{"id":756,"date":"2013-07-09T15:45:41","date_gmt":"2013-07-09T18:45:41","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=756"},"modified":"2013-07-09T15:45:41","modified_gmt":"2013-07-09T18:45:41","slug":"ariano-suassuna-fala-sobre-o-novo-livro-morte-e-legado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/ariano-suassuna-fala-sobre-o-novo-livro-morte-e-legado\/","title":{"rendered":"Ariano Suassuna fala sobre o novo livro, morte e legado"},"content":{"rendered":"<p>Ariano Suassuna se equivocou. Quando perguntado sobre o valor de sua obra, disse que o escritor s\u00f3 poder\u00e1 ser avaliado anos depois de morto. A regra n\u00e3o lhe cabe. E sobre a morte, reage: \u201cN\u00e3o gosto da ideia de ter \u2018medo de morrer\u2019. Sou paraibano e n\u00e3o gosto de confessar que tenho medo (risos). Eu conhe\u00e7o a palavra \u2018medo\u2019, porque li no dicion\u00e1rio\u201d, disse em entrevista exclusiva ao Divers\u00e3o &amp; Arte.<\/p>\n<p>Indagado se o Brasil se ressente por n\u00e3o ter um Nobel de literatura, o mestre nordestino foi enf\u00e1tico ao dizer que \u00e9 o Pr\u00eamio Nobel que deve estar sentindo falta de um brasileiro. \u201cParece-me um pr\u00eamio pol\u00edtico.\u201d Sobre seu novo livro, produzido em segredo, ressurge o poeta Ariano. Ele revela apenas que se trata da reuni\u00e3o do Suassuna dramaturgo, romancista e poeta, cujo t\u00edtulo \u00e9 O jumento sedutor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O senhor se considera um c\u00e2none da literatura brasileira?<br \/>\nEu sou escritor. O escritor convencido, al\u00e9m de antip\u00e1tico, \u00e9 um indecente. Acho que s\u00f3 se pode avaliar o valor de um escritor muito tempo depois da morte dele.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que o senhor pode antecipar algo sobre a obra na qual est\u00e1 trabalhando atualmente?<br \/>\nEu n\u00e3o posso dizer muito, pois minha editora pediu para eu n\u00e3o falar demais (risos). \u00c9 um livro onde tento unir teatro, poesia e romance. Sou mais conhecido como dramaturgo, por causa do Auto da compadecida, menos conhecido como romancista e menos ainda como poeta. Mas, dou muita import\u00e2ncia \u00e0 poesia que fa\u00e7o. Ela \u00e9 a fonte de tudo que escrevo. Outra coisa que posso antecipar \u00e9 o t\u00edtulo: O jumento sedutor.<\/p>\n<p>Alguma raz\u00e3o especial para o t\u00edtulo? \u00c9 uma homenagem ao livro de um grande escritor que viveu ali pelo s\u00e9culo 2: (L\u00facio) Apuleio. Ele tem um livro que eu gosto muito, O asno de ouro.<\/p>\n<p>O senhor sempre cita as defini\u00e7\u00f5es sobre o \u201cc\u00f4mico\u201d feitas por Kant, Arist\u00f3teles e Freud. Qual a sua defini\u00e7\u00e3o?<br \/>\nEu n\u00e3o lembro. Est\u00e1 escrita, mas eu me esqueci. Lembro deles, mas a minha mesmo n\u00e3o recordo (risos). Sei que a minha defini\u00e7\u00e3o tenta fundir aquilo que Kant, Arist\u00f3teles, Freud e Bergson disseram. Se eu estivesse com meu livro de est\u00e9tica em m\u00e3os, eu te diria.<\/p>\n<p>De que o senhor tinha medo quando crian\u00e7a? Algum personagem, alguma hist\u00f3ria te assustava?<br \/>\nN\u00e3o tinha medo n\u00e3o. Sempre tive mais medo de gente do que de fantasma. A minha m\u00e3e nos contava essas crendices, mas eu nunca levei muito a s\u00e9rio n\u00e3o. Inclusive, h\u00e1 um desses personagens que sempre achei excepcionalmente c\u00f4mico, talvez por causa de Monteiro Lobato, que levava esse tipo de coisa na gra\u00e7a tamb\u00e9m. Eu era um bom estudante, tirava boas notas, gostava muito de ler e minha m\u00e3e comprou para mim a obra completa de Monteiro Lobato. Passei ent\u00e3o a achar gra\u00e7a de um bicho de suas hist\u00f3rias, a mula sem cabe\u00e7a, que solta fogo pelas ventas (risos).<\/p>\n<p>Consegue tra\u00e7ar um paralelo entre o seu trabalho e o de Monteiro Lobato?<br \/>\nEm\u00edlia representa para Lobato o que Jo\u00e3o Grilo representa para mim. Isso de levar as coisas na brincadeira, na gra\u00e7a, no rid\u00edculo. A primeira vez que fui a S\u00e3o Paulo foi em 1948. Eu tinha 20 anos. Estava numa livraria, quando vejo do outro lado Monteiro Lobato! Devo ter feito uma cara de tal espanto, que ele pr\u00f3prio veio at\u00e9 mim e disse: \u201cBoa tarde\u201d. E n\u00e3o me ocorreu coisa nenhuma se n\u00e3o responder: \u201cBoa tarde!\u201d (risos). Em julho daquele ano, ele morreu. E eu perdi a oportunidade de falar com meu \u00eddolo.<\/p>\n<p>Auto da compadecida \u00e9 sua obra mais conhecida, como o senhor mesmo atesta. O que a difere das demais?<br \/>\nAcho que foi a televis\u00e3o. Olha, o n\u00famero de pessoas que assistiu, mas que nunca leu, \u00e9 enorme (risos). Na aula-espet\u00e1culo na Caixa Cultura, conheci um menino de 12 anos, chamado Nathanael. Ele disse que me admirava desde muito menino e que tomou conhecimento do Auto da compadecida na escola. Segundo ele, a melhor parte era da \u201ccadela da mulher do padeiro\u201d. Foi quando percebi que ele n\u00e3o tinha nem lido, nem visto a pe\u00e7a, j\u00e1 que originalmente era um cachorro. Cadela foi cria\u00e7\u00e3o dos diretores. (Di\u00e1rio de Pernambuco)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ariano Suassuna se equivocou. Quando perguntado sobre o valor de sua obra, disse que o escritor s\u00f3 poder\u00e1 ser avaliado anos depois de morto. A regra n\u00e3o lhe cabe. 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