{"id":71287,"date":"2015-07-12T10:33:31","date_gmt":"2015-07-12T13:33:31","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=71287"},"modified":"2015-07-12T10:33:31","modified_gmt":"2015-07-12T13:33:31","slug":"crise-forca-jovens-a-sair-em-busca-de-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/crise-forca-jovens-a-sair-em-busca-de-emprego\/","title":{"rendered":"Crise for\u00e7a jovens a sair em busca de emprego"},"content":{"rendered":"<div class=\"news_heading\">Aos 16 anos, Bruno Dornelas de Castro tinha um emprego no com\u00e9rcio. Mas n\u00e3o era isso que sua m\u00e3e queria para ele. Achava que o mais importante, naquela idade, era o foco nos estudos. Bruno atendeu ao pedido da m\u00e3e, deixou o emprego e se formou no ensino m\u00e9dio no ano passado. Havia chegado a hora de entrar na faculdade. Mas as coisas mudaram desde ent\u00e3o. Com a infla\u00e7\u00e3o em alta atingindo em cheio o or\u00e7amento da fam\u00edlia, o rapaz, hoje com 18 anos, agora precisa voltar a trabalhar para bancar os estudos.<\/div>\n<div class=\"news_body\">\n<div class=\"font_change\">\n<div id=\"abanoticia\">\nA realidade de Bruno \u00e9 a mesma de milhares de brasileiros que, de repente, se viram na obriga\u00e7\u00e3o de voltar ao mercado de trabalho para ajudar nas despesas dom\u00e9sticas. Essa mudan\u00e7a \u00e9 provocada tanto pela disparada dos pre\u00e7os, que corr\u00f3i a renda, quanto pelo desemprego de membros da fam\u00edlia, o que compromete o or\u00e7amento. S\u00f3 em maio deste ano, o n\u00famero de chefes respons\u00e1veis pelo sustento do domic\u00edlio que estavam desempregados subiu 54,4% em rela\u00e7\u00e3o a igual m\u00eas de 2014, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do IBGE. Com isso, a procura por trabalho aumentou, principalmente entre jovens e mulheres.<\/p>\n<p>Mas achar emprego n\u00e3o tem sido uma tarefa f\u00e1cil. Bruno, por exemplo, est\u00e1 inscrito no site Vagas.com desde novembro do ano passado, mas ainda n\u00e3o obteve sucesso. &#8220;Fiz algumas entrevistas, mas tive resposta apenas de duas (empresas), e uma delas explicou que a resposta era negativa porque estava cortando gastos&#8221;, conta o rapaz, que vive com a m\u00e3e e o irm\u00e3o mais velho na Vila Erna, zona Sul da capital paulista. &#8220;Mas preciso do trabalho para continuar minha forma\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Em maio, a taxa de desemprego medida pela PME para todas as faixas et\u00e1rias subiu para 6,7% &#8211; um ano antes, estava em 4,9%. O aumento de 1,8 ponto porcentual foi o maior j\u00e1 observado na pesquisa.<\/p>\n<p>O economista Rodrigo Leandro de Moura, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (Ibre\/FGV), calcula que 65% dessa diferen\u00e7a \u00e9 explicada pela maior procura por emprego. &#8220;O principal motivo \u00e9 a piora do mercado de trabalho e a perda na massa de rendimentos da fam\u00edlia. Isso vem for\u00e7ando cada vez mais pessoas a procurar trabalho para recompor a renda da fam\u00edlia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o desejo persistente dos pais de que os filhos estudem ainda tem funcionado como linha de defesa. Em alguns casos, as mulheres t\u00eam voltado ao mercado de trabalho antes dos jovens. Prova disso \u00e9 que a taxa de participa\u00e7\u00e3o (n\u00famero de pessoas ativas, trabalhando ou procurando emprego, em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de pessoas em idade de trabalhar) j\u00e1 est\u00e1 crescendo entre as mulheres, de 47,8% em maio do ano passado para 48,2% em maio deste ano.<\/p>\n<p>Mas o jovem n\u00e3o escapa da nova miss\u00e3o de salvar o or\u00e7amento da fam\u00edlia. A taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos, que era de 12,3% em maio do ano passado, saltou a 16,4% em igual m\u00eas deste ano. &#8220;O jovem n\u00e3o necessariamente vai deixar de estudar. Mas ele pode voltar (ao mercado de trabalho) para ajudar na renda&#8221;, explica Moura.<\/p>\n<p>O economista projeta uma contribui\u00e7\u00e3o cada vez maior da busca por trabalho para a eleva\u00e7\u00e3o da taxa de desemprego, que deve atingir, segundo ele, 6,5% neste ano e 8,0% em 2016 pela PME.<\/p>\n<p>A busca pelo incremento na renda das fam\u00edlias brasileiras mostrou-se necess\u00e1ria diante do aumento do desemprego. Ao todo, 479 mil chefes de fam\u00edlia estavam na fila por uma vaga em maio, 169 mil a mais do que em igual per\u00edodo do ano passado. A taxa de desemprego neste grupo, considerando as seis principais regi\u00f5es metropolitanas do Pa\u00eds, subiu de 2,7% para 4,1%.<\/p>\n<p>&#8220;Todas as vezes em que temos problema no mercado de trabalho, come\u00e7amos a perceber queda no emprego com carteira assinada e na renda. Com isso, a estabilidade do seio familiar fica amea\u00e7ada&#8221;, explica Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE. &#8220;Nessa situa\u00e7\u00e3o, a perda de emprego do chefe \u00e9 o que afeta o seio familiar. Se o pai n\u00e3o conseguiu manter o emprego, o filho vai ter de ir para a fila do desemprego.&#8221;<\/p>\n<p>Com isso, outros membros da fam\u00edlia precisam cada vez mais somar esfor\u00e7os para pagar as contas e quitar as d\u00edvidas da casa. Em um ano, cerca de 285 mil pessoas neste grupo passaram a buscar emprego &#8211; quase metade n\u00e3o trabalhava anteriormente.<\/p>\n<p>A taxa de desemprego de outros membros da fam\u00edlia deu um salto ainda maior, de 6,8% em maio do ano passado para 9% em maio de 2015. Mas especialistas acreditam que o n\u00famero ainda pode ir al\u00e9m. Com a grande formaliza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nos \u00faltimos anos, chefes de fam\u00edlia dispensados recentemente contam com a &#8220;prote\u00e7\u00e3o&#8221; do FGTS e do seguro-desemprego. No entanto, se o mercado de trabalho demorar a retomar o f\u00f4lego, o fim dessas reservas financeiras pode jogar ainda mais gente na fila do desemprego.<\/p>\n<p>No caso dos jovens, a volta ao mercado de trabalho tem um outro ingrediente: o imbr\u00f3glio envolvendo o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). O corte no volume de recursos dispon\u00edveis para o programa deixou estudantes preocupados sobre sua capacidade de bancar as mensalidades, o que fez muitos partirem para a distribui\u00e7\u00e3o de curr\u00edculos na tentativa de evitar o abandono da universidade.<\/p>\n<p>&#8220;A maior limita\u00e7\u00e3o do Fies, no \u00e2mbito do ajuste fiscal, \u00e9 mais um impulso para fazer com que pessoas que estavam antes paradas voltem ao mercado de trabalho&#8221;, afirma Rafael Bacciotti, economista da Tend\u00eancias Consultoria Integrada.<\/p>\n<p>O movimento vai na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria do cen\u00e1rio verificado h\u00e1 apenas um ano, quando a inatividade era impulsionada por idosos e jovens que optavam por n\u00e3o trabalhar nem procurar uma vaga. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal<\/p>\n<p>O Estado de S. Paulo.<\/p><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 16 anos, Bruno Dornelas de Castro tinha um emprego no com\u00e9rcio. 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Havi<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-71287","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71287","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71287"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71287\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71287"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71287"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71287"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}