreiteiros para pagar propina. Segundo Ricardo Pessoa, foi dela que sa\u00edram 2,4 milh\u00f5es de reais que refor\u00e7aram o caixa da campanha do ex-presidente Lula em 2006 \u2013 dinheiro desviado dos cofres da Petrobras que chegou ao Brasil em uma opera\u00e7\u00e3o financeira totalmente clandestina e ilegal. O delator contou que a UTC, a Iesa, a Queiroz Galv\u00e3o e a Camargo Corr\u00eaa formavam o cons\u00f3rcio que venceu a licita\u00e7\u00e3o para construir tr\u00eas plataformas de petr\u00f3leo. Como era regra na estatal, um porcentual do contrato era obrigatoriamente reservado para subornos. A conta foi criada para o \u201cpagamento de comissionamentos devidos a agentes p\u00fablicos em raz\u00e3o das obras da Petrobras, ou seja, o pagamento de propinas\u201d, disse Pessoa. Ela tamb\u00e9m ajuda a dificultar o rastreamento de corruptos e corruptores. Foi dessa fonte clandestina que saiu o dinheiro que ajudou Lula a se reeleger.<\/p>\n<section class=\"info-img-articles\">\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Rela\u00e7\u00e3o de pagamentos Quadrix\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/07\/03\/2136\/alx_relacao-pagamentos-quadrix_original.jpeg?1435970187\" alt=\"Rela\u00e7\u00e3o de pagamentos Quadrix\" \/><figcaption><span class=\"credito\">(VEJA.com\/VEJA)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Para comprovar a exist\u00eancia da conta secreta, o empreiteiro apresentou ao Minist\u00e9rio P\u00fablico extratos com as movimenta\u00e7\u00f5es. Batizada de \u201cControle RJ 53 \u2013 US$\u201d, a planilha registra opera\u00e7\u00f5es envolvendo 5 milh\u00f5es de d\u00f3lares em pagamentos de propina. Al\u00e9m de financiar o caixa dois de Lula, a conta su\u00ed\u00e7a foi utilizada para pagar os operadores do PT na Petrobras. Entre as movimenta\u00e7\u00f5es listadas pelo empreiteiro est\u00e3o pagamentos ao ex-gerente de Servi\u00e7os da Petrobras Pedro Barusco, um dos respons\u00e1veis pela coleta das propinas destinadas ao PT. Os repasses \u00e0 campanha de Lula foram acertados entre Ricardo Pessoa e o ent\u00e3o tesoureiro petista, Jos\u00e9 de Filippi. Era o pr\u00f3prio empreiteiro que levava os pacotes de dinheiro ao comit\u00ea da campanha em S\u00e3o Paulo. A entrega, como VEJA revelou em sua edi\u00e7\u00e3o passada, era cercada de medidas de seguran\u00e7a t\u00edpicas de organiza\u00e7\u00f5es criminosas. Ao chegar \u00e0 porta do comit\u00ea, o empreiteiro dizia a senha \u201ctulipa\u201d. Se ele ouvia como resposta a palavra \u201ccaneco\u201d, seguia direto para a tesouraria. Se confirmados pela Justi\u00e7a, os pagamentos via caixa dois s\u00e3o a primeira prova de que o ex-presi\u00addente Lula tamb\u00e9m foi beneficiado diretamente pelo petrol\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>As provas que Ricardo Pessoa entregou \u00e0 Justi\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>VEJA desta semana apresenta os documentos e planilhas em que o empreiteiro Ricardo Pessoa registrava as transa\u00e7\u00f5es do petrol\u00e3o \u2013 entre elas o dinheiro entregue \u00e0 campanha de Dilma<\/p>\n<p>O engenheiro Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, \u00e9 famoso por sua grande capacidade de organiza\u00e7\u00e3o \u2013 caracter\u00edstica imprescind\u00edvel para algu\u00e9m que exercia uma fun\u00e7\u00e3o vital no chamado \u201cclube do bilh\u00e3o\u201d. Ele foi apontado pelos investigadores como o chefe do grupo que durante a \u00faltima d\u00e9cada operou o maior esquema de desvio de dinheiro p\u00fablico da hist\u00f3ria do pa\u00eds. O empreiteiro entregou \u00e0 Justi\u00e7a dezenas de planilhas com movimenta\u00e7\u00f5es financeiras, manuscritos de reuni\u00f5es e agendas que fazem do seu acordo de dela\u00e7\u00e3o um dos mais contundentes e importantes da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. O material constitui um verdadeiro invent\u00e1rio da corrup\u00e7\u00e3o. Em uma s\u00e9rie de depoimentos aos investigadores do Minist\u00e9rio P\u00fablico, Pessoa detalhou o que fez, viu e ouviu como personagem central do esc\u00e2ndalo da Petrobras. Na sequ\u00eancia, apresentou os documentos que, segundo ele, provam tudo o que disse.<\/p>\n<p>\u200b\u200bVEJA teve acesso ao arquivo do empreiteiro. Um dos alvos \u00e9 a campanha de Dilma de 2014 e seu tesoureiro, Edinho Silva, o atual ministro da Comunica\u00e7\u00e3o Social. Segundo o delator, ele doou 7,5 milh\u00f5es de reais \u00e0 campanha depois de ser convencido por Edinho Silva. \u201cO senhor tem obras no governo e na Petrobras, ent\u00e3o o senhor tem que contribuir. O senhor quer continuar tendo?\u201d, disse o tesoureiro em uma reuni\u00e3o. O empreiteiro contou que n\u00e3o interpretou como amea\u00e7a, mas como uma \u201cpersuas\u00e3o bastante elegante\u201d. Na d\u00favida, \u201cpara evitar entraves\u201d nos seus neg\u00f3cios com a Petrobras, decidiu colaborar para que o \u201csistema vigente\u201d continuasse funcionando \u2013 um achaque educado. Mas h\u00e1 outro complicador para Edinho: quem apareceu em nome dele para fechar os detalhes da \u201cdoa\u00e7\u00e3o\u201d, segundo Pessoa, foi Manoel de Araujo Sobrinho, o atual chefe de gabinete do ministro. Em plena atividade eleitoral, Manoel se apresentava aos empres\u00e1rios como funcion\u00e1rio da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Era outro recado elegante para que o alvo da \u201cpersuas\u00e3o\u201d soubesse com quem realmente estava falando.<\/p>\n<section class=\"info-img-articles\">\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Arquivo do delator\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/07\/03\/2039\/alx_arquivo-do-delator_original.jpeg?1435966777\" alt=\"Arquivo do delator\" \/><figcaption>O documento em que Ricardo Pessoa registrou a \u2018doa\u00e7\u00e3o legal\u2019 \u00e0 campanha de Dilma e os nomes do tesoureiro Edinho Silva e seu bra\u00e7o-direito Manoel de Araujo<span class=\"credito\">(VEJA.com\/VEJA)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O documento abaixo reproduz a movimenta\u00e7\u00e3o de uma conta secreta na Su\u00ed\u00e7a aberta pelos empreiteiros para pagar propina. 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