{"id":70273,"date":"2015-07-06T14:50:13","date_gmt":"2015-07-06T17:50:13","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=70273"},"modified":"2015-07-06T14:50:13","modified_gmt":"2015-07-06T17:50:13","slug":"eu-me-chamo-lily-safra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/eu-me-chamo-lily-safra\/","title":{"rendered":"Eu me chamo Lily Safra"},"content":{"rendered":"<h1 class=\"documentFirstHeading\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<div id=\"viewlet-below-content-title\" style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"plone-document-byline\" class=\"documentByLine\"><span class=\"documentAuthor\">por Guilherme Lacombe\u00a0<\/span><\/div>\n<div class=\"documentByLine\"><\/div>\n<div id=\"parent-fieldname-description\" class=\"documentDescription\"><em><strong>Os mist\u00e9rios da bilion\u00e1ria ga\u00facha, reclusa e bisbilhotada, afloram numa biografia que o Brasil (ainda) n\u00e3o pode ler<\/strong><\/em><\/div>\n<div class=\"documentDescription\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"content-core\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"newsImageContainer\">\n<div><a id=\"parent-fieldname-image\" class=\"link-overlay\" rel=\"#pb_1\"><\/a><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"newsImage nitf\" title=\"Lily-Safra\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/lily-safra\/@@images\/b8ba0bd0-b0c1-4b3f-bca2-b8215747b649.jpeg\" alt=\"Lily-Safra\" width=\"400\" height=\"266\" \/><\/p>\n<p class=\"discreet\">Conhe\u00e7a a personalidade magn\u00e9tica da bilion\u00e1ria Lily<\/p>\n<p class=\"discreet\">\n<\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p class=\"p1\">Lily Safra \u00e9 uma mulher excepcionalmente rica, mas surpreendentemente generosa, muito bisbilhotada ainda que bastante reservada \u2013 e, no fundo, ou por isso mesmo, pouco conhecida. Mais ainda no Brasil, sua terra natal.<\/p>\n<p class=\"p3\">Os enigmas que enevoam\u00a0essa personalidade magn\u00e9tica acabam desmerecendo o fasc\u00ednio multifacetado de sua vida. \u00c9 pelo seu estado civil \u2013 tr\u00eas vezes vi\u00fava \u2013 que o mundo acaba qualificando-a, sublinhando com mal\u00edcia que as heran\u00e7as recebidas de dois de seus infaustos maridos foram golpes de sorte ou de oportunidade, e n\u00e3o uma sequ\u00eancia de desgra\u00e7as do\u00eddas. Mais do que pelo glamour de uma jetsetter bilion\u00e1ria, a vida de Lily Safra, 77 anos,\u00a0 \u00e9 marcada por trag\u00e9dias e controv\u00e9rsias.<\/p>\n<p><center class=\"ebz_native_center\"><\/p>\n<div><\/div>\n<div id=\"ebzNative\"><\/div>\n<p><\/center><\/p>\n<p class=\"p3\">De quem \u00e9 a maior doa\u00e7\u00e3o jamais feita em prol da pesquisa cient\u00edfica no Brasil, aquela que financia o trabalho revolucion\u00e1rio de neurocientista Miguel Nicolelis em Natal? Causas como a pesquisa do mal de Parkinson e da Aids s\u00e3o agraciadas com polpudas doa\u00e7\u00f5es dessa ga\u00facha nascida de fam\u00edlia de classe m\u00e9dia e que hoje, com CEP em Londres, frequenta as festas da fam\u00edlia real brit\u00e2nica. Lily \u00e9 mais um caso de bilion\u00e1rio da nova era, da estirpe de um Warren Buffet e um Bill Gates, excepcionalmente preocupada em contribuir mais do que propriamente ostentar.<\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/000_ARP3819622.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Lily-e-Sarkozy\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/000_ARP3819622.jpg\/@@images\/43667aa5-89e3-4065-b397-6a929c228df1.jpeg\" alt=\"Lily-e-Sarkozy\" width=\"768\" height=\"544\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Ao lado do ex-presidente Nicolas Sarkozy, na abertura do centro de pesquisa de Alzheimer (Nice, 2014) \/ Cr\u00e9dito: Valery Hache\/AFP<\/dd>\n<\/dl>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">O dinheiro, claro, tamb\u00e9m lhe faculta certos caprichos benemerentes. Assim como ela \u00e9 capaz de bancar o programa de tratamento de esgoto de uma cidade do interior da Bahia, promoveu a recente devolu\u00e7\u00e3o ao Pal\u00e1cio de Versalhes de uma c\u00f4moda que pertenceu a Lu\u00eds XV surrupiada dali, durante a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa, tomando o tortuoso caminho dos antiqu\u00e1rios e de posteriores propriet\u00e1rios bourgeois.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Em 2011, apenas dois brasileiros foram convidados para o \u201ccasamento do s\u00e9culo\u201d, de William e Kate, na Abadia de Westminster: o embaixador do Brasil e Lily Safra \u2013 ela, que j\u00e1 doou f\u00e1bulas para a ONG Prince\u2019s Trust, criada por seu bom amigo pr\u00edncipe Charles. Quando o roqueiro e patrono do combate \u00e0 Aids, sir Elton John, escolheu a dedo os convidados para a m\u00e3e de todas as suas festas, para celebrar os 45 anos de seu marido, David Furnish, em 2009, l\u00e1 estava mrs. Safra entre roqueiros, artistas pop e integrantes da realeza GLS do planeta. E ela apoia a causa, com muito dinheiro.<\/span><\/p>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">\u00c9 dela uma das mans\u00f5es mais valiosas da C\u00f4te d\u2019Azur, a Villa Leopolda, cotada em n\u00e3o menos de meio bilh\u00e3o de euros. Por azar do destino \u2013 do outro \u2013, ela embolsou uma f\u00e1bula com a propriedade sem sequer vend\u00ea-la. Um bilion\u00e1rio russo apresentou-se para comprar, pagou o sinal de 55 milh\u00f5es de euros, mas, com a crise de 2008, o candidato \u00e0 compra quebrou e n\u00e3o p\u00f4de pagar o resto. Por for\u00e7a do contrato, perdeu o sinal em favor da dona. Lily Safra n\u00e3o quis se beneficiar do, a\u00ed sim, golpe de sorte: doou o dinheiro para obras de caridade e ficou com a casa, onde viveu felizes momentos com Edmond Safra, seu quarto marido, antes da morte dele, em circunst\u00e2ncias terr\u00edveis, em dezembro de 1999 \u2013 epis\u00f3dio que levaria Lily \u00e0 superexposi\u00e7\u00e3o indesejada nos pasquins de ti-ti-ti.<\/span><\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/000_Par2428813.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Villa-Leopolda\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/000_Par2428813.jpg\/@@images\/eb96df7c-55ee-4907-a550-0cfa6006c18e.jpeg\" alt=\"Villa-Leopolda\" width=\"768\" height=\"512\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Villa Leopolda &#8211; O comprador n\u00e3o honrou, de gra\u00e7a Lily embolsou 55 milh\u00f5es de euros \/ Cr\u00e9dito: Ron Galella<\/dd>\n<\/dl>\n<p class=\"p3\"><span class=\"s1\">Com tamanhos atrativos, acabou por merecer uma biografia que se pretende n\u00e3o autorizada, Gilded Lily (A Dourada Lily), escrita pela jornalista canadense Isabel Vincent e publicada pela Harper Collins. E em nome de Lily Safra, o advogado norte-americano Brendan Sullivan teria procurado os respons\u00e1veis\u00a0<\/span>pela edi\u00e7\u00e3o e, embora tenha discutido a obra, n\u00e3o se insurgiu contra a publica\u00e7\u00e3o. A comercializa\u00e7\u00e3o no Brasil foi proibida por for\u00e7a de liminar obtida n\u00e3o pela biografada, mas por seu sobrinho Leonardo Watkins, que alega haver na obra graves ofensas \u00e0 honra de seu pai Artigas Watkins, irm\u00e3o de Lily, j\u00e1 falecido.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">A autora ataca a vers\u00e3o oficial de que Frederico Monteverde, segundo marido de Lily, teria se suicidado, levantando suspeita sobre a conduta de Artigas. Intrometendo-se involuntariamente na atual pol\u00eamica das biografias n\u00e3o autorizadas no Pa\u00eds, Isabel Vincent disse ao site Yahoo! que a proibi\u00e7\u00e3o da venda do seu livro \u201cenvergonha o Brasil aqui fora e fortalece a ideia de que o Pa\u00eds \u00e9 uma Rep\u00fablica das Bananas\u201d.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Censura \u00e0 parte, o livro de Isabel Vincent adota um tom de tabloide, trata a biografada de social climber ambiciosa e levanta tantas suspeitas sobre as mortes de Frederico Monteverde e Edmond Safra quantas caibam no papel. O subt\u00edtulo <i>The Making of One of the World\u2019s Wealthies Widows<\/i> (A Cria\u00e7\u00e3o de Uma das <i>Vi\u00favas Mais Ricas do Mundo<\/i>) mostra a que veio. Como se faz uma vi\u00fava rica? Haveria um eventual envolvimento da herdeira nas trag\u00e9dias? Se no nem sempre virtuoso imagin\u00e1rio popular herdar uma fortuna provoca recalques nada sutis, herdar duas fortunas ap\u00f3s a morte n\u00e3o natural de dois bilion\u00e1rios \u00e9 causa para as mais eloquentes e menos benevolentes fantasias. \u00c9 essa trilha que a bi\u00f3grafa claramente trafega. A pr\u00f3pria Lily Safra n\u00e3o foi entrevistada.<\/span><\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/GettyImages81713253.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Lily-Mandela-Elton-John\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/GettyImages81713253.jpg\/@@images\/8ba6ec54-c99c-443c-b98a-82c383eedcab.jpeg\" alt=\"Lily-Mandela-Elton-John\" width=\"768\" height=\"601\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Jantar para Nelson Mandela, com Elton John (Londres, 2008) \/ Cr\u00e9dito: Dave M. Benett\/Getty Images<\/dd>\n<\/dl>\n<p class=\"p2\">Biografias n\u00e3o autorizadas n\u00e3o significam boas biografias. De todo modo, o livro de ms. Vincent detalha momentos cruciais de uma vida trepidante. Lily Watkins, nome de solteira, teve uma juventude t\u00edpica das meninas do Rio de Janeiro dos anos dourados, quando as jovens de boas fam\u00edlias eram educadas para o casamento e para os filhos. A origem judaica n\u00e3o a diferenciava nos h\u00e1bitos, apenas no circuito social. Frequentar festas e lugares badalados como o Hotel Copacabana Palace era obrigat\u00f3rio, al\u00e9m da Congrega\u00e7\u00e3o Israelita Brasileira, onde bons partidos de ambos os sexos eram apresentados.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Lily casou-se aos 17 anos com o milion\u00e1rio argentino Mario Cohen, 9 anos mais velho, e, antes de completar um ano de casamento, cumpriu a m\u00e1xima tradi\u00e7\u00e3o de boa esposa dando \u00e0 luz seu primog\u00eanito, Claudio \u2013 e, pouco depois, a mais dois filhos, Adriana e Eduardo. Moraram no Brasil, na Argentina e no Uruguai. Vivia em \u00f3timo padr\u00e3o, mas padecia com o ascetismo e a desaten\u00e7\u00e3o do marido empres\u00e1rio. Honrou, por uma d\u00e9cada, um casamento que fazia \u00e1gua por todos os lados, at\u00e9 que, com 29 anos, linda e elegante, conheceu Frederico Monteverde, que encarnava a dupla condi\u00e7\u00e3o de playboy internacional e empres\u00e1rio de sucesso. A qu\u00edmica entre ambos foi instant\u00e2nea.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Nascido na Rom\u00eania como Alfred Ianco Grunberg, Monteverde (tradu\u00e7\u00e3o literal do sobrenome alem\u00e3o) se estabeleceu no Brasil importando pneus. Quando passou a importar refrigeradores da marca Coldspot (nome que traduziu para Ponto Frio, ao batizar as lojas nas quais os venderia a cr\u00e9dito para as classes populares),\u00a0 inaugurou o imp\u00e9rio que sobrevive, com outros donos, at\u00e9 hoje. Divorciado duas vezes, Fred tinha dois filhos adotivos, Carlos e Alexandra.<\/span><\/p>\n<dl class=\"image-left captioned\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/GettyImages163337665.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Lily-e-Rothschild\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/GettyImages163337665.jpg\/@@images\/083c6fe1-fd6c-4405-bc97-88c650a1da62.jpeg\" alt=\"Lily-e-Rothschild\" width=\"271\" height=\"400\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Com o bar\u00e3o Eric de Rothschild (Paris, 2005) \/ Cr\u00e9dito: Anwar Hussein\/Wireimage\/Getty Images<\/dd>\n<\/dl>\n<p>Em fevereiro de 1965, depois de Lily ter se separado de Mario Cohen, os dois casaram-se em Nova York. O presente de casamento teria sido um enorme diamante da joalheria Chaumet. O casal estabeleceu-se no Rio de Janeiro, onde reuniu os filhos num casar\u00e3o da Rua Icatu, em Botafogo, que se tornou ponto obrigat\u00f3rio do high society carioca. Lily j\u00e1 se esmerava em seu mitol\u00f3gico talento de anfitri\u00e3.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Contudo, o sucesso de Monteverde escondia um s\u00e9rio desequil\u00edbrio bipolar, ele alternava momentos de euforia com depress\u00f5es abissais. \u00c0s vezes, n\u00e3o conseguia sair do pr\u00f3prio quarto. Consta do livro de Isabel Vincent que, extremamente abalada, Lily chegou a se internar para tratar seu pr\u00f3prio estresse, e o marido, solid\u00e1rio, pendurou um Van Gogh (leg\u00edtimo) no quarto do hospital para agradar \u00e0 amada. \u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Em agosto de 1969, Fred se matou com dois tiros no peito. Amigos pr\u00f3ximos que testemunhavam as frequentes crises de depress\u00e3o do empres\u00e1rio temiam esse desfecho (o pai de Fred padecera dos dist\u00farbios ps\u00edquicos e tamb\u00e9m se matara). A per\u00edcia criminal\u00edstica confirmou o suic\u00eddio. Mas os dois tiros e as falhas no inqu\u00e9rito alimentaram suspeitas de homic\u00eddio. Fortuna, testamento e vi\u00fava s\u00e3o palavras que adquirem alta octanagem quando reunidas nessas circunst\u00e2ncias.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Por meio de documento firmado legalmente na presen\u00e7a de conhecidos, Monteverde deixara sua fortuna para a esposa e para os dois filhos adotivos, confiando a Lily tamb\u00e9m a guarda legal de\u00a0<\/span>ambos. Exclu\u00eddas da heran\u00e7a, a m\u00e3e e a irm\u00e3 de Monteverde inicialmente acataram, desgostosas, a decis\u00e3o do filho e irm\u00e3o. Mais tarde, iniciaram um longo e infrut\u00edfero lit\u00edgio para tentar anular o testamento e reaver a fortuna por meio de car\u00edssimos processos movidos no Brasil e na Inglaterra, para onde Lily Safra se mudara.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">\u00c0s voltas com um enorme patrim\u00f4nio para cuja gest\u00e3o n\u00e3o tinha a menor experi\u00eancia, Lily valeu-se da amizade e do socorro de um conhecido dela e do falecido, ele mesmo um dos mais disputados solteiros da comunidade judaica mundial, Edmond Safra. A expertise de Safra na gest\u00e3o de fortunas ajudou a amiga a seguir os caminhos seguros da boa rentabilidade patrimonial com baixa tributa\u00e7\u00e3o, por meio de um emaranhado de corpora\u00e7\u00f5es sediadas em diversos para\u00edsos fiscais e administradas a partir do quartel-general de Safra em Genebra.\u00a0<\/span><\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/GettyImages75503027.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Camila-Parker-Lily-EltonJohn\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/GettyImages75503027.jpg\/@@images\/5d027caf-60e1-4294-9fcb-cb7a11480def.jpeg\" alt=\"Camila-Parker-Lily-EltonJohn\" width=\"768\" height=\"561\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Com Camila Parker Bowles no gala de Elton John pr\u00f3 combate \u00e0 Aids (Londres, 2002) \/ Cr\u00e9dito: Vanina Lucchesi\/AFP<\/dd>\n<\/dl>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Atordoada pela s\u00fabita viuvez, fustigada por muitos e perseguida pela fam\u00edlia Monteverde, Lily viveu tempos duros e reclusos. Buscou reestruturar a pr\u00f3pria fam\u00edlia com garra de m\u00e3e judia. Matriculou os filhos nas melhores e mais tradicionais escolas brit\u00e2nicas, salvo Eduardo Cohen, que preferiu viver com o pai em Buenos Aires.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Em face da s\u00f3lida rela\u00e7\u00e3o do banqueiro com a cliente, os advogados da fam\u00edlia Monteverde inclu\u00edram Safra como r\u00e9u nos processos que tramitaram nas cortes brit\u00e2nicas. Disputas e finan\u00e7as \u00e0 parte, Lily e Edmond j\u00e1 namoravam \u00e0s escondidas. Aparentemente, a fam\u00edlia Safra n\u00e3o via com bons olhos a uni\u00e3o. Lily vinha de dois casamentos e n\u00e3o era judia sefardita \u2013 tradi\u00e7\u00f5es sangu\u00edneas pesavam. Edmond quase perdeu a mo\u00e7a. Desgostosa com a situa\u00e7\u00e3o, Lily deu de cara com Samuel Bendahan, empres\u00e1rio marroquino radicado em Londres. Bastou um breve encontro no espa\u00e7o mundano do consult\u00f3rio de um dentista para que ela se apaixonasse. Casaram-se no M\u00e9xico e viveram um bem curto, mas intenso, casamento, que acabou em div\u00f3rcio, n\u00e3o sem antes o casal sofrer ataques das m\u00e1s l\u00ednguas eternamente afiadas, que n\u00e3o suportaram um homem lindo e sem fortuna ao lado de uma milion\u00e1ria. Gigol\u00f4 era o termo mais ameno que tributaram a ele.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Em apuros, ela acabou socorrida por ningu\u00e9m menos que seu banqueiro e ex-relutante namorado. \u00c0 a\u00e7\u00e3o formal de div\u00f3rcio em Nevada se seguiu um longo e desgastante recurso por parte de Bendahan nas cortes de Nova York, etapa encerrada cerca de dois anos depois com um curioso, mas definitivo, \u201cn\u00e3o temos nada com isso\u201d por parte dos magistrados americanos.<\/span><\/p>\n<dl class=\"image-left captioned\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/GettyImages462409628.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Edmond-Safra\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/GettyImages462409628.jpg\/@@images\/08089da5-2404-48f2-b18b-e0f0715fd0aa.jpeg\" alt=\"Edmond-Safra\" width=\"277\" height=\"400\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Edmond Safra, com Parkinson, refugiou-se em seu bunker, perseguido pelo fantasma da m\u00e1fia russa \/ Cr\u00e9dito: Lionel Cironneau\/AP<\/dd>\n<\/dl>\n<p>Em 1976, Edmond e Lily casaram em Genebra, em cerim\u00f4nia discreta, por\u00e9m celebrada pelo rabino-chefe sefardita de Israel. Edmond enfrentou com altivez de primog\u00eanito as restri\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia Safra e se entregou a um casamento feliz. Filhos, ela j\u00e1 os tinha, e por eles Edmond demonstrou afeto e cuidado. Chegou a preparar pessoalmente o adolescente Carlos Monteverde para seu Bar-mitzva. Com suficiente dinheiro para desfrutar sem culpas as resid\u00eancias de Londres e Nova York, o casal Safra tornou-se presen\u00e7a certa no seleto circuito do jet set internacional. Colecionava obras de arte e o marido cobria de joias a amada. Suas festas eram disputadas pelos poderosos do planeta.<\/p>\n<p class=\"p2\">Mundanidade \u00e0 parte, Lily e Edmond tratavam de irrigar uma vasta rede de obras filantr\u00f3picas mundo afora. O casal ajudava centenas de jovens judeus sefarditas de Israel, al\u00e9m de universidades, hospitais e institui\u00e7\u00f5es as mais diversas. Em 1992, o presidente da Turquia, Turgut Ozal, homenageou Edmond com um baile de gala no Hotel Plaza, em Nova York, por seu trabalho em prol das rela\u00e7\u00f5es entre judeus e mu\u00e7ulmanos na Turquia. Dentre os presentes havia gente do calibre do Pr\u00eamio Nobel da Paz Elie Wiesel, o qual aproveitou a ocasi\u00e3o para entregar a Edmond um pr\u00eamio pelo trabalho humanit\u00e1rio em prol da comunidade judaica internacional. A vida sorria para Lily Cohen Monteverde Safra, mas a roda do destino n\u00e3o a pouparia de mais uma trag\u00e9dia terr\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s3\">Claudio Cohen, o primog\u00eanito, consolara desde pequeno os momentos dif\u00edceis da m\u00e3e. Era tamb\u00e9m muito dedicado aos irm\u00e3os \u2013 os de sangue e os por afinidade. Promissor, ca\u00edra nas gra\u00e7as de Safra, que o al\u00e7ara a uma posi\u00e7\u00e3o de responsabilidade no Ponto Frio, onde teve, por\u00e9m, conta a bi\u00f3grafa de Lily, de enfrentar os baixos rancores de um superior patol\u00f3gico. Claudio casou-se em 1983 com Evelyn Sigelmann \u2013 festa de casamento que fez hist\u00f3ria no Rio, mas foi marcada pela tr\u00e1gica morte da irm\u00e3 da noiva naquela mesma noite. Terr\u00edvel press\u00e1gio. O casal deu a Lily seu primeiro neto, Raphael, e depois mais um, Gabriel.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Uma brutal colis\u00e3o de ve\u00edculos, quando iam do Rio para Angra, colheu a vida de Claudio e de seu primog\u00eanito, Raphael, em fevereiro de 1989. A perda do filho e do neto foi avassaladora para Lily. Os Safra acusaram o golpe e se isolaram em seu profundo luto.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Com escrit\u00f3rios em Nova York e Genebra, Edmond Safra orgulhava-se de ser um banqueiro \u00e0 moda antiga, daqueles que conhecem pessoalmente seus clientes at\u00e9 pela voz ao telefone, zelam religiosamente pelo sigilo banc\u00e1rio deles e os guia com olhar agudo pelos para\u00edsos fiscais conhecidos. L\u00ednguas pe\u00e7onhentas o acusaram de gerir fundos de origens escusas. Rumores sempre an\u00f4nimos e t\u00e3o t\u00edpicos de um mercado feroz como o financeiro. Em 1983, no que teria sido sua grande transa\u00e7\u00e3o comercial, Edmond vendeu a maior parte de seu banco su\u00ed\u00e7o para o gigante American Express, contrariando os pr\u00f3prios irm\u00e3os e arrepiando a nobreza financeira de Genebra.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Safra fazia neg\u00f3cios acreditando no mesmo fio de bigode que a cartilha de Wall Street recomendava raspar com l\u00e2mina tripla. O neg\u00f3cio mostrou-se um desastre e a conviv\u00eancia, incompat\u00edvel. A separa\u00e7\u00e3o litigiosa custou-lhe perdas de mais de 100 milh\u00f5es de d\u00f3lares e lhe rendeu uma pesad\u00edssima campanha difamat\u00f3ria de escala mundial promovida pelos ex-s\u00f3cios ressentidos.<\/span><\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/063_1801860391.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Natalie-Portman-Lily-Millepied\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/063_1801860391.jpg\/@@images\/4b011855-a738-4205-a111-8d27e3d1805e.jpeg\" alt=\"Natalie-Portman-Lily-Millepied\" width=\"768\" height=\"509\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Com Natalie Portman e Benjamin Millepied (Paris, 2013) \/ Cr\u00e9dito: Vacheron Constantin\/AFP<\/dd>\n<\/dl>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Lily foi a companheira certa nessa briga de cachorros (muito) grandes em que Edmond se meteu. Ao longo da d\u00e9cada de 1990, o casal revezou-se entre a\u00e7\u00f5es de benemer\u00eancia e a rotina de festas memor\u00e1veis na Leopolda, a mans\u00e3o em Villefranche-sur-mer, na Riviera francesa, at\u00e9 que os primeiros sintomas do mal de Parkinson surpreenderam Edmond. Pouco depois do diagn\u00f3stico, ele doou 50 milh\u00f5es de d\u00f3lares para a pesquisa da doen\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p class=\"p2\">Not\u00f3rio por sua fortuna e for\u00e7ado a lidar com figuras nem sempre castas no mercado financeiro, por anos, Safra fez neg\u00f3cios com uma mir\u00edade de institui\u00e7\u00f5es russas. L\u00e1, o mercado financeiro \u00e9 especialmente pantanoso, o crime organizado domina a cena, algumas opera\u00e7\u00f5es de clientes russos apresentaram ind\u00edcios de lavagem de dinheiro. Safra sentia-se por demais exposto. Ficou obcecado por sua seguran\u00e7a, contratou homens treinados pelo Mossad e cercou-se da mais cara parafern\u00e1lia eletr\u00f4nica. A seu redor vivia um pelot\u00e3o de homens armados, m\u00e9dicos e enfermeiros. Foi quando o casal comprou uma cobertura na avenida que sobe at\u00e9 Montecarlo, decorada com muito luxo e com itens de seguran\u00e7a que a tornavam uma fortaleza aparentemente inexpugn\u00e1vel.<\/p>\n<dl class=\"image-left captioned\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/GM1E79S1KN101.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Giacometti\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/GM1E79S1KN101.jpg\/@@images\/deed19e8-4694-4461-b41b-ac7761bd6c95.jpeg\" alt=\"Giacometti\" width=\"279\" height=\"400\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">O Giacometti recordista (104,1 milh\u00f5es de d\u00f3lares) mora no flat de Londres \/ Cr\u00e9dito: LTD. Wireimage\/Getty Images<\/dd>\n<\/dl>\n<p>Com a sa\u00fade em franca deteriora\u00e7\u00e3o,\u00a0 Safra decidiu vender seu banco, desta vez para o HSBC. As longas e complexas tratativas para a venda ocuparam o banqueiro ao longo do ano de 1999. Uma avalia\u00e7\u00e3o inicial chegou a pouco mais de 10 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, nada mal para quem come\u00e7ou com meros 11 milh\u00f5es de d\u00f3lares \u2013 emprestados, reza a lenda. O pr\u00f3prio banqueiro conduzia a venda a partir de seus aposentos no novo bunker. Como queria muito garantir o neg\u00f3cio, Safra chegou a reduzir o pre\u00e7o da venda em algumas centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Tudo se encaminhava para o mais feliz dos finais. A venda s\u00f3 aguardava a necess\u00e1ria aprova\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os reguladores, quando, na madrugada de 3 de dezembro,\u00a0 Ted Maher, enfermeiro norte-americano da equipe de Safra, surgiu ferido e sangrando na portaria do pr\u00e9dio, gritando que havia dois homens armados dentro da cobertura, cujas portas blindadas permaneciam fechadas. Ele mesmo alertou Lily, que dormia em outra ala do im\u00f3vel e conseguiu escapar por uma janela, tendo chamado pelo celular o israelense respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a, o qual, por sua vez, teria chamado a pol\u00edcia e os bombeiros. Os 11 homens da car\u00edssima equipe de seguran\u00e7a, treinados pelo Mossad, ficavam na Leopolda, a cerca de 20 minutos dali, e nenhum havia sido designado para a cobertura naquela noite.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">O que se seguiu \u00e9 at\u00e9 hoje objeto de controv\u00e9rsia. A a\u00e7\u00e3o descoordenada dos policiais e bombeiros de um dos mais abonados territ\u00f3rios do mundo foi digna de com\u00e9dia de pastel\u00e3o. Da\u00a0<\/span>cal\u00e7ada, observando passivamente rolos de fuma\u00e7a saindo pelas janelas da cobertura, os bombeiros eram impedidos de agir pelos policiais, que alegavam haver homens armados l\u00e1 dentro. Safra e uma de suas enfermeiras se trancaram num banheiro e pediam socorro pelo celular. Recusava-se a sair com medo dos tais bandidos de que o enfermeiro falara. O chefe da seguran\u00e7a de Safra logo chegou \u00e0 Leopolda e tentou tomar o controle da situa\u00e7\u00e3o. Trazia as chaves das portas blindadas, mas dentre as dezenas de policiais e bombeiros do principado dos Grimaldi apenas um falava ingl\u00eas. Sem compreender sequer quem era ele, os policiais monegascos acabaram dando-lhe voz de pris\u00e3o e o algemaram. Safra e a enfermeira morreram asfixiados. Nenhum bandido foi encontrado.<\/p>\n<dl class=\"image-inline captioned\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/000_APP2002120299046.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Ted-Maher\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/000_APP2002120299046.jpg\/@@images\/871cb11c-7bc5-4b3d-9af1-32ba019c77d5.jpeg\" alt=\"Ted-Maher\" width=\"768\" height=\"586\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">Ted Maher, o enfermeiro que queria se fazer de her\u00f3i, simulou um ataque depois de botar fogo na cobertura de Montecarlo \/ Cr\u00e9dito: Fabrice Coffrini\/AFP<\/dd>\n<\/dl>\n<p class=\"p2\">A vers\u00e3o do enfermeiro Ted Maher mostrou-se inconsistente. Acabou confessando que ele mesmo montara uma situa\u00e7\u00e3o na qual surgiria como her\u00f3i ao salvar o patr\u00e3o de uma amea\u00e7a que n\u00e3o existia. Tomando o cuidado de se anestesiar antes, ele feriu a si pr\u00f3prio e, gritando com o patr\u00e3o para se fechar no banheiro, deu in\u00edcio ao inc\u00eandio antes de buscar socorro na portaria. Levado a julgamento ap\u00f3s longo inqu\u00e9rito, Maher acabou condenado, passou oito anos preso e protagonizou outro epis\u00f3dio mais a envergonhar as autoridades de M\u00f4naco ao fugir da pris\u00e3o com um companheiro de cela. Seria logo capturado. Hoje, est\u00e1livre.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Muitas perguntas que ficaram sem resposta, alimentando a natural atmosfera de folhetim de esc\u00e2ndalo. O jornalista norte-americano Dominick Dunne, que durante d\u00e9cadas cobriu crimes fotog\u00eanicos e julgamentos de celebridades, dedicou ao nebuloso affair p\u00e1ginas e p\u00e1ginas na glamourosa revista <i>Vanity Fair<\/i>. Buscou a colabora\u00e7\u00e3o de Lily Safra para seus artigos. Como n\u00e3o conseguiu, elegeu Ted Maher como inocente bode expiat\u00f3rio e a vi\u00fava como vil\u00e3. Surfando alegremente sobre a pol\u00eamica, sugeriu que Maher era v\u00edtima de uma mulher ambiciosa, que teria usado de toda a sua influ\u00eancia para abafar as verdadeiras raz\u00f5es da trag\u00e9dia. Ap\u00f3s a condena\u00e7\u00e3o do enfermeiro, Dunne reviu sua opini\u00e3o na pr\u00f3pria<i>Vanity Fair<\/i>, sem contemplar, contudo, mrs. Lily com a eleg\u00e2ncia de um pedido de desculpas.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Edmond Safra foi enterrado no cemit\u00e9rio judeu de Genebra diante de sua fam\u00edlia e de in\u00fameras figuras imponentes. Numa terr\u00edvel coincid\u00eancia, enquanto seu corpo descia \u00e0 sepultura, a Bloomberg noticiava a aprova\u00e7\u00e3o da venda de suas opera\u00e7\u00f5es ao HSBC, seu derradeiro neg\u00f3cio.<\/span><\/p>\n<dl class=\"image-left captioned\">\n<dt><a href=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/AP99120302209.jpg\" rel=\"lightbox\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Inc\u00eandio\" src=\"http:\/\/www.cartacapital.com.br\/revista\/855\/eu-me-chamo-lily-1882.html\/AP99120302209.jpg\/@@images\/155ab758-bacb-41e3-ba2d-b301b6283d6d.jpeg\" alt=\"Inc\u00eandio\" width=\"291\" height=\"400\" \/><\/a><\/dt>\n<dd class=\"image-caption\">O pr\u00e9dio p\u00f3s-inc\u00eandio \u00e9 tardiamente protegido pelos trapalh\u00f5es da pol\u00edcia e dos bombeiros locais \/ Cr\u00e9dito: Stefan Wermuth\/Reuters\/Latinstock<\/dd>\n<\/dl>\n<p>Se herdar uma fortuna \u00e9 visto como sorte, herdar duas fortunas s\u00f3 pode ser abuso, principalmente quando ela atinge as dez casas decimais em moeda forte. Lily Safra virou herdeira de seu quarto marido e se tornou uma das mulheres mais ricas do mundo \u2013 o que \u00e9 para muita gente imperdo\u00e1vel. J\u00e1 que o veneno alheio \u00e9 inesgot\u00e1vel, Lily decidiu encarar a vida com uma altivez recatada, em seu <i>pied-\u00e0-terre<\/i>de Londres.<\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Suas prioridades mudaram. Em 2009, vendeu sua participa\u00e7\u00e3o no Ponto Frio ao grupo P\u00e3o de A\u00e7\u00facar de Abilio Diniz por cerca de 300 milh\u00f5es de d\u00f3lares. Em 2010, bateu o recorde mundial ao comprar por 104,1 milh\u00f5es de d\u00f3lares a escultura <i>L\u2019Homme Qui Marche I<\/i>, de Alberto Giacometti, o mais alto pre\u00e7o jamais pago at\u00e9 ent\u00e3o por uma escultura. Nos dois anos seguintes, voltaria aos notici\u00e1rios, desta vez vendendo em leil\u00f5es na Sotheby\u2019s de Nova York e na Christie\u2019s de Genebra muitas das obras de arte que guarneciam suas paredes, assim como boa parte de suas joias. Obteve 46 milh\u00f5es de d\u00f3lares no primeiro leil\u00e3o, e 38 milh\u00f5es no segundo. Doou o total amealhado para obras sociais.<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\">Por mais que tente se manter \u00e0 margem dos holofotes, a dimens\u00e3o de seu patrim\u00f4nio e os segredos que a envolvem ainda t\u00eam o cond\u00e3o de mesmerizar a m\u00eddia em todos os idiomas. Distribui tanto dinheiro para a educa\u00e7\u00e3o e causas sociais que a Wikipedia a qualifica como \u201cfilantropa\u201d \u2013 e n\u00e3o como socialite. Lily Safra nunca caiu na armadilha de sair a campo para responder \u00e0s intrigas, mesmo quando ferinas e perfurantes, como no <i>Guilded Lily<\/i> de Isabel Vincent. N\u00e3o d\u00e1 satisfa\u00e7\u00e3o de seu dinheiro. Tentar ser feliz n\u00e3o \u00e9 um pecado. E o destino, no caso dela, digam o que digam as pessoas, nunca lhe foi suave.\u00a0<\/span><\/p>\n<p class=\"p1\">Fonte: Carta Capital<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"newsview\"><\/div>\n<\/div>\n<div id=\"viewlet-below-content-body\">\n<div class=\"visualClear\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"documentActions\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div id=\"blueline-belowcontentbody\">\n<div id=\"div-gpt-ad-1432573058879-0\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os mist\u00e9rios da bilion\u00e1ria ga\u00facha, reclusa e bisbilhotada, afloram numa biografia que o Brasil (ainda) n\u00e3o pode ler<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":70274,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-70273","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/lili.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=70273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/70273\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/70274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=70273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=70273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=70273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}