{"id":73495,"date":"2015-07-24T02:48:27","date_gmt":"2015-07-24T05:48:27","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=73495"},"modified":"2015-07-24T02:48:27","modified_gmt":"2015-07-24T05:48:27","slug":"cobra-com-quatro-patas-viveu-no-ceara-ha-120-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cobra-com-quatro-patas-viveu-no-ceara-ha-120-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Cobra com quatro patas viveu no Cear\u00e1 h\u00e1 120 milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"<div class=\"manchete padrao1\">\n<h1 style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<\/div>\n<div id=\"0\" class=\"conteudo\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"bordaimg imgnoticia\" title=\"Apesar de min\u00fasculos, os membros do animal podem ter sido funcionais, prop\u00f5em os especialistas \/ Foto: Dave Martill \/ University of Portsmouth\" src=\"http:\/\/imagens3.ne10.uol.com.br\/ne10\/imagem\/noticia\/2015\/07\/23\/normal\/be783feb3eb26df0bfa329d5b6d46923.jpg\" alt=\"Apesar de min\u00fasculos, os membros do animal podem ter sido funcionais, prop\u00f5em os especialistas \/ Foto: Dave Martill \/ University of Portsmouth\" width=\"620\" height=\"372\" \/>Apesar de min\u00fasculos, os membros do animal podem ter sido funcionais, prop\u00f5em os especialistas<em>Foto: Dave Martill \/ University of Portsmouth<\/em><\/p>\n<\/div>\n<p>Um f\u00f3ssil de 120 milh\u00f5es de anos que foi levado para fora do Brasil em circunst\u00e2ncias misteriosas (e provavelmente escusas) \u00e9 o primeiro exemplar conhecido de uma serpente primitiva com quatro patas, afirmam os paleont\u00f3logos que o estudaram.<\/p>\n<p>A descri\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie extinta est\u00e1 na edi\u00e7\u00e3o desta semana da revista especializada &#8220;Science&#8221;. O trio formado pelo brit\u00e2nico David Martill, pelo americano Nicholas Longrich e pelo alem\u00e3o Helmut Tischlinger afirma que a criatura, achada no lugar que hoje \u00e9 a chapada do Araripe (interior do Cear\u00e1), traz evid\u00eancias de que as cobras surgiram a partir de um grupo de lagartos que viviam em tocas no ch\u00e3o.<\/p>\n<p>Essas serpentes primevas, segundo eles, ca\u00e7avam pequenos vertebrados por meio da t\u00e9cnica da constri\u00e7\u00e3o -ou seja, enrolando-se em torno deles para esmagar a presa, mais ou menos como fazem as jiboias de hoje. De fato, o f\u00f3ssil foi preservado com restos de um animalzinho (talvez um sapo ou lagarto de pequeno porte) em seu intestino.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel ver claramente pequenas patas dianteiras e traseiras no f\u00f3ssil, batizado de Tetrapodophis (&#8220;serpente de quatro patas&#8221;, em grego). Apesar de min\u00fasculos, os membros podem ter sido funcionais -talvez fossem \u00fateis para agarrar parceiros durante o acasalamento, prop\u00f5em os paleont\u00f3logos.<\/p>\n<p><strong>COC\u00d4 DE PEIXE<\/strong> &#8211; Embora o bicho fosse terrestre, ele acabou se fossilizando circundado por in\u00fameros flocos de fezes de peixe petrificadas. \u00c9 que, durante a Era dos Dinossauros, o Araripe era uma regi\u00e3o costeira repleta de lagunas de \u00e1gua salobra. &#8220;Achamos que o corpo pode ter sido levado para dentro dessas lagunas por rios. Por outro lado, muitas cobras sabem nadar, ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel que ela tenha pulado dentro d&#8217;\u00e1gua em busca de presas&#8221;, diz Martill.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das serpentes propriamente ditas, diversos grupos de r\u00e9pteis e anf\u00edbios, como as anfisbenas e as cobras-cegas, perderam um ou dois pares de membros ao longo da evolu\u00e7\u00e3o, mas detalhes como a estrutura dos dentes, da mand\u00edbula e da espinha do esp\u00e9cime levaram os paleont\u00f3logos a propor que se trata mesmo de uma cobra quadr\u00fapede.<\/p>\n<p>Segundo Longrich, uma das partes mais importantes da anatomia do bicho \u00e9 a estrutura flex\u00edvel da coluna vertebral, em especial as mais de 150 v\u00e9rtebras do pesco\u00e7o e do tronco (que s\u00e3o diferenciadas, embora para o observador n\u00e3o treinado tudo pare\u00e7a a mesma coisa, claro).<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o mais v\u00e9rtebras do que as que existem em lagartos sem patas, o que sugere que elas n\u00e3o s\u00e3o apenas uma adapta\u00e7\u00e3o para rastejar&#8221;, diz ele. &#8220;A alta flexibilidade e o grande n\u00famero de v\u00e9rtebras significam que essas serpentes eram capazes de matar presas por constri\u00e7\u00e3o [esmagamento].&#8221;<\/p>\n<p>Nem todos os especialistas est\u00e3o convencidos, no entanto. O paleont\u00f3logo argentino Sebasti\u00e1n Apestegu\u00eda, da Universidade Maim\u00f3nides, estudou algumas das cobras f\u00f3sseis mais primitivas do mundo, e diz ter d\u00favidas sobre o parentesco da Tetrapodophis.<\/p>\n<p>Os ind\u00edcios ligados aos dentes e \u00e0s v\u00e9rtebras &#8220;n\u00e3o s\u00e3o definitivos&#8221;, afirma ele. &#8220;Honestamente, o que mais me leva a considerar que se trata de uma serpente s\u00e3o as impress\u00f5es de escamas no ventre&#8221;, pondera Apestegu\u00eda.<\/p>\n<p>Outras caracter\u00edsticas do f\u00f3ssil poderiam indicar que o animal era uma forma primitiva de anf\u00edbio, talvez aparentados \u00e0s cobras-cegas, segundo o pesquisador. &#8220;Com isso, a import\u00e2ncia do f\u00f3ssil n\u00e3o seria menor, embora as implica\u00e7\u00f5es fossem diferentes.&#8221;<\/p>\n<p><strong>O COLECIONADOR<\/strong> &#8211; O trio que descreveu a esp\u00e9cie afirma que a Tetrapodophis passou d\u00e9cadas nas m\u00e3os de um colecionador particular antes de ser repassada para um museu na Alemanha, e que n\u00e3o havia registros detalhados sobre como e quando ela foi obtida por seu dono original. O problema \u00e9 que, desde 1942, f\u00f3sseis brasileiros s\u00e3o considerados bens da Uni\u00e3o por lei e n\u00e3o podem ser comercializados.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 altamente improv\u00e1vel que esse material tenha sa\u00eddo daqui pelas vias legais&#8221;, resume Alexander Kellner, paleont\u00f3logo do Museu Nacional da UFRJ, no Rio, e autor de dezenas de pesquisas sobre os f\u00f3sseis do Araripe. &#8220;A tentativa de negar isso n\u00e3o vai convencer ningu\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p>Por outro lado, Kellner diz que n\u00e3o \u00e9 o caso de simplesmente condenar os paleont\u00f3logos estrangeiros. &#8220;A ci\u00eancia n\u00e3o tem fronteiras. Eu responsabilizo diretamente o DNPM [Departamento Nacional de Produ\u00e7\u00e3o Mineral, que fiscaliza a extra\u00e7\u00e3o de f\u00f3sseis] por cercear o trabalho de pesquisadores brasileiros s\u00e9rios, por situa\u00e7\u00f5es como essas&#8221;, diz ele, que teve problemas com o \u00f3rg\u00e3o anos atr\u00e1s, mas afirma ter agido de acordo com a lei.<\/p>\n<p>Martill se defende dizendo que tentou ser recebido pela embaixada brasileira em Londres e buscou permiss\u00e3o para trabalhar com f\u00f3sseis do pa\u00eds, mas nunca obteve resposta. Segundo ele, as leis sobre f\u00f3sseis do Brasil s\u00e3o &#8220;rid\u00edculas, e parecem xenof\u00f3bicas&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 Longrich afirma que, da maneira como as coisas funcionam hoje, muitos f\u00f3sseis do Araripe acabam sendo destru\u00eddos por pedreiras sem ser estudados. Ambos se dizem favor\u00e1veis a devolver a Tetrapodophis a institui\u00e7\u00f5es brasileiras no futuro, mas que isso depende do museu alem\u00e3o onde est\u00e1 o material.<\/p><\/div>\n<div class=\"conteudo\" style=\"text-align: justify;\">Fonte: Folha Press<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Outras caracter\u00edsticas do f\u00f3ssil poderiam indicar que o animal era uma forma primitiva de anf\u00edbio, talvez aparentados \u00e0s cobras-cegas, segun<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":73496,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327],"tags":[],"class_list":["post-73495","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/cobra-de-pe.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=73495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/73495\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/73496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=73495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=73495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=73495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}