{"id":76377,"date":"2015-08-09T10:01:43","date_gmt":"2015-08-09T13:01:43","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=76377"},"modified":"2015-08-09T10:01:43","modified_gmt":"2015-08-09T13:01:43","slug":"o-amor-maduro-nos-tempos-da-internet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/o-amor-maduro-nos-tempos-da-internet\/","title":{"rendered":"O amor maduro nos tempos da internet"},"content":{"rendered":"<header>\n<div class=\"row\">\n<h1 class=\"col-xs-13\"><\/h1>\n<h2 class=\"col-xs-13\"><em>Cresce o n\u00famero de pessoas com mais de 40 anos que buscam um novo parceiro ou parceira em sites de relacionamento<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<p class=\"author row\"><span class=\"prefixo-autor\">Por: <\/span><strong>Fernanda Allegretti<\/strong><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"content col-xs-13\">\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Vera e H\u00e9lio se conheceram no Coroa Metade e, ap\u00f3s um ano de namoro, casaram-se em 2014\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/08\/06\/2201\/pe6Cx\/alx_namoro-coroas-internet-20141217-02_original.jpeg?1438909230\" alt=\"Vera e H\u00e9lio se conheceram no Coroa Metade e, ap\u00f3s um ano de namoro, casaram-se em 2014\" \/><figcaption>Vera e H\u00e9lio se conheceram na web e, ap\u00f3s um ano de namoro, casaram-se em 2014<span class=\"credito\">(VEJA.com\/Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>&#8220;Antes de mais nada, confesso que n\u00e3o domino bem essa nova tecnologia digital, portanto, gostaria de, com o aux\u00edlio de voc\u00eas, cadastrar-me no Par Perfeito.&#8221; Assim come\u00e7ava a carta que o militar aposentado Walter Ayres, de 74 anos, enviou a um conhecido site de relacionamentos do pa\u00eds em julho deste ano. A viuvez, em 2013, o havia mergulhado numa implac\u00e1vel amargura. Os dias em Araruama (RJ), onde reside, pesavam como nunca. Preocupado, um amigo sugeriu a Ayres que buscasse na internet algum servi\u00e7o especializado em aproximar pessoas interessadas em encontrar uma nova companhia. O aposentado acatou a dica, mas tinha dificuldades para se cadastrar. Papel e caneta \u00e0 m\u00e3o, redigiu a tal carta mencionada anteriormente. Al\u00e9m da sinceridade sobre suas limita\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, destacou: &#8220;Tenho 1,70 metro, 70 quilos, n\u00e3o bebo, n\u00e3o fumo, n\u00e3o tor\u00e7o para time nenhum, sou discreto e t\u00edmido.&#8221; Para refor\u00e7ar a seriedade de sua inten\u00e7\u00e3o em encontrar uma parceira fixa, anexou \u00e0 correspond\u00eancia uma c\u00f3pia do atestado de \u00f3bito da esposa. &#8220;Como n\u00e3o tenho muitos amigos, faz falta uma companhia para viajar, passear, conversar, sair para comer uma pizza, ir ao cinema&#8221;, explicou Walter Ayres ao site de VEJA.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria do militar aposentado ilustra \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o uma extraordin\u00e1ria mudan\u00e7a de comportamento. O namoro virtual deixou de ser uma ferramenta usada com exclusividade pelos jovens. Exigente e muitas vezes sem tempo dispon\u00edvel a perder, o chamado &#8220;p\u00fablico maduro&#8221; &#8211; acima dos 40 anos &#8211; tem ampliado a carteira de clientes dos sites de relacionamento. O Par Perfeito, que recebe 450 mil novos inscritos por m\u00eas, surgiu em 2000 com o prop\u00f3sito de atender pessoas de todas as idades. Em 2009, os maduros representavam apenas 18% da clientela. Hoje, 30% dos cadastrados se encontram acima dos 40.<\/p>\n<p>A maioria dos sites de relacionamento oferecem acesso gratuito, mas, para utilizar todas as ferramentas dispon\u00edveis, \u00e9 preciso pagar &#8211; o plano mensal do Par Perfeito, por exemplo, custa R$ 40. &#8220;Uma caracter\u00edstica interessante \u00e9 que, como as pessoas maduras est\u00e3o realmente comprometidas na busca de um parceiro, elas s\u00e3o quatro vezes mais propensas a assinar o nosso plano pago&#8221;, explica o economista Ga\u00ebl Deheneffe, presidente para a Am\u00e9rica Latina do grupo americano Match, que det\u00e9m a marca Par Perfeito.<\/p>\n<p>O interesse crescente desse p\u00fablico em recorrer \u00e0 internet para encontrar um parceiro ou parceira est\u00e1 longe de se restringir ao Brasil. Nos sites de relacionamento americanos, de acordo com uma pesquisa da consultoria irlandesa Experian Hitwise, usu\u00e1rios de 55 anos ou mais j\u00e1 s\u00e3o maioria &#8211; o crescimento foi da ordem de 39% em apenas tr\u00eas anos. O segundo grupo mais popular s\u00e3o os solteiros entre 45 e 54. Esse aumento expressivo motivou o surgimento de sites de namoro voltados exclusivamente para pessoas maduras. O Coroa Metade, que foi ao ar em novembro de 2012, \u00e9 um dos mais reputados desses empreendimentos no pa\u00eds. O nome, bem-humorado, trocadilho divertido, ajuda a entender porque a busca de amores virtuais na maturidade j\u00e1 pode ser visto com leveza. Em pouco mais de dois anos de exist\u00eancia, o Coroa Metade tem 81 mil cadastrados, sendo 80% com idade entre 40 e 59 anos &#8211; os outros 20% s\u00e3o mais velhos, pois s\u00f3 clientes a partir dos 40 podem se cadastrar. &#8220;Trinta casais que se conheceram no Coroa Metade acabaram casando&#8221;, revela o jornalista Airton Gontow, idealizador do site. &#8220;Sou um caso raro de empres\u00e1rio que festeja a cada cliente perdido&#8221;, brinca ele.<\/p>\n<p>Divulga\u00e7\u00e3o<\/p>\n<section class=\"info-img-articles\">\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Airton Gontow, criador do site de relacionamentos Coroa Metade\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/08\/06\/2200\/alx_namoro-coroas-internet-20130506-01_original.jpeg?1438909197\" alt=\"Airton Gontow, criador do site de relacionamentos Coroa Metade\" \/><figcaption>Airton Gontow, criador do site de relacionamentos Coroa Metade<span class=\"credito\">(VEJA.com\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/section>\n<p>Gontow teve a ideia de come\u00e7ar o Coroa Metade a partir da pr\u00f3pria experi\u00eancia. Aos 43 anos, separou-se e enfrentou dificuldades para encontrar uma nova companheira. A sensa\u00e7\u00e3o de que uma parceira casual era f\u00e1cil de achar, mas algu\u00e9m que realmente tivesse comprometimento havia se tornado artigo escass\u00edssimo tamb\u00e9m era experimentada por amigas e amigos solteiros. O jornalista n\u00e3o demorou para ter a ideia do neg\u00f3cio. &#8220;As pessoas est\u00e3o vivendo mais e melhor, muitas passam pelo div\u00f3rcio, portanto, \u00e9 natural que busquem um outro relacionamento. Ao mesmo tempo, nessa faixa de mais de 40 anos, nem todo mundo quer frequentar baladas. A web acaba sendo um bom recurso&#8221;, acredita ele.<\/p>\n<p>Uma r\u00e1pida busca no Google mostra que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o p\u00fablico maduro que est\u00e1 chamando a aten\u00e7\u00e3o dos sites de relacionamento. H\u00e1 endere\u00e7os eletr\u00f4nicos voltados exclusivamente para facilitar a uni\u00e3o de funcion\u00e1rios p\u00fablicos, de pessoas acima do peso e at\u00e9 para t\u00edmidos at\u00e1vicos, colados ao computador, aos estudos e nada mais, que estejam procurando um novo amor. A prolifera\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios online impactou as tradicionais ag\u00eancias de casamento, que surgiram pela primeira vez nos Estados Unidos, na d\u00e9cada de 50. De acordo com um levantamento de VEJA S\u00c3O PAULO, nos anos 90 havia na capital paulista dez escrit\u00f3rios atuando no ramo. Hoje, s\u00e3o apenas tr\u00eas. Para a psic\u00f3loga Eliete Am\u00e9lia de Medeiros, diretora de uma dessas ag\u00eancias, a Eclipse Love, h\u00e1 diferen\u00e7as fundamentais entre os dois neg\u00f3cios. Diz ela: &#8220;Oferecemos um servi\u00e7o bem mais personalizado, pois entrevistamos todos os candidatos pessoalmente, tudo dentro do necess\u00e1rio sigilo. A pessoa que nos contrata n\u00e3o precisa ficar exposta na internet&#8221;. A ag\u00eancia faz uma triagem antes de aceitar o cadastro de um novo cliente. &#8220;\u00c9 preciso ter n\u00edvel superior, trabalhar, ser independente, n\u00e3o ser fumante ou estar acima do peso&#8221;, enumera Eliete. A Eclipse Love conta com 5 mil clientes que pagam entre 3 mil e 16 mil reais por at\u00e9 um ano de contrato. No pacote mais caro, olheiros chegam a ir para as ruas procurar o &#8220;pretendente perfeito&#8221;.<\/p>\n<p>Tanto nas ag\u00eancias do que chamamos de mundo f\u00edsico, no avesso da internet, como nos sites segmentados, que restringem o acesso dos usu\u00e1rios, boa parte dos clientes diz procurar um servi\u00e7o &#8211; e um relacionamento &#8211; &#8220;mais s\u00e9rio&#8221;. Em uma pesquisa realizada em 2014, com mais de 16 mil usu\u00e1rios, o Coroa Metade descobriu que encontrar algu\u00e9m que seja &#8220;companheiro para todas as horas&#8221; \u00e9 a caracter\u00edstica mais importante para 93% das mulheres e 88% dos homens cadastrados. Honestidade, fidelidade e bom humor tamb\u00e9m apareceram como qualidades desej\u00e1veis para a maioria dos entrevistados.<\/p>\n<p>Airton Gontow conta que h\u00e1 um ano vivenciou &#8220;um dos epis\u00f3dios mais emocionantes&#8221; de sua incipiente carreira como empres\u00e1rio: foi ao casamento de dois ex-clientes, Vera Garcia, de 47 anos, e H\u00e9lio Jos\u00e9 de Faria, de 60. Meses antes, Vera havia chamado a aten\u00e7\u00e3o da equipe do Coroa Metade ao dizer, logo no in\u00edcio de seu perfil, que tinha uma defici\u00eancia f\u00edsica, contudo vivia bem daquela forma. &#8220;Pelas fotos, s\u00f3 se via que Vera era muito bonita. N\u00e3o dava para constatar nenhuma defici\u00eancia&#8221;, lembra Gontow. Vera sofreu um acidente aos 11 anos e precisou amputar um dos bra\u00e7os. Para H\u00e9lio, isso nunca foi uma quest\u00e3o. Em menos de um ano de namoro, ele pediu Vera em casamento. &#8220;Encontrei o Helio no Coroa Metade em apenas duas semanas! Acabei fazendo meu cadastro porque em salas de bate-papo na web s\u00f3 encontrava molecada. O site acaba servindo como uma curadoria, pois podemos filtrar os candidatos por meio de uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas como n\u00edvel de educa\u00e7\u00e3o e local de resid\u00eancia&#8221;, afirma a ex-cliente de Gontow.<\/p>\n<p>Assim como Vera Garcia e H\u00e9lio Jos\u00e9 de Faria, Walter Ayres, o personagem que abre esta reportagem, acabou encontrando uma nova parceira. Pouco tempo depois de publicar seu perfil no Par Perfeito, uma conhecida o apresentou a uma amiga, ao modo antigo. &#8220;Gostei dela e estamos nos conhecendo&#8221;, diz ele. Seria uma prova definitiva de que os meios tradicionais para encontrar um novo relacionamento seguem imbat\u00edveis, descolados da internet? Ayres parece n\u00e3o apostar nisso. Por via das d\u00favidas, e com a experi\u00eancia que a idade lhe empresta, n\u00e3o fechou sua conta no site de relacionamentos. &#8220;Continuo recebendo mensagens e respondo a todas com cortesia, sem esconder que, no momento, estou conhecendo algu\u00e9m&#8221;. Mas logo emenda: &#8220;Se ficar sozinho novamente, volto para a internet.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cresce o n\u00famero de pessoas com mais de 40 anos que buscam um novo parceiro ou parceira em sites de relacionamento<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":76378,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[327],"tags":[],"class_list":["post-76377","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-multimidia"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/amor-maduro.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76377","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=76377"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/76377\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/76378"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=76377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=76377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=76377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}