{"id":77881,"date":"2015-08-16T06:35:52","date_gmt":"2015-08-16T09:35:52","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=77881"},"modified":"2015-08-16T06:35:52","modified_gmt":"2015-08-16T09:35:52","slug":"cervero-revela-que-assinou-contrato-superfaturado-para-pagar-dividas-da-campanha-de-lula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/cervero-revela-que-assinou-contrato-superfaturado-para-pagar-dividas-da-campanha-de-lula\/","title":{"rendered":"Cerver\u00f3 revela que assinou contrato superfaturado para pagar d\u00edvidas da campanha de Lula"},"content":{"rendered":"<header>\n<div class=\"row\">\n<h1 class=\"col-xs-13\" style=\"text-align: justify;\"><\/h1>\n<h2 class=\"col-xs-13\" style=\"text-align: justify;\"><em>O ex-diretor da Petrobras est\u00e1 prestes a assinar acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada, no qual conta que os contratos foram direcionados \u00e0 construtora Schahin com o prop\u00f3sito de saldar d\u00edvidas da campanha presidencial petista em 2006<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<p class=\"author row\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"prefixo-autor\">Por: <\/span><strong>Robson Bonin<\/strong><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"content col-xs-13\">\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Nestor Cerver\u00f3: o ex-presidente da Petrobras Jos\u00e9 S\u00e9rgio Gabrielli o incumbiu pessoalmente de cuidar dos problemas de caixa que o PT enfrentava depois da elei\u00e7\u00e3o de Lula para o segundo mandato\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/08\/14\/2102\/pe6Cx\/nestor-cervero-2014-123-original.jpeg?1439596916\" alt=\"Nestor Cerver\u00f3: o ex-presidente da Petrobras Jos\u00e9 S\u00e9rgio Gabrielli o incumbiu pessoalmente de cuidar dos problemas de caixa que o PT enfrentava depois da elei\u00e7\u00e3o de Lula para o segundo mandato\" \/><figcaption>Nestor Cerver\u00f3: o ex-presidente da Petrobras Jos\u00e9 S\u00e9rgio Gabrielli o incumbiu pessoalmente de cuidar dos problemas de caixa que o PT enfrentava depois da elei\u00e7\u00e3o de Lula para o segundo mandato<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio de 2007, a Petrobras experimentava uma in\u00e9dita onda de prosperidade estimulada pelas reservas rec\u00e9m-descobertas do pr\u00e9-sal. O segundo mandato de Lula estava no come\u00e7o. Com a economia aquecida e o consumo em alta, a ordem era investir. A \u00e1rea internacional da companhia, sob o comando do diretor Nestor Cerver\u00f3, aportou bilh\u00f5es de d\u00f3lares na compra de navios-sonda que preparariam a Petrobras para a busca do ouro negro em \u00e1guas profundas. Em mar\u00e7o daquele ano, uma opera\u00e7\u00e3o chamou aten\u00e7\u00e3o pela ousadia. Sem discuss\u00e3o pr\u00e9via com os t\u00e9cnicos e sem licita\u00e7\u00e3o, a estatal comprou uma sonda sul-coreana por 616 milh\u00f5es de d\u00f3lares. E, ainda mais suspeito, escolheu a desconhecida construtora Schahin para oper\u00e1-la, pagando mais 1,6 bilh\u00e3o de d\u00f3lares pelo servi\u00e7o. Um neg\u00f3cio espetacular &#8211; apenas para a empresa que vendeu a sonda e para a construtora, que tinha escassa expertise no ramo. A Lava-Jato descobriu que, como todos os contratos, esse tamb\u00e9m n\u00e3o ficou imune ao pagamento de propina a diretores e pol\u00edticos. O esc\u00e2ndalo, entretanto, vai muito mais al\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em dela\u00e7\u00e3o premiada, o operador Julio Camargo, que representava a Samsung na transa\u00e7\u00e3o do navio-sonda <em>Vit\u00f3ria 10\u2009000,<\/em> confessou ter pago 25 milh\u00f5es de d\u00f3lares em propinas a diretores e intermedi\u00e1rios, incluindo a\u00ed o pr\u00f3prio Cerver\u00f3. Com o esquema em torno da sonda revelado, faltava descobrir o papel da Schahin na opera\u00e7\u00e3o. E \u00e9 exatamente Nestor Cerver\u00f3, preso em Curitiba e agora negociando a sua dela\u00e7\u00e3o premiada, quem revela a parte at\u00e9 aqui desconhecida da hist\u00f3ria. Em um dos cap\u00edtulos do acordo que est\u00e1 prestes a assinar com o Minist\u00e9rio P\u00fablico, o ex-diretor da \u00e1rea internacional conta que os contratos de compra e opera\u00e7\u00e3o da sonda <em>Vit\u00f3ria 10\u2009000<\/em> foram direcionados \u00e0 construtora Schahin com o prop\u00f3sito de saldar d\u00edvidas da campanha presidencial de Lula, em 2006. E, por envolver o caixa direto da reelei\u00e7\u00e3o do petista, a jogada foi coordenada diretamente pela alta c\u00fapula da Petrobras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos primeiros relatos em busca do acordo, Cerver\u00f3 contou que o PT terminou 2006 com uma d\u00edvida de campanha de 60 milh\u00f5es de reais com o Banco Schahin, pertencente ao mesmo grupo que administrava a construtora. Sem condi\u00e7\u00f5es de quitar o d\u00e9bito pelas vias tradicionais, o partido usou os contratos da diretoria internacional para pagar a d\u00edvida da campanha. Ent\u00e3o presidente da estatal, Jos\u00e9 S\u00e9rgio Gabrielli incumbiu pessoalmente Cerver\u00f3 do caso. O ex-diretor recebeu ordens claras para direcionar o contrato bilion\u00e1rio da sonda \u00e0 Schahin. Uma vez contratada pela Petrobras, a empreiteira descontou a d\u00edvida do PT da propina devida aos corruptos do petrol\u00e3o. Para garantir o sil\u00eancio sobre o arranjo, a Schahin tamb\u00e9m pagou propina aos dirigentes da Petrobras envolvidos na transa\u00e7\u00e3o. Os repasses foram acertados pelo executivo Fernando Schahin, filho do fundador do grupo, Milton Schahin, e um dos dirigentes da Schahin Petr\u00f3leo e G\u00e1s. Fernando usou uma conta no banco su\u00ed\u00e7o Julius Baer para transferir a propina destinada aos dirigentes da estatal para o banco Cramer, tamb\u00e9m na Su\u00ed\u00e7a. O dinheiro chegou a Cerver\u00f3 e aos gerentes da \u00e1rea Internacional Eduardo Musa e Carlos Roberto Martins, igualmente citados como benefici\u00e1rios dos subornos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de amortizar as d\u00edvidas da campanha de 2006, o contrato da sonda <em>Vit\u00f3ria 10\u2009000<\/em> serviu para encerrar outro assunto nebuloso envolvendo empr\u00e9stimos do Banco Schahin e o PT. A hist\u00f3ria remonta ao assassinato do prefeito petista Celso Daniel, em Santo Andr\u00e9, em 2002. Durante o julgamento do mensal\u00e3o, ao pressentir que seria condenado \u00e0 pris\u00e3o pelo Supremo Tribunal Federal, Marcos Val\u00e9rio, o operador do esquema, tentou fechar um acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada com o Minist\u00e9rio P\u00fablico. Em depoimento na Procuradoria-Geral da Rep\u00fablica, ele narrou a hist\u00f3ria que agora pode se confirmar no petrol\u00e3o. Segundo Val\u00e9rio, o PT usou a Petrobras para pagar suborno a um empres\u00e1rio que amea\u00e7ava envolver Lula, Gilberto Carvalho e o mensaleiro preso Jos\u00e9 Dirceu na trama que resultou no assassinato de Celso Daniel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Val\u00e9rio contou aos procuradores que se recusou a fazer a opera\u00e7\u00e3o e que coube ao pecuarista Jos\u00e9 Carlos Bumlai, amigo pessoal de Lula, socorrer a c\u00fapula petista. Segundo ele, Bumlai contraiu um empr\u00e9stimo de 6 milh\u00f5es de reais no Banco Schahin para comprar o sil\u00eancio do chantagista. Depois, usou sua influ\u00eancia na Petrobras para conseguir os contratos da sonda para a construtora. O pr\u00f3prio Milton Schahin admitiu ter emprestado 12 milh\u00f5es de reais ao amigo de Lula. &#8220;O Bumlai pegou, sim, um empr\u00e9stimo, como tantas outras pessoas. Mas eu n\u00e3o sou obrigado a saber para que o dinheiro foi usado&#8221;, disse recentemente \u00e0 revista Piau\u00ed.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eivada de irregularidades, a contrata\u00e7\u00e3o da Schahin tornou-se alvo de investiga\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria Petrobras. A auditoria da estatal concluiu que a escolha da Schahin se deu sem &#8220;processo competitivo&#8221; e ocorreu a partir de \u00edndices operacionais de desempenho artificialmente inflados para justificar a contrata\u00e7\u00e3o. Os preju\u00edzos causados pela transa\u00e7\u00e3o em torno da <em>Vit\u00f3ria 10\u2009000<\/em> foram classificados pelos t\u00e9cnicos como &#8220;problemas pol\u00edticos&#8221;, que deveriam ser resolvidos pela c\u00fapula da estatal. N\u00e3o fosse pela Lava-Jato, a trama que envolve a campanha de Lula e os contratos na Petrobras permaneceria oculta nos or\u00e7amentos cifrados da estatal. A Schahin, que vira seu faturamento saltar de 133 milh\u00f5es de d\u00f3lares para 395 milh\u00f5es de d\u00f3lares durante os oito anos de governo Lula, seguiria faturando sem ser importunada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cerco, por\u00e9m, est\u00e1 se fechando. Os n\u00fameros das contas usadas no pagamento de propinas no exterior e at\u00e9 detalhes das viagens de Fernando Schahin \u00e0 Su\u00ed\u00e7a j\u00e1 foram entregues pelos ex-dirigentes da Petrobras aos procuradores. Apesar dos claros sinais de fraude no processo, o ex-presidente da estatal Jos\u00e9 S\u00e9rgio Gabrielli defendeu a compra da sonda ao depor como testemunha de defesa de Cerver\u00f3 na Justi\u00e7a. Procurados, os advogados de Cerver\u00f3 disseram que n\u00e3o poderiam se pronunciar sobre o andamento do acordo de dela\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio P\u00fablico. Os demais citados negaram envolvimento no caso. Ao falar da ordem para beneficiar a Schahin, Cerver\u00f3 reproduziu a frase que teria ouvido de Gabrielli: &#8220;Veio um pedido do homem l\u00e1 de cima. A sonda tem de ficar com a Schahin&#8221;. E assim foi feito. Cerver\u00f3 ainda n\u00e3o revelou quem era o tal &#8220;homem&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<\/div>\n<aside class=\"col-xs-5\">\n<div class=\"RightAd pull-right\"><\/div>\n<\/aside>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-diretor da Petrobras est\u00e1 prestes a assinar acordo de dela\u00e7\u00e3o premiada, no qual conta que os contratos foram direcionados \u00e0 construtora Schahin com o prop\u00f3sito de saldar d\u00edvidas da campanha presidencial petista em 2006<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":77882,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[4,6],"tags":[],"class_list":["post-77881","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque","category-municipios"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/nestor-cervero-2014-123-original.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77881","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=77881"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/77881\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=77881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=77881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=77881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}