{"id":72446,"date":"2015-07-18T11:48:44","date_gmt":"2015-07-18T14:48:44","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=72446"},"modified":"2015-07-18T20:07:07","modified_gmt":"2015-07-18T23:07:07","slug":"como-collor-foi-aceito-no-pomar-magico-dos-petistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/como-collor-foi-aceito-no-pomar-magico-dos-petistas\/","title":{"rendered":"Como Collor foi aceito no pomar m\u00e1gico dos petistas"},"content":{"rendered":"<header>\n<div class=\"row\">\n<h1 class=\"col-xs-13\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"col-xs-13\" style=\"text-align: justify;\"><em>Ao receber o controle de duas diretorias da BR Distribuidora, uma subsidi\u00e1ria da Petrobras, o ex-presidente estabeleceu seu pr\u00f3prio balc\u00e3o de neg\u00f3cios no petrol\u00e3o. A Lava Jato foi bater \u00e0 sua porta<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<p class=\"author row\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"prefixo-autor\">Por: <\/span><strong>Rodrigo Rangel e Robson Bonin<\/strong><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"content col-xs-13\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Reviravolta: de inimigo visceral do PT nos anos 90, Fernando Collor converteu-se em um de seus mais fieis aliados\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/07\/17\/2052\/pe6Cx\/fernando-collor-2015-08-jpg-original.jpeg?1437177148\" alt=\"Reviravolta: de inimigo visceral do PT nos anos 90, Fernando Collor converteu-se em um de seus mais fieis aliados\" \/><figcaption>Reviravolta: de inimigo visceral do PT nos anos 90, Fernando Collor converteu-se em um de seus mais fieis aliados<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas proje\u00e7\u00f5es mais otimistas, calcula-se que corruptos e corruptores envolvidos no esc\u00e2ndalo da Petrobras tenham desviado algo perto de 19 bilh\u00f5es de reais dos cofres da empresa. A estatal era o para\u00edso, o nirvana para gente desonesta, incluindo os empreiteiros, os servidores p\u00fablicos e os pol\u00edticos j\u00e1 identificados como parceiros da partilha do dinheiro roubado. Na semana passada, o lobista Julio Camargo, um dos delatores do caso, tentou explicar ao juiz Sergio Moro a ess\u00eancia do petrol\u00e3o. Na vis\u00e3o dele, a corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras poderia ser ilustrada pela figura do fruto proibido. Os contratos eram como ma\u00e7\u00e3s que os empreiteiros ansiavam saborear em sua plenitude. O que os impedia eram os partidos e os pol\u00edticos da base do governo. &#8220;\u00c9 aquela hist\u00f3ria, olhar a ma\u00e7\u00e3 e dizer: &#8216;Como vou pegar essa ma\u00e7\u00e3? Tem uma regra do jogo que eu preciso atender. Do contr\u00e1rio, n\u00e3o vou comer a ma\u00e7\u00e3&#8217;\u2009&#8221;, disse Camargo. A &#8220;regra do jogo&#8221;, o caminho mais curto para alcan\u00e7ar a \u00e1rvore e apoderar-se dos frutos, como as investiga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato j\u00e1 revelaram, era pagar propina. Durante os dois primeiros mandatos de Lula e ao longo de todo o primeiro mandato de Dilma Rousseff, o PT usou o pomar para governar. Distribuir as ma\u00e7\u00e3s virou um m\u00e9todo, um atalho que o partido encontrou para garantir a fidelidade dos amigos e seduzir eventuais advers\u00e1rios, transformando-os em c\u00famplices de um crime contra toda a sociedade. Na semana passada, a pol\u00edcia bateu na porta de alguns convivas do banquete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os investigadores cumpriram 53 man\u00addados de busca e apreens\u00e3o nas resid\u00eancias e nos escrit\u00f3rios de pol\u00edticos suspeitos de corrup\u00e7\u00e3o no esc\u00e2ndalo da Petrobras. Entre os alvos estavam parlamentares e ex-parlamentares, incluindo dois ex-ministros do governo da presidente Dilma. No epis\u00f3dio mais emblem\u00e1tico da a\u00e7\u00e3o, os agentes devolveram ao notici\u00e1rio pol\u00edtico-policial a antol\u00f3gica Casa da Dinda, a resid\u00eancia do ex-presidente Fernando Collor, cen\u00e1rio do esc\u00e2ndalo que, nos anos 90, levou ao primeiro impeachment de um presidente da Rep\u00fablica. Os policiais apreenderam documentos, computadores e tr\u00eas carros de luxo da frota particular do atual senador: um Lamborghini Aventador top de linha (3,5 milh\u00f5es de reais), uma Ferrari vermelha (1,5 milh\u00e3o de reais) e um Porsche (700\u2009000 reais). Nem o bilion\u00e1rio empres\u00e1rio Eike Batista em seus tempos de bonan\u00e7a exibia modelos t\u00e3o exclusivos &#8211; e caros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Collor, at\u00e9 onde se sabe, \u00e9 um empres\u00e1rio de sucesso. Sua fam\u00edlia \u00e9 propriet\u00e1ria de emissoras de televis\u00e3o e r\u00e1dio em Alagoas, terrenos, apartamentos, t\u00edtulos, a\u00e7\u00f5es, carros&#8230; A rela\u00e7\u00e3o de bens declarados pelo senador soma 20 milh\u00f5es de reais, o suficiente para garantir vida confort\u00e1vel a qualquer um.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Collor, apesar disso, n\u00e3o resistiu \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o e adentrou o pomar petista. Em 2009, ele assumiu a presid\u00eancia da Comiss\u00e3o de Infraestrutura do Senado. Com significativo poder para fiscalizar os destinos das obras do PAC, a vitrine de campanha da ent\u00e3o candidata Dilma Rousseff, o senador se apresentava como um obst\u00e1culo para o governo. A ma\u00e7\u00e3 lhe foi oferecida. O ex-presidente Lula entregou ao senador duas diretorias da BR Distribuidora, uma subsidi\u00e1ria da Petrobras &#8211; a diretoria da Rede de Postos de Servi\u00e7o e a de Opera\u00e7\u00f5es e Log\u00edstica. No comando desse feudo, segundo os investigadores, Fernando Collor criou o seu balc\u00e3o particular de neg\u00f3cios dentro da maior estatal brasileira, o que lhe renderia milh\u00f5es em dividendos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo depoimentos colhidos na Lava-Jato, o esquema obedecia a uma l\u00f3gica simples. As empresas que tinham interesse em assinar contratos com a BR acertavam antes &#8220;a parte do senador&#8221;. Foram dezenas de contratos. A pol\u00edcia j\u00e1 identificou dois que passaram por esse crivo. Num deles, de 300 milh\u00f5es, um empres\u00e1rio do ramo de combust\u00edveis pagou a Collor 3 milh\u00f5es de reais em propinas para viabilizar a compra de uma rede de postos em S\u00e3o Paulo. A opera\u00e7\u00e3o foi revelada pelo doleiro Alberto Youssef em acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada. Encarregado de providenciar o suborno ao senador, Youssef fez a entrega de &#8220;comiss\u00f5es&#8221; em dinheiro, dep\u00f3sitos diretos na conta do parlamentar e transfer\u00eancias para uma empresa de fachada que pertence a Collor. O Lamborghini, at\u00e9 recentemente o \u00fanico do modelo no Brasil, est\u00e1 em nome da tal empresa, o que fez os investigadores suspeitar que o carro foi bancado com dinheiro desviado da Petrobras. Desde o ano passado, quando explodiu a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato e as torneiras da corrup\u00e7\u00e3o se fecharam, o IPVA do carro n\u00e3o \u00e9 pago pelo ex-presidente. A d\u00edvida acumulada \u00e9 de 250\u2009000 reais. Mas n\u00e3o \u00e9 desapego do senador. Zeloso, ele s\u00f3 usava o carro para passeios espor\u00e1dicos a um shopping de Bras\u00edlia. Quando isso acontecia, o Lamborghini permanecia sob a vigil\u00e2ncia de dois seguran\u00e7as do senador, que fixavam um per\u00edmetro de isolamento em torno do ve\u00edculo para evitar a aproxima\u00e7\u00e3o dos curiosos. A frota de luxo de Collor &#8211; revela Lauro Jardim, na se\u00e7\u00e3o Radar &#8211; conta com um Rolls-Royce Phantom 2006, mais exclusivo ainda do que o Lamborghini.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Veja<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao receber o controle de duas diretorias da BR Distribuidora, uma subsidi\u00e1ria da Petrobras, o ex-presidente estabeleceu seu pr\u00f3prio balc\u00e3o de neg\u00f3cios no petrol\u00e3o. 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