{"id":79337,"date":"2015-08-24T00:20:41","date_gmt":"2015-08-24T03:20:41","guid":{"rendered":"http:\/\/acaopopular.net\/jornal\/?p=79337"},"modified":"2015-08-23T16:23:19","modified_gmt":"2015-08-23T19:23:19","slug":"quem-sao-os-psicopatas-do-cotidiano-voce-pode-estar-entre-eles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/acaopopular.net\/jornal\/quem-sao-os-psicopatas-do-cotidiano-voce-pode-estar-entre-eles\/","title":{"rendered":"Quem s\u00e3o os &#8220;Psicopatas do Cotidiano?&#8221; Voc\u00ea pode estar entre eles"},"content":{"rendered":"<header>\n<div class=\"row\">\n<h1 class=\"col-xs-13\"><\/h1>\n<h2 class=\"col-xs-13\"><em>A psiquiatra carioca Katia Mecler explica, em livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado, quem s\u00e3o essas pessoas. Eles podem estar no ambiente de trabalho, no apartamento da frente e at\u00e9 mesmo na fam\u00edlia<\/em><\/h2>\n<\/div>\n<p class=\"author row\"><span class=\"prefixo-autor\">Por: <\/span><strong>Carolina Melo<\/strong><\/p>\n<\/header>\n<div class=\"social-bar noindex\" data-social-toolbar=\"\"><\/div>\n<div class=\"row\">\n<div class=\"content col-xs-13\">\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" title=\"Katia Mecler\" src=\"http:\/\/msalx.veja.abril.com.br\/2015\/08\/20\/1812\/pe6Cx\/alx_katiamecler_foto_original.jpeg?1440105145\" alt=\"Katia Mecler\" \/><figcaption>A psiquiatra Katia Mecler fala sobre os &#8220;psicopatas do cotidiano&#8221; em livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado<span class=\"credito\">(Tiago de Paula Carvalho\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O ser humano \u00e9 fascinado por hist\u00f3rias de psicopatas. Os vil\u00f5es manipuladores que aparecem em manchetes de jornais e protagonizam filmes de terror prendem a aten\u00e7\u00e3o com suas atitudes perversas. O que muitos n\u00e3o sabem, contudo, \u00e9 que al\u00e9m dos casos mais graves, existe um tipo de psicopata que pode at\u00e9 n\u00e3o cometer crimes absurdos, mas que diariamente afeta a vida de quem est\u00e1 ao seu redor. A psiquiatra carioca Katia Mecler, de 50 anos, discorre sobre esse tipo de personalidade em seu rec\u00e9m-lan\u00e7ado livro <em>Psicopatas do Cotidiano: como reconhecer, como conviver, como se proteger<\/em>, da editora Casa da Palavra. A obra trata de pessoas que impingem um sofrimento di\u00e1rio a quem est\u00e1 pr\u00f3ximo. Elas podem estar no ambiente de trabalho, no tr\u00e2nsito, no condom\u00ednio e dentro da pr\u00f3pria fam\u00edlia. Disse Katia ao site de VEJA, em entrevista exclusiva sobre o livro: &#8220;Todos n\u00f3s podemos ser em algum momento da vida perversos, mentirosos e frios. O problema \u00e9 quando isso se torna frequente &#8212; deflagra-se uma patologia&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Como a senhora define os &#8220;psicopatas do cotidiano&#8221;, termo que d\u00e1 nome ao seu livro?<\/strong> S\u00e3o pessoas que desde a adolesc\u00eancia ou in\u00edcio da vida adulta desenvolveram um transtorno de personalidade e comportamento . Tais problemas t\u00eam como caracter\u00edstica o excesso de alguns tra\u00e7os comportamentais, como por exemplo mentira, manipula\u00e7\u00e3o, egocentrismo, frieza, desconfian\u00e7a e inseguran\u00e7a. Ao todo, s\u00e3o 25 tra\u00e7os estabelecidos pelo Manual de Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstica dos Transtornos Mentais (DSM-5), elaborado pela Associa\u00e7\u00e3o Americana de Psiquiatria. A maneira como pensamos, nos comportamos e sentimos naturalmente n\u00e3o \u00e9 est\u00e1tica. Sempre inclu\u00edmos em cada ato o que h\u00e1 de bom e de ruim em n\u00f3s. Qualquer um pode, em algum momento, ser malvado, agressivo, ego\u00edsta, arrogante, hostil, manipulador, descontrolado, explosivo&#8230; O problema \u00e9 quando essas caracter\u00edsticas se tornam repetitivas e inflex\u00edveis em v\u00e1rios momentos da vida, chegando ao ponto de causar sofrimento ou perturba\u00e7\u00e3o a si mesmo e, sobretudo, aos outros. \u00c9 a\u00ed que surge a patologia.<\/p>\n<p><strong>A senhora poderia dar alguns exemplos de psicopatas do cotidiano?<\/strong> Eles n\u00e3o s\u00e3o como os psicopatas que vemos em filmes com serial killers e n\u00e3o necessariamente aparecem em manchetes de jornais porque cometeram um crime. Essas pessoas fazem parte da nossa rotina e nem sabemos que elas t\u00eam um transtorno. \u00c9 o chefe que desqualifica o funcion\u00e1rio publicamente, o namorado excessivamente grudento, o parente &#8220;esquisit\u00e3o&#8221; que vive enfurnado em casa e evitar contato com outros, o vizinho que est\u00e1 sempre buscando motivos pra criar confus\u00e3o no condom\u00ednio, os pais que frequentemente fazem chantagem emocional com os filhos para que eles tomem atitudes contr\u00e1rias \u00e0s suas vontades, os motoristas que perdem a cabe\u00e7a no tr\u00e2nsito constantemente&#8230;<\/p>\n<p><strong>Eles t\u00eam consci\u00eancia de que sofrem de um transtorno?<\/strong> Em geral, n\u00e3o. Eles podem se sentir diferentes, mas apenas porque acreditam que s\u00e3o superiores. E eles n\u00e3o perdem o ju\u00edzo da realidade, tampouco seus sintomas aparecem na forma de surtos, com del\u00edrios e alucina\u00e7\u00f5es, como em casos de esquizofrenia e transtorno bipolar. A pessoa \u00e9 daquele jeito e age sempre da mesma maneira em determinadas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>O que esses psicopatas t\u00eam em comum com aqueles que cometem crimes?<\/strong> Os psicopatas que cometem crimes tamb\u00e9m t\u00eam um transtorno de personalidade, que pertence ao grupo dos antissociais. Mas em um grau ainda mais severo. Eles s\u00e3o frios, oportunistas, impiedosos, manipuladores e mentirosos. \u00c9 comum utilizarem o outro como trampolim para satisfazer os desejos. Eles carecem de culpa e empatia e n\u00e3o se importam com as regras, conven\u00e7\u00f5es nem com o restante da humanidade. Muito se fala sobre esses &#8220;vil\u00f5es&#8221;, mas poucos lembram que podemos conviver diariamente com o que chamo de &#8220;psicopatas do cotidiano&#8221;.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 se nasce psicopata?<\/strong> N\u00e3o, ningu\u00e9m nasce com personalidade definida. Ela \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o entre temperamento e car\u00e1ter. O temperamento \u00e9 herdado geneticamente e regulado biologicamente. J\u00e1 o car\u00e1ter est\u00e1 ligado \u00e0 rela\u00e7\u00e3o que existe entre o temperamento e tudo o que vivenciamos e aprendemos com o mundo exterior, o ambiente. Nascemos com as sementes do bem e do mal, mas como elas v\u00e3o germinar, crescer e dar frutos depende de uma s\u00e9rie de fatores que irrigar\u00e3o a nossa vida, como a educa\u00e7\u00e3o que recebemos, frustra\u00e7\u00f5es que vivenciamos e traumas severos. \u00c9 poss\u00edvel notar o temperamento de uma crian\u00e7a, mas somente depois que ele for combinado ao car\u00e1ter que ser\u00e1 formado. \u00c9 isso que, no futuro, forma um psicopata.<\/p>\n<p><strong>Quem sofre mais? O pr\u00f3prio psicopata do cotidiano ou as pessoas que eles fazem sofrer?<\/strong> A maioria dos psicopatas do cotidiano n\u00e3o percebe o constrangimento, o mal-estar e o sofrimento que espalham ao seu redor. Ent\u00e3o, em tese, pode-se dizer que as pessoas ao redor do psicopata do cotidiano sofrem mais do que ele. Por\u00e9m, \u00e9 preciso destacar que alguns tra\u00e7os patol\u00f3gicos de personalidade tamb\u00e9m acarretam muito sofrimento ao indiv\u00edduo.<\/p>\n<p><strong>Eles conseguem amar?<\/strong> Se houver amor, ser\u00e1 por si pr\u00f3prio. Os psicopatas tendem a ser narcisistas, eles s\u00f3 reconhecem qualidades em si mesmos e acreditam que s\u00e3o pessoas muito especiais. \u00c9 claro que n\u00e3o h\u00e1 nada errado em ter autoconfian\u00e7a e boa autoestima, dois elementos que, quando equilibrados, trazem sociabilidade e seguran\u00e7a. O problema \u00e9 que pessoas com tra\u00e7os de egocentrismo e grandiosidade levam essas caracter\u00edsticas ao extremo e acreditem que suas contribui\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito mais valiosas do que na realidade.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 algum tratamento recomendado?<\/strong> Em geral, os psicopatas do cotidiano n\u00e3o se responsabilizam pelos pr\u00f3prios atos. Eles est\u00e3o sempre culpando os outros e costumam injetar sentimentos de culpa no outro. Acham que o problema est\u00e1 fora, que o mundo os atrapalha. Para eles, quando algo n\u00e3o vai bem em suas vidas, o problema \u00e9 dos que os cercam. Em rela\u00e7\u00e3o ao tratamento, o mais utilizado \u00e9 a psicoterapia cognitiva, t\u00e9cnica que leva o indiv\u00edduo a reconhecer o que ele faz e como suas atitudes inflex\u00edveis causam preju\u00edzos aos outros.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A psiquiatra carioca Katia Mecler explica, em livro rec\u00e9m-lan\u00e7ado, quem s\u00e3o essas pessoas. 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