{"id":71304,"date":"2015-07-12T10:54:54","date_gmt":"2015-07-12T13:54:54","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=71304"},"modified":"2015-07-13T02:33:55","modified_gmt":"2015-07-13T05:33:55","slug":"o-pmdb-e-o-bonde-da-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-pmdb-e-o-bonde-da-historia\/","title":{"rendered":"O PMDB e o bonde da hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<header>\n<div class=\"row\">\n<h1 class=\"col-xs-13\"><\/h1>\n<h2 class=\"col-xs-13\"><em>Partido que aperfei\u00e7oou o adesismo debate se desembarca do governo. Mas n\u00e3o pode se eximir de sua parcela de responsabilidade pela crise<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<p class=\"author row\"><span class=\"prefixo-autor\">Por: <\/span><strong>Gabriel Castro e Marcela Mattos<\/strong><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"content col-xs-13\">\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"No Pal\u00e1cio do Planalto, o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, fala com a presidente Dilma Rousseff ap\u00f3s cerim\u00f4nia de lan\u00e7amento do Pacto Nacional de Viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos na Internet - 07\/04\/2015\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/04\/16\/1407\/pe6Cx\/alx_presidente_dilma-20150407-22_original.jpeg?1429204030\" alt=\"No Pal\u00e1cio do Planalto, o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, fala com a presidente Dilma Rousseff ap\u00f3s cerim\u00f4nia de lan\u00e7amento do Pacto Nacional de Viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos na Internet - 07\/04\/2015\" \/><figcaption>No Pal\u00e1cio do Planalto, o vice-presidente do Brasil, Michel Temer, fala com a presidente Dilma Rousseff ap\u00f3s cerim\u00f4nia de lan\u00e7amento do Pacto Nacional de Viola\u00e7\u00f5es de Direitos Humanos na Internet<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Nas \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas, o PMDB exerceu com incompar\u00e1vel habilidade a arte de se manter no governo &#8211; e sempre arranjar uma justificativa aparentemente republicana para isso. A t\u00e1tica do adesismo irrestrito costuma funcionar bem: rende votos, influ\u00eancia e cargos privilegiados no primeiro e segundo escal\u00e3o. At\u00e9 que se esgote a popularidade do l\u00edder do momento e seja necess\u00e1rio pular do barco.<\/p>\n<p>O PMDB est\u00e1 nessa situa\u00e7\u00e3o. Os n\u00edveis baix\u00edssimos de popularidade de Dilma Rousseff e a decad\u00eancia do PT s\u00e3o sinais muito fortes para serem ignorados por um partido que almeja assumir o Pal\u00e1cio do Planalto em 2018. Ao mesmo tempo em que aumentam as cr\u00edticas \u00e0 presidente da Rep\u00fablica e ao seu partido, nomes de destaque do PMDB t\u00eam se aproximado de figuras da oposi\u00e7\u00e3o. Mas ainda n\u00e3o h\u00e1 clareza a respeito do rumo a tomar. Rompimento imediato? Apoio aberto ao <em>impeachment<\/em>? Preserva\u00e7\u00e3o do governo para lucrar com a imagem de fiador da estabilidade?<\/p>\n<p>Em meio \u00e0s incertezas, os peemedebistas se preparam para lan\u00e7ar no pr\u00f3ximo congresso da legenda, previsto para a primeira quinzena de outubro, uma proposta de programa partid\u00e1rio com traga quinze caminhos para a pol\u00edtica e a economia. O principal respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o do documento \u00e9 o senador Romero Juc\u00e1 (PMDB-RR). A depender das suas \u00faltimas declara\u00e7\u00f5es sobre as pol\u00edticas econ\u00f4micas de Dilma, \u00e9 esperado que apresente propostas divergentes das adotadas pelo governo petista. Na \u00faltima semana, o parlamentar disse que &#8220;chegou a hora da verdade dos n\u00fameros&#8221; e que nos c\u00e1lculos n\u00e3o devem haver &#8220;maquiagens&#8221; ou &#8220;pedaladas&#8221;.<\/p>\n<p>Dentre os peemedebistas de destaque, o presidente da C\u00e2mara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), \u00e9 o que menos esconde a disposi\u00e7\u00e3o de rompimento com o PT &#8211; embora n\u00e3o com o governo: &#8220;O PMDB, a cada dia que passa, est\u00e1 mais distante do PT e n\u00f3s esperamos que fique a cada hora mais distante&#8221;, disse ele na \u00faltima quinta-feira. E prosseguiu: &#8220;Temos a responsabilidade da governabilidade de um governo que em que o PMDB faz parte na chapa, mas isso n\u00e3o quer dizer que temos que mergulhar nas teses equivocadas do PT&#8221;. Desde que assumiu o comando da C\u00e2mara, Cunha tem pautado temas que desagradam o governo. At\u00e9 agora, venceu mais do que perdeu.<\/p>\n<p>O ex-deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) \u00e9 um dos personagens que ajudam a explicar a rela\u00e7\u00e3o do PMDB com o PT. Antigo advers\u00e1rio dos petistas, ele se aproximou do governo ainda na gest\u00e3o de Lula. No primeiro mandato de Dilma, se tornou vice-presidente da Caixa Econ\u00f4mica Federal. Depois, rompeu novamente com o PT. &#8220;Na medida em que a coisa vai se deteriorando, a nossa ideia de afastamento vai ganhando adeptos e se tornando mais real. Vai culminar em outubro no congresso do PMDB&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>J\u00e1 na conven\u00e7\u00e3o de 2014, a sigla mostrou-se dividida. O apoio \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o de Dilma Rousseff foi aprovado com apenas 54% do total de credenciados para votar. Se a vota\u00e7\u00e3o ocorresse hoje, o resultado certamente seria amplamente desfavor\u00e1vel ao governo.<\/p>\n<p>A tese do <em>impeachment<\/em> ainda \u00e9 minorit\u00e1ria. Para muitos peemedebistas, interessa manter a presidente Dilma Rousseff acuada e impopular. Por dois motivos. O primeiro, porque com uma presidente enfraquecida no poder o partido continua a controlar a agenda p\u00fablica, como tem feito por meio de Eduardo Cunha e Renan Calheiros. O segundo, porque assim ser\u00e1 mais f\u00e1cil derrotar o PT em uma eventual candidatura avulsa \u00e0 Presid\u00eancia em 2018.<\/p>\n<p>Mas a estrat\u00e9gia traz riscos. Se chegar na pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o presidencial ao lado de Dilma, mesmo que apenas simbolicamente na figura de Michel Temer, o PMDB ter\u00e1 muita dificuldade em se apresentar como o porta-voz da mudan\u00e7a.Como negar que o PMDB tamb\u00e9m \u00e9 parte dos motivos para a crise? A instabilidade econ\u00f4mica \u00e9 fruto de pol\u00edticas irrespons\u00e1veis de Dilma Rousseff no seu primeiro mandato e de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva. Tanto um quanto outro contaram com o apoio providencial do PMDB, que nunca questionou a s\u00e9rio a pol\u00edtica econ\u00f4mica petista. Presidente da Funda\u00e7\u00e3o Ulysses Guimar\u00e3es e figura pr\u00f3xima a Temer, o ex-ministro Moreira Franco tenta eximir o partido: &#8220;O partido n\u00e3o participou e nem participa da formula\u00e7\u00e3o das estrat\u00e9gias econ\u00f4micas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>No caso do petrol\u00e3o, outra causa direta da impopularidade do governo, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que a estrutura foi montada por governos petistas, para atender prioritariamente o PT. Mas tamb\u00e9m \u00e9 ineg\u00e1vel que o PMDB desfrutou do esquema. Eduardo Cunha e Renan Calheiros est\u00e3o na lista de investigados da opera\u00e7\u00e3o Lava Jato. \u00c9 outro tema em que o partido ter\u00e1 de se esfor\u00e7ar muito para passar a imagem de que \u00e9 diferente do PT.<\/p>\n<p>O PMDB pode, por outro lado, abarcar a tese do <em>impeachment<\/em>. Nesse caso, o herdeiro da Presid\u00eancia seria Michel Temer. Mas a hist\u00f3ria mostra que o partido s\u00f3 faria isso quando o cen\u00e1rio estivesse desenhado contra o governo. N\u00e3o \u00e9 do perfil da sigla tomar a dianteira em um processo sem volta como esse.<\/p>\n<p>Enquanto avalia qual rumo tomar em 2018, o PMDB j\u00e1 tem clareza que, nas elei\u00e7\u00f5es municipais de 2016, o afastamento do PT \u00e9 o melhor caminho para obter um bom resultado nas urnas. Se colocado em pr\u00e1tica, poder\u00e1 ser o primeiro passo para o div\u00f3rcio que o PT tanto teme.<\/p>\n<p>Fonte: Veja<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Partido que aperfei\u00e7oou o adesismo debate se desembarca do governo. 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